{"id":2323,"date":"2012-01-27T00:43:23","date_gmt":"2012-01-27T00:43:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2323"},"modified":"2012-01-27T00:43:23","modified_gmt":"2012-01-27T00:43:23","slug":"refugiados-denunciam-maus-tratos-em-fabrica-da-sadia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2323","title":{"rendered":"Refugiados denunciam maus-tratos em f\u00e1brica da Sadia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>BBC Brasil<\/em><\/p>\n<p>Amea\u00e7ado de morte pelo Taleb\u00e3\u00a0 por se recusar a pagar propinas ao grupo, Mahmoud (nome fict\u00edcio) achou por bem abandonar sua cidade, na fronteira entre o Afeganist\u00e3o e o Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Pagou US$ 5 mil d\u00f3lares a uma gangue de tr\u00e1fico humano, que prometeu lhe enviar a um pa\u00eds do outro lado do mundo do qual sabia muito pouco, mas onde, segundo o grupo, poderia solicitar ref\u00fagio e reiniciar sua vida em paz: o Brasil.<\/p>\n<p>Algumas semanas depois, j\u00e1\u00a0em territ\u00f3rio brasileiro, ele diz ter sido v\u00edtima de uma rede de explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores estrangeiros em frigor\u00edficos nacionais.<\/p>\n<p>Quando completou quatro meses de trabalho e come\u00e7ava a se adaptar \u00e0\u00a0nova vida, Mahmoud foi transferido de Estado por seu empregador. Dormia sempre em alojamentos apinhados de estrangeiros, que se revezavam nas poucas camas dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Nas f\u00e1bricas, executava uma \u00fanica tarefa: com uma faca afiada, degolava cerca de 75 frangos por minuto pelo m\u00e9todo halal, selo requerido pelos pa\u00edses de maioria isl\u00e2mica que importam a carne brasileira. &#8220;N\u00e3o dava nem para enxugar o suor&#8221;, ele conta, referindo-se \u00e0 alta velocidade com que tinha de executar os cortes na linha de abate. Pelo trabalho, recebia cerca de R$ 700 mensais.<\/p>\n<p>Segundo a Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior a exporta\u00e7\u00e3o de frango halal para pa\u00edses mu\u00e7ulmanos rendeu cerca de R$ 5 bilh\u00f5es ao Brasil em 2011.<\/p>\n<p>Certo dia, como um colega se adoentou, Mahmoud foi escalado para trabalhar por dois turnos seguidos. Ao se queixar ao supervisor, foi insultado e demitido. No dia seguinte, outro estrangeiro j\u00e1 ocupara seu lugar.<\/p>\n<p>Sem um tost\u00e3o, hoje aguarda pela defini\u00e7\u00e3o do seu pedido de ref\u00fagio ao Conare (Comit\u00ea\u00a0Nacional para os Refugiados, \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a), faz as refei\u00e7\u00f5es em centros religiosos e procura outro emprego.<\/p>\n<p>&#8220;Disseram que no Brasil eu encontraria paz, mas virei um escravo e, hoje, vivo como um mendigo.&#8221;<\/p>\n<p>A BBC Brasil contatou, al\u00e9m de Mahmoud, outros dois trabalhadores que se disseram v\u00edtimas das mesmas condi\u00e7\u00f5es de trabalho em frigor\u00edficos brasileiros.<\/p>\n<p>Os dois \u00faltimos integram um grupo de 25 estrangeiros que trabalham na f\u00e1brica da Sadia (hoje parte da BR Foods, maior empresa aliment\u00edcia brasileira e uma das maiores do mundo) em Samambaia, no Distrito Federal. Quase todos moram em duas casas cedidas pela CDIAL Halal, empresa terceirizada pela Sadia para o abate dos frangos pelo m\u00e9todo halal.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1\u00a0arm\u00e1rios nem geladeira na casa, roupas e a comida s\u00e3o armazenadas no ch\u00e3o ou sobre o estrado de uma cama, improvisado como mesa.<\/p>\n<p>A BBC Brasil obteve fotos do interior de uma das resid\u00eancias. Nos quartos, habitados por at\u00e9\u00a0oito pessoas, colch\u00f5es empilhados durante o dia s\u00e3o esticados no ch\u00e3o\u00a0\u00e0\u00a0 noite, para compensar a falta de camas. Como n\u00e3o h\u00e1\u00a0arm\u00e1rios nem geladeira na casa, as roupas e a comida s\u00e3o armazenadas no ch\u00e3o ou sobre o estrado de uma cama, improvisado como mesa.<\/p>\n<p>As refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas no ch\u00e3o do quarto, em cima de um peda\u00e7o de papel\u00e3o. Na cozinha, o fog\u00e3o acumula crostas de gordura.<\/p>\n<p>Todos os trabalhadores s\u00e3o mu\u00e7ulmanos, j\u00e1 que o abate halal requer que os animais tenham suas gargantas cortadas manualmente por seguidores do isl\u00e3. Eles devem pronunciar a frase &#8220;Em nome de Deus, Deus \u00e9 maior!&#8221; (Bismillah Allahu Akbar, em \u00e1rabe) antes de cada degola. O gesto deve cortar a traqueia, es\u00f4fago, art\u00e9rias e a veia jugular, para apressar o sangramento e poupar o animal de maior sofrimento.<\/p>\n<p>Segundo a C\u00e2mara de Com\u00e9rcio \u00c1rabe-Brasileira, h\u00e1\u00a0apenas tr\u00eas empresas no Brasil que fornecem o certificado halal, dentre as quais a CDIAL Halal \u2013 bra\u00e7o do grupo religioso CDIAL (Centro de Divulga\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3 para a Am\u00e9rica Latina, baseado em S\u00e3o Bernardo do Campo).<\/p>\n<p>A CDIAL Halal, que presta servi\u00e7os para quase todas as empresas brasileiras que exportam carne para os pa\u00edses isl\u00e2micos, diz empregar cerca de 350 funcion\u00e1rios no abate halal, 90% dos quais prov\u00eam de pa\u00edses africanos ou asi\u00e1ticos como Senegal, Som\u00e1lia, Bangladesh, Paquist\u00e3o, Iraque e Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Boa parte dos oriundos de \u00e1reas em conflito obt\u00eam status de refugiado no Brasil, o que lhes permite trabalhar legalmente. Os outros se estabelecem como imigrantes e, ao conseguir trabalho no abate halal, atividade para a qual h\u00e1 pouca m\u00e3o de obra brasileira dispon\u00edvel, t\u00eam o caminho para sua regulariza\u00e7\u00e3o encurtado.<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0\u00a0escravid\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Para o procurador do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) Ricardo Nino Ballarini, as condi\u00e7\u00f5es relatadas pelos trabalhadores em Samambaia s\u00e3o an\u00e1logas \u00e0\u00a0escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A empresa se vale da situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel deles no pa\u00eds, o que permite caracterizar condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravo. Ao transferi-los constantemente de Estado, impede que criem ra\u00edzes, que estabele\u00e7am rela\u00e7\u00f5es pessoais e denunciem os abusos \u00e0 pol\u00edcia&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ballarini diz que a situa\u00e7\u00e3o se assemelha \u00e0\u00a0descrita por estrangeiros que executam o abate halal em duas f\u00e1bricas da Sadia no Paran\u00e1, onde a CDIAL Halal tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela atividade.