{"id":23265,"date":"2019-06-03T00:43:39","date_gmt":"2019-06-03T03:43:39","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23265"},"modified":"2019-06-03T00:43:39","modified_gmt":"2019-06-03T03:43:39","slug":"venezuela-por-dentro-da-tentativa-do-golpe-fracassado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23265","title":{"rendered":"Venezuela: por dentro da tentativa do golpe fracassado"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.diariodocentrodomundo.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/golpe-venezuela-600x400.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->O Brasil de Fato falou com especialistas militares, analistas pol\u00edticos e jornalistas que cobriram o ataque de Guaid\u00f3<\/p>\n<p>Fania Rodrigues<\/p>\n<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 30 de abril, a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana, liderada pelo deputado Juan Guaid\u00f3, e o dirigente opositor Leopoldo L\u00f3pez, l\u00edder do partido Voluntad Popular (Vontade Popular), colocou em pr\u00e1tica o que eles chamaram de \u201cOpera\u00e7\u00e3o Liberdade\u201d. Tratava-se de um golpe de Estado que visava a derrubada do presidente Nicol\u00e1s Maduro pela via militar. O cen\u00e1rio do conflito foi o anel vi\u00e1rio Distribuidor Altamira, importante art\u00e9ria da capital, pr\u00f3ximo \u00e0 base a\u00e9rea militar La Carlota, na zona leste de Caracas.<\/p>\n<p>O dia n\u00e3o havia amanhecido completamente quando Guaid\u00f3 transmitiu uma mensagem em v\u00eddeo pelas redes sociais, fazendo um chamado aos militares venezuelanos, para que se levantassem contra o governo. O elemento surpresa era Leopoldo L\u00f3pez, segundo a jornalista espanhola, Esther Y\u00e1\u00f1ez, correspondente internacional h\u00e1 mais de dois anos na Venezuela. O pol\u00edtico foi condenado por delitos cometidos nos protestos violentos de 2014 e estava em pris\u00e3o domiciliar. \u201cA grande surpresa foi ver Leopoldo L\u00f3pez. Foi isso que me fez pensar que algo grande iria acontecer. J\u00e1 a\u00ed meu cora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a palpitar\u201d, relembra a correspondente dos canais Tele 5 e Tele 4, da Espanha.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o, segundo Ya\u00f1ez, chegava a conta-gotas aos jornalistas, subindo a tens\u00e3o aos poucos. O primeiro alerta veio cedo. &#8220;Despertei com uma mensagem enviada \u00e0s 4h30 da manh\u00e3, a um grupo de Whatsapp de jornalista nacionais e internacionais, criado pelo assessor de comunica\u00e7\u00e3o de Juan Guaid\u00f3. A mensagem dizia: &#8220;Aten\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o em pleno acontecimento&#8221;.<\/p>\n<p>A partir desse momento as vers\u00f5es contadas variam de acordo com a ideologia de cada meio de comunica\u00e7\u00e3o e de sua linha editorial. Foram muitos aqueles que omitiram informa\u00e7\u00f5es, tantos outros que manipularam e alguns tantos que mentiram. Esther ficou famosa nas redes sociais, com v\u00eddeos que viralizaram, justamente por dizer a verdade e mostrar o que outros meios estrangeiros n\u00e3o estavam contando, inclusive colocando sua vida em risco.<\/p>\n<p>Nas primeiras horas, pairava a d\u00favida se os opositores estavam dentro ou fora da base a\u00e9rea. Em sua mensagem difundida nas redes sociais, Guaid\u00f3 dizia: \u201cEstamos em La Carlota\u201d, abrindo espa\u00e7o para a d\u00favida. Al\u00e9m disso, canais internacionais de not\u00edcias difundiam informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o deixavam clara a situa\u00e7\u00e3o. Leopoldo L\u00f3pez, que por sua vez, publicava nas redes sociais textos em que dizia, entre outras coisas, \u201cestou em La Carlota\u201d, com uma foto sua, cercado de militares.<\/p>\n<p>Foi a rep\u00f3rter do canal internacional Telesur, Madelein Garc\u00eda, que divulgou a primeira informa\u00e7\u00e3o e v\u00eddeo de dentro da base a\u00e9rea La Carlota mostrando que estava sob controle de oficiais leais ao presidente Nicol\u00e1s Maduro e que L\u00f3pez e Guaid\u00f3 na verdade estavam em uma ponte em frente a base, no Distribuidor Altamira.