{"id":2300,"date":"2012-01-23T01:06:56","date_gmt":"2012-01-23T01:06:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2300"},"modified":"2012-01-23T01:06:56","modified_gmt":"2012-01-23T01:06:56","slug":"93o-aniversario-do-assassinato-de-rosa-luxemburgo-e-karl-liebknecht","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2300","title":{"rendered":"93\u00ba aniversario do assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify; \">H\u00e1 3 anos, David Arrabali publicava na ALAINET uma nota para recordar um novo anivers\u00e1rio do assassinato de Rosa Luxemburgo. Hoje, quando se cumprem 93 anos de t\u00e3o b\u00e1rbaro e covarde crime, queremos reproduzir essa nota para prestar homenagem a uma das mais extraordin\u00e1rias figuras do movimento comunista internacional e do pensamento marxista do s\u00e9culo vinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">E, de passagem, recordar tamb\u00e9m seu insepar\u00e1vel companheiro de luta e cofundador do Partido Comunista alem\u00e3o, Karl Liebknecht, um heroico intelectual e militante assassinado de forma selvagem na mesma opera\u00e7\u00e3o em que os paramilitares da socialdemocracia alem\u00e3 mataram a revolucion\u00e1ria polaca. H\u00e1 um dado adicional que, como latino-americanos, nos faz parentes do luto de Rosa: seu cad\u00e1ver desapareceu durante o nazismo, desejoso de eliminar qualquer vest\u00edgio de suas ideias e de suas pr\u00e1ticas pol\u00edticas. O que fizeram as ditaduras da regi\u00e3o j\u00e1 o havia feito Hitler na Alemanha. E com Rosa ocorreu o mesmo que sucedeu com o cad\u00e1ver de Che, mas com pior sorte: se o do revolucion\u00e1rio argentino-cubano p\u00f4de finalmente ser recuperado e transladado ao seu mausol\u00e9u em Santa Clara, n\u00e3o ocorreu o mesmo com o de Rosa que nunca p\u00f4de ser reencontrado. Sua tumba est\u00e1 vazia, n\u00e3o alberga nenhum resto mortal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A imprensa alem\u00e3 informou h\u00e1 dois anos que, em 2007, na cole\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica do Hospital Universit\u00e1rio Charit\u00e9 de Berlim, se havia descoberto um misterioso cad\u00e1ver, decapitado e com suas manos e p\u00e9s amputados que supostamente seria o da desaparecida. N\u00e3o obstante, todos os estudos realizados at\u00e9 hoje impedem de afirmar com seguran\u00e7a que o mesmo foi o de Rosa Luxemburgo. De toda maneira, Rosa logrou derrotar seus verdugos e seus c\u00famplices: suas ideias s\u00e3o imortais e suas lutas seguem sendo nossas lutas. Da\u00ed esta pequena homenagem em sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify; \"><strong>\u201cSeus assassinos odiavam tudo o que esta mulher havia representado na Alemanha durante duas d\u00e9cadas: a firme cren\u00e7a na ideia do socialismo, o feminismo, o antimilitarismo e a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra.\u201d<\/strong><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify; \"><strong>\u201cH\u00e1 93 anos, na noite de 15 de janeiro de 1919, em Berlim, Rosa Luxemburgo foi presa: uma mulher indefesa com cabelos grisalhos, abatida e exausta. Uma mulher mais velha, que aparentava muito mais dos 48 anos que tinha.\u201d<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify; \">Um dos soldados que a rodeavam lhe obrigou a seguir sob empurr\u00f5es e a multid\u00e3o zombeteira e cheia de \u00f3dio que se amontoava no vest\u00edbulo do Hotel Eden lhe saudou com insultos. Ela levantou sua cabe\u00e7a diante da multid\u00e3o e olhou com seus olhos negros e orgulhosos os soldados e os h\u00f3spedes do hotel que faziam goza\u00e7\u00e3o dela. E aqueles homens em seus uniformes desiguais, soldados da nova unidade de tropas de assalto, se sentiram ofendidos pela olhar desdenhoso e quase compassivo de Rosa Luxemburgo, \u201ca rosa vermelha\u201d, \u201ca judia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Insultaram-lhe: \u201cRosinha, a\u00ed vem a puta velha\u201d. Eles odiavam tudo o que esta mulher havia representado na Alemanha durante duas d\u00e9cadas: a firme cren\u00e7a na ideia do socialismo, o feminismo, o antimilitarismo e a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra, que eles haviam perdido em novembro de 1918. Nos dias pr\u00e9vios, os soldados haviam esmagado o levante de trabalhadores em Berlim. Agora eles eram os amos. E Rosa lhes havia desafiado em seu \u00faltimo artigo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">\u201c\u2018A Ordem reina em Berlim!