{"id":23091,"date":"2019-05-15T21:41:17","date_gmt":"2019-05-16T00:41:17","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23091"},"modified":"2019-05-15T21:41:22","modified_gmt":"2019-05-16T00:41:22","slug":"a-proposito-do-declinio-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23091","title":{"rendered":"A prop\u00f3sito do decl\u00ednio dos EUA"},"content":{"rendered":"\n<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.hojeemdia.com.br\/polopoly_fs\/1.426142.1478694850!\/image\/image.jpg_gen\/derivatives\/portrait_390\/image.jpg\"\/><!--more-->Jorge Cadima\n<\/p><p>\nODiario.info\n<\/p><p>\nNos EUA avoluma-se uma crise profunda, cujos efeitos se estendem a todos os campos &#8211; econ\u00f4mico, financeiro, social, pol\u00edtico, militar, sanit\u00e1rio e mesmo demogr\u00e1fico. As suas ra\u00edzes residem na crise sist\u00eamica do capitalismo, mas tamb\u00e9m no decl\u00ednio relativo dos EUA face a outras pot\u00eancias, na insustentabilidade da sua situa\u00e7\u00e3o financeira e na brutalidade da sua domina\u00e7\u00e3o de classe.\n<\/p><p>\nOs mecanismos com que a classe dirigente norte-americana tem procurado enfrentar o seu decl\u00ednio n\u00e3o apenas n\u00e3o o inverteram, como contribu\u00edram para acentuar esse decl\u00ednio. Trump expressa essa crise.\n<\/p><p>\n\u2018Tornar de novo grande a Am\u00e9rica\u2019 \u00e9 uma ilus\u00e3o que n\u00e3o reflete a realidade mundial em mudan\u00e7a. Mas o perigo de que tudo termine numa aventura catastr\u00f3fica \u00e9 enorme.\n<\/p><p>\nUm pa\u00eds em crise\n<\/p><p>\nOs EUA s\u00e3o um caldeir\u00e3o em ebuli\u00e7\u00e3o. A ofensiva de classe das \u00faltimas d\u00e9cadas traduziu-se numa baixa acentuada dos n\u00edveis de vida de grande parte da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora. Tornou-se frequente que, mesmo trabalhadores com duplo emprego, mal consigam sobreviver . A desindustrializa\u00e7\u00e3o de vastas regi\u00f5es gerou fen\u00f4menos de pobreza em massa. Em 2018, o Relator Especial Philip Alston apresentou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU um relat\u00f3rio sobre pobreza extrema nos EUA, afirmando: \u00abOs Estados Unidos [\u2026] s\u00e3o uma das sociedades mais ricas [\u2026]. Mas a sua imensa riqueza e conhecimentos est\u00e3o em flagrante contraste com as condi\u00e7\u00f5es em que vive grande n\u00famero dos seus cidad\u00e3os. Cerca de 40 milh\u00f5es vivem na pobreza, 18,5 milh\u00f5es em pobreza extrema e 5,3 milh\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es de pobreza absoluta, do tipo Terceiro Mundo\u00bb . Mais de meio milh\u00e3o de norte-americanos vivem nas ruas ou em tendas e barracas . Cidades inteiras declaram fal\u00eancia, n\u00e3o sendo \u00fanico o caso de Detroit (2013). Os EUA continuam a ser o \u00fanico pa\u00eds desenvolvido em que n\u00e3o existe licen\u00e7a de parto garantida por lei . Nos \u00faltimos meses, assiste-se a um ressurgimento de importantes lutas laborais, que traduzem um descontentamento generalizado.\n<\/p><p>\nA brutalidade da situa\u00e7\u00e3o social e o dom\u00ednio dos interesses do grande capital s\u00e3o insepar\u00e1veis da diminui\u00e7\u00e3o verificada na esperan\u00e7a de vida (76,1 anos para os homens), associada a um aumento importante na taxa de mortalidade dos grupos et\u00e1rios em idade laboral (25-34 anos, +2,9% entre 2016 e 2017; e 35-44 anos, +1,6%) . Este aumento reflete o surto de mortes por consumo de drogas que, segundo a ag\u00eancia governamental CDC, atinge hoje mais de 70 mil pessoas por ano (mais 9,6% entre 2016 e 2017) . Grande parte dessas mortes resulta da chamada crise dos opi\u00f3ides, os analg\u00e9sicos \u00e0 base de \u00f3pio cuja utiliza\u00e7\u00e3o por receita m\u00e9dica (legal) se generalizou nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, com efeitos devastadores, provocando hoje 130 mortes por dia. Segundo a revista New Yorker (23.10.17), a ag\u00eancia governamental Food and Drug Administration (FDA) aprovou, em 1995, o uso do