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es laborais nas duas f\u00e1bricas, nos munic\u00edpios de Dois Vizinhos e Francisco Beltr\u00e3o, s\u00e3o objeto de duas a\u00e7\u00f5es movidas pelo procurador. Ele diz que, em ambas as unidades, os funcion\u00e1rios estrangeiros enfrentavam jornadas de at\u00e9 15 horas di\u00e1rias, n\u00e3o recebiam hora extra e eram privados de benef\u00edcios dados aos trabalhadores da Sadia, como participa\u00e7\u00e3o nos lucros e plano de sa\u00fade. Al\u00e9m disso, afirma que muitos trabalhavam sem carteira assinada.<\/p>\n<p>Ballarini conta que os trabalhadores, que costumam chegar ao Brasil com vistos de turista, s\u00e3o geralmente arregimentados para o servi\u00e7o em mesquitas.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0a CDIAL Halal afirmou em nota que todos os seus funcion\u00e1rios encontram-se em situa\u00e7\u00e3o legal no pa\u00eds e procuram a empresa por livre vontade. A companhia diz que o abate se d\u00e1 conforme normas adequadas de seguran\u00e7a, que todos os funcion\u00e1rios t\u00eam carteira assinada e executam jornada de at\u00e9 oito horas (intercaladas entre uma hora trabalhada e uma de descanso), registrada por rel\u00f3gio de ponto biom\u00e9trico.<\/p>\n<p>A empresa afirma ainda que horas extras s\u00e3o devidamente registradas e pagas, e que todos os funcion\u00e1rios s\u00e3o amparados por acordos coletivos firmados com sindicatos da classe.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s transfer\u00eancias dos trabalhadores, a CDIAL Halal afirma que alguns contratos de trabalho contam com cl\u00e1usula que prev\u00ea\u00a0essas a\u00e7\u00f5es. Nesses casos, a empresa diz arcar com os custos da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Rede nacional<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o procurador Ballarini, os casos de Samambaia e das f\u00e1bricas paranaenses indicam que pode haver uma rede nacional de explora\u00e7\u00e3o de trabalho no abate halal. A BBC Brasil apurou que o tema tamb\u00e9m \u00e9 objeto de uma investiga\u00e7\u00e3o do MPT em Campinas (SP). O Minist\u00e9rio do Trabalho, por sua vez, afirmou que apurar\u00e1 as den\u00fancias de abusos em Samambaia e que prepara uma nova regulamenta\u00e7\u00e3o para o trabalho em frigor\u00edficos.<\/p>\n<p>A den\u00fancia contra a f\u00e1brica da Sadia em Dois Vizinhos foi julgada procedente, e a BR Foods (Sadia) e a CDIAL Halal foram condenadas a pagar R$ 5 milh\u00f5es ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), como forma de reparar os danos causados aos trabalhadores.<\/p>\n<p>As empresas recorreram, e o tribunal de segunda inst\u00e2ncia baixou o valor da indeniza\u00e7\u00e3o para R$ 1 milh\u00e3o, embora tenha mantido a decis\u00e3o da corte anterior. Agora, a empresa deve recorrer outra vez.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0a a\u00e7\u00e3o movida contra a f\u00e1brica da Sadia em Francisco Beltr\u00e3o foi julgada improcedente, e o MPT recorreu.<\/p>\n<p><strong>Terceiriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de condenar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho no abate halal, Ballarini considera ilegal a terceiriza\u00e7\u00e3o da atividade, efetuada pela BR Foods em todas as suas f\u00e1bricas que exportam para pa\u00edses isl\u00e2micos. Ele argumenta que uma companhia s\u00f3 pode terceirizar uma de suas atividades-meio (no caso da Sadia, o abate de animais) se n\u00e3o houver subordina\u00e7\u00e3o entre os terceirizados e a empresa principal.<\/p>\n<p>No entanto, diz que o abate halal se d\u00e1\u00a0inteiramente na linha de montagem da Sadia, com participa\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios da companhia em todos os processos que n\u00e3o a degola.<\/p>\n<p>&#8220;Ao terceirizar, a empresa economiza dinheiro. Foi o que Sadia fez&#8221;, diz. &#8220;Nada impede que a Sadia contrate os empregados, ainda que adeptos do isl\u00e3. S\u00f3 a supervis\u00e3o e a certifica\u00e7\u00e3o deveriam ser feitas pela entidade competente&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0a BR Foods (Sadia) afirmou em nota que a terceiriza\u00e7\u00e3o do abate halal atende \u00e0 exig\u00eancia dos mercados isl\u00e2micos. &#8220;De acordo com tais exig\u00eancias, o trabalho deve ser executado por funcion\u00e1rios mu\u00e7ulmanos que sejam vinculados a uma entidade certificada pelas autoridades daqueles pa\u00edses. Portanto, a contrata\u00e7\u00e3o terceirizada \u00e9 uma necessidade.&#8221;<\/p>\n<p>A empresa afirma, no entanto, que os funcion\u00e1rios terceirizados cumprem uma jornada de trabalho equivalente \u00e0\u00a0dos trabalhadores da empresa e est\u00e3o sujeitos \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es que os outros funcion\u00e1rios da unidade.<\/p>\n<p>A BR Foods n\u00e3o se pronunciou sobre as condi\u00e7\u00f5es dos dormit\u00f3rios dos funcion\u00e1rios terceirizados. CDIAL Halal, por sua vez, afirmou que &#8220;n\u00e3o tem qualquer obriga\u00e7\u00e3o de tutelar o domic\u00edlio de seus empregados, tampouco seus h\u00e1bitos de higiene pessoal&#8221;.<\/p>\n<p>A empresa diz que a concess\u00e3o de resid\u00eancia visa apenas facilitar os entraves burocr\u00e1ticos que os empregados encontram para alugar uma resid\u00eancia. Ainda assim, a empresa diz adotar &#8220;uma s\u00e9rie de medidas para orientar e auxiliar seus empregados no \u00e2mbito dom\u00e9stico, inclusive disponibilizando uma faxineira para limpeza das casas uma vez por semana.&#8221;<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>Isl\u00e2ndia: a revolu\u00e7\u00e3o silenciosa<\/strong><\/p>\n<p><em>Le Monde<\/em><\/p>\n<p>A Isl\u00e2ndia acabou o ano 2011 com um crescimento econ\u00f3mico de 2,1% e em 2012 vai ter o triplo da taxa de crescimento esperada para a Uni\u00e3o Europeia. Ap\u00f3s o colapso financeiro encontrou medidas in\u00e9ditas para sair da crise e vai julgar os seus respons\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>O colapso<\/strong><\/p>\n<p>Em 2008, a d\u00edvida da Isl\u00e2ndia era nove vez o seu PIB, a sua moeda colapsa e a bolsa \u00e9\u00a0suspensa depois de ter ca\u00eddo 76%. O pa\u00eds vai \u00e0 fal\u00eancia e tem de recorrer a dois empr\u00e9stimos, um do FMI de 2,1 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e outro dos pa\u00edses n\u00f3rdicos e da R\u00fassia de 2,5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>O FMI, como sempre, exigiu em troca medidas de &#8220;ajustamento&#8221; traduzidas em cortes nas despesas sociais. A popula\u00e7\u00e3o revolta-se, o que provoca a queda do governo e elei\u00e7\u00f5es antecipadas. O Partido da Independ\u00eancia, conservador, \u00e9 substitu\u00eddo por uma coliga\u00e7\u00e3o de partidos de esquerda, ecologistas e sociais democr\u00e1ticos. Um referendo rejeita o salvamento dos bancos privados e os principais bancos, Glitnir, Landsbankinn e Kaupthing, s\u00e3o nacionalizados.