\u2019 Est\u00fapidos sequazes! Vossa \u2018Ordem\u2019 est\u00e1 constru\u00edda na arena. Amanh\u00e3 a revolu\u00e7\u00e3o se \u2018levantar\u00e1 ela mesma com um estrondo\u2019 e anunciar\u00e1 com uma fanfarra, para o vosso terror: EU FUI, EU SOU, EU SEREI!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">A empurraram e a golpearam. Rosa se levantou. Ent\u00e3o quase haviam alcan\u00e7ado a porta traseira do hotel. L\u00e1 fora esperava um carro cheio de soldados, que, segundo haviam comunicado, a conduziriam \u00e0 pris\u00e3o. Mas um dos soldados se dirigiu at\u00e9 ela levantando sua arma e golpeou sua cabe\u00e7a com a culatra. Ela caiu no ch\u00e3o. O soldado lhe deu um segundo golpe na t\u00eampora. O homem se chamava Runge. O rosto de Rosa Luxemburgo jorrava sangue. Runge obedecia ordens quando golpeou Rosa Luxemburgo. Pouco antes ele havia derrubado Karl Liebknecht com a culatra de seu fuzil. Tamb\u00e9m a ele haviam arrastado pelo vest\u00edbulo do Hotel Eden.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Os soldados levantaram o corpo de Rosa. O sangue brotava de sua boca e de seu nariz. A levaram ao ve\u00edculo. Sentaram Rosa entre os dois soldados no assento de tr\u00e1s. H\u00e1 pouco o carro havia partido quando dispararam um tiro \u00e0 queima-roupa. P\u00f4de-se ouvir no hotel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Na noite de 15 de janeiro de 1919, os homens do corpo de assalto assassinaram Rosa Luxemburgo. De uma ponte lan\u00e7aram seu cad\u00e1ver no canal. No dia seguinte toda Berlim j\u00e1 sabia que a mulher que nos \u00faltimos vinte anos havia desafiado todos os poderosos e que havia cativado aqueles que assistiram in\u00fameras assembleias, estava morta. Enquanto se buscava seu cad\u00e1ver, um Bertold Brecht de 21 anos escrevia:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify; \">\n<h3><strong>\u201cA Rosa vermelha agora tamb\u00e9m desapareceu.<\/strong><\/h3>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify; \">\n<h3><strong>Donde se encontra \u00e9 desconhecido.<\/strong><\/h3>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify; \">\n<h3><strong>Porque ela aos pobres a verdade h\u00e1 dito.<\/strong><\/h3>\n<\/ul>\n<ul style=\"text-align: justify; \">\n<h3><strong>Os ricos do mundo a extinguiram.\u201d<\/strong><\/h3>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify; \">Poucos meses depois, em 31 de maio, se encontrou o corpo de uma mulher junto a uma eclusa do canal. Se podia reconhecer as luvas de Rosa Luxemburgo, parte de seu vestido, um pingente de ouro. Mas o rosto era irreconhec\u00edvel, j\u00e1 que o corpo h\u00e1 tempo que estava decomposto. Foi identificada e a enterraram em 13 de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Em 1962, 43 anos depois de sua morte, o Governo Federal alem\u00e3o declarou que seu assassinato havia sido uma \u201cexecu\u00e7\u00e3o de acordo com a lei marcial\u201d. H\u00e1 somente doze anos que uma investiga\u00e7\u00e3o oficial concluiu que as tropas de assalto, que haviam recebido ordens e dinheiro dos governantes socialdemocratas, foram os autores materiais de sua morte e de Karl Liebknecht. Rosa Luxemburgo foi assassinada pelas tropas de assalto a servi\u00e7o da socialdemocracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Junto dela morreu seu camarada