mais conhecido desses opi\u00f3ides, o OxyContin, apesar de a empresa produtora, Purdue, n\u00e3o ter efetuado estudos cl\u00ednicos relativos aos perigos de gerar depend\u00eancia, tendo mesmo a FDA, \u00abnum passo inusual, [\u2026] anunciado que era mais seguro do que os analg\u00e9sicos concorrentes\u00bb. O respons\u00e1vel pelo estudo \u00abdeixou a ag\u00eancia [FDA] pouco tempo depois. Passados dois anos trabalhava para a Purdue\u00bb. Como sintetiza o New Yorker, foram \u00abgerados milhares de milh\u00f5es de lucros \u2013 e milh\u00f5es de viciados\u00bb. O capitalismo ganha dinheiro at\u00e9 a anestesiar o descontentamento social.\n<\/p><p>\nEste quadro dram\u00e1tico \u00e9 insepar\u00e1vel da mercantiliza\u00e7\u00e3o extrema em todas as esferas de vida. N\u00e3o existe um sistema nacional de sa\u00fade, e \u00abOs Estados Unidos t\u00eam despesas de sa\u00fade duas vezes maiores que outros pa\u00edses, com resultados piores\u00bb (Reuters, 13.3.18). A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo chefiado por uma investigadora da London School of Economics que compara os EUA com dez outros pa\u00edses desenvolvidos. Conclui que apesar das despesas de sa\u00fade representarem 17,8% do PIB nos EUA, e n\u00e3o mais de 12,4% nos outros pa\u00edses, \u00aba esperan\u00e7a de vida dos EUA \u00e9 a mais baixa\u00bb e \u00aba taxa de mortalidade infantil \u00e9 a mais elevada, com 5,8 \u00f3bitos por cada mil nascidos vivos, sendo em m\u00e9dia de 3,6 para os restantes pa\u00edses\u00bb. Os custos do ensino superior amarram a maioria dos estudantes a d\u00edvidas enormes, ainda antes de iniciarem a sua vida laboral. O montante global da d\u00edvida estudantil nos EUA ultrapassa hoje uns impressionantes 1,5 bilh\u00f5es (1,5\u00d710) de d\u00f3lares (Guardian, 4.10.18), cerca de 7 vezes o PIB anual de Portugal.\n<\/p><p>\nSe a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e do povo dos EUA \u00e9 dram\u00e1tica, os seus multimilion\u00e1rios acumulam riquezas sem precedentes. O 1% de fam\u00edlias com maiores rendimentos possu\u00edam, em 2016, 38,6% da riqueza do pa\u00eds, muito mais do que os 90% com menores rendimentos (22,8%). Apenas dez anos antes estas percentagens eram, respectivamente, 33,7% e 28,5% (CNN, 3.11.17). Ou seja, a crise que eclodiu em 2007-8 saldou-se por uma concentra\u00e7\u00e3o ainda maior da riqueza nas m\u00e3os dos mais ricos. Segundo o Pew Research Center, desde ent\u00e3o, a riqueza mediana dos norte-americanos com menos posses \u00abreduziu-se para quase metade\u00bb (!), enquanto que a riqueza mediana dos de maiores posses aumentou 25% .\n<\/p><p>\n\u00c9 imposs\u00edvel ignorar a brutal natureza de classe da \u2018democracia made in USA\u2019.\n<\/p><p>\nO endividamento\n<\/p><p>\nA riqueza ostentada pelos EUA \u00e9 em boa medida fict\u00edcia, assente numa montanha de d\u00edvida sempre pronta a ruir e que evolu\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas positivas, mas conjunturais, n\u00e3o podem fazer esquecer. A situa\u00e7\u00e3o financeira do Estado norte-americano \u00e9 insustent\u00e1vel. A d\u00edvida nacional (que apenas diz respeito ao governo central) atingiu o astron\u00f4mico valor de 22 bilh\u00f5es (22\u00d71012) de d\u00f3lares, ultrapassando 100% do PIB. H\u00e1 apenas 20 anos era um quarto desse valor. Mais do que duplicou na d\u00e9cada ap\u00f3s 2008. Vai continuar a explodir, j\u00e1 que o d\u00e9ficit or\u00e7amental para 2020 ultrapassa 1,1 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Mas o endividamento recorde n\u00e3o \u00e9 apenas estatal. O endividamento das fam\u00edlias atingiu 13,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, mais do que em 2008 (Reuters, 14.8.18). A d\u00edvida das empresas ultrapassa os 6,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (CNBC, 27.6.18), tamb\u00e9m um valor recorde. A rela\u00e7\u00e3o entre d\u00edvida e liquidez das empresas \u00e9 maior agora do que na crise de 2008 (CNBC, 12.9.18). Desde h\u00e1 uma d\u00e9cada que o pa\u00eds vive com medidas de exce\u00e7\u00e3o. Mas o endividamento de que tanto se falou como respons\u00e1vel pela explos\u00e3o da crise em 2007-8 ainda se agravou mais. O que n\u00e3o surpreende, j\u00e1 que o endividamento generalizado \u00e9 a fonte de lucros do sistema financeiro que comanda o capitalismo.