<\/p>\n<p>\u201cPedi autoriza\u00e7\u00e3o para entrar na base a\u00e9rea La Carlota, porque a gente n\u00e3o sabia o que estava acontecendo dentro da base. Os opositores diziam que La Carlota estava tomada. E um canal dos EUA estava transmitindo imagens de uma c\u00e2mera que parecia estar dentro da base \u00e1rea e dizia que estava tomada. Essa era a matriz de opini\u00e3o que os meios estavam construindo\u201d, explica a rep\u00f3rter. E conta o viu l\u00e1 dentro. \u201cQuando entrei vi que a situa\u00e7\u00e3o era de normalidade. O comandante me disse que estavam tentando controlar a situa\u00e7\u00e3o e evitar que os opositores entrassem\u201d.<\/p>\n<p>Nesse momento, do lado de fora, j\u00e1 era poss\u00edvel ver que os militares que acompanhavam os l\u00edderes opositores n\u00e3o passavam de 40 soldados e oficiais de m\u00e9dia e baixa patente. A deser\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi massiva como Guaid\u00f3 esperava.<\/p>\n<p>O mestre em Filosofia de Guerra, Jorge Ladeira, analisa quem eram os militares que apoiaram os opositores. \u201cQuando vemos a imagem de Leopoldo L\u00f3pez junto ao Guaid\u00f3 no anel vi\u00e1rio de Altamira, observamos que os acompanhavam um coronel, um tenente, alguns sargentos. N\u00e3o s\u00e3o patentes militares altas. N\u00e3o havia ningu\u00e9m do alto mando militar que pudesse ter acesso \u00e0s unidades militares grandes, que garantisse uma mobiliza\u00e7\u00e3o de destacamentos, pelot\u00f5es, batalh\u00f5es e que pudesse for\u00e7ar um golpe de Estado\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos militares que acompanhavam L\u00f3pez e Guaido, alguns soldados foram levados para a \u00e1rea de conflito, sob falsos pretexto, segundo o general Alexis Rodr\u00edguez Cabello.<\/p>\n<p>Outro grupo de militares, composto principalmente por mulheres, quando se deu conta que foi enganado, roubou um \u00f4nibus e dirigiu at\u00e9 a Casa Altamira, um dos pr\u00e9dios da chancelaria venezuelana, para denunciar o ocorrido. Assim tamb\u00e9m aconteceu com os oito tanques de guerra que os militares desertores haviam roubado. Os militares leais a Maduro levados a Altamira de maneira enganosa, foram buscar um por um dos carros blindados e os devolveram a seus comandos.<\/p>\n<p>O momento mais tenso do dia ocorreu por volta das 10h30 da manh\u00e3 quando coquet\u00e9is molotov atingiram um tanque de guerra, que estava dentro da base a\u00e9rea, que ficou completamente destru\u00eddo. Nesse momento uma rajada de tiros, disparados por opositores, atingiu tamb\u00e9m as instala\u00e7\u00f5es da base a\u00e9rea.<\/p>\n<p>Durante os ataques oito militares leais a Maduro foram atingidos; um deles, um coronel, ficou gravemente ferido. O tiro que veio do alto atinge seu pesco\u00e7o e saiu pela clav\u00edcula, diz a rep\u00f3rter Madelein Garcia. Os disparos, segundo a jornalista, partiram de franco-atiradores. A informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi confirmada pelo analista pol\u00edtico Amauri Chamorro, que tamb\u00e9m trabalha como consultor e assessor da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica da Venezuela.<\/p>\n<p>Ao todo, na parede do edif\u00edcio da Guarda Nacional Bolivariana, dentro da base militar, foram contadas mais de 20 disparos, de armas curtas e longas.<\/p>\n<p>O governo venezuelano denunciou que algumas das armas utilizadas por militares desertores, que acompanharam Guaid\u00f3 e Leopoldo L\u00f3pez no Distribuidor Altamira, eram fuzis AR-15, fabricados nos Estados Unidos, que n\u00e3o s\u00e3o utilizados pelo ex\u00e9rcito venezuelano. H\u00e1 a suspeita de que o armamento fa\u00e7a parte de uma apreens\u00e3o de fevereiro deste ano, feita no Aeroporto Internacional Arturo Michelena, na cidade venezuelana de Val\u00eancia, e que ficou sob a cust\u00f3dia do Servi\u00e7o Bolivariano de Intelig\u00eancia Nacional (Sebin). Alguns militares do Sebin, incluindo o diretor-geral, estavam entre os desertores que apoiavam o golpe e libertaram Leopoldo L\u00f3pez.