{"id":23230,"date":"2019-05-29T23:15:36","date_gmt":"2019-05-30T02:15:36","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23230"},"modified":"2019-05-29T23:15:36","modified_gmt":"2019-05-30T02:15:36","slug":"povo-da-venezuela-se-prepara-para-resistir-a-invasao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23230","title":{"rendered":"Povo da Venezuela se prepara para resistir \u00e0 invas\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/47947257876_8e18150ac2_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Com treino militar, Venezuela prepara popula\u00e7\u00e3o para resistir a ataque dos EUA<br \/>\nBrasil de Fato acompanhou um dia de cursos com civis de Caracas; ideia \u00e9 treinar 100 mil pessoas at\u00e9 o fim do ano<br \/>\nFania Rodrigues Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)<br \/>\nM\u00e3o no gatilho, fuzil em punho, passos firmes, olhar atento. Essas s\u00e3o as primeiras instru\u00e7\u00f5es que recebe Alida Calabres Ver\u00f3is, de 54 anos, assistente social que se alistou num curso de treinamento militar para civis para ajudar a defender a Venezuela no caso de uma invas\u00e3o norte-americana. O chavismo est\u00e1 se preparando para um poss\u00edvel cen\u00e1rio de guerra, dadas as reiteradas amea\u00e7as dos Estados Unidos. Nos \u00faltimos dez dias, cursos como este j\u00e1 treinaram 1.700 futuros combatentes.<\/p>\n<p>Os cursos t\u00eam dura\u00e7\u00e3o de um dia. Alida participou do treinamento no \u00faltimo s\u00e1bado (25), na Escola Agroecol\u00f3gica de Forma\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica e Militar, zona sul da Grande Caracas, no distrito de Caricuao, munic\u00edpio Libertador. A atividade foi acompanhada pelo Brasil de Fato. Entre os 200 participantes deste dia, estavam l\u00edderes comunit\u00e1rios e dirigentes de 19 movimentos populares da Venezuela. Essa \u00e9 a quarta turma que recebe treinamentos militares. Os outros grupos eram formados por pessoas de v\u00e1rias origens sociais.<\/p>\n<p>Por enquanto, apenas essa escola realiza esse tipo de forma\u00e7\u00e3o em Caracas, mas a ideia \u00e9 abrir outras 22 at\u00e9 outubro deste ano, uma em cada distrito da capital. \u201cEstamos falando de 100 mil pessoas treinadas este ano\u201d, afirma a prefeita de Caracas, Erika Faria, que vem das fileiras de um movimento c\u00edvico-militar, a Frente Francisco de Miranda.<\/p>\n<p>Os treinamentos incluem a manipula\u00e7\u00e3o de armas longas, mas tamb\u00e9m t\u00e1ticas de prote\u00e7\u00e3o, como camuflagem, defesa pessoal com luta corpo a corpo, estrat\u00e9gia militar, comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o convencional, como mensagens codificadas e sinalizadores, e reconhecimento de situa\u00e7\u00f5es de perigo e de materiais que podem ser usados pelos inimigos. Tamb\u00e9m s\u00e3o realizados exerc\u00edcios de campo com barreiras naturais e artificiais.<\/p>\n<p>Alida rasteja r\u00e1pido, abaixo de uma barreira arame farpado, enquanto escuta rajadas de fuzil, que soam como se estivessem ao p\u00e9 do ouvido. \u201cR\u00e1pido, porque os gringos est\u00e3o chegando\u201d, grita o instrutor Marai Gabriel, que aperta o gatilho com o fuzil apontado para o alto. Os constantes disparos durante os exerc\u00edcios fazem parte do treinamento, para familiarizar com o som, reconhec\u00ea-lo \u00e0 longa dist\u00e2ncia e n\u00e3o entrar em p\u00e2nico quando o disparo for pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Um calor de quase 40 graus tamb\u00e9m castigava os novos combatentes. Uma cortina de poeira provocada pelo vai e vem dos exerc\u00edcios dificulta a respira\u00e7\u00e3o, assim como o forte cheiro de p\u00f3lvora. Mas nada parece deter Alida. Uma das coordenadoras do Movimento Somos Venezuela, ela, neste dia, deixou de lado suas tarefas cotidianas para aprender a manipular armas, identificar explosivos, usar camuflagem e agir em ambientes hostis.