{"id":2290,"date":"2012-01-21T00:40:02","date_gmt":"2012-01-21T00:40:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2290"},"modified":"2012-01-21T00:40:02","modified_gmt":"2012-01-21T00:40:02","slug":"a-realidade-mal-contada-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2290","title":{"rendered":"A realidade mal contada da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"\n<p>A mistaken case for Syrian regime change<\/p>\n<p>Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu<\/p>\n<p><strong>Aisling Byrne coordena projetos do Conflicts Forum em Beirute.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA guerra contra o Ir\u00e3 j\u00e1 come\u00e7ou\u201d \u2013 escreveu recentemente um conhecido analista israelense, sobre a \u201ccombina\u00e7\u00e3o de guerra clandestina e press\u00e3o internacional\u201d contra o Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o mencionado, o \u201cpr\u00eamio estrat\u00e9gico\u201d do primeiro est\u00e1gio dessa guerra contra o Ir\u00e3 \u00e9 a S\u00edria, primeira campanha de uma guerra sect\u00e1ria muito mais ampla. \u201cExceto o colapso da pr\u00f3pria Rep\u00fablica Isl\u00e2mica\u201d, teria dito o rei Abdullah da Ar\u00e1bia Saudita, no ver\u00e3o passado, \u201cnada enfraqueceria mais o Ir\u00e3 do que perder a S\u00edria\u201d [1].<\/p>\n<p>Em dezembro, altos funcion\u00e1rios dos EUA falaram explicitamente sobre a agenda norte-americana para as mudan\u00e7as na S\u00edria: Tom Donilon, Conselheiro de Seguran\u00e7a Nacional dos EUA, explicou que \u201co fim do regime [do presidente Bashar al-] Assad ser\u00e1 a principal derrota do Ir\u00e3 na regi\u00e3o \u2013 golpe estrat\u00e9gico que alterar\u00e1, contra o Ir\u00e3, o equil\u00edbrio de poder na regi\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Pouco antes, outro alto funcion\u00e1rio, com fun\u00e7\u00e3o chave na operacionaliza\u00e7\u00e3o daquela pol\u00edtica, o subsecret\u00e1rio de Estado para o Oriente Pr\u00f3ximo, Jeffrey Feltman, j\u00e1 havia declarado, em audi\u00eancia no Congresso, que os EUA \u201cperseguiremos incansavelmente uma estrat\u00e9gia de dois bra\u00e7os, apoiando diplomaticamente a oposi\u00e7\u00e3o e estrangulando financeiramente o regime [s\u00edrio], at\u00e9 conseguirmos que saia de l\u00e1\u201d [2].<\/p>\n<p><strong>O que o mundo v\u00ea acontecer hoje na S\u00edria \u00e9 campanha deliberada, calculada, para derrubar o governo de Assad, para substitu\u00ed-lo por outro, que seja \u201cmais compat\u00edvel\u201d com os interesses dos EUA na regi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>A \u201cplanta baixa\u201d desse projeto foi produzida pelo Instituto Brookings, dos neoconservadores, com todo o plano para a \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d no Ir\u00e3 em 2009. Esse trabalho \u2013 \u201cQual o Caminho at\u00e9 a P\u00e9rsia?\u201d (orig. \u201cWhich Path to Persia?\u201d [3]) \u2013 continua a ser a abordagem estrat\u00e9gica geral para o processo de mudar o regime no Ir\u00e3, e processo a ser conduzido pelos EUA.<\/p>\n<p>Uma releitura daquele projeto, e a leitura de outro projeto, mais recente \u2013 \u201cRumo \u00e0 S\u00edria p\u00f3s-Assad\u201d (orig. \u201cTowards a Post-Assad Syria\u201d [4], que adota a mesma linguagem e a mesma perspectiva, mas foca a S\u00edria, n\u00e3o o Ir\u00e3, recentemente produzido por dois think-tank neoconservadores), mostram com clareza como os desenvolvimentos na S\u00edria foram modelados nos termos do plano \u201cCaminhos at\u00e9 a P\u00e9rsia\u201d, todos com o mesmo objetivo: derrubar o governo Assad.<\/p>\n<p>Entre os autores desses estudos est\u00e3o, al\u00e9m de outros, John Hannah e Martin Indyk, ambos neoconservadores de destaque nos governos George W Bush\/Dick Cheney, e ambos dedicados advogados da derrubada do governo s\u00edrio [5].N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que se v\u00ea parceria muito \u00edntima de neoconservadores norte-americanos e brit\u00e2nicos, com islamistas (inclusive, como j\u00e1 se sabe [6], com islamistas muito ligados \u00e0 al-Qaeda), todos trabalhando em associa\u00e7\u00e3o, para derrubar governos de estados considerados \u201cinimigos\u201d.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que o componente mais importante nessa luta em busca do \u201cpr\u00eamio estrat\u00e9gico\u201d foi a deliberada constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa quase completamente falsa, em que manifestantes democr\u00e1ticos desarmados s\u00e3o mostrados como se estivessem sendo mortos \u00e0s centenas e milhares, quando protestam pacificamente contra o governo opressor, violento, \u201ca m\u00e1quina de matar\u201d [7] comandada por Assad, o \u201cmonstro\u201d [8].<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, na L\u00edbia, a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte, OTAN declarava que \u201cn\u00e3o h\u00e1 baixas confirmadas entre os civis\u201d, porque, como o New York Times explicou recentemente, \u201ca OTAN criou defini\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para o adjetivo \u201cconfirmadas\u201d: s\u00f3 se contam como \u201cmortes confirmadas\u201d os casos que a pr\u00f3pria OTAN tenha investigado e comprovado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMas, uma vez que a OTAN absolutamente n\u00e3o investiga nenhuma den\u00fancia de morte de civis\u201d \u2013 completou o NYT\u2013, \u201cn\u00e3o h\u00e1 o que arranque do zero a lista da Alian\u00e7a, de baixas entre os civis\u201d [9].<\/p>\n<p>No caso da S\u00edria, v\u00ea-se exatamente o contr\u00e1rio: a maioria das imprensa-empresas ocidentais, praticamente todos os grandes ve\u00edculos, e a imprensa-empresa nos pa\u00edses aliados dos EUA na regi\u00e3o, especialmente a rede al-Jazeera e os canais al-Arabiya de televis\u00e3o, propriedade dos sauditas, colaboram ativamente para repetir e distribuir a narrativa da \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d e uma agenda pela qual absolutamente nenhum jornalista e nenhum ve\u00edculo questiona ou examina os n\u00fameros ou qualquer tipo de informa\u00e7\u00e3o distribu\u00eddos por outros ve\u00edculos de imprensa-empresa e organiza\u00e7\u00f5es que, ou s\u00e3o propriedade de estados aliados na alian\u00e7a EUA\/Europa\/Golfo, ou s\u00e3o financiados por eles. A Alian\u00e7a EUA\/Europa\/Golfo re\u00fane exatamente os mesmos pa\u00edses que, desde o in\u00edcio, planejaram todo o golpe para derrubar o governo de Assad.