{"id":2304,"date":"2012-01-24T01:21:29","date_gmt":"2012-01-24T01:21:29","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2304"},"modified":"2012-01-24T01:21:29","modified_gmt":"2012-01-24T01:21:29","slug":"o-bom-negocio-que-e-a-reconstrucao-do-haiti-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2304","title":{"rendered":"O bom neg\u00f3cio que \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o do Haiti"},"content":{"rendered":"\n<p>Os feitos sobre a &#8220;coopera\u00e7\u00e3o&#8221; no Haiti ap\u00f3s o terremoto s\u00e3o escandalosos. Apesar da falta de transpar\u00eancia com que s\u00e3o geridas, as investiga\u00e7\u00f5es j\u00e1 conseguem mostrar um emaranhado de neg\u00f3cios privados, colonialismo, inefici\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o. Um desastre \u00e9 uma &#8220;boa oportunidade&#8221; &#8230; para os neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>A ONG Oxfam conclui que, dois anos ap\u00f3s o terremoto, &#8220;mais de 519.000 pessoas ainda vivem em barracas de campanha e sob lonas em 758 acampamentos, metade dos escombros ainda n\u00e3o foram recolhidos, a c\u00f3lera j\u00e1 ceifou milhares de vidas e representa uma enorme amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, poucos haitianos t\u00eam acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos, a maioria da for\u00e7a de trabalho est\u00e1 desempregada ou subempregada, 45% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar e as elei\u00e7\u00f5es, seguidas por um confronto pol\u00edtico entre o presidente eleito e o parlamento, impede o progresso de reconstru\u00e7\u00e3o&#8221;. \u00c9 parte de seu relat\u00f3rio o lento caminho para a reconstru\u00e7\u00e3o. Como relatam no relat\u00f3rio da Oxfam, as elei\u00e7\u00f5es e o posterior confronto entre o presidente e o parlamento &#8220;impedem a reconstru\u00e7\u00e3o&#8221; e \u00e9 hora de recuperar o tempo perdido tornando-a atraente a todas as partes.<\/p>\n<p>\u00c9 como se dissesse: no final das contas, a culpa \u00e9 dos haitianos. Ocorre que a Oxfam peca em omiss\u00e3o &#8211; volunt\u00e1ria ou involunt\u00e1ria -, em seu relat\u00f3rio. Ou, o que seria pior, apresenta um imperdo\u00e1vel olhar colonialista. A ONG insiste que 7 de cada 10 d\u00f3lares que entram no pa\u00eds procedem de coopera\u00e7\u00e3o internacional, mas n\u00e3o informa que 9 de cada 10 d\u00f3lares desta coopera\u00e7\u00e3o s\u00e3o geridos por ONGs e \u00f3rg\u00e3os estatais ou empresas privadas estrangeiras. Isto significa que o Governo e entidades do Haiti t\u00eam acesso a apenas 1% das doa\u00e7\u00f5es destinadas ao pa\u00eds (cerca de 3,6 milh\u00f5es de d\u00f3lares em dois anos se somarmos a ajuda humanit\u00e1ria e a para reconstru\u00e7\u00e3o). Tamb\u00e9m n\u00e3o diz que 1,556 milh\u00e3o de d\u00f3lares foram gastos desde janeiro de 2010 para pagar aos controvertidos militares da Miss\u00e3o de Estabiliza\u00e7\u00e3o no Haiti da ONU.<\/p>\n<p>Para obter uma vis\u00e3o mais centrada na realidade, temos de olhar o artigo de Bill Quigley e Amber Ramanauskas, <strong>Sete lugares para onde foi e n\u00e3o foi o dinheiro do terremoto<\/strong>, publicado em BahiaNoticias e traduzido por Alicia Vega. Nele se resumem as principais investiga\u00e7\u00f5es sobre o destino das doa\u00e7\u00f5es ao Haiti. Publicamos um trecho revelador:<\/p>\n<ul>\n<li>O maior receptor individual de dinheiro nos EUA para o terremoto foi o governo dos EUA. O mesmo vale para as doa\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Imediatamente ap\u00f3s o terremoto, os EUA alocaram US$ 379 milh\u00f5es em ajuda e enviaram tropas integradas por 5.000 soldados.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>A\u00a0<strong>Associated Press<\/strong> descobriu que, dos US$ 379 milh\u00f5es iniciais prometidos pelos EUA ao Haiti, a maior parte n\u00e3o era realmente dinheiro direto ao Haiti, e em alguns casos nem indireto. Foi relatado em janeiro de 2010 que 33 centavos de cada um desses d\u00f3lares para o Haiti foi na verdade dinheiro destinado aos pr\u00f3prios EUA.