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 prefer\u00edvel suar uma gota de \u00e1gua do que ter que derramar uma gota de sangue. Aqui nesse terreno, na cidade de Caracas, estamos nos preparando como povo organizado para defender a p\u00e1tria em todos os cen\u00e1rios, em todo o territ\u00f3rio\u201d, diz a dirigente, disposta a entrar na luta armada, se necess\u00e1rio. &#8220;Somos um povo com armas, e essas armas ser\u00e3o usadas para defender nosso territ\u00f3rio e a revolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a assistente social.<\/p>\n<p>Yzamary Matute, integrante da dire\u00e7\u00e3o nacional da juventude do Partido Socialista Unidos da Venezuela (PSUV), explica como funciona e qual a finalidade desse tipo de treinamento. \u201cO processo de forma\u00e7\u00e3o se realiza em v\u00e1rias etapas. O primeiro deles \u00e9 poder reconhecer o territ\u00f3rio onde estamos, quem vive a\u00ed, nossa l\u00f3gica e poder estar precavido de qualquer situa\u00e7\u00e3o irregular, como a presen\u00e7a de agentes paramilitares ou de agentes do imp\u00e9rio [estadunidense]. Tamb\u00e9m trabalhamos a quest\u00e3o da preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, da integridade e a necessidade de ter conhecimento t\u00e1tico de resguardo de rem\u00e9dios e alimentos em cada zona\u201d.<\/p>\n<p>A jovem fala ainda de como as diferentes mensagens enviadas pelo governo dos EUA e a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana contra o governo de Nicol\u00e1s Maduro refor\u00e7am a ideia de que \u201ctodas as op\u00e7\u00f5es estavam sobre a mesa\u201d, incluindo a militar. \u201cEstamos nos preparando para um cen\u00e1rio de guerra\u201d, diz a dirigente, que destaca a import\u00e2ncia das lideran\u00e7as locais. \u201cNas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e movimentos estamos nos formando para poder defender o povo, para ter os conhecimentos militares b\u00e1sicos, para que, em caso de um conflito, nossos dirigentes possam responder da maneira mais adequada.&#8221;<\/p>\n<p>O treinamento ocorre em um ambiente na Venezuela que pode ser definido como o de uma &#8220;calma tensa&#8221;, como avalia o soci\u00f3logo argentino Marco Terrugi. \u201cNa superf\u00edcie, o ambiente \u00e9 de calma, mas nos bastidores sabemos que [a oposi\u00e7\u00e3o e EUA] est\u00e3o preparando algo.&#8221;<\/p>\n<p>For\u00e7a da uni\u00e3o c\u00edvico-militar<\/p>\n<p>O treinamento militar est\u00e1 dividido em 15 etapas, que incluem, entre outros ensinamentos, t\u00e1ticas de dissuas\u00e3o para diminuir a for\u00e7a do inimigo; defesa e prote\u00e7\u00e3o pessoal e da comunidade; e combate em cen\u00e1rio de guerra continuada e n\u00e3o convencional. A participa\u00e7\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria e n\u00e3o remunerada. Ao longo do dia, o futuro combatente recebe um sandu\u00edche e uma fruta.<\/p>\n<p>\u201cO convite para realizar o treinamento militar se estende a todas as pessoas que tenham amor \u00e0 p\u00e1tria, que defendam nossa soberania. N\u00e3o importa a idade, a religi\u00e3o e a cor da pele. O importante \u00e9 que esteja comprometido com a defesa da p\u00e1tria\u201d, destaca o primeiro-tenente Jos\u00e9 Rodr\u00edguez, 60 anos. Ele \u00e9 comandante do batalh\u00e3o Par\u00f3quia Vegas, regi\u00e3o de Caricuao, e um dos instrutores.