<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 not\u00edcias sobre \u201cmassacres\u201d, \u201ccampanhas de estupro de mulheres e meninas, predominantemente nas cidades sunitas\u201d [10], \u201ctortura\u201d, e, mesmo \u201cestupro de crian\u00e7as\u201d [11] s\u00e3o not\u00edcias sempre presentes nos ve\u00edculos internacionais, que s\u00f3 citam duas fontes: ou o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos (que s\u00f3 existe em Londres) ou os Comit\u00eas Locais de Coordena\u00e7\u00e3o (orig. Local Co-ordination Committees, LCCs) \u2013, com informa\u00e7\u00f5es apenas repetidas, que nenhum jornal ou jornalista nem procura verificar nem procura confirmar.<\/p>\n<p><strong>Por tr\u00e1s do bord\u00e3o jornal\u00edstico \u2013 \u201cn\u00e3o h\u00e1 como confirmar esses n\u00fameros\u201d \u2013, o que se v\u00ea \u00e9 a nenhuma confian\u00e7a que merecem os grandes ve\u00edculos da imprensa-empresa ocidental, o que j\u00e1 se via bem vis\u00edvel desde os primeiros eventos na S\u00edria. Uma d\u00e9cada depois da guerra do Iraque, ainda n\u00e3o se aprenderam nem as li\u00e7\u00f5es de 2003, da demoniza\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica de Saddam Hussein e de inexistentes armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. <\/strong><\/p>\n<p>As tr\u00eas principais fontes de todos os dados e n\u00fameros referentes a manifestantes mortos e a n\u00famero de pessoas em manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na S\u00edria \u2013 pilares da narrativa jornal\u00edstica \u2013 s\u00e3o, as tr\u00eas, organiza\u00e7\u00f5es que participam da mesma alian\u00e7a para \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d.<\/p>\n<p>Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos, especialmente, \u00e9 mantido com recursos de um Fundo, com sede em Dubai, no qual se misturam \u2013 o suficiente para n\u00e3o serem rastre\u00e1veis \u2013 recursos do Ocidente-Golfo (segundo Elliot Abrams [12], s\u00f3 a Ar\u00e1bia Saudita alocou US$130 bilh\u00f5es para \u201cajudar as massas\u201d da Primavera \u00c1rabe).<\/p>\n<p>Apresentado sempre como \u201corganiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos\u201d, o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos tem cumprido papel chave para manter ativa a narrativa das matan\u00e7as sem fim, de milhares de manifestantes pac\u00edficos assassinados, sempre distribuindo n\u00fameros inflados, \u201cfatos\u201d sem qualquer confirma\u00e7\u00e3o, \u201ctelegramas\u201d sobre \u201cmassacres\u201d e j\u00e1 falou, recentemente, de \u201cgenoc\u00eddio\u201d.<\/p>\n<p>Embora declare que mant\u00e9m sede na casa do atual diretor [13], o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos tem sido denunciado como \u201cfachada\u201d de vasto esquema de propaganda montado pela oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria e seus financiadores. Recentemente, o ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da R\u00fassia disse claramente [14]:<\/p>\n<p>A agenda do conselho de transi\u00e7\u00e3o [da S\u00edria] \u00e9 montada em Londres, pelo Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos (&#8230;). Ali se fazem tamb\u00e9m as imagens do \u201chorror\u201d na S\u00edria, para difundir o \u00f3dio contra o regime de Assad.<\/p>\n<p>O Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos n\u00e3o tem qualquer registro legal, nem como institui\u00e7\u00e3o de caridade no Reino Unido, e opera informalmente; n\u00e3o tem nem instala\u00e7\u00f5es de escrit\u00f3rio, nem equipe e sabe-se que seu diretor administra quantidade consider\u00e1vel de dinheiro.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es que o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos recebe, pelo que se sabe, v\u00eam de uma rede de \u201cativistas\u201d que opera dentro da S\u00edria; o website, em ingl\u00eas \u00e9 uma \u00fanica p\u00e1gina, mas a rede al-Jazeera hospeda um blog do Observat\u00f3rio, atualizado a cada minuto, desde o in\u00edcio dos protestos [15].<\/p>\n<p>A segunda fonte de \u201cdados\u201d que o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos distribui, os Comit\u00eas Locais de Coordena\u00e7\u00e3o (orig. Local Co-ordination Committees, LCCs), s\u00e3o a face mais vis\u00edvel da infraestrutura de m\u00eddia da oposi\u00e7\u00e3o; todos os dados distribu\u00eddos pelos LCCs s\u00e3o constru\u00eddos e distribu\u00eddos no bojo da mesma narrativa [16] para a qual trabalha tamb\u00e9m o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos: ao analisar relat\u00f3rios di\u00e1rios dos LCCs, n\u00e3o encontrei sequer uma refer\u00eancia a opositores armados mortos; os mortos s\u00e3o sempre \u201cm\u00e1rtires\u201d, \u201cdesertores do ex\u00e9rcito de Assad\u201d, gente morta em \u201cmanifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas\u201d e express\u00f5es equivalentes.<\/p>\n<p>A terceira fonte de \u201cdados\u201d que chegam \u00e0 imprensa-empresa ocidental \u00e9 a rede al-Jazeera, cuja cobertura distorcida dos Levantes j\u00e1 est\u00e1 bem documentada. Descrita por um experiente analista de m\u00eddia [17] como \u201calto-falante sofisticado do estado do Qatar e de seu ambicioso emir\u201d, a rede al-Jazeera \u00e9 instrumento das \u201caspira\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica externa\u201d do Qatar.<\/p>\n<p>Al-Jazeera sempre ofereceu e continua a fornecer [18] apoio t\u00e9cnico, equipamento, hospedagem e \u201ccredibilidade\u201d aos ativistas e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o ao governo de Assad na S\u00edria. An\u00e1lises j\u00e1 mostraram que desde mar\u00e7o de 2011, a rede al-Jazeera tem dado apoio t\u00e9cnico e servido como instrumento de comunica\u00e7\u00e3o a exilados s\u00edrios ativos na oposi\u00e7\u00e3o a Assad [19], os quais desde janeiro de 2010 coordenavam, atrav\u00e9s da al-Jazeera, os seus servi\u00e7os de not\u00edcia, em Doha, Qatar.