<\/p>\n<p><strong>Respons\u00e1vel ou bode expiat\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p>Actualmente, v\u00e1rios respons\u00e1veis do sector banc\u00e1rios dever\u00e3o ir a julgamentos por fraude e abuso de poder. O parlamento island\u00eas nomeou uma comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito, composta por dois fil\u00f3sofos e um historiador, para analisar o aspecto \u00e9tico da crise, um atitude \u00fanica e inovadora.<\/p>\n<p>O antigo primeiro ministro island\u00eas, Geir Haarde, est\u00e1\u00a0actualmente a ser julgado por ter mal gerido a crise que provocou o colapso do sistema banc\u00e1rio do seu pa\u00eds. Arrisca-se a 2 anos de pris\u00e3o se for declarado culpado. Uma comiss\u00e3o tinha proposto inicialmente culpar quatro pessoas.<\/p>\n<p>Esta acusa\u00e7\u00e3o de &#8220;neglig\u00eancia&#8221; e &#8220;viola\u00e7\u00e3o das leis sobre a responsabilidade ministerial&#8221;, do antigo primeiro ministro, \u00e9 vista para a maioria dos observadores como a tentativa de encontrar um bode expiat\u00f3rio, outros v\u00eam nela um acerto de contas pol\u00edtico por parte dos seus velhos inimigos no poder, agora que o poder virou \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>O que parece estar em causa na responsabilidade da crise islandesa n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma pessoas, mas sim de um conjunto de actua\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios actores pol\u00edticos, assim como de v\u00e1rios respons\u00e1veis do sector financeiro do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Isl\u00e2ndia: um &#8220;mau&#8221; exemplo.<\/strong><\/p>\n<p>A &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; islandesa \u00e9\u00a0 muito pouco badalada nos media oficiais, pois esta poderia servir de &#8220;mau&#8221; exemplo para outros pa\u00edses nas mesmas circunst\u00e2ncias: recusa em pagar as d\u00edvidas de bancos privados, nacionaliza\u00e7\u00e3o e coloca\u00e7\u00e3o sob controlo democr\u00e1ticos de tr\u00eas bancos, e nacionaliza\u00e7\u00e3o, para breve, dos recursos naturais. Esta revolu\u00e7\u00e3o anti-capitalista poderia dar m\u00e1s ideias a outros povos europeus.<\/p>\n<p>E tudo isto sem viol\u00eancia, sem um \u00fanico disparo da pol\u00edcia. Uma esp\u00e9cie de revolu\u00e7\u00e3o silenciosa. \u00c9 verdade que, a maioria das vezes a democracia directa s\u00f3 vive enquanto est\u00e1 na rua e desaparece quando se institucionaliza. Mas seja como for, a Primeira-Ministra islandesa, Johanna Sigurdsdottir, e o seu governo elaboraram um plano de r\u00e1pido relan\u00e7amento econ\u00f3mico que parece estar a dar frutos.<\/p>\n<p>A Isl\u00e2ndia continua assim, a ser um pa\u00eds inovador em v\u00e1rios aspectos: foi o segundo pa\u00eds do mundo a reconhecer o direito de voto \u00e0s mulheres (depois da Nova Zel\u00e2ndia), o primeiro pa\u00eds a ter um chefe de governo homosexual, a ser um dos pa\u00edses mais seguros do mundo em termos de viol\u00eancia e a ter 100% de alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>R$ 2,4 milh\u00f5es do Minist\u00e9rio do Esporte desaparecem de conta de ONG ligada ao PC do B<\/strong><\/p>\n<p><em>UOL Esportes<\/em><\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal est\u00e1 investigando o sumi\u00e7o de R$ 2,4 milh\u00f5es de verbas do programa Pintando a Cidadania, do Minist\u00e9rio do Esporte, repassados \u00e0 ONG &#8220;Instituto Cidade&#8221;, de Juiz de Fora (MG), para a produ\u00e7\u00e3o de materiais esportivos, como bolas, camisas e redes de v\u00f4lei. A ONG mineira terceirizou os servi\u00e7os contratando uma cooperativa local para produzir os materiais.<\/p>\n<p>Mais de um ano ap\u00f3s o in\u00edcio do contrato, em 3 de dezembro de 2010, por\u00e9m, a ONG, que recebeu 100% da verba (R$ 2,409.522,44 milh\u00f5es), produziu apenas 10% do material, e encerrou a produ\u00e7\u00e3o depois disso. O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio do Esporte, de acordo com documentos internos a que o UOL teve acesso \u2013 j\u00e1 encaminhados \u00e0 Pol\u00edcia Federal \u2013, reconhece os ind\u00edcios de desvio de recursos p\u00fablicos e favorecimento a pessoas ligadas ao PC do B (Partido Comunista do Brasil) no uso das verbas cedidas \u00e0 ONG. O partido comanda o Minist\u00e9rio do Esporte desde 2003.<\/p>\n<p>Atualmente, as atividades do Instituto Cidade est\u00e3o paralisadas. A reportagem esteve em Juiz de Fora e encontrou uma f\u00e1brica de material esportiva vazia. Um funcion\u00e1rio informou que tinha dispensado os mais de 40 trabalhadores, j\u00e1 que n\u00e3o havia dinheiro para produzir qualquer material ou efetuar pagamentos.<\/p>\n<p>No dia 10 de novembro de 2011, cumprindo mandado da Justi\u00e7a, a Pol\u00edcia Federal apreendeu computadores e documentos na sede da ONG e em mais tr\u00eas endere\u00e7os em Juiz de Fora, entre eles na casa do presidente da entidade, Jos\u00e9 Augusto da Silva.<\/p>\n<p>Segundo o delegado federal Ronaldo Guilherme Campos, \u00e0\u00a0frente das investiga\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 poss\u00edvel afirmar at\u00e9 agora &#8220;\u00e9 a exist\u00eancia de forte ind\u00edcio de que algo de irregular aconteceu&#8221;. Ele precisar\u00e1 de &#8220;mais quatro ou cinco meses&#8221; para concluir as investiga\u00e7\u00f5es, e diz que aguarda a quebra do sigilo banc\u00e1rio dos envolvidos.<\/p>\n<p>O principal deles \u00e9 Jos\u00e9 Augusto da Silva, presidente do Instituto Cidade e ex-cabo eleitoral de Wadson Ribeiro (PC do B), que est\u00e1 na supl\u00eancia do partido para a C\u00e2mara dos Deputados. Wadson, ex-presidente da UNE (1999-2001), ocupou a Secretaria Nacional de Esporte Educacional da pasta at\u00e9 o final de 2011. O programa Pintando a Cidadania est\u00e1 vinculado a essa secretaria. Em novembro, Wadson deixou o Minist\u00e9rio, pouco depois da sa\u00edda do ent\u00e3o ministro Orlando Silva, no bojo de pesadas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o na pasta.