<\/p>\n<p>Um bom ex\u00e9rcito militar pode evitar uma guerra, acredita o tenente. \u201cEsses exerc\u00edcios s\u00e3o importante para a prepara\u00e7\u00e3o do povo, consciente e revolucion\u00e1rio, para a defesa da p\u00e1tria, vendo as amea\u00e7as j\u00e1 conhecidas internacionalmente feitas pelo imp\u00e9rio norte-americano. Porque se voc\u00ea quer a paz, prepara-se para a guerra\u201d. Por\u00e9m, o instrutor esclarece que essa prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 dedicada ao combate de um poss\u00edvel &#8220;ex\u00e9rcito invasor&#8221;, pois aqui n\u00e3o haver\u00e1 &#8220;guerra entre venezuelanos&#8221;. A orienta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a a\u00e7\u00f5es violentas de opositores \u00e9 neutralizar a viol\u00eancia, identificar e evitar a a\u00e7\u00e3o, nunca contra-atacar.<\/p>\n<p>O campon\u00eas Pedro Roberto, 41 anos, dirigente do Movimento de Agricultores de Caracas, estava ansioso para o treino e chegou cedo no local. A pele curtida de sol e os bra\u00e7os fortes de quem trabalha com a terra agora preparam-se para a guerra. \u201cN\u00f3s aqui estamos em paz, fazendo treinamento f\u00edsico, militar e de intelig\u00eancia para garantir nossa liberdade. O ex\u00e9rcito da Venezuela apenas liberta, n\u00e3o invade, nunca invadimos nenhum pa\u00eds. Nesse momento estamos defendendo nossas riquezas. Isso \u00e9 nosso, dos venezuelanos em primeiro lugar, e tamb\u00e9m dos povos da Am\u00e9rica Latina\u201d, diz o agricultor.<\/p>\n<p>Assim tamb\u00e9m pensa a atriz Carla Celeste Agular Marcano, 20 anos. No \u00faltimo s\u00e1bado, ela trocou o palco pelo teatro da guerra. \u201cAs duas coisas, a guerra e a arte, n\u00e3o est\u00e3o muito separadas, porque tamb\u00e9m nas artes e no teatro estamos em resist\u00eancia\u201d, afirma Carla, estudante e integrante do movimento feminista Faldas R. Para ela, a mulher venezuelana tem um papel fundamental na resist\u00eancia pol\u00edtica. \u201cA mulher joga um papel muito importante nesse contexto revolucion\u00e1rio, a mulher tamb\u00e9m \u00e9 combatente, \u00e9 a que luta, que d\u00e1 a cara por esse pa\u00eds e essa revolu\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma luta constante, sobretudo aqui em Caracas, devido \u00e0s guerras que nos submeteram ultimamente. Aqui seguimos, seguimos na luta\u201d, ressalta a jovem.<\/p>\n<p>Segundo dados do governo, a Venezuela tem cerca de 3 milh\u00f5es de combatentes leais a Maduro. Isso representa quase 10% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, que hoje \u00e9 de 31 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Nessa conta entram as tropas oficiais, que somam 600 mil militares, a Brigada Nacional Bolivariana, com 1,4 milh\u00e3o de pessoas formalmente alistadas, e os cidad\u00e3os comuns, n\u00e3o alistados em nenhum corpo de seguran\u00e7a, mas que est\u00e3o armados e prontos para a rea\u00e7\u00e3o, e que de acordo com o governo chegam a 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Paulo Soares<\/p>\n<p>Escola de forma\u00e7\u00e3o realiza exerc\u00edcios militares com dirigentes de movimentos populares \/ Foto: Fania Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23230\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[234],"class_list":["post-23230","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-62G","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23230\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}