<\/p>\n<p>Mas, apesar do trabalho de quase dez meses, e apesar do massacre promovido diariamente pelas redes noticiosas ocidentais, o projeto de derrubar Assad n\u00e3o parece estar saindo como o esperado: pesquisa que a Qatar Foundation encomendou a empresa YouGov [20] mostrou, semana passada, que 55% dos s\u00edrios n\u00e3o querem a sa\u00edda de Assad; e que 68% dos s\u00edrios desaprovam as san\u00e7\u00f5es impostas pela Liga \u00c1rabe \u00e0 S\u00edria.<\/p>\n<p><strong>Segundo essa pesquisa, o apoio a Assad tem, de fato, aumentado, desde o in\u00edcio dos atuais tumultos \u2013 46% dos s\u00edrios sentiam que Assad foi \u201cbom\u201d presidente antes do in\u00edcio dos eventos recentes no pa\u00eds \u2013 dado que absolutamente n\u00e3o se encaixa na falsa narrativa que est\u00e1 sendo promovida. <\/strong><\/p>\n<p>Mas, como que para reafirmar o sucesso de sua pr\u00f3pria campanha de propaganda, a pesquisa conclui, no sum\u00e1rio, que:<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos \u00e1rabes acreditava que o presidente s\u00edrio Basher al-Assad deveria renunciar logo que o regime come\u00e7ou a responder com brutalidade \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es (&#8230;) 81% dos \u00e1rabes [desejam] que o presidente Assad renuncie. Acreditam que a S\u00edria ter\u00e1 melhores resultados se se realizarem elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, sob a supervis\u00e3o do governo de transi\u00e7\u00e3o\u201d. [21]<\/p>\n<p>Fica-se sem saber a quem o presidente Assad deve prestar contas \u2013 aos s\u00edrios ou \u201c\u00e0 maioria\u201d dos \u00e1rabes? Apagar as linhas demarcat\u00f3rias e confundir grupos, talvez seja \u00fatil: os dois principais grupos de oposi\u00e7\u00e3o na S\u00edria j\u00e1 anunciaram [22] que, apesar de se oporem a qualquer interven\u00e7\u00e3o militar estrangeira, n\u00e3o consideram estrangeira qualquer \u201cinterven\u00e7\u00e3o \u00e1rabe\u201d.<\/p>\n<p>Nenhum ve\u00edculo da grande m\u00eddia, nenhum grande jornal e nenhuma rede de not\u00edcias comentou os resultados da pesquisa de YouGov \u2013 e que n\u00e3o se encaixam na narrativa que se dedicam a construir.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e3-Bretanha, s\u00f3 o jornal amador, Muslim News [23] comentou a pesquisa de YouGov; apenas duas semanas antes, logo depois das explos\u00f5es dos suicidas-bomba em Damasco, os dois Guardian [24], como v\u00e1rios outros jornais, poucas horas depois das explos\u00f5es, j\u00e1 publicavam mat\u00e9rias sensacionalistas, sem qualquer informa\u00e7\u00e3o aproveit\u00e1vel, recolhidas de blogueiros, entre os quais um, que dizia que \u201calguns dos cad\u00e1veres podem ser cad\u00e1veres de manifestantes\u201d.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 aconteceu antes, de eles plantarem cad\u00e1veres\u201d \u2013 dizia o blogueiro. \u201cTrazem cad\u00e1veres de Dera [no sul] para exibi-los. E tamb\u00e9m mostraram cad\u00e1veres a jornalistas em Jisr al-Shughour [perto da fronteira turca]\u201d.<\/p>\n<p>Mat\u00e9rias recentes lan\u00e7am s\u00e9rias d\u00favidas sobre a confiabilidade da narrativa martelada todos os dias pela grande imprensa internacional, sobretudo quando s\u00f3 repetem informa\u00e7\u00e3o distribu\u00edda pelo Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos e pelos Comit\u00eas Locais de Coordena\u00e7\u00e3o (orig. Local Co-ordination Committees, LCCs).<\/p>\n<p><strong>Em dezembro, o grupo Stratford, da intelig\u00eancia dos EUA, alertava:<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1 se sabe que grande parte das declara\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o [s\u00edria] n\u00e3o passam de exageros grosseiros ou s\u00e3o simplesmente falsas (&#8230;) revelando mais sobre as fraquezas da oposi\u00e7\u00e3o, do que sobre o n\u00edvel de instabilidade do governo s\u00edrio [25] [25a].<\/strong><\/p>\n<p>No nono m\u00eas dos tumultos, Stratfor recomendava cautela em contatos com a narrativa que se lia na grande m\u00eddia sobre a S\u00edria; em setembro, o Instituto comentou que \u201ctodas as guerras t\u00eam dois lados (&#8230;) e a guerra de percep\u00e7\u00f5es sobre a S\u00edria n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o\u201d [26] [25a].<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios do Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos e dos Comit\u00eas Locais de Coordena\u00e7\u00e3o (orig. Local Co-ordination Committees, LCCs), \u201ccomo relatos distribu\u00eddos pelo governo s\u00edrio, devem, em todos os casos, ser tomados com cautela e ceticismo\u201d \u2013 alerta Stratfor; \u201ca oposi\u00e7\u00e3o entende que carece de apoio externo, sobretudo de apoio financeiro, se quiser que o movimento cres\u00e7a; e tem, portanto, todos os motivos para apresentar os fatos de modo que facilite o processo para obter financiamento estrangeiro.\u201d<\/p>\n<p>Como observou o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da R\u00fassia, Sergey Lavrov, \u201c\u00c9 claro que o objetivo \u00e9 provocar uma cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria, que criar\u00e1 o pretexto para pedir interfer\u00eancia externa naquele conflito\u201d [27]. Na mesma linha, em meados de dezembro, lia-se em American Conservative:<\/p>\n<p><strong>Analistas da CIA [Central Intelligence Agency, Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia dos EUA] n\u00e3o consideram garantido o avan\u00e7o rumo \u00e0 guerra. Relat\u00f3rio da ONU frequentemente citado, segundo o qual mais de 3.500 civis teriam sido mortos por soldados de Assad, praticamente s\u00f3 reproduz informa\u00e7\u00e3o de fontes rebeldes e n\u00e3o foi jamais confirmado. A Ag\u00eancia ainda n\u00e3o confirmou nenhuma daquelas not\u00edcias.<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo vale para not\u00edcias sobre deser\u00e7\u00e3o em massa de soldados do ex\u00e9rcito s\u00edrio, e sobre batalhas que estariam acontecendo entre desertores e legalistas, que tamb\u00e9m parecem ser fic\u00e7\u00e3o; at\u00e9 agora s\u00f3 se confirmaram, por fontes independentes, algumas poucas deser\u00e7\u00f5es. O que o governo s\u00edrio tem repetido (que est\u00e1 sendo atacado por rebeldes armados, treinados e financiados por governos estrangeiros) \u00e9 mais verdadeiro que falso. [28]<\/p>\n<p>Recentemente, em novembro, o Ex\u00e9rcito S\u00edria Livre [orig. Free Syria Army] sugeriu que teria mais soldados do que realmente tem; de fato, como explicou um analista, \u201cest\u00e3o aconselhando os apoiadores a adiar a deser\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e0 espera de que as condi\u00e7\u00f5es regionais melhorem. [29]<\/p>\n<p><strong>Instru\u00e7\u00f5es para Derrubar Governos <\/strong><\/p>\n<p>Sobre a S\u00edria, a Parte III de \u201cQual o caminho at\u00e9 P\u00e9rsia?