<\/p>\n<p>Orlando e Wadson, com Ricardo Cappelli \u2013 que preside a comiss\u00e3o t\u00e9cnica da Lei de Incentivo ao Esporte \u2013 formavam o triunvirato de ex-presidentes da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes com cargos de destaques no Minist\u00e9rio do Esporte, a partir de 2006. Do trio, apenas Cappelli permanece no cargo, na pasta agora sob o comando do ministro Aldo Rebelo.<\/p>\n<p>No dia 23 de novembro do ano passado, Jos\u00e9\u00a0Augusto Silva foi convocado pelo Minist\u00e9rio do Esporte para &#8220;tratar de assuntos relevantes e urgentes, inerentes ao desenvolvimento das a\u00e7\u00f5es previstas no plano de aplica\u00e7\u00e3o do conv\u00eanio&#8221;, de acordo com documento que o UOL teve acesso. A Jos\u00e9 Silva foi tamb\u00e9m solicitada a apresenta\u00e7\u00e3o de &#8220;extrato atualizado da movimenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria da conta exclusiva do conv\u00eanio&#8221;. Em v\u00e3o. Ele alegou que com a apreens\u00e3o dos documentos pela Pol\u00edcia Federal n\u00e3o poderia atender ao solicitado pelo Minist\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>Pagamentos irregulares<\/strong><\/p>\n<p>As explica\u00e7\u00f5es do presidente do Instituto Cidade n\u00e3o convenceram. No dia 9 de janeiro deste ano, um relat\u00f3rio interno do Minist\u00e9rio do Esporte que integra volumoso processo \u2013 tudo j\u00e1 enviado \u00e0 Pol\u00edcia Federal \u2013 , adianta que &#8220;h\u00e1 ind\u00edcios de malversa\u00e7\u00e3o do dinheiro p\u00fablico&#8221; na ONG Instituto Cidade, e que a mesma &#8220;n\u00e3o se esfor\u00e7a em elucidar as den\u00fancias feitas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Pagamentos ilegais<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo relat\u00f3rio do minist\u00e9rio denuncia &#8220;pagamentos com recursos p\u00fablicos de vales-transporte, previstos no plano de aplica\u00e7\u00e3o aos cooperados (que produziriam o material esportivo), a integrantes do PC do B que atuam em escrit\u00f3rio regional do partido pol\u00edtico em Juiz de Fora. Os partid\u00e1rios s\u00e3o acusados de n\u00e3o guardarem rela\u00e7\u00e3o ou v\u00ednculo com as metas do conv\u00eanio. Do processo consta uma lista com os \u201cnomes dos militantes do partido que receberam os benef\u00edcios, ou seja de maneira ilegal&#8221;.<\/p>\n<p>O UOL teve acesso \u00e0 lista de pessoas que receberiam o benef\u00edcio. 15 delas seriam\u00a0 filiadas ao PC do B. Apesar desses ind\u00edcios de graves irregularidades, o conv\u00eanio do minist\u00e9rio com o Instituto Cidade ainda n\u00e3o foi rescindido. Segundo levantamento junto ao Sistema Integrado de Administra\u00e7\u00e3o Financeira (Siafi), o Instituto Cidade foi contemplado com R$ 7 milh\u00f5es do Minist\u00e9rio do Esporte, entre 2006 e 2011.<\/p>\n<p>A coordenadora da cooperativa \u2013 constitu\u00edda de pessoas carentes de Juiz de Fora para atender aos pedidos de produ\u00e7\u00e3o de material esportivo \u2013, Sandra Rodrigues Costa, relatou a funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio do Esporte que o presidente do Instituto Cidade, Jos\u00e9 Augusto da Silva, teria convocado uma reuni\u00e3o com os coordenadores do projeto no fim de 2011 para informar que as atividades seriam interrompidas por falta de recursos.<\/p>\n<p>Nos relatos, cujas grava\u00e7\u00f5es foram ouvidas pelo UOL, Sandra informa que Jos\u00e9\u00a0Augusto da Silva deu um aviso claro: &#8220;Apenas teremos recursos dispon\u00edveis at\u00e9\u00a0 dezembro (de 2011). Alertem os funcion\u00e1rios (da Cooperativa)\u00a0 que ap\u00f3s n\u00e3o teremos mais dinheiro para executar as metas do conv\u00eanio&#8221;.<\/p>\n<p>Sandra teria, ent\u00e3o, perguntado o que foi feito dos R$ 2,9 milh\u00f5es (na verdade, o repasse oficial foi de R$ 2,4 milh\u00f5es, segundo o Siafi) que deveriam ser usados na produ\u00e7\u00e3o do material. A resposta: &#8220;Eu assumo que desviei os recursos do conv\u00eanio do Minist\u00e9rio do Esporte para outros projetos do Instituto Cidade&#8221;. Para quais projetos o dinheiro teria sido desviado, Silva n\u00e3o informou.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o do conv\u00eanio \u00e9\u00a0o seguinte, segundo o Minist\u00e9rio do Esporte:<\/p>\n<p>8.000 bolas encomendadas: Nenhuma foi produzida<\/p>\n<p>26.000 camisetas produzidas, ou 43% do contratado<\/p>\n<p>4.900 bon\u00e9s entregues, apenas 8% do previsto no contrato<\/p>\n<p>Redes: foram produzidas 200 redes de futsal e outras 200 de v\u00f4lei, ou apenas 20% do total contratado<\/p>\n<p>Bandeiras: nenhum material chegou \u00e0\u00a0 f\u00e1brica; nada foi produzido<\/p>\n<p>O UOL tentou entrar em contato com Jos\u00e9\u00a0 Augusto da Silva por dois dias em Juiz de Fora, mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>Contra importa\u00e7\u00f5es, centrais e Fiesp organizam paralisa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n<p>Parte dos trabalhadores da ind\u00fastria paulistana podem cruzar os bra\u00e7os por um dia logo ap\u00f3s o Carnaval, na \u00faltima semana de fevereiro, em protesto contra a forte entrada de produtos manufaturados importados. Os industriais liderados pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp) n\u00e3o devem se incomodar &#8211; pelo contr\u00e1rio, a greve geral deve contar com a boa vontade dos empres\u00e1rios. O com\u00e9rcio varejista pode acompanhar. O arranjo dessa manifesta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 fechado hoje, em S\u00e3o Paulo, em duas reuni\u00f5es entre empres\u00e1rios e sindicalistas.<\/p>\n<p>Na primeira reuni\u00e3o, de manh\u00e3, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, discute os planos da greve geral na capital paulista com os presidentes de cinco centrais sindicais, capitaneadas pela For\u00e7a Sindical, e pelo maior sindicato da capital, o Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Paulo. Em seguida, os sindicalistas, desta vez liderados pelo Sindicato dos Comerci\u00e1rios de S\u00e3o Paulo, filiado \u00e0 Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores (UGT), ser\u00e3o recebidos pelo empres\u00e1rio Abram Szajman, presidente da Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo do Estado de S\u00e3o Paulo (Fecomercio).