<\/p>\n<p>Enquanto isso acontecia na zona leste, do outro lado da cidade, no centro da capital, a popula\u00e7\u00e3o se concentrava ao redor do pal\u00e1cio presidencial Miraflores. \u201cEsse dia recebemos um alerta muito cedo, pelos celulares. Como somos um povo organizado estamos sempre atentos. Recebemos a orienta\u00e7\u00e3o de ir para Miraflores porque havia uma tentativa de golpe de Estado\u201d, relatou o primeiro-tenente, Jos\u00e9 Rodr\u00edguez Nascimento, comandante do batalh\u00e3o da Brigada Territorial de Las Vegas.<\/p>\n<p>O militar conta como as Brigadas Bolivarianas se organizaram rapidamente para chegar ao pal\u00e1cio presidencial. \u201cO primeiro grupo chegou 5 minutos depois do alerta. Um segundo grupo chegou 10 minutos depois e um terceiro 15 minutos. Os outros foram chegando aos poucos. Em 40 minutos o pal\u00e1cio estava cercado pela popula\u00e7\u00e3o. Em uma hora j\u00e1 tinhamos entre 500 e 800 pessoas ao redor de Miraflores\u201d, lembra o tenente.<\/p>\n<p>Os opositores nunca chegaram na zona do Pal\u00e1cio, segundo o comandante Nascimentos. \u201cN\u00e3o chegaram porque a popula\u00e7\u00e3o automaticamente resguardou o Miraflores, organizadas nas Brigadas Bolivarianas, compostas por cidad\u00e3o comuns com treinamento militar, que s\u00e3o acionados em situa\u00e7\u00f5es irregulares&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Uma coisa que nenhum meio de comunica\u00e7\u00e3o estrangeiro mostrou foi que 100 mil pessoas cercaram o pal\u00e1cio presidencial de Miraflores para mostrar seu apoio ao presidente Nicol\u00e1s Maduro.O n\u00famero de pessoas em Miraflores era 10 vezes maior que a quantidade de gente da Pra\u00e7a Altamira junto a Juan Guaid\u00f3&#8221;, aponta Chamorro.<\/p>\n<p>Quem planejou o golpe?<\/p>\n<p>Guid\u00f3 foi quem convocou o levante, mas nos bastidores quem comandava toda a opera\u00e7\u00e3o era o pol\u00edtico Leopoldo L\u00f3pez, libertado da pris\u00e3o domiciliar na madrugada daquele dia por militares desertores. Uma das c\u00e2meras de jornalistas que acompanhavam os eventos capta o momento em L\u00f3pez ordena o fechamento da autopista Francisco Fajardo, via arterial de Caracas, ponto de concentra\u00e7\u00e3o de opositores. Deputados opositores confirmam, com a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o serem identificados: era Leopoldo quem comandava tudo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, dois oficiais tiveram papel importante no planejamento da tentativa de golpe. Um deles era o tenente-coronel comandante da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) Ilich S\u00e1nchez Farias, que at\u00e9 aquele momento era o respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a interna de todos os poderes p\u00fablicos do Estado, entre eles a Assembleia Nacional, o Tribunal Supremo de Justi\u00e7a, o Conselho Nacional Eleitoral, do Minist\u00e9rio P\u00fablico. E o outro era o general Manuel Ricardo Cristopher Figuera, ex-diretor do Servi\u00e7o Bolivariano de Intelig\u00eancia Nacional (Sebin), que havia sido demitido no dia anterior.<\/p>\n<p>O objetivo principal do levante era atacar a base a\u00e9rea militar La Carlota. \u201cOs l\u00edderes opositores esperavam que houvesse uma rea\u00e7\u00e3o violenta do governo venezuelano e das for\u00e7as militares, para criar a partir disso um fact\u00f3ide sobre mortos, assassinatos, massacres, bombardeios e fuzilamentos\u201d, avalia o analista pol\u00edtico Amauri Chamorro.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o um contra-ataque das for\u00e7as armadas poderia justificar uma interven\u00e7\u00e3o militar dos EUA.\u201cO objetivo era realmente provocar as For\u00e7as Armadas para sa\u00edrem \u00e0s ruas e gerar assassinatos. Esperavam uma resist\u00eancia armada, o que seria l\u00f3gico, pois havia um ataque a uma base militar. Isso justificaria, diante da comunidade internacional, uma invas\u00e3o militar estrangeira\u201d.