{"id":23384,"date":"2019-06-17T04:41:32","date_gmt":"2019-06-17T07:41:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23384"},"modified":"2019-06-17T04:41:32","modified_gmt":"2019-06-17T07:41:32","slug":"morre-marta-harnecker-educadora-marxista-chilena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23384","title":{"rendered":"Morre Marta Harnecker, educadora marxista chilena"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/48069062906_15621e94a6_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Marta Harnecker em 1978: educadora participou da &#8220;Via Chilena ao Socialismo&#8221; e atuou nos governos revolucion\u00e1rios de Cuba e da Venezuela \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Refer\u00eancia em pesquisas sobre a esquerda latino-americana, ela faleceu em decorr\u00eancia de tumores no c\u00e9rebro<\/p>\n<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>A jornalista, educadora marxista, soci\u00f3loga e escritora chilena Marta Harnecker morreu aos 82 anos neste s\u00e1bado (15), em decorr\u00eancia de tumores no c\u00e9rebro. Refer\u00eancia em pesquisas sobre a esquerda marxista, ela participou ativamente do governo de Salvador Allende, entre 1970 e 1973, colaborou durante d\u00e9cadas com movimentos populares no continente, e atuou como conselheira de Hugo Ch\u00e1vez, ent\u00e3o presidente da Venezuela, entre 2002 e 2006.<\/p>\n<p>Harnecker \u00e9 conhecida por seus mais de 80 livros publicados, alguns deles se tornaram manuais de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, desde os anos 1970, para o trabalho de base na Am\u00e9rica Latina e no mundo. Psic\u00f3loga, ela aprofundou sua forma\u00e7\u00e3o no marxismo durante os anos que viveu em Paris, na d\u00e9cada de 60, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Louis Althusser. Naquela \u00e9poca, registrou seus primeiros escritos te\u00f3ricos marxistas, que foram reunidos em \u201cOs conceitos elementares do materialismo hist\u00f3rico\u201d, livro publicado em dezenas de pa\u00edses.<\/p>\n<p>Confira abaixo a reportagem &#8220;Di\u00e1logo com Marta Harnecker: 45 anos do golpe no Chile e seus ensinamentos&#8221;, de Vivian Fernandes, publicada no Brasil de Fato em 13 de setembro de 2018. O texto evidencia o olhar sens\u00edvel da educadora sobre os desafios da Am\u00e9rica Latina:<\/p>\n<p>&#8220;Faz 45 anos desde o dia em que um golpe derrubou um governo de esquerda da Presid\u00eancia do Chile. Era um 11 de setembro, data que entrou para a hist\u00f3ria com a morte do presidente Salvador Allende e com o fim do mandato da Unidade Popular (1970-1973).<\/p>\n<p>O golpe, com seus militares, adentrou no Pal\u00e1cio de la Moneda, em Santiago, onde Allende fez seu \u00faltimo discurso ao povo do pa\u00eds, que foi transmitido ao vivo pela R\u00e1dio Magallanes: \u201dColocado em um tr\u00e2nsito hist\u00f3rico, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. (\u2026) A hist\u00f3ria \u00e9 nossa e a fazem os povos\u201d.<\/p>\n<p>Se o governo de Allende ficou marcado por pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de terras, organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, melhoria da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, nacionaliza\u00e7\u00e3o das riquezas do pa\u00eds, na chamada \u201cVia Chilena ao Socialismo\u201d; a ditadura que entrou, a do general Augusto Pinochet (1973-1990), deixou suas marcas pelas mortes, torturas, persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e por ser a porta principal de entrada do neoliberalismo na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Rep\u00f3rter de base e educadora popular, como gosta de ser nomeada, a chilena Marta Harnecker \u00e9 uma mem\u00f3ria viva destes anos de Unidade Popular. Em contato por e-mail com o Brasil de Fato, ela, que hoje vive no Canad\u00e1, nos brindou, primeiro, com uma mensagem que tem como sauda\u00e7\u00e3o de despedida uma frase que nos toca o cora\u00e7\u00e3o: \u201cUm abra\u00e7o cheio de sonhos e esperan\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Em tempos dif\u00edceis como os que vivemos no Brasil, uma simples frase, enviada por algu\u00e9m que se admira por sua capacidade intelectual e compromisso pol\u00edtico, nos conforta. Mais do que isso, \u00e9 importante voltar ao passado para entender os processos que vivemos atualmente na Am\u00e9rica Latina. Os ataques a setores populares e a viol\u00eancia (ou o seu discurso), bem como a entrada (ou retorno) do neoliberalismo nos atingem agora e mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o com processos anteriores.