<\/p>\n<p>Os encontros v\u00e3o envolver empres\u00e1rios e os l\u00edderes das centrais For\u00e7a Sindical, UGT, CTB, NCST e CGTB. Os sindicalistas representam na capital 420 mil metal\u00fargicos, 480 mil comerci\u00e1rios, 35 mil prestadores de servi\u00e7os em software e processamento de dados, 80 mil motoristas de \u00f4nibus, al\u00e9m dos trabalhadores nas ind\u00fastrias t\u00eaxtil e de confec\u00e7\u00f5es, entre outros. Os industriais est\u00e3o &#8220;inclinados&#8221; a apoiar a greve geral dos sindicalistas, segundo uma fonte ligada \u00e0 Fiesp. O apoio, se confirmado, pode caracterizar um locaute. &#8220;Os importados est\u00e3o reduzindo nosso \u00edmpeto de contrata\u00e7\u00f5es e mesmo reduzindo produ\u00e7\u00e3o e, portanto, tamb\u00e9m resultando em demiss\u00f5es&#8221;, diz o industrial.<\/p>\n<p>O protesto ser\u00e1\u00a0concentrado na avenida Paulista, onde os sindicalistas esperam concentrar os trabalhadores com cartazes anti-importa\u00e7\u00f5es. &#8220;O sal\u00e1rio m\u00ednimo sobe forte e impulsiona os sal\u00e1rios no mercado de trabalho como um todo, mas esse g\u00e1s no consumo tem sido crescentemente convertido no consumo de importados&#8221;, afirma Miguel Torres, o presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Paulo e Mogi das Cruzes.<\/p>\n<p>Em novembro, o IBGE registrou queda de 0,1% sobre o m\u00eas anterior no emprego industrial. O pior resultado foi apurado em S\u00e3o Paulo, que registrou forte queda de 3,7% entre outubro e novembro &#8211; 15 dos 18 setores pesquisados pelo IBGE registraram corte de pessoal. De janeiro a novembro, a ind\u00fastria aumentou a produ\u00e7\u00e3o em apenas 0,4%, de acordo com o IBGE.<\/p>\n<p>A Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) \u00e9\u00a0a \u00fanica das seis centrais do pa\u00eds que n\u00e3o participar\u00e1\u00a0 das reuni\u00f5es hoje. As portas n\u00e3o est\u00e3o fechadas \u00e0\u00a0maior central do pa\u00eds, mas seu posicionamento contr\u00e1rio ao imposto sindical fez com que ela n\u00e3o fosse procurada.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>lta do IOF segurou entrada de d\u00f3lares em 2011<\/strong><\/p>\n<p><em>O Estado de S. Paulo<\/em><\/p>\n<p>BRAS\u00cdLIA &#8211; O aumento do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) nos empr\u00e9stimos de curto prazo no exterior, anunciado em mar\u00e7o, ajudou a conter a entrada de d\u00f3lares relativa a essas opera\u00e7\u00f5es em 2011. A expectativa do governo \u00e9 que esse resultado se repita este ano.<\/p>\n<p>Em 2010, houve entrada l\u00edquida de US$ 27,5 bilh\u00f5es por meio dessas modalidades de financiamento, segundo o Banco Central (BC). Em 2011, o resultado foi a sa\u00edda l\u00edquida de US$ 6,1 bilh\u00f5es. Ou seja, o pagamento de d\u00edvidas superou a contra\u00e7\u00e3o de novos empr\u00e9stimos. Para 2012, o BC projeta novo resultado negativo, de US$ 4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o governo decidiu cobrar IOF de 6% sobre opera\u00e7\u00f5es de financiamento externo com prazo inferior a 360 dias. Em abril, ampliou a taxa\u00e7\u00e3o e incluiu empr\u00e9stimos at\u00e9 720 dias. Antes, o imposto era de 5,38% e atingia opera\u00e7\u00f5es de at\u00e9 90 dias.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do governo era que parte do dinheiro n\u00e3o estava relacionada a investimentos, mas a opera\u00e7\u00f5es especulativas que contribu\u00edam para derrubar a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. O BC tamb\u00e9m estava preocupado com o risco de que uma virada nas cota\u00e7\u00f5es causasse preju\u00edzos, como ocorreu no fim de 2008.<\/p>\n<p>Dados do BC mostram ainda que, com a mudan\u00e7a na tributa\u00e7\u00e3o, houve aumento nos empr\u00e9stimos e emiss\u00f5es de t\u00edtulos de m\u00e9dio e longo prazos, que n\u00e3o foram atingidos pela medida. A diferen\u00e7a entre novos empr\u00e9stimos e amortiza\u00e7\u00f5es nestes casos, que gerou saldo de US$ 29,2 bilh\u00f5es em 2010, cresceu 63%, para US$ 47,6 bilh\u00f5es em 2011.<\/p>\n<p>&#8220;Parte desse fluxo acabou migrando para opera\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio e longo prazos, acima de 720 dias&#8221;, diz o economista Bruno Lavieri, da Tend\u00eancias. Para ele, outra parte desse capital pode estar entrando de outras maneiras. &#8220;Nos investimentos estrangeiros diretos pode ter algum capital de curto prazo destinado a aplica\u00e7\u00e3o em renda fixa ou a\u00e7\u00f5es, e isso n\u00e3o deve estar sendo rastreado.&#8221;<\/p>\n<p>O gerente da Treviso Corretora de C\u00e2mbio, Reginaldo Galhardo, diz que a medida reduziu a especula\u00e7\u00e3o com o real, principalmente nas opera\u00e7\u00f5es em que investidores lucravam com o c\u00e2mbio e com a diferen\u00e7a de juros no Brasil e no exterior.<\/p>\n<p>Neste ano, o BC prev\u00ea\u00a0forte redu\u00e7\u00e3o na entrada de capital estrangeiro por meio dessas opera\u00e7\u00f5es. A previs\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0que o saldo de empr\u00e9stimos acima de 360 dias recue para US$ 6,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>EUA ter\u00e3o meta de infla\u00e7\u00e3o de 2% ao ano<\/strong><\/p>\n<p><em>O Estado de S. Paulo<\/em><\/p>\n<p>S\u00c3O PAULO &#8211; Em um movimento hist\u00f3rico, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) informou nesta quarta-feira, 25, que decidiu adotar o sistema de metas de infla\u00e7\u00e3o, o mesmo que \u00e9 usado no Brasil desde 1999. O BC americano se comprometeu a buscar um \u00edndice de 2% ao ano. Aqui, a meta \u00e9 de 4,5%, com margem de toler\u00e2ncia de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.<\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s cuidadosas avalia\u00e7\u00f5es nas suas \u00faltimas reuni\u00f5es, o Comit\u00ea\u00a0Federal de Mercado Aberto (Fomc, equivalente ao Copom no Brasil) chegou a um amplo acordo sobre os princ\u00edpios relacionados \u00e0s suas metas de mais longo prazo e \u00e0\u00a0sua estrat\u00e9gia de pol\u00edtica monet\u00e1ria&#8221;, diz um comunicado divulgado ap\u00f3s a reuni\u00e3o que manteve a taxa b\u00e1sica de juros nos EUA no intervalo entre 0 e 0,25% ao ano, n\u00edvel em que est\u00e1 desde o fim de 2008.<\/p>\n<p>&#8220;O Comit\u00ea\u00a0pretende reafirmar esses princ\u00edpios e fazer ajustes, como \u00e9\u00a0apropriado, na reuni\u00e3o anual de organiza\u00e7\u00e3o que ocorre a cada janeiro.&#8221;<\/p>\n<p>No mercado financeiro, sempre se acreditou que o Fed tinha uma meta informal de infla\u00e7\u00e3o ao redor justamente de 2% ao ano. No entanto, o principal banco central do mundo evitava adot\u00e1-la explicitamente.