Karl Liebknecht<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Havia nascido em 5 de mar\u00e7o de 1871. Muita gente segue a tradi\u00e7\u00e3o da Alemanha oriental de assistir a manifesta\u00e7\u00e3o para record\u00e1-la, demonstram seu respeito depositando cravos vermelhos no monumento dedicado \u00e0 \u201cRosa Vermelha\u201d e aos socialistas e comunistas que trabalharam por um mundo melhor. \u201cQue extraordin\u00e1rio \u00e9 o tempo que vivemos\u201d, escrevia Rosa Luxemburgo em 1906. \u201cExtraordin\u00e1rio tempo que prop\u00f5e problemas enormes e estimula o pensamento, que suscita a cr\u00edtica, a ironia e a profundidade, que desperta paix\u00f5es e, diante de tudo, um tempo frut\u00edfero, prenho\u201d. Rosa Luxemburgo viveu e morreu em um tempo de transi\u00e7\u00e3o, como o nosso, nele que o velho mundo desmoronava e outro surgia dos escombros da guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Seus companheiros intentaram construir o socialismo, seus assassinos e inimigos ajudaram Adolf Hitler a subir ao poder. Hoje, quando o capitalismo demonstra mais uma vez que a guerra n\u00e3o \u00e9 um acidente, sen\u00e3o uma parte irrenunci\u00e1vel de sua estrat\u00e9gia, quando os partidos e organiza\u00e7\u00f5es \u201ctradicionais\u201d se v\u00eaem obrigados a questionar suas formas de atuar diante o abandono das massas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Quando a esquerda transformadora advoga exclusivamente pelo parlamentarismo como via para a mudan\u00e7a social; quando nos encontramos diante de uma enorme crise do modelo de democracia representativa e os argumentos pol\u00edticos se reduzem ao \u201cvoto \u00fatil\u201d. Hoje, dizemos, Rosa Luxemburgo se converte em referencial indispens\u00e1vel nos grandes debates da esquerda. N\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a sua voz a que se escuta sob o lema, aparentemente novo: \u201cOutro mundo \u00e9 poss\u00edvel\u201d. Ela o formulou com um pouco mais de urg\u00eancia: \u201cSocialismo ou barb\u00e1rie\u201d. Seu pensamento, seu compromisso e sua transbordante humanidade nos servem de refer\u00eancia em nossa luta para que este novo s\u00e9culo n\u00e3o seja tamb\u00e9m o da barb\u00e1rie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>Marcham pelas ruas de Berlim para comemorar o 93\u00ba anivers\u00e1rio do assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><strong>(VIDEO) 93\u00ba\u00a0aniversario do assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \"><a href=\"http:\/\/youtu.be\/4TIFw0uiH0k\" target=\"_blank\">http:\/\/youtu.be\/4TIFw0uiH0k<\/a><\/p>\n<p> <object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4TIFw0uiH0k\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><\/object> <\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Mais de 20 mil pessoas marcharam pelas ruas de Berlim para comemorar o 93\u00ba anivers\u00e1rio do assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht. O protesto se converteu numa tradi\u00e7\u00e3o para a esquerda alem\u00e3 e tamb\u00e9m conta com a participa\u00e7\u00e3o de imigrantes provenientes de outros pa\u00edses. teleSUR.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">Traduzido por Rodrigo Juruc\u00ea\u00a0Mattos Gon\u00e7alves (Partido Comunista Brasileiro \u2013 PCB)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; \">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Contratiempo\n\n\n\n\n\n\n\n\nCaracas, 16 de janeiro de 2012, Tribuna Popular TP\/Agencias\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2300\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-2300","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-B6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2300","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2300"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2300\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}