<\/p>\n<p>A jornalista da Telesur tamb\u00e9m levanta essa hip\u00f3tese. \u201cO que buscavam era o enfrentamento entre militares. Mas, do lado de dentro da Carlota nunca houve disparos com armas de fogo. Apenas bombas lacrimog\u00eaneas, para dispersar as pessoas. A ordem do presidente Maduro, me disse um dos comandantes, era esgotar a via do di\u00e1logo e do uso progressivo da for\u00e7a utilizada para o controle da ordem p\u00fablica e n\u00e3o utilizar as armas de guerra contra a popula\u00e7\u00e3o civil\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMaduro, muito inteligentemente, ordenou que o ex\u00e9rcito n\u00e3o reagisse, sob nenhum pretexto. Eles deveriam proteger a base, para n\u00e3o ser invadida, por\u00e9m n\u00e3o tinham autoriza\u00e7\u00e3o para atirar\u201d, explica Amauri Chamorro.<\/p>\n<p>Um grupo de opositores civis conseguiu entrar na base militar depois de derrubar parte da grande que cerca a base, segundo Madein. \u201cFoi um momento muito tenso, sobretudo quando entraram e come\u00e7aram a queimar um comando de avia\u00e7\u00e3o. Os militares foram falar com eles, pediram que se afastassem. \u201cVoc\u00eas j\u00e1 fizeram o que queriam fazer ent\u00e3o agora v\u00e3o embora. Voc\u00eas t\u00eam que sair porque essa \u00e9 uma zona de seguran\u00e7a\u201d, teria dito um dos oficiais, segundo a jornalista. O di\u00e1logo prevaleceu. \u201cEm qualquer parte do mundo teriam disparado contra os invasores\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Os opositores, enfim, se retiraram de dentro da base. J\u00e1 era meio dia e o golpe havia fracassado. Os enfrentamentos com pedras, coquetel molotov e bombas de efeito moral continuaram, mas o cen\u00e1rio j\u00e1 havia se convertido em problema de ordem p\u00fablica. \u201cN\u00e3o havia muita gente, o povo n\u00e3o saiu \u00e0s ruas. Eram os mesmos de sempre\u201d, diz Madelien Garc\u00eda.<\/p>\n<p>O que deu errado nos planos opositores?<\/p>\n<p>Os l\u00edderes opositores, que haviam come\u00e7ado o dia com palavras de ordem e gestos imponentes, foram mudando o semblante com o passar das horas. Quando o ponteiro do rel\u00f3gio se aproximava do meio-dia, os rostos foram ganhando ar de preocupa\u00e7\u00e3o, nervosismo e irrita\u00e7\u00e3o. Algo havia falhado. Os gestos de Leopoldo L\u00f3pez indicava que n\u00e3o havia chegado o que eles tanto esperavam.<\/p>\n<p>\u201cDepois ficamos sabendo que quem lhes falhou foi o general Manuel Ricardo Cristopher Figuera, ex-diretor do Sebin, que organizou tudo e depois foi embora. A informa\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 que ele esteve em Miraflores um dia antes, falando com o presidente. Recebeu ordens, cumpriu algumas delas. \u00c0s 6h da manh\u00e3 o presidente teve uma \u00faltima chamada com ele. Depois disso desapareceu. Ele deixou a oposi\u00e7\u00e3o na m\u00e3o\u201d, diz Garcia, que tem contato direto com a alta c\u00fapula do governo e dos militares.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o extraoficial \u00e9 de que o ent\u00e3o diretor do Sebin, Cristopher Figuera convenceu a oposi\u00e7\u00e3o de que tinha o compromisso de alguns comandos militares, que trairiam o presidente Maduro e passariam para o lado opositor. Com isso, haveria condi\u00e7\u00f5es de haver um golpe de Estado.<\/p>\n<p>Para o analista pol\u00edtico Amauri Chamorro tratou-se de uma opera\u00e7\u00e3o meticulosamente planejada. \u201cA contra-intelig\u00eancia do governo Maduro confundiu a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana, o governo dos Estados Unidos e os \u00f3rg\u00e3os de intelig\u00eancia estadunidenses, fazendo parecer que a unidade do ex\u00e9rcito e o poder civil havia sido rompida, que um conjunto de generais tinha se levantado contra o presidente Maduro\u201d, afirma Chamorro.<\/p>\n<p>Um especialista militar romeno, o ex-comandante Valentin Vasilescu, publicou um artigo no site Rede Voltaire, que explica como \u201cum pequeno servi\u00e7o de contra-espionagem venezuelano, a Sebin (Servi\u00e7o Bolivariano de Intelig\u00eancia Nacional) conseguiu derrotar a CIA\u201d. O especialista apresenta dados t\u00e9cnicos precisos, sobre como funciona a espionagem dos EUA, R\u00fassia e Venezuela. O Brasil de Fato procurou governo venezuelano para checar os dados e recebeu a informa\u00e7\u00e3o de que \u201cmaioria das informa\u00e7\u00f5es divulgadas pelo especialista eram verdadeiras\u201d.