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>42 centavos de cada d\u00f3lar foi destinado a ONGs privadas e p\u00fablicas como o\u00a0<strong>Save the Children<\/strong>,o\u00a0<strong>Programa Mundial de Alimentos das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/strong> e a\u00a0<strong>Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>O enviado especial da ONU para o Haiti informou que dos US$ 2,4 bilh\u00f5es de financiamento humanit\u00e1rio, 34% foram reembolsados pelas pr\u00f3prias autoridades civis e militares doadoras para a resposta ao desastre, 28% foram destinados \u00e0s ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) para projetos espec\u00edficos da ONU, 26% foram entregues \u00e0s empresas privadas e outras ONGs, 6% foram gastos como servi\u00e7os em esp\u00e9cie aos benefici\u00e1rios, 5% para a comunidade internacional e as sociedades nacionais da Cruz Vermelha, e 1% dos fundos ficou com o governo do Haiti e quatro d\u00e9cimos de um por cento com ONGs do Haiti.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>O Centro para Pesquisa Econ\u00f4mica e Pol\u00edtica, a fonte mais confi\u00e1vel para obter informa\u00e7\u00f5es precisas sobre este assunto, ao analisar todos os 1.490 contratos celebrados pelo governo dos EUA ap\u00f3s o terremoto de janeiro de 2010 at\u00e9 abril de 2011, apurou que apenas 23 deles foram assinados com empresas haitianas.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>A Cruz Vermelha dos EUA recebeu mais de 486 milh\u00f5es de d\u00f3lares em doa\u00e7\u00f5es para o Haiti. Diz-se que dois ter\u00e7os do dinheiro foi gasto com os esfor\u00e7os de socorro e recupera\u00e7\u00e3o, embora o detalhamento desse gasto seja dif\u00edcil de obter. O CEO da Cruz Vermelha dos EUA tem um sal\u00e1rio de mais de 500.000 d\u00f3lares por ano.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Existe um contrato conjunto de US$ 8,6 milh\u00f5es entre a USAID e a empresa privada CHF para remo\u00e7\u00e3o de escombros em Porto Pr\u00edncipe. A CHF \u00e9 uma empresa internacional de desenvolvimento bem relacionada politicamente, com um or\u00e7amento anual superior a US$ 200 milh\u00f5es, cujo CEO ganhou 451.813 d\u00f3lares em 2009.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Os presidentes George W. Bush e Bill Clinton anunciaram uma iniciativa para levantar fundos para o Haiti em 16 de janeiro de 2010. At\u00e9 outubro de 2011, o Fundo havia recebido US$ 54 milh\u00f5es em doa\u00e7\u00f5es. E se associou a v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es haitianas e internacionais. Embora a maioria de sua obra pare\u00e7a ser admir\u00e1vel, doou US$ 2 milh\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de um hotel de luxo no Haiti, or\u00e7ado em US$ 29 milh\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Aproveitando-se do desastre, Lewis Lucke, um coordenador de ajudas s\u00eanior da USAID, reuniu-se duas vezes como representante do \u00f3rg\u00e3o com o primeiro-ministro do Haiti logo ap\u00f3s o terremoto. Depois disso, demitiu-se da ag\u00eancia e foi contratado por US$ 30.000 ao m\u00eas por uma empresa da Fl\u00f3rida, a Ashbritt (j\u00e1 conhecida por sua grande oferta de ajuda n\u00e3o concedida ap\u00f3s o Katrina), e um s\u00f3cio pr\u00f3spero do Haiti para fazer lobby acerca dos contratos sobre o desastre. A Ashbritt e seus parceiros haitianos foram premiados com 10 milh\u00f5es d\u00f3lares, sem licita\u00e7\u00e3o. Lucke afirma ter sido fundamental na obten\u00e7\u00e3o de um outro contrato de US$ 10 milh\u00f5es junto ao Banco Mundial e outro menor, a partir do CHF Internacional, antes de sua passagem pela USAID terminar.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Quase dois anos ap\u00f3s o terremoto, menos de 1% dos US$ 412 milh\u00f5es em fundos dos EUA destinados especificamente para as atividades de reconstru\u00e7\u00e3o da infra-estrutura do Haiti tinham sido gastos pela USAID e o Departamento de Estado dos EUA<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>O texto original, em espanhol, pode ser encontrado em:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/otramerica.com\/temas\/el-buen-negocio-de-reconstruir-haiti\/1224\" target=\"_blank\">http:\/\/otramerica.com\/temas\/el-buen-negocio-de-reconstruir-haiti\/1224<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas: PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ccmq\n\n\n\n\n\n\n\n\nOtram\u00e9rica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2304\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[55],"tags":[],"class_list":["post-2304","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c66-haiti"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ba","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2304"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2304\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}