\u201d (orig. \u201cWhich Path to Persia?\u201d [3]) \u00e9 especialmente importante. Trata-se de um guia, passo a passo, de in\u00fameras maneiras para instigar e apoiar levante popular, criar \u201cclima\u201d que leve \u00e0 insurg\u00eancia e\/ou provocar golpe de Estado. O guia completa-se com uma se\u00e7\u00e3o de \u201cPr\u00f3s e Contras\u201d:<\/p>\n<p>Em geral, \u00e9 mais f\u00e1cil instigar e apoiar insurg\u00eancias rebeldes, se se est\u00e1 fora do pa\u00eds alvo (&#8230;). Sabe-se muito bem que \u00e9 barato instigar e apoiar levantes em outros pa\u00edses (&#8230;) Os EUA sempre podem oferecer apoio a rebeldes em outros pa\u00edses, preservando para si condi\u00e7\u00f5es de \u201cnegabilidade plaus\u00edvel\u201d [29a] (&#8230;), [com menos] efeitos diplom\u00e1ticos e pol\u00edticos (&#8230;) do que se os EUA tivessem de empreender a\u00e7\u00e3o militar direta (&#8230;). T\u00e3o logo o regime esteja j\u00e1 suficientemente minado, surge a oportunidade para agir diretamente.<\/p>\n<p>A \u201ca\u00e7\u00e3o militar\u201d, diz o documento, s\u00f3 ser\u00e1 empreendida depois de tentadas v\u00e1rias outras op\u00e7\u00f5es que tenham fracassado, de modo que a \u201ccomunidade internacional\u201d possa concluir, no caso de ataque, que \u201c[o pr\u00f3prio governo atacado] condenou-se, ele mesmo, a ser atacado\u201d, porque se recusou a aceitar as boas condi\u00e7\u00f5es de rendi\u00e7\u00e3o que lhe foram propostas.<\/p>\n<p>Veem-se em plena opera\u00e7\u00e3o na S\u00edria v\u00e1rios itens da \u2018receita\u2019 para instigar levantes populares e para construir \u201csitua\u00e7\u00e3o de plena guerrilha\u201d em pa\u00eds estrangeiro que se l\u00ea em [3], dentre os quais, por exemplo:<\/p>\n<p>\u201cFinanciar e ajudar a organizar grupos locais da oposi\u00e7\u00e3o ao governo [a ser \u201cinstabilizado\u201d], inclusive grupos \u00e9tnicos \u201cinfelizes\u201d;\u201cConstruir capacidade na \u201coposi\u00e7\u00e3o efetiva\u201d com a qual podemos \u201ctrabalhar\u201d para \u201ccriar lideran\u00e7a alternativa que possa assumir o poder\u201d; Prover equipamento e apoio clandestino (direto ou indireto) aos grupos, inclusive armamento, al\u00e9m de \u201cm\u00e1quinas de fax (&#8230;) acesso \u00e0 internet, dinheiro\u201d. (Sobre o Iraque, o documento relata que \u201ca CIA encarregou-se de parte significativa dos suprimentos e do treinamento dos grupos da oposi\u00e7\u00e3o local, como fez ao longo de d\u00e9cadas, em todo o mundo\u201d); Treinar agentes locais e facilitar os servi\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de notici\u00e1rio nos grupos de ativistas da exposi\u00e7\u00e3o; Construir uma narrativa \u201ccom o apoio dos ve\u00edculos de m\u00eddia nos EUA que reforce os tra\u00e7os negativos do regime local e d\u00ea destaque a cr\u00edticas que, sem o refor\u00e7o da nova narrativa, poderiam permanecer na obscuridade\u201d; \u00e9 crucial, para o colapso do regime, que ele seja desacreditado entre os \u201cformadores de opini\u00e3o\u201d; Criar or\u00e7amento folgado para financiar grande n\u00famero de iniciativas lideradas pela sociedade civil (o chamado \u201cfundo de $75 milh\u00f5es\u201d, criado pela ex-secret\u00e1ria de Estado Condoleezza Rice, financiou v\u00e1rios grupos da sociedade civil, inclusive \u201cum punhado de think-tanks e institui\u00e7\u00f5es no \u2018Cintur\u00e3o do Poder em Washington\u2019 [orig. Beltway-based think-tanks and institutions] que se converteram em fonte de material a ser publicado sobre o Ir\u00e3, em toda a imprensa\u201d) [30]; e, dentre outros: Criar um corredor adjacente, em pa\u00eds vizinho \u201cpara ajudar a desenvolver a infraestrutura necess\u00e1ria para apoiar as opera\u00e7\u00f5es para mudan\u00e7a de regime\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso\u201d, prossegue o relat\u00f3rio, \u201ca press\u00e3o econ\u00f4mica feita pelos EUA (e \u00e0s vezes tamb\u00e9m a press\u00e3o militar) contribui para desacreditar o governo local, e a popula\u00e7\u00e3o passa a tender na dire\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Os EUA e seus aliados, especialmente a Gr\u00e3-Bretanha [31] e a Fran\u00e7a, financiaram e ajudaram a \u201cmodelar\u201d a oposi\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio \u2013 em a\u00e7\u00f5es iniciadas pelos EUA em 2006, com o objetivo de construir uma frente de oposi\u00e7\u00e3o contra o governo de Assad, retomadas depois do que foi definido como o \u201csucesso\u201d do modelo do Conselho de Transi\u00e7\u00e3o na L\u00edbia [32].<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos meses de trabalho \u2013 predominantemente executado pelo ocidente \u2013, na tentativa de reunir os v\u00e1rios grupos dissidentes e criar um movimento unido de oposi\u00e7\u00e3o, os grupos continuaram \u201cdiversos e irreconcili\u00e1veis, como as muitas divis\u00f5es ideol\u00f3gicas, sect\u00e1rias e generacionais presentes no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNunca houve nem h\u00e1 hoje [na S\u00edria] nenhum tipo de tend\u00eancia natural \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o desses muitos grupos, porque h\u00e1 entre eles contextos ideol\u00f3gicos completamente diferentes uns dos outros e vis\u00f5es pol\u00edticas divergentes, quando n\u00e3o antag\u00f4nicas\u201d \u2013 concluiu um analista [33].<\/p>\n<p>Recentemente, em visita ao ministro brit\u00e2nico de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, os v\u00e1rios grupos sequer aceitaram participar de reuni\u00e3o conjunta com William Hague, motivo pelo qual se realizaram v\u00e1rias reuni\u00f5es, para que alguns grupos da \u2018oposi\u00e7\u00e3o\u2019 s\u00edria sequer precisassem ver-se [34].