<\/p>\n<p>O ex-comandante da Rom\u00eania garante que oficiais do Sebin foram infiltrados em grupos opositores e na imprensa financiada pelos Estados Unidos. Houve uma opera\u00e7\u00e3o com a sele\u00e7\u00e3o e a publica\u00e7\u00e3o das not\u00edcias ligadas \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Venezuela. Uma vez l\u00e1, infiltraram informa\u00e7\u00f5es falsas na imprensa, como se fossem \u201cvazamentos\u201d, direcionados \u00e0 CIA. Entre essas informa\u00e7\u00f5es esta uma sobre a inten\u00e7\u00e3o de certos generais da primeira for\u00e7a-tarefa venezuelana em trair o presidente Nicol\u00e1s Maduro e libertar os opositores pol\u00edticos presos.<\/p>\n<p>\u201cA fim de ganhar a confian\u00e7a dos agentes da CIA, os membros do Sebin at\u00e9 organizaram reuni\u00f5es de conspira\u00e7\u00e3o com os generais venezuelanos, sob total controle da intelig\u00eancia da contra-espionagem militar\u201d, publicou Vasilescu. E disse ainda que Juan Guaid\u00f3 receberia \u201cpelot\u00e3o com mais de mil soldados\u201d, para tomar a base a\u00e9rea La Carlota.<\/p>\n<p>\u201cDepois disso, a Casa Branca deu luz verde para a a\u00e7\u00e3o de 30 de Abril que se tornou o maior fracasso da CIA no decurso das \u00faltimas d\u00e9cadas. A Venezuela provou que lutar com patriotismo e profissionalismo, mesmo para um pa\u00eds sul-americano sob embargo, pode quebrar os planos da CIA\u201d, destaca o especialista militar.<\/p>\n<p>Os militares venezuelanos n\u00e3o se identificam com a oposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo e mestre em Filosofia de Guerra, pela Universidade Militar Nacional Bolivariana, Jorge Ladeira, afirma que uma das raz\u00f5es pelas quais a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu ao longo dos \u00faltimos 20 anos ter apoio dos militares \u00e9 a luta de classes que permeia toda a pol\u00edtica venezuelana.<\/p>\n<p>A For\u00e7a Armada Nacional Bolivariana tem uma composi\u00e7\u00e3o de classe social diferente de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. No Brasil e na Argentina, por exemplo, a composi\u00e7\u00e3o das altas patentes das for\u00e7as armadas \u00e9 conformada pela elite, que ao longo dos anos foram acumulando condi\u00e7\u00f5es financeiras e influ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cNo caso da Venezuela, existe uma gera\u00e7\u00e3o de oficiais que se incorporaram depois de 1999, no contexto da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana, que s\u00e3o de extratos sociais baixos e que passaram por um processo de forma\u00e7\u00e3o do pensamento bolivariano, o projeto de integra\u00e7\u00e3o latino-americano, da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, da soberania e do novo conceito de defesa e desenvolvimento da na\u00e7\u00e3o\u201d, destaca o soci\u00f3logo.<\/p>\n<p>Por outro lado, a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana \u00e9 a express\u00e3o de classe econ\u00f4mica que perdeu espa\u00e7o no poder para o projeto nacional bolivariano. \u201cEssa \u00e9 uma classe econ\u00f4mica dominante que n\u00e3o exerce influ\u00eancia sobre essa nova composi\u00e7\u00e3o militar, porque no seu momento de controle pol\u00edtico do Estado usava os estamentos militares como uma rela\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria\u201d, ressalta Jorge Ladera. \u201cAdemais, o discurso da oposi\u00e7\u00e3o venezuelana \u00e9 entreguista, tem como princ\u00edpio a abertura do pa\u00eds para a principal pot\u00eancia mundial\u201d, conclui Ladera.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Pedro Ribeiro Nogueira<\/p>\n<p>L\u00edder do partido Vonluntad Popular, Leopoldo L\u00f3pez comandou opera\u00e7\u00e3o de golpe contra Maduro \/ Foto: Hispano Post<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23265\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[234],"class_list":["post-23265","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-63f","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23265\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}