<\/p>\n<p>Relembrar o golpe no Chile n\u00e3o \u00e9 simplesmente lembrar de um momento, mas aprender com o passado, com seus ensinamentos e erros. E se isso vem de Marta, com sua voca\u00e7\u00e3o de educadora e com a simplicidade da linguagem de uma boa rep\u00f3rter popular, fica ainda mais interessante. Dividida em eixos, esta mat\u00e9ria do Brasil de Fato, cuja constru\u00e7\u00e3o aconteceu em di\u00e1logo com Marta, vem de suas mem\u00f3rias e an\u00e1lises j\u00e1 publicadas, que nos remetem \u00e0 sua raiz chilena e tamb\u00e9m aos anos que viveu e construiu os governos revolucion\u00e1rios de Cuba e da Venezuela.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso se aproximar do pensamento tamb\u00e9m por meio do cora\u00e7\u00e3o\u201d, diz Marta. E com isso te convidamos \u00e0 leitura.<\/p>\n<p>O trabalho de base no Chile socialista<\/p>\n<p>Em 1968, Marta regressou ao Chile, depois de passar cinco anos estudando na Fran\u00e7a. Com suas ra\u00edzes fincadas em seu passado como militante juvenil na A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Universit\u00e1ria, come\u00e7a a militar no Partido Socialista em sua volta \u00e0 p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Dos anos crist\u00e3os iniciais, ela ainda guarda um ensinamento: \u201cEu sempre disse que existe algo em comum entre o cristianismo e o marxismo; e \u00e9 que o cristianismo te orienta a amar as pessoas, e o marxismo te d\u00e1 os instrumentos para que esse amor seja realidade; transforme as circunst\u00e2ncias, transforme a sociedade, para que o amor possa ser real\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Partido Socialista, ela se dedicava ao trabalho de base, a partir da forma\u00e7\u00e3o marxista que tinha, para debater liberdade, democracia, meios de produ\u00e7\u00e3o, meios de consumo e para responder \u00e0 campanha contra Allende, que o associava com a chegada de uma ditadura, de um totalitarismo. \u201cPara dizer \u00e0s pessoas que n\u00e3o v\u00e3o tirar delas a geladeira, que n\u00e3o v\u00e3o tirar seu carro, isso n\u00e3o tem nada a ver com o marxismo\u201d, rememora Marta.<\/p>\n<p>Uma de suas primeiras frentes de atua\u00e7\u00e3o foi produzir uma cole\u00e7\u00e3o de livros com uma linguagem simples voltada aos trabalhadores. \u201cEsta tarefa me deixou apaixonada. Ver como se podia chegar at\u00e9 as pessoas com uma coisa f\u00e1cil. Minha paix\u00e3o \u00e9 isso: como chegar com as ideias simples at\u00e9 as pessoas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComo, al\u00e9m disso, eu militava no Partido Socialista na \u00e9poca de Allende, n\u00f3s faz\u00edamos reuni\u00f5es com camponeses e oper\u00e1rios. Eu tinha antes uma experi\u00eancia nas c\u00e1tedras universit\u00e1rias, e na c\u00e1tedra universit\u00e1ria era uma discuss\u00e3o eterna\u201d, relata. E complementa: \u201cOs trabalhadores aprendiam para aplicar imediatamente, ent\u00e3o eu me apaixonei por esse trabalho com esses setores\u201d.<\/p>\n<p>O papel do jornalismo popular<\/p>\n<p>Marta tamb\u00e9m fundou e dirigiu o jornal Chile Hoy, durante os anos de Unidade Popular \u2013 o que qualificou como \u201cuma experi\u00eancia muito linda\u201d \u2013, al\u00e9m de ter seguido com seu trabalho jornal\u00edstico em entrevistas como as que fazia com o povo e com figuras pol\u00edticas importantes, como o presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Sobre Chile Hoy, ela recordou: \u201cEra uma revista tipo tabloide e tinha duas ou tr\u00eas p\u00e1ginas de entrevista com algum personagem, ent\u00e3o a\u00ed comecei a aprender a ser entrevistadora e descobri minha voca\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, em meio a um processo revolucion\u00e1rio como era o chileno. Era um momento apaixonante, al\u00e9m do fato de que a revista tinha a caracter\u00edstica de por em palavras simples estudos de intelectuais de esquerda que n\u00e3o chegavam