\n<\/p><p>\nO grande capital aponta o dedo \u00e0s despesas sociais como causa do endividamento. As verdadeiras raz\u00f5es s\u00e3o outras. Incluem a evas\u00e3o fiscal das grandes empresas; a pilhagem do Estado para gerar lucros privados; as redu\u00e7\u00f5es de impostos (para a JP Morgan, o corte de impostos de Trump traduziu-se num aumento de lucros de 3,7 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 Business Insider, 4.4.19). A deslocaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o para outros pa\u00edses nas d\u00e9cadas anteriores, se por um lado serviu para assegurar ganhos \u00e0s grandes multinacionais e alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de classe (colocando a classe oper\u00e1ria na defensiva, facilitando a ofensiva antissocial), por outro lado \u00e9 tamb\u00e9m um fator importante de endividamento estatal, afetando a base de tributa\u00e7\u00e3o fiscal.\n<\/p><p>\nMas \u00e9 o papel de gendarme mundial do capitalismo que assume particular import\u00e2ncia no endividamento dos EUA. Se por um lado as guerras trazem ineg\u00e1veis vantagens econ\u00f4micas \u00e0s grandes empresas, assegurando o controlo de mercados, contratos e mat\u00e9rias-primas (entre as quais o petr\u00f3leo) em larga parte do globo, por outro lado representam um pesad\u00edssimo fardo financeiro para o Estado norte-americano. Sendo os lucros gerados pelas despesas militares nos EUA essencialmente privados, as despesas militares s\u00e3o p\u00fablicas.\n<\/p><p>\nA tend\u00eancia hist\u00f3rica\n<\/p><p>\nOs EUA emergem da II Guerra Mundial como a superpot\u00eancia capitalista mundial. A sua preponder\u00e2ncia econ\u00f4mica, militar e pol\u00edtica era inquestion\u00e1vel no seio do mundo capitalista. O pavor da revolu\u00e7\u00e3o social e o desafio hist\u00f3rico representado pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo na URSS e em pa\u00edses onde vivia um ter\u00e7o da Humanidade, bem como pelo avan\u00e7o dos processos de liberta\u00e7\u00e3o nacional, levava as classes dominantes dos restantes pa\u00edses capitalistas a aceitar a hegemonia dos EUA e a limita\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria soberania. Apesar de contradi\u00e7\u00f5es que nunca deixaram de se manifestar (veja-se o caso da Fran\u00e7a), foi este o quadro que predominou at\u00e9 \u00e0 vit\u00f3ria das contra-revolu\u00e7\u00f5es no Leste da Europa, no final do S\u00e9culo XX.\n<\/p><p>\nEntretanto, por debaixo da superf\u00edcie, amadureciam processos de altera\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no plano econ\u00f4mico. As duas grandes pot\u00eancias derrotadas na II Guerra Mundial, Alemanha e Jap\u00e3o, protagonizaram no p\u00f3s-guerra um crescimento econ\u00f4mico assinal\u00e1vel, beneficiando em parte de estarem impedidas de ter despesas militares de vulto. Como referia a Resolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do XV Congresso do PCP (1996), \u00abo papel dominante dos EUA \u00e0 escala mundial continua em diminui\u00e7\u00e3o no plano econ\u00f4mico, o que leva a principal pot\u00eancia imperialista a socorrer-se cada vez mais do seu poderio extraecon\u00f4mico (diplom\u00e1tico, militar, ideol\u00f3gico, etc.) para tentar manter e impor a sua hegemonia. A luta por \u2018zonas de influ\u00eancia\u2019 entre as v\u00e1rias pot\u00eancias imperialistas acentua-se, assim como a luta pela tomada de posi\u00e7\u00f5es no interior dos pa\u00edses imperialistas rivais\u00bb. Nas d\u00e9cadas mais recentes, novas pot\u00eancias alcan\u00e7aram um crescimento econ\u00f4mico impetuoso, com destaque para a China que \u00e9 j\u00e1 hoje uma grande pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial e cujo desenvolvimento \u00e9 tamb\u00e9m qualitativo, sendo cada vez mais uma pot\u00eancia tecnol\u00f3gica (8).