<\/p>\n<p>Mesmo assim, apesar da falta de coes\u00e3o, de credibilidade interna e de legitimidade, essa oposi\u00e7\u00e3o, reunida sob o guarda-chuva de um Conselho Nacional S\u00edrio [ing. Syrian National Council (SNC), est\u00e1 sendo empurrada para ocupar o poder na S\u00edria. O processo exige que se construam capacidades, como reconhece at\u00e9 o ex-embaixador da S\u00edria aos EUA, Rafiq Juajati, atualmente na oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em meados de dezembro de 2011, em reuni\u00e3o fechada em Washington DC, Juajati confirmou que o Departamento de Estado dos EUA e o German Institute for International and Security Affairs (SWP) \u2013 think-tank que produz an\u00e1lises de pol\u00edtica exterior para o governo alem\u00e3o \u2013 estavam financiando um projeto administrado pelo US Institute for Peace e pelo SWP, e executado em parceria com o Conselho Nacional S\u00edrio, de forma\u00e7\u00e3o de governantes, preparando o Conselho Nacional S\u00edrio para tomar o poder e governar a S\u00edria.<\/p>\n<p>Burhan Ghaliyoun, do Conselho Nacional S\u00edrio, revelou (para \u201cacelerar o processo\u201d da queda de Assad) [35] as \u201ccompet\u00eancias\u201d para governar que lhe estavam sendo \u201censinadas\u201d: \u201cNenhuma rela\u00e7\u00e3o especial com o Ir\u00e3; romper o relacionamento de exce\u00e7\u00e3o que h\u00e1 entre S\u00edria e Ir\u00e3 implica quebrar aquela alian\u00e7a militar estrat\u00e9gica\u201d. E acrescentou: \u201cdepois da queda do regime s\u00edrio, o Hezbollah nunca mais ser\u00e1 o mesmo\u201d [36].<\/p>\n<p>Descritos na revista Slate [37] como \u201ca oposi\u00e7\u00e3o mais liberal e de tend\u00eancias mais claramente pr\u00f3-ocidente de todos os levantes da Primavera \u00e1rabe\u201d, os grupos da oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria mostram-se t\u00e3o cordatos e obedientes quanto a oposi\u00e7\u00e3o l\u00edbia antes da queda de Muammar Gaddafi, que o New York Times descrevia como \u201cprofissionais seculares de cabe\u00e7a aberta \u2013 advogados, professores, empres\u00e1rios \u2013 que falam de democracia, transpar\u00eancia, direitos humanos e obedi\u00eancia \u00e0 lei\u201d [38]. Talvez tenha sido tudo isso, mas s\u00f3 at\u00e9 entrarem em cena, na L\u00edbia, o ex-comandante do Grupo de Combate Isl\u00e2mico L\u00edbio [orig. Libyan Islamist Fighting Group] Abdulhakim Belhaj, e seus soldados jihadis.<\/p>\n<p>A entrada de armas, equipamento e for\u00e7a de trabalho (vindos predominantemente da L\u00edbia) [39] e o treinamento oferecido pelos ex\u00e9rcitos e outros grupos ligados aos EUA, \u00e0 OTAN e seus aliados regionais, come\u00e7aram na S\u00edria em maio-abril de 2011 [40], segundo v\u00e1rios informes [41], e s\u00e3o coordenados a partir da base da For\u00e7a A\u00e9rea dos EUA em Incirlik, sul da Turquia. Tamb\u00e9m a partir dessa base, uma for\u00e7a tarefa especializada coordena as comunica\u00e7\u00f5es com os servi\u00e7os implantados na S\u00edria, atrav\u00e9s do Ex\u00e9rcito S\u00edria Livre. Toda essa opera\u00e7\u00e3o clandestina de apoio continua ativada, como informava o American Conservative, em meados de dezembro.<\/p>\n<p>Avi\u00f5es de guerra da OTAN sem identifica\u00e7\u00e3o na fuselagem est\u00e3o chegando a bases militares turcas pr\u00f3ximas de Iskenderum, na fronteira s\u00edria, desembarcando armas (&#8230;) e volunt\u00e1rios do Conselho Nacional L\u00edbio de Transi\u00e7\u00e3o (&#8230;) Em Iskenderum funciona tamb\u00e9m a sede do Ex\u00e9rcito S\u00edria Livre, bra\u00e7o armado do Conselho Nacional S\u00edrio. Instrutores das for\u00e7as especiais brit\u00e2nicas e francesas est\u00e3o estacionados naquela base, oferecendo assist\u00eancia aos rebeldes; e agentes especialistas da CIA e das For\u00e7as Especiais dos EUA instalam e operam equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia, como contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 causa dos rebeldes, para que os combatentes evitem concentra\u00e7\u00f5es de soldados s\u00edrios [42].<\/p>\n<p>Em abril de 2011, o Washington Post revelou que documentos recentemente vazados por WikiLeaks mostravam que o Departamento de Estado dos EUA, desde 2006, vinha repassando milh\u00f5es de d\u00f3lares a grupos de exilados s\u00edrios (inclusive, em Londres, ao Movimento por Justi\u00e7a e Paz, afiliado da Fraternidade Mu\u00e7ulmana) e a indiv\u00edduos, servindo-se para isso, como intermedi\u00e1rio, de uma \u201cIniciativa de Parceria para o Oriente M\u00e9dio\u201d [orig. Middle East Partnership Initiative] administrada por uma funda\u00e7\u00e3o dos EUA, conhecida como \u201cDemocracy Council\u201d [43].<\/p>\n<p>Telegramas vazados por WikiLeaks confirmaram que todo esse processo de financiamento continuava ativado ainda na segunda metade de 2010; e a mesma tend\u00eancia est\u00e1 hoje muito refor\u00e7ada e expandida, depois que os EUA optaram pelo \u201csoft power\u201d orientado para \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d na S\u00edria.<\/p>\n<p>Enquanto esses discursos dos neoconservadores que exigem \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d na S\u00edria v\u00e3o ganhando for\u00e7a dentro do governos dos EUA [44], a mesma pol\u00edtica vai sendo institucionalizada tamb\u00e9m nos principais think-tanks a servi\u00e7o da pol\u00edtica exterior dos EUA \u2013 muitos dos quais organizaram \u201cdivis\u00f5es s\u00edrias\u201d ou \u201cgrupos de trabalho sobre a S\u00edria\u201d que, todos eles, operam em \u00edntimo contato com diferentes grupos das oposi\u00e7\u00f5es s\u00edrias (por exemplo o USIP [45] e a Foundation for the Defense of Democracy) [46], que j\u00e1 publicaram grande quantidade de artigos e an\u00e1lises, todos favor\u00e1veis \u00e0 mudan\u00e7a de regime na S\u00edria.<\/p>\n<p><strong>Na Gr\u00e3-Bretanha, outro instituto dos neoconservadores, a Henry Jackson Society (que \u201cap\u00f3ia a manuten\u00e7\u00e3o de forte presen\u00e7a militar dos EUA, dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e outros estados democr\u00e1ticos, armada e com capacidades expedicion\u00e1rias de alcance global\u201d e que acredita que \u201cs\u00f3 os modernos estados democr\u00e1ticos liberais s\u00e3o realmente leg\u00edtimos\u201d) est\u00e1, simultaneamente, promovendo a agenda da \u2018mudan\u00e7a de regime\u2019 na S\u00edria [47].