<\/p>\n<p>Quando assumiu a presid\u00eancia do Fed, no in\u00edcio de 2006, o economista Ben Bernanke declarou-se favor\u00e1vel ao regime de metas. Recentemente, trouxe o tema de novo ao debate.<\/p>\n<p>No comunicado de ontem, o Fed deixa claro por que acredita que \u00e9\u00a0importante explicitar a meta. Inform\u00e1-la ao p\u00fablico, argumenta o BC americano, &#8220;ajuda a manter as expectativas de infla\u00e7\u00e3o de mais longo prazo firmemente ancoradas, fomentando, dessa forma, a estabilidade de pre\u00e7os e taxas de juros moderadas e elevando a capacidade do Comit\u00ea de promover o m\u00e1ximo emprego diante dos significativos dist\u00farbios econ\u00f4micos&#8221;.<\/p>\n<p>Diferentemente do Banco Central do Brasil, o Federal Reserve tem outra atribui\u00e7\u00e3o al\u00e9m de manter a infla\u00e7\u00e3o controlada: promover o pleno emprego. Apesar disso, Bernanke afirmou que &#8220;n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel ter uma meta de longo prazo para o emprego&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O n\u00edvel m\u00e1ximo de emprego \u00e9\u00a0 amplamente determinado por fatores n\u00e3o monet\u00e1rios que afetam a estrutura e a din\u00e2mica do mercado de trabalho&#8221;, diz o comunicado de ontem do Fed. &#8220;Esses fatores poder\u00e3o mudar ao longo do tempo e poder\u00e3o n\u00e3o ser diretamente mensur\u00e1veis. Consequentemente, n\u00e3o seria apropriado especificar uma meta fixada para emprego.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda assim, Bernanke indicou que o Fed n\u00e3o subiria o juro para combater uma infla\u00e7\u00e3o acima da meta no caso de uma taxa de desemprego elevada. Hoje, a falta de emprego \u00e9 o maior problema enfrentado por Barack Obama na economia. Em dezembro, o \u00edndice estava em 8,5%.<\/p>\n<p>O sistema de metas de infla\u00e7\u00e3o foi implementado de forma pioneira na Nova Zel\u00e2ndia, em 1990, e tamb\u00e9m \u00e9 usado em pa\u00edses como Canad\u00e1, Chile, Gr\u00e3-Bretanha, Su\u00e9cia, \u00c1frica do Sul, Austr\u00e1lia, Israel e M\u00e9xico.<\/p>\n<p><strong>Leia a \u00edntegra do comunicado:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Informa\u00e7\u00f5es recebidas desde que o Comit\u00ea\u00a0Federal de Mercado Aberto se reuniu, em dezembro, sugerem que a economia tem se expandido moderadamente, apesar de alguma desacelera\u00e7\u00e3o no crescimento global. Embora indicadores apontem para alguma melhora nas condi\u00e7\u00f5es gerais do mercado de m\u00e3o de obra, a taxa de desemprego permanece elevada. Os gastos dos domic\u00edlios continuaram a avan\u00e7ar, mas os investimentos das empresas em ativos fixos desacelerou e o setor de moradias continua deprimido. A infla\u00e7\u00e3o tem estado est\u00e1 sob controle nos \u00faltimos meses, e as expectativas quanto \u00e0 infla\u00e7\u00e3o no longo prazo permaneceram est\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8220;Consistente com seu mandato estatut\u00e1rio, o Comit\u00ea\u00a0busca fomentar o m\u00e1ximo emprego e a estabilidade dos pre\u00e7os. O Comit\u00ea\u00a0espera que o crescimento econ\u00f4mico nos pr\u00f3ximos trimestres seja modesto e, consequentemente, antecipa que a taxa de desemprego v\u00e1 declinar apenas gradualmente na dire\u00e7\u00e3o de n\u00edveis que o Comit\u00ea julga serem consistentes com seu mandato duplo. Tens\u00f5es nos mercados financeiros globais continuam a apresentar riscos negativos significativos \u00e0 perspectiva econ\u00f4mica. O Comit\u00ea tamb\u00e9m antecipa que a infla\u00e7\u00e3o vai se acomodar, nos pr\u00f3ximos trimestres, em n\u00edveis consistentes com o mandato duplo do Comit\u00ea ou abaixo deles.<\/p>\n<p>&#8220;Para apoiar uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais forte e ajudar a assegurar que a infla\u00e7\u00e3o, ao longo do tempo, esteja em n\u00edveis consistentes com o mandato duplo, o Comit\u00ea espera manter uma postura de pol\u00edtica econ\u00f4mica altamente acomodat\u00edcia. Em especial, o Comit\u00ea decidiu hoje manter a faixa da meta para a taxa dos federal funds entre zero e 0,25% e atualmente antecipa que as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas &#8211; incluindo os baixos n\u00edveis de utiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas e a perspectiva controlada para a infla\u00e7\u00e3o no m\u00e9dio prazo &#8211; devem garantir n\u00edveis excepcionalmente baixos para os federal funds pelo menos at\u00e9 o fim de 2014.<\/p>\n<p>&#8220;O Comit\u00ea\u00a0tamb\u00e9m decidiu continuar seu programa para estender a maturidade m\u00e9dia de suas posi\u00e7\u00f5es em t\u00edtulos, como anunciado em setembro. O Comit\u00ea est\u00e1 mantendo suas pol\u00edticas existentes de reinvestir os pagamentos do principal de suas posi\u00e7\u00f5es em d\u00edvida das ag\u00eancias e t\u00edtulos lastreados em hipotecas e de rolar t\u00edtulos do Tesouro a vencer em leil\u00f5es. O Comit\u00ea vai revisar regularmente o tamanho e a composi\u00e7\u00e3o de suas posi\u00e7\u00f5es em t\u00edtulos e est\u00e1 preparado para ajustar aquelas posi\u00e7\u00f5es para promover uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais forte em um contexto de estabilidade de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8220;Votaram a favor da decis\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria do Fomc: Ben S. Bernanke, chairman; William C. Dudley, vice-chairman; Elizabeth A. Duke; Dennis P. Lockhart; Sandra Pianalto; Sarah Bloom Raskin; Daniel K. Tarullo; John C. Williams; e Janet L. Yellen. Votou contra: Jeffrey M. Lacker, que preferia omitir a descri\u00e7\u00e3o da data at\u00e9 a qual as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas devem garantir n\u00edveis excepcionalmente baixos para a taxa dos federal funds&#8221;.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>Dossi\u00ea\u00a0 sobre licita\u00e7\u00e3o suspeita no CNJ constrange Peluso<\/strong><\/p>\n<p><em>O Estado de S. Paulo<\/em><\/p>\n<p>BRAS\u00cdLIA &#8211; Integrantes do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) produziram um dossi\u00ea\u00a0para tentar cancelar a licita\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria feita nas \u00faltimas semanas do ano passado para a compra de um sistema de banco de dados. O contrato foi colocado sob suspeita, como revelou o Estado, e desencadeou uma crise interna no \u00f3rg\u00e3o. O dossi\u00ea foi entregue nesta\u00a0 quarta-feira, 25, ao presidente do CNJ, Cezar Peluso, que chancelou a compra, e ser\u00e1 apresentado hoje na primeira sess\u00e3o do conselho deste ano.