\n<\/p><p>\nHoje, assiste-se \u00e0 discuss\u00e3o aberta no seio dos c\u00edrculos dirigentes do grande capital das velhas pot\u00eancias imperialistas, sobre a forma de \u2018fazer frente\u2019 \u00e0 China e outras pot\u00eancias ascendentes. A real correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as econ\u00f4mica n\u00e3o pode ser ignorada por muito tempo, sem que se manifestem os seus efeitos pol\u00edticos. O papel do d\u00f3lar como moeda de reserva internacional est\u00e1 hoje em causa. H\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, o General Loureiro dos Santos dava voz \u00e0 ideia de que, para travar essa ascens\u00e3o, os Estados Unidos iriam recorrer a uma guerra mundial (Di\u00e1rio de Not\u00edcias, 13.3.00). Para os EUA em particular, confrontados com o seu decl\u00ednio relativo, quer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pot\u00eancias imperialistas europeias, quer \u00e0 China e outra pot\u00eancias (re)emergentes, o que est\u00e1 em causa \u00e9 de import\u00e2ncia hist\u00f3rica. Tanto mais quanto as fragilidades do Estado norte-americano e o descontentamento que grassa no seio do povo norte-americano assumem propor\u00e7\u00f5es explosivas. Trump protagoniza uma op\u00e7\u00e3o pela domina\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel dos EUA em todos os planos. A sua agressividade, mesmo em rela\u00e7\u00e3o a tradicionais aliados, \u00e9 express\u00e3o da gravidade da situa\u00e7\u00e3o.\n<\/p><p>\nRivalidade e coopera\u00e7\u00e3o\n<\/p><p>\nA estrat\u00e9gia de Trump, patente na sua ret\u00f3rica de \u2018tornar a Am\u00e9rica de novo grande\u2019 e nos seus ataques a aliados, n\u00e3o \u00e9 inteiramente nova. J\u00e1 o governo de Bush (filho) tentou impor a vontade exclusiva dos EUA. Os conflitos com a Fran\u00e7a de Chirac e Villepin, e a Alemanha de Schroeder, quando da invas\u00e3o do Iraque em 2003, eram uma (ent\u00e3o ainda rara) express\u00e3o p\u00fablica de rivalidades e contradi\u00e7\u00f5es entre os dois maiores polos do capitalismo mundial. A humilha\u00e7\u00e3o dos EUA \u00e0s m\u00e3os da resist\u00eancia iraquiana e os receios m\u00fatuos de que as clivagens entre EUA e UE pudessem alimentar a resist\u00eancia popular a n\u00edvel mundial, mesmo no seio das grandes pot\u00eancias capitalistas, conduziram a uma recomposi\u00e7\u00e3o. O quadro pol\u00edtico para o acordo foi protagonizado primeiro pela nomea\u00e7\u00e3o de Dur\u00e3o Barroso (defensor da guerra do Iraque) como Presidente da Comiss\u00e3o Europeia e a ascens\u00e3o de Angela Merkel e Sarkozy e, mais tarde, pela elei\u00e7\u00e3o de Obama nos EUA. A nova fase de concerta\u00e7\u00e3o \u2013 que nunca deixou de ser hegemonizada pelos EUA e nunca apagou as contradi\u00e7\u00f5es e rivalidades \u2013 n\u00e3o representou nada de ben\u00e9fico para os povos, como ficou patente na ofensiva antissocial no seio da UE; na pol\u00edtica partilhada de guerra a n\u00edvel mundial (L\u00edbia, S\u00edria, Ucr\u00e2nia); na reafirma\u00e7\u00e3o da UE como pilar europeu da OTAN; no alinhamento incondicional da UE com a histeria antirrussa, mesmo quando as san\u00e7\u00f5es contra esse pa\u00eds afetam sobretudo os produtores europeus.\n<\/p><p>\nMas a situa\u00e7\u00e3o dos EUA n\u00e3o parou de se agravar. Com a elei\u00e7\u00e3o de Trump ganham de novo preponder\u00e2ncia os defensores de uma hegemonia arrogante e inquestion\u00e1vel. O rasgar do TTIP e outros acordos (como sobre o clima e o Ir\u00e3o); as diatribes p\u00fablicas contra o canadense Trudeau ou a Alemanha, a prop\u00f3sito do gasoduto NordStream2; os resmungos para que sejam aumentadas as despesas com a OTAN; as multas a grandes empresas europeias e o recente an\u00fancio de tarifas alfandeg\u00e1rias sobre bens no valor de 11 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 tudo faz parte de uma estrat\u00e9gia de imposi\u00e7\u00e3o