<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nesse caso, a Henry Jackson Society trabalha em parceria com v\u00e1rias figuras da oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria, dentre as quais Ausama Monajed [48], ex-l\u00edder dos exilados s\u00edrios, o Movimento por Justi\u00e7a e Desenvolvimento, ligado \u00e0 Fraternidade Mu\u00e7ulmana, fundado pelo Departamento de Estado dos EUA em 2006, como WikiLeaks informou. <\/strong><\/p>\n<p>Monajed, membro do Conselho Nacional S\u00edrio, dirige hoje uma empresa de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas [49] fundada recentemente em Londres; foi o primeiro a usar a palavras \u201cgenoc\u00eddio\u201d aplicada aos eventos na S\u00edria, em press-release distribu\u00eddo pelo Conselho Nacional S\u00edrio [50].<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, a Turquia foi pressionada a criar um \u201ccorredor humanit\u00e1rio\u201d ao longo da fronteira com a S\u00edria. O objetivo, como se v\u00ea delineado em \u201cQual o Caminho at\u00e9 a P\u00e9rsia?\u201d (orig. \u201cWhich Path to Persia?\u201d [3], \u00e9 criar uma base de lan\u00e7amento e opera\u00e7\u00f5es para a insurg\u00eancia controlada e apoiada do exterior.<\/p>\n<p>Esse \u201ccorredor humanit\u00e1rio\u201d est\u00e1 sendo planejado para ser t\u00e3o humanit\u00e1rio quanto as quatro semanas de bombardeio pela OTAN contra a cidade de Sirte, quando a OTAN cumpria o mandado do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, de \u201cresponsabilidade de proteger\u201d.<\/p>\n<p>Nada disso implica que n\u00e3o haja genu\u00edno movimento popular na S\u00edria contra a infraestrutura do governo dominada pelas for\u00e7as da repress\u00e3o, presente em todos os aspectos da vida das pessoas, sejam comandadas pelas for\u00e7as do Estado s\u00edrio, pelos grupos armados da oposi\u00e7\u00e3o e por misteriosos personagens que ningu\u00e9m conhece, uma terceira for\u00e7a clandestina, que opera para alimentar a crise na S\u00edria, composta de insurgentes [51], quase todos jihadis vindos dos vizinhos Iraque e L\u00edbano (e mais recentemente tamb\u00e9m da L\u00edbia) dentre outros.<\/p>\n<p>Todas essas dificuldades s\u00e3o inevit\u00e1veis em conflitos de baixa intensidade. Cr\u00edticos respeitados [52] que se t\u00eam manifestado contra o projeto de \u201cmudan\u00e7a de regime\u201d comandado na S\u00edria por EUA-Fran\u00e7a-Reino Unido-monarquias do Golfo, clamam desde o in\u00edcio por transpar\u00eancia e exigem puni\u00e7\u00e3o de todos os funcion\u00e1rios e militares (\u201cinclusive os de alto escal\u00e3o\u201d) que sejam condenado por pr\u00e1tica de abuso contra direitos humanos.<\/p>\n<p>Ibrahim al-Amine escreve que membros do governo reconhecem \u201cque o uso extremo da for\u00e7a como medida de seguran\u00e7a provocou graves danos em v\u00e1rios casos e regi\u00f5es; que a resposta aos protestos populares interpretou mal aqueles protestos; e que, se os tivesse interpretado adequadamente, teria sido poss\u00edvel conter as agita\u00e7\u00f5es mediantes provid\u00eancias claras e firmes \u2013 como prender os respons\u00e1veis por tortura de crian\u00e7as em Deraa\u201d. Diz tamb\u00e9m que \u00e9 vitalmente importante e urgente que se implante o pluralismo pol\u00edtico e ponha-se fim a qualquer tipo de repress\u00e3o n\u00e3o controlada [53].<\/p>\n<p>Mas o que come\u00e7ou como protesto popular, focado inicialmente em quest\u00f5es e incidentes locais (como o caso de tortura de meninos em Dera, por agentes das for\u00e7as de seguran\u00e7a) foi rapidamente \u201ccapturado\u201d e posto a servi\u00e7o do plano estrat\u00e9gico mais amplo para derrubar o governo de Assad (\u2018mudan\u00e7a de regime\u2019).<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, eu trabalhava para a ONU, no norte da S\u00edria, gerenciando um grande projeto de desenvolvimento comunit\u00e1rio. \u00c0 noite, depois das reuni\u00f5es na comunidade, n\u00e3o era raro encontrar agentes dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia do ex\u00e9rcito (mukhabarat) \u00e0 espera de que esvazi\u00e1ssemos a sala, para que pudessem filmar e examinar as anota\u00e7\u00f5es feitas nos flipcharts e cartazes que havia nas paredes. Praticamente todos os aspectos da vida di\u00e1ria das pessoas eram controlados por uma burocracia esclerosada e disfuncional da seguran\u00e7a e do Partido Ba\u2019ath, sem qualquer ideologia pol\u00edtica, al\u00e9m do nepotismo e da corrup\u00e7\u00e3o que acompanham inevitavelmente os poderes autorit\u00e1rios. O controle era vis\u00edvel em, de fato, todos os aspectos da vida das pessoas.<\/p>\n<p>A 3\u00aa-feira, 20\/12, teria sido, segundo os notici\u00e1rios, \u201co dia mais mort\u00edfero dos nove meses de protestos\u201d na S\u00edria, \u201ccom massacre organizado\u201d e \u201cdeser\u00e7\u00e3o em massa\u201d de soldados do ex\u00e9rcito regular, como informava a imprensa internacional, em Idlib, norte da S\u00edria. O Conselho Nacional S\u00edrio declarava que a S\u00edria estaria \u201cexposta a genoc\u00eddio em grande escala\u201d; e lamentava os \u201c250 her\u00f3is tombados no per\u00edodo de 48 horas\u201d, repetindo n\u00fameros divulgados pelo Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos [54]. Citando a mesma fonte, o Guardian noticiava que:<\/p>\n<p>\u201cO ex\u00e9rcito s\u00edrio&#8230; ca\u00e7a desertores, depois de soldados (&#8230;) terem assassinado cerca de 150 homens que tentavam desertar de suas bases militares. Come\u00e7ou a emergir um quadro (&#8230;) de deser\u00e7\u00e3o em massa (&#8230;) que parece ter levado a resultados tr\u00e1gicos (&#8230;), com soldados leais a Assad posicionados para matar os desertores que tentavam escapar de uma base militar. Os que conseguiram escapar foram depois selvagemente ca\u00e7ados nas montanhas pr\u00f3ximas, como informam v\u00e1rias fontes. O Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos estima que 100 desertores foram sitiados e em seguida ou assassinados ou feridos. Soldados leais a Assad tamb\u00e9m ca\u00e7aram e mataram moradores que haviam dado abrigo aos desertores. [55]<\/p>\n<p>O blog atualizado ao vivo na p\u00e1gina do jornal Guardian citava o grupo AVAAZ, que divulgara que \u201c269 pessoas morreram nos confrontos\u201d e reproduzia a estat\u00edstica detalhada de AVAAZ: \u201c163 revolucion\u00e1rios armados, 97 soldados do governo Assad e 9 civis\u201d [56]. Mas o Guardian anotou diligentemente que \u201co grupo AVAAZ n\u00e3o oferece qualquer prova da corre\u00e7\u00e3o daqueles n\u00fameros.