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o de quinta-feira, 26, convocada no fim do ano passado, seria exclusivamente para que os conselheiros votassem o relat\u00f3rio anual de atividades do CNJ. Mas as suspeitas em torno do contrato e as cr\u00edticas feitas por integrantes do conselho obrigaram o presidente a convocar uma sess\u00e3o administrativa secreta para prestar contas do contrato.<\/p>\n<p>Nesta quarta-feira \u00e0\u00a0tarde, entretanto, conselheiros afirmavam que aliados de Peluso poderiam faltar e inviabilizar a sess\u00e3o. Tr\u00eas conselheiros, conforme a assessoria do CNJ, j\u00e1 haviam avisado que faltariam: Eliana Calmon, Fernando Tourinho e Vasi Verner. Se outros tr\u00eas integrantes tamb\u00e9m faltarem, a discuss\u00e3o sobre o contrato ser\u00e1 adiada para a sess\u00e3o do dia 14 de fevereiro.<\/p>\n<p>Se a estrat\u00e9gia de adiar a crise n\u00e3o for bem-sucedida, os conselheiros dever\u00e3o, em sess\u00e3o secreta, exigir explica\u00e7\u00f5es detalhadas sobre o contrato de R$ 86 milh\u00f5es firmado a toque de caixa nas \u00faltimas semanas de 2011. De acordo com conselheiros, o custo do contrato pode ser maior do que o divulgado, pois haveria despesas adicionais com manuten\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias etapas da licita\u00e7\u00e3o teriam sido suprimidas, o edital estava direcionado para a compra de produtos de uma empresa espec\u00edfica &#8211; a Oracle &#8211; e o sistema n\u00e3o seria indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, questionar\u00e3o por que o processo de licita\u00e7\u00e3o n\u00e3o passou pela comiss\u00e3o de tecnologia do \u00f3rg\u00e3o, integrada por conselheiros, por que o ent\u00e3o o diretor do Departamento de Tecnologia e Informa\u00e7\u00e3o, Declieux Dias Dantas, que disse ser contra a licita\u00e7\u00e3o, foi exonerado e por que n\u00e3o foram informados, em momento algum, da compra.<\/p>\n<p>Suspeita. O secret\u00e1rio-geral do conselho, Fernando Florido Marcondes, tamb\u00e9m ser\u00e1\u00a0chamado a se explicar. Conselheiros reclamam da centraliza\u00e7\u00e3o de poder nas m\u00e3os do secret\u00e1rio e questionar\u00e3o se Marcondes, ao divulgar produtos da Oracle no \u00faltimo Encontro Nacional do Judici\u00e1rio, em Porto Alegre (RS), teria direcionado a licita\u00e7\u00e3o. A suspeita foi inicialmente levantada pela IBM, que contestou formalmente a legalidade da licita\u00e7\u00e3o e apontou ind\u00edcios de direcionamento em favor da Oracle.<\/p>\n<p>De acordo com parte dos conselheiros, a crise interna s\u00f3\u00a0ser\u00e1\u00a0resolvida se Peluso suspender o contrato. Outros afirmam que, al\u00e9m disso, o secret\u00e1rio-geral deveria ser trocado, pois n\u00e3o haveria clima para sua perman\u00eancia. No entanto, por ser homem de confian\u00e7a de Peluso, muitos conselheiros duvidam que Marcondes deixar\u00e1 o cargo.]<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>Televis\u00e3o: f\u00e1brica de mais-valia ideol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p><em>Palavras Insurgentes<\/em><\/p>\n<p>A televis\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma usina ideol\u00f3gica. Gera milhares de megawatts de ideologia a cada programa, por mais inocente que pare\u00e7a ser.<\/p>\n<p>E ideologia como definiu Marx: encobrimento da realidade, engano, ilus\u00e3o, falsa consci\u00eancia. Ent\u00e3o, se considerarmos que a maioria da popula\u00e7\u00e3o latino-americana, a\u00ed\u00a0inclu\u00edda a brasileira, se informa e se forma atrav\u00e9s desse ve\u00edculo, pens\u00e1-la e analis\u00e1-la deveria ser tarefa intelectual de todo aquele que pensa o mundo. Afinal, como bem afirma Chomsky, no seu cl\u00e1ssico &#8220;Os Guardi\u00f5es da Liberdade&#8221;, os meios atuam como sistema de transmiss\u00e3o de mensagens e s\u00edmbolos para o cidad\u00e3o m\u00e9dio. &#8220;Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 de divertir, entreter e informar, assim como inculcar nos indiv\u00edduos os valores, cren\u00e7as e c\u00f3digos de comportamento que lhes far\u00e3o integrar-se nas estruturas institucionais da sociedade&#8221;. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que bord\u00f5es, modas e g\u00edrias penetram nas gentes de tal forma que a reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata e sistem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Um term\u00f4metro dessa usina \u00e9\u00a0a famosa &#8220;novela das oito&#8221;, que consolidou um lugar no imagin\u00e1rio popular desde os anos 60, com a extinta Tupi, foi recuperado com maestria pela Globo e vem se repetindo nos demais canais. O hor\u00e1rio nobre \u00e9 usado pela teledramaturgia para repassar os valores que interessam \u00e0 classe dominante, funcionando como uma sistem\u00e1tica propaganda que visa a manuten\u00e7\u00e3o do estado de coisas. \u00c9 cl\u00e1ssica, nos folhetins, a eterna disputa entre o bem e o mal, o pobre e o rico, com clara vincula\u00e7\u00e3o entre o bem e o rico. Sempre h\u00e1 um empres\u00e1rio bondoso, uma empres\u00e1ria generosa, um fazendeiro de grande cora\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o os protagonistas. E, se a figura principal come\u00e7a a novela como pobre \u00e9 certo que, por sua natural bondade, chegar\u00e1 ao final como uma pessoa rica e bem sucedida, porque o que fica impl\u00edcito que o bem est\u00e1 colado \u00e0 riqueza, vide a Griselda de Fina Estampa, a novela da vez.<\/p>\n<p>Outro elemento bastante comum nas novelas \u00e9\u00a0o da beleza da submiss\u00e3o. Como os protagonistas s\u00e3o sempre pessoas ricas, eles est\u00e3o obviamente cercados dos servi\u00e7ais, que, no mais das vezes os amam e s\u00e3o muito &#8220;bem-tratados&#8221; pelos patr\u00f5es. Logo, por conta disso, agem como fi\u00e9is c\u00e3es de guarda. Um desses exemplos pode ser visto atualmente na novela global. \u00c9 o empregado-amigo (?) da vil\u00e3 Tereza Cristina. Ele atua na casa da milion\u00e1ria como um mordomo, c\u00famplice, saco de pancadas, dependendo do humor da mulher. Ora ela lhe conta os dramas, ora lhe bate na cara, ora lhe amea\u00e7a tirar tudo o que j\u00e1 lhe deu. E ele, premido pela necessidade, suporta tudo, lambendo-lhe as m\u00e3os como um cachorrinho amestrado. Tudo \u00e9 t\u00e3o sutil que n\u00e3o h\u00e1 quem n\u00e3o se sinta encantado pelo personagem. Ele provoca o riso e a condescend\u00eancia, at\u00e9 porque ainda \u00e9 retratado de forma caricata como um homossexual cheio de maneios, trejeitos e extremamente servil.