da hegemonia incondicional dos EUA e das suas empresas (incluindo militares), ao mesmo tempo que tenta obrigar os \u2018aliados\u2019 a pagar os custos dessa hegemonia. \u00c9 tamb\u00e9m uma pol\u00edtica que procura \u2018disciplinar as hostes\u2019 e cerrar fileiras por detr\u00e1s do \u2018chefe\u2019, na prepara\u00e7\u00e3o de um embate multifacetado com os pa\u00edses que a doutrina militar dos EUA j\u00e1 definiu como o \u2018maior desafio\u2019: a China e a R\u00fassia. Assiste-se a uma nova corrida aos armamentos; ao aumento dos or\u00e7amentos militares; a um crescendo das provoca\u00e7\u00f5es e do cerco \u00e0 R\u00fassia; ao rasgar do Tratado INF, relativo \u00e0s for\u00e7as nucleares de alcance interm\u00e9dio; ao confrontacionismo crescente com a China, seja no plano econ\u00f4mico ou militar; \u00e0 corrida \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. A virul\u00eancia da nova ofensiva contra os processos soberanos na Am\u00e9rica Latina, bem como o apoio incondicional ao criminoso sionismo israelita, encorajam a barb\u00e1rie e o culto da for\u00e7a, alimentando o anticomunismo e o fascismo no plano mundial, o que tamb\u00e9m aduba o belicismo.\n<\/p><p>\nEmbora com conflitos profundos, de contornos ainda n\u00e3o inteiramente claros, na classe dirigente dos EUA predomina a recusa em aceitar o seu decl\u00ednio e a cren\u00e7a de que os poderosos recursos ainda dispon\u00edveis podem preservar a hegemonia planet\u00e1ria. Entre esses recursos conta-se a estrutura militar e o dom\u00ednio quase ditatorial sobre os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o social mundiais, cada vez mais meras armas da propaganda de guerra (veja-se o caso da Venezuela). Conta-se tamb\u00e9m a extensa rede de aut\u00eanticos agentes dos EUA no seio de numerosos pa\u00edses (incluindo da UE), sempre prontos a trocar a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e mesmo a trai\u00e7\u00e3o aos seus pa\u00edses por futuras benesses, \u00e0 la Dur\u00e3o Barroso.\n<\/p><p>\nMas o extremismo do governo Trump tamb\u00e9m comporta grandes riscos para a superpot\u00eancia capitalista. A imprevisibilidade dos EUA e a sua indisponibilidade para o compromisso podem p\u00f4r em perigo alian\u00e7as de muitas d\u00e9cadas com pa\u00edses de import\u00e2ncia regional (como a Turquia, o Paquist\u00e3o, e mesmo pa\u00edses do Golfo) e com as pot\u00eancias imperialistas europeias e, por essa via, poder\u00e3o enfraquecer ainda mais os EUA.\n<\/p><p>\nOs perigos e as potencialidades\n<\/p><p>\nEm muitos setores populares ainda n\u00e3o existe uma consci\u00eancia da real gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Existe o perigo de que grandes massas sejam conduzidas para becos sem sa\u00edda, quer arrastadas pela propaganda de guerra fascistizante, quer correndo atr\u00e1s de ilus\u00f5es, como os mitos de uma UE \u2018de paz\u2019. A Hist\u00f3ria ensina que as grandes guerras modernas t\u00eam as suas ra\u00edzes no sistema capitalista e de domina\u00e7\u00e3o de classe, nas suas crises e rivalidades. Para os povos, \u00e9 imperioso lutar para travar a corrida para o abismo. Apontando sempre as responsabilidade de quem defende e promove a guerra. Lutando sempre em defesa da Paz. S\u00f3 assim se fortalece a resist\u00eancia que conduzir\u00e1 \u00e0 alternativa.\n<\/p><p>\nhttps:\/\/www.odiario.info\/a-proposito-do-declinio-dos-eua\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23091\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[226],"class_list":["post-23091","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-60r","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23091","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23091"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23091\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23091"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23091"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23091"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}