\u201d<\/p>\n<p>O Washington Post s\u00f3 noticiou que mantivera contato com \u201cum ativista do grupo AVAAZ [o qual] dissera que falara com ativistas locais e grupos m\u00e9dicos, e que falou de \u201c269 mortos naquela \u00e1rea, na 3\u00aa-feira\u201d. [57]<\/p>\n<p>Um dia depois das primeiras not\u00edcias sobre o massacre de desertores em fuga, por\u00e9m, a hist\u00f3ria mudou. Dia 23\/12, oTelegraph noticiou:<\/p>\n<p>As primeiras not\u00edcias falavam de desertores do ex\u00e9rcito regular que estariam tentando fugir para a Turquia, para unir-se ao Ex\u00e9rcito S\u00edria Livre. Agora, se diz que seriam civis desarmados, tentando fugir do ex\u00e9rcito regular, que tentava ocupar a \u00e1rea. Foram cercados por soldados e tanques e metralhados at\u00e9 n\u00e3o haver sobreviventes, segundo os \u00faltimos relatos. [58]<\/p>\n<p>Dia 21\/12, o New York Times noticiou que os \u201cmassacrados\u201d eram \u201ccivis e manifestantes desarmados, entre os quais n\u00e3o havia desertores, como informa o grupo AVAAZ\u201d. Citou a manchete do Observatory que falava de \u201cmassacre organizado\u201d; e disse que esse relato confirmava as palavras de uma testemunha de Kfar Owaid: \u201cAs for\u00e7as de seguran\u00e7a tinham lista de nomes dos que organizaram os manifestos contra o governo (&#8230;). As tropas abriram fogo, usando tanques, foguetes e metralhadoras pesadas [e] bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o, carregadas com pregos, para aumentar o n\u00famero de baixas. [59]<\/p>\n<p>O LA Times citou um ativista entrevistado na conex\u00e3o por sat\u00e9lite, o qual, de onde estava (\u201cescondendo-se entre a vegeta\u00e7\u00e3o local\u201d) comentou: \u201cA palavra \u2018massacre\u2019 \u00e9 fraca demais para contar o que aconteceu.\u201d Simultaneamente, o governo s\u00edrio informava que, nos dias 19 e 20 de dezembro, matara \u201cdezenas\u201d de membros \u201cde uma gangue de terroristas armados\u201d nas cidades de Homs and Idlib fizera v\u00e1rios prisioneiros. [60]<\/p>\n<p>Provavelmente, nunca se saber\u00e1 a verdade sobre esses dois dias \u201cmort\u00edferos\u201d. Os n\u00fameros noticiados (entre 10 e 163 insurgentes armados; entre 9-111 civis desarmados; e entre 0 e 97 soldados do governo Assad) diferem t\u00e3o completamente, tanto no n\u00famero de mortos quanto na descri\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas, que \u00e9 imposs\u00edvel inferir qualquer \u201cverdade\u201d desse tipo de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre outro \u201cmassacre\u201d noticiado antes, investiga\u00e7\u00e3o do Instituto Stratfor \u201cn\u00e3o encontrou qualquer sinal de massacre\u201d. A investiga\u00e7\u00e3o concluiu que \u201cfor\u00e7as da oposi\u00e7\u00e3o t\u00eam interesse em manter em circula\u00e7\u00e3o a ideia de massacres sempre iminentes, na esperan\u00e7a de, com isso, reproduzir as condi\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar na L\u00edbia\u201d. [61]<\/p>\n<p>Seja como for, o \u201cmassacre\u201d dos dias 19-20\/12 em Idlib foi noticiado como fato, e acrescentou-se \u00e0 narrativa que se implantou sobre Assad e sua \u201cm\u00e1quina de matar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Dois relat\u00f3rios recentemente divulgados, do Comiss\u00e1rio da ONU para Direitos Humanos e um arquivo de dados [62] sobre mortos \u201cno sangrento levante s\u00edrio\u201d publicado num blog do Guardian (13\/12) \u2013 duas tentativas para estabelecer a verdade sobre o n\u00famero de mortos no conflito s\u00edrio \u2013 reproduzem, exclusivamente, dados divulgados por grupos da oposi\u00e7\u00e3o: entrevistas com 233 supostos \u201cdesertores do ex\u00e9rcito\u201d (no caso do relat\u00f3rio do Comiss\u00e1rio da ONU); e n\u00fameros divulgados pelo Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos; pelos Comit\u00eas Locais de Coordena\u00e7\u00e3o (orig. Local Co-ordination Committees, LCCs); e pela rede al-Jazeera (no caso do Guardian). <\/strong><\/p>\n<p>O Guardian fala de um total de 1.414,5 pessoas (sic) assassinadas \u2013 entre as quais 144 agentes de seguran\u00e7a da S\u00edria \u2013 entre janeiro e 21\/11\/2011. Reprodu\u00e7\u00e3o, exclusivamente, de informa\u00e7\u00f5es publicadas, essa mat\u00e9ria traz v\u00e1rios erros flagrantes (p.ex., o n\u00famero de mortos total, n\u00e3o \u00e9 a soma do n\u00famero de mortos por locais, de que falam as fontes): nesse total foram somados 23 s\u00edrios mortos pelo ex\u00e9rcito de Israel em junho, nas colinas do Golan; e 25 noticiados como \u201cferidos\u201d tamb\u00e9m s\u00e3o somados como mortos, al\u00e9m de v\u00e1rios feridos a tiros.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio jamais menciona os insurgentes armados mortos ao longo de dez meses: as v\u00edtimas sempre s\u00e3o \u201cmanifestantes desarmados\u201d, \u201ccivis\u201d ou \u201cpessoas\u201d \u2013 al\u00e9m de 144 agentes da seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>70% dos dados reproduzidos nessas mat\u00e9rias t\u00eam, como fonte, o Observat\u00f3rio S\u00edrio de Direitos Humanos, os Comit\u00eas Locais de Coordena\u00e7\u00e3o (orig. Local Co-ordination Committees, LCCs) ou, ent\u00e3o, \u201cativistas\u201d; 38% de tudo que a m\u00eddia publicou \u00e9 reprodu\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria da rede al-Jazeera; 3% reproduz mat\u00e9ria da ONG Anistia Internacional; e 1,5% reproduz mat\u00e9ria de fontes oficiais s\u00edrias. <\/strong><\/p>\n<p>Em resposta ao relat\u00f3rio do Comiss\u00e1rio da ONU, o embaixador na S\u00edria \u00e0 ONU comentou: \u201cE por que algu\u00e9m entrevistaria desertores, se quisesse ouvir testemunho confi\u00e1vel e isento? S\u00e3o desertores&#8230; Evidentemente falar\u00e3o contra o governo s\u00edrio\u201d.