<\/p>\n<p>Mas, se o servilismo de Cr\u00f4\u00a0pode ser questionado pela profunda afeta\u00e7\u00e3o, outros h\u00e1 que aparecem ainda mais sutis. \u00c9 o caso da turma da praia que, na pobreza, hostilizava Griselda e, agora, depois que ela ficou rica, passou para o seu lado, vindo inclusive trabalhar com a faz-tudo, assumindo de imediato a postura de defensores e amigos fi\u00e9is. Ou ainda a rela\u00e7\u00e3o dos demais trabalhadores com os patr\u00f5es &#8220;bonzinhos&#8221;, como \u00e9 o caso do Paulo, o Juan, o homem da barraquinha de sucos, e o Ren\u00ea. Todos s\u00e3o &#8220;amigos&#8221; e fazem os maiores sacrif\u00edcios pelos patr\u00f5es, refor\u00e7ando a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel existir essa linda concilia\u00e7\u00e3o de classe na vida real. O grupo que atua com o cozinheiro Ren\u00ea, por exemplo, foi demitido pela vil\u00e3, n\u00e3o recebeu os sal\u00e1rios, viveu de brisa por um tempo e retomou o trabalho com o antigo chefe por pura bem-queren\u00e7a. Coisa de chorar.<\/p>\n<p>Nesses folhetins tamb\u00e9m os preconceitos que interessam aos dominantes acabam refor\u00e7ados sob a faceta de &#8220;promo\u00e7\u00e3o da democracia&#8221;. O negro j\u00e1\u00a0n\u00e3o aparece apenas como bandido, mas segue sendo subalterno. No geral faz parte do n\u00facleo pobre, mas \u00e9 generoso e sabe qual \u00e9 o &#8220;seu lugar&#8221;. \u00c9 o caso do \u00e9tico funcion\u00e1rio da loja de motos. Um bom rapaz, que, no m\u00e1ximo, pode chegar a gerente da loja. As pessoas que discutem uma forma alternativa de viver aparecem como gente &#8220;sem-no\u00e7\u00e3o&#8221;, no mais das vezes caricaturada, como \u00e9 o caso da garota que prev\u00ea o futuro, a mulher negra que era bruxa, o rapaz que brinca com fogo ou os donos da pousada que em nada se diferem de empres\u00e1rios comuns, a n\u00e3o ser nas roupas exot\u00e9ricas. Ou o personagem do Z\u00e9 Mayer, numa antiga novela, que via discos voadores, n\u00e3o aceitava vender suas terras e, no final, &#8220;fica bom&#8221;, entregando sua propriedade para a empres\u00e1ria boazinha que era dona de uma papeleira. Os homossexuais tamb\u00e9m encontram espa\u00e7o nas novelas, dentro da l\u00f3gica da &#8220;democratiza\u00e7\u00e3o&#8221;, mas continuam sendo retratados de forma folcl\u00f3rica, como \u00e9 o caso do Cr\u00f4, na novela das oito, ou do transexual da novela das sete. J\u00e1 o \u00edndio, como \u00e9 invis\u00edvel na vida real, tampouco tem vez nas tramas novelistas e quando tem, como a novela protagonizada por Cl\u00e9o Pires, vem de forma folcl\u00f3rica e desconectada da vida real. E assim vai&#8230;<\/p>\n<p>Gente h\u00e1\u00a0que fica indignada com os modelos que as telenovelas reproduzem ano ap\u00f3s ano, mas essa \u00e9\u00a0 realidade real. Os folhetins nada mais fazem do que refor\u00e7ar as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o consolidadas pelo sistema capitalista. At\u00e9 porque s\u00e3o financiados pelo capital, fazendo acontecer aquilo que Ludovico Silva chama de &#8220;mais-valia ideol\u00f3gica&#8221;. Ou seja, a pessoa que est\u00e1 em casa a desfrutar de uma novela, na verdade segue muito bem atada ao sistema de produ\u00e7\u00e3o dessa sociedade, consumindo n\u00e3o s\u00f3 os produtos que desfilam sob seu olhar atento, enquanto aguardam o programa favorito, mas tamb\u00e9m os valores que confirmam e afirmam a sociedade atual. Prisioneira, a pessoa permanece em estado de &#8220;produ\u00e7\u00e3o&#8221;, sempre a servi\u00e7o da classe dominante. Assim, diante da TV \u2013 e sem um olhar cr\u00edtico &#8211; as pessoas n\u00e3o descansam, nem desfrutam.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a televis\u00e3o e os grandes meios n\u00e3o definem as coisas de forma autom\u00e1tica. Como bem j\u00e1\u00a0 explicou Adelmo Genro, na sua teoria marxista do jornalismo, os meios de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m carregam dentro deles a contradi\u00e7\u00e3o e vez ou outra isso se explicita, abrindo chance para a vis\u00e3o cr\u00edtica. Momentos h\u00e1 em que os estere\u00f3tipos aparecem de maneira t\u00e3o rid\u00edcula que provocam o contr\u00e1rio do que se pretendia ou personagens adquirem tanta for\u00e7a que provocam um explodir da consci\u00eancia. E, nesses lampejos, as pessoas v\u00e3o fazendo as an\u00e1lises e podem refletir criticamente. Mas, de qualquer forma, esses momentos n\u00e3o s\u00e3o frequentes nem sistem\u00e1ticos, o que s\u00f3 confirma a fun\u00e7\u00e3o de fabrica\u00e7\u00e3o de consenso que \u00e9 reservada aos meios. Um caso interessante \u00e9 o do transexual que est\u00e1 sendo retratado na novela da Record, que passa \u00e0s dez horas. &#8220;Dona Augusta&#8221; \u00e9 nascida homem e se faz mulher, sem a folcloriza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 retratado na Globo. \u00c9 &#8220;descoberta&#8221; pelo filho que a interna como louca. Toda a discuss\u00e3o do tema \u00e9 muito bem feita pelos autores, sem estere\u00f3tipos, sem falsa moral. Mas, \u00e9 a TV dos bispos evang\u00e9licos, que, por sua vez, na vida real pregam a homossexualidade como &#8220;doen\u00e7a&#8221;. S\u00e3o as contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De qualquer sorte, a teledramaturgia brasileira deveria ser bem melhor acompanhada pelos sindicatos e movimentos sociais. E cada um dos personagens deveria ser analisado naquilo que carrega de ideologia. N\u00e3o para ensinar aos que &#8220;n\u00e3o sabem&#8221;, mas para dialogar com aqueles que acabam capturados pelo v\u00e9u do engano. Assim como se deve falar do que silencia nos meios, o que n\u00e3o aparece, o que n\u00e3o se explicita, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio discutir sobre o que \u00e9 inculcado, dia ap\u00f3s dia, como a melhor maneira de se viver. Pois \u00e9 nesse entremeio de coisas ditas, malditas e n\u00e3o ditas, que o sistema segue fabricando o consenso, sempre a favor da classe dominante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2323\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2323","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Bt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2323"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2323\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}