<\/p>\n<p>No esfor\u00e7o para inflar o n\u00famero de mortos, o grupo AVAAZ j\u00e1 superou at\u00e9 a ONU. O grupo AVAAZ j\u00e1 declarou publicamente, at\u00e9, que est\u00e1 envolvido na atividade de \u201ctirar clandestinamente manifestantes, do pa\u00eds\u201d; que mant\u00e9m \u201cabrigos clandestinos seguros, usados para abrigar os manifestantes mais visados pelos terroristas do governo Assad\u201d; e um \u201ccidad\u00e3o jornalista do AVAAZ\u201d \u201cdescobriu uma cova clandestina, para esconder centenas de cad\u00e1veres\u201d. [63]<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio grupo anunciou com orgulho que as redes BBC e CNN divulgaram que cerca de 30% do notici\u00e1rio sobre os eventos da S\u00edria, naquelas redes, \u00e9 informa\u00e7\u00e3o distribu\u00edda por AVAAZ. O jornal Guardian divulgou, h\u00e1 alguns dias, que AVAAZ teria encontrado \u201cprovas\u201d de mais de 6.200 mortos na S\u00edria (for\u00e7as de seguran\u00e7a e 400 crian\u00e7as); que o grupo poderia afirmar com certeza que 617 daqueles mortos morreram sob tortura [64]. A \u201cprova\u201d estaria na confirma\u00e7\u00e3o, de cada uma das mortes, que AVAAZ teria obtido de tr\u00eas pessoas, \u201centre as quais um parente do morto e um cl\u00e9rigo que cuidou do sepultamento\u201d. \u00c9 \u2018prova\u2019 que, para dizer o m\u00ednimo, nada prova.<\/p>\n<p>A not\u00edcia que se l\u00ea num jornal de Homs, do assassinato de um general-brigadeiro e seus filhos, naquela cidade, em abril de 2010, ilustra a impossibilidade quase total de \u201cprovar\u201d responsabilidades, antes de qualquer investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, no auge de um conflito sect\u00e1rio e, menos ainda, no caso de o morto ser militar graduado e filhos:<\/p>\n<p>Um general, que se acredita ser Abdu Tallawi, foi morto com seus filhos e um sobrinho, quando atravessavam, em ve\u00edculo militar, um bairro muito agitado. H\u00e1 dois relatos dos fatos, e divergem quanto \u00e0 religi\u00e3o da v\u00edtima.<\/p>\n<p>Os legalistas dizem que teria sido morto por takfiris \u2013 islamistas fan\u00e1ticos, que acusam outros mu\u00e7ulmanos de heresia \u2013, porque o morto seria isl\u00e2mico alawita. A oposi\u00e7\u00e3o a Assad insiste que o morto seria da fam\u00edlia Tallawi de Homs, e que teria sido morto por for\u00e7as de seguran\u00e7a, para acusar a oposi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem diga, at\u00e9, que teria sido morto porque se recusou a atirar contra os manifestantes, mas n\u00e3o se deve considerar essa terceira vers\u00e3o, dada a extrema polariza\u00e7\u00e3o das opini\u00f5es em Homs.<\/p>\n<p>O general-brigadeiro foi morto porque trafegava em ve\u00edculo militar, embora levasse os filhos. Quem o matou n\u00e3o se interessava por diferen\u00e7as religiosas e s\u00f3 pensava em atacar membro do governo, para provocar repress\u00e3o ainda mais violenta, a qual, por sua vez, aprofundaria o movimento de protestos e o Estado, no mesmo ciclo de viol\u00eancia [65] .<\/p>\n<p><strong>Notas do autor (em ingl\u00eas) no s\u00edtio:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.atimes.com\/atimes\/Middle_East\/NA05Ak05.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.atimes.com\/atimes\/Middle_East\/NA05Ak05.html<\/a><\/p>\n<p>1. Veja aqui.<\/p>\n<p>2. Veja aqui.<\/p>\n<p>3. Veja aqui.<\/p>\n<p>4. Veja aqui.<\/p>\n<p>5. Veja aqui e aqui.<\/p>\n<p>6. Veja aqui.<\/p>\n<p>7. Ver aqui.<\/p>\n<p>8. Veja aqui.<\/p>\n<p>9. Veja aqui.<\/p>\n<p>10. Ver aqui.<\/p>\n<p>11. Veja aqui.<\/p>\n<p>12. Ver aqui.<\/p>\n<p>13. Veja aqui.<\/p>\n<p>14. Veja aqui.<\/p>\n<p>15. Ver aqui.<\/p>\n<p>16. Veja aqui.<\/p>\n<p>17. Veja aqui.<\/p>\n<p>18. Veja aqui.<\/p>\n<p>19. Ver aqui.<\/p>\n<p>20. Veja aqui.<\/p>\n<p>21. ibid.<\/p>\n<p>22. Veja aqui.<\/p>\n<p>23. Veja aqui.<\/p>\n<p>24. Ver aqui.<\/p>\n<p>25. Veja aqui.<\/p>\n<p>26. Veja aqui.<\/p>\n<p>27. Veja aqui.<\/p>\n<p>28. Veja aqui.<\/p>\n<p>29a. \u201cNegabilidade plaus\u00edvel\u201d: diz-se de acusa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possa ser provada e cuja nega\u00e7\u00e3o possa ser plausivelmente aceita. No jarg\u00e3o corrente das comunidades de espionagem, a express\u00e3o tem sido usada nos casos em que a a\u00e7\u00e3o \u00e9 premeditada, para n\u00e3o deixar pistas ou rastros. Exemplos de casos em que a negabilidade (nem sempre plaus\u00edvel) pode vir a beneficiar criminosos s\u00e3o, por exemplo, meios de tortura como descargas el\u00e9tricas e quase-afogamento, que n\u00e3o deixam marcas no corpo, o que impede que se comprove a tortura; chantagem, amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00e3o de jornalistas e testemunhas tamb\u00e9m s\u00e3o meios com alta \u201ccapacidade de negabilidade\u201d, dentre outros (21\/9\/2010, \u201cBlackwater &amp; Co. &#8211; A \u201cnegabilidade total\u201d, nota 1, [NTs].<\/p>\n<p>30. Veja aqui.<\/p>\n<p>31. Veja aqui.<\/p>\n<p>32. Veja aqui.<\/p>\n<p>33. Veja aqui.<\/p>\n<p>34. Veja aqui.<\/p>\n<p>35. Veja aqui.<\/p>\n<p>36. Veja aqui.<\/p>\n<p>37. Veja aqui.<\/p>\n<p>38. Veja aqui.<\/p>\n<p>39. Veja aqui.<\/p>\n<p>40. Veja aqui.<\/p>\n<p>41. Veja aqui.<\/p>\n<p>42. Veja aqui.<\/p>\n<p>43. Veja aqui.<\/p>\n<p>44. Veja aqui.<\/p>\n<p>45. Ver aqui.<\/p>\n<p>46. Ver aqui.<\/p>\n<p>47. Ver aqui.<\/p>\n<p>48. Veja aqui.<\/p>\n<p>49. Veja aqui.<\/p>\n<p>50. Veja aqui.<\/p>\n<p>51. Veja aqui.<\/p>\n<p>52. Ver aqui.<\/p>\n<p>53. Ver aqui.<\/p>\n<p>54. Veja aqui.<\/p>\n<p>55. Ver aqui.<\/p>\n<p>56. Ver aqui.<\/p>\n<p>57. Veja aqui.<\/p>\n<p>58. Veja aqui.<\/p>\n<p>59. Veja aqui.<\/p>\n<p>60. Veja aqui.<\/p>\n<p>61. Veja aqui.<\/p>\n<p>62. Veja aqui.<\/p>\n<p>63. Ver aqui.<\/p>\n<p>64. Veja aqui.<\/p>\n<p>65. Ver aqui.<\/p>\n<p>Aisling Byrne \u00e9 coordenador projectos com f\u00f3rum de conflitos e baseia-se em Beirute.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 4.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\n4\/1\/2012, Aisling Byrne, Asia Times Online\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2290\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2290","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-AW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2290","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2290"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2290\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2290"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2290"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2290"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}