at\u00e9 o povo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cE, fora isso, coloc\u00e1vamos o microfone ao alcance do povo, ou seja, \u00edamos at\u00e9 os cord\u00f5es industriais. Quando tinha greve em uma mina de cobre, ou de salitre, n\u00f3s est\u00e1vamos ali\u201d, afirmou, refor\u00e7ando que: \u201cA verdade \u00e9 que aprendi muito disponibilizando o microfone\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a linha que seguiam no seman\u00e1rio, era o da leitura cr\u00edtica, inclusive com cr\u00edticas ao governo de Allende, principalmente as que vinham do povo. \u201cNosso crit\u00e9rio era que, na revista, as cr\u00edticas que existissem em rela\u00e7\u00e3o ao processo, que as fizessem as pessoas. Muitas vezes, os jornalistas fazem cr\u00edticas, em um sentido, \u00e9 muito f\u00e1cil criticar. Intelectualmente algu\u00e9m sempre encontra coisas que s\u00e3o imperfeitas, mas \u00e9 diferente quando um intelectual critica de quando o povo te diga como est\u00e1 sentindo os erros do processo\u201d.<\/p>\n<p>Respeitado pelo governo e pelos setores populares e sindicais, o jornal tamb\u00e9m o era pela oposi\u00e7\u00e3o, por trazer informa\u00e7\u00e3o de qualidade em suas p\u00e1ginas. \u201cPermitimos que o jornalismo sirva para alertar, para divulgar o que h\u00e1 de bom e tamb\u00e9m mostrar o mal, e permitir que se corrija o processo. Isso \u00e9 o que me apaixonou.\u201d<\/p>\n<p>A \u201cVia Chilena ao Socialismo\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu digo que o Chile de Allende foi um precursor no s\u00e9culo XX do socialismo no s\u00e9culo XXI, porque Allende foi o primeiro que tratou, por uma via pac\u00edfica, de ir construindo a nova sociedade\u201d, afirma Marta Harnecker.<\/p>\n<p>\u201cParece-me muito interessante como Allende apresentou a necessidade de repensar o socialismo, se este se dava pela via pac\u00edfica. Dizia que tinha que ser um socialismo \u2018com vinho tinto e empanadas\u2019, duas coisas tipicamente chilenas. Ou seja, um socialismo que se enraizasse nas nossas tradi\u00e7\u00f5es. Allende entendeu muito bem que para fazer este tr\u00e2nsito da institucionalidade herdada, voc\u00ea tinha que ter a maioria do povo a seu favor, e n\u00e3o sei se a esquerda entendeu isso.\u201d<\/p>\n<p>Em seu livro \u201cUm mundo a Construir\u201d, Marta retoma alguns pontos desta an\u00e1lise: \u201c\u00c9 preciso ter presente que no in\u00edcio da d\u00e9cada de 70 no Chile, com o triunfo do presidente Salvador Allende, apoiado pela coaliz\u00e3o de esquerda Unidade Popular, come\u00e7ou a se desenvolver a primeira experi\u00eancia mundial de mudan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo, diferente \u00e0 da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, j\u00e1 que se realizava pela via institucional, experi\u00eancia que foi rapidamente derrotada por meio de um golpe militar tr\u00eas anos depois. Se nossa gera\u00e7\u00e3o aprendeu algo dessa derrota, foi que se quer\u00edamos uma transforma\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na dire\u00e7\u00e3o desta meta, ter\u00edamos que repensar o projeto socialista tal como se havia aplicado at\u00e9 ent\u00e3o no mundo, e que, portanto, era necess\u00e1rio elaborar outro projeto mais adequado \u00e0 realidade chilena e a via pac\u00edfica de constru\u00ed-lo. Isso era o que Allende parecia intuir ao usar sua folcl\u00f3rica met\u00e1fora de \u2018socialismo com vinho tinto e empanadas\u2019, que apontava \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista democr\u00e1tica enraizada nas tradi\u00e7\u00f5es nacional-populares.\u201d<\/p>\n<p>Outro grande l\u00edder com quem Marta tamb\u00e9m trabalhou foi o venezuelano Hugo Ch\u00e1vez, de quem foi assessora, e, assim, ela \u00e9 capaz de tra\u00e7ar algumas das diferen\u00e7as entre os dois governos: \u201cCh\u00e1vez dizia: \u2018Minha via \u00e9 a via pac\u00edfica, mas diferente de Allende, em que era uma via pac\u00edfica desarmada, a minha \u00e9 uma via pac\u00edfica armada\u2019, e dizia isto n\u00e3o porque o povo estivesse armado em mil\u00edcias, mas porque ele contava com o apoio militar.\u201d<\/p>\n<p>O golpe militar<\/p>\n<p>Das contradi\u00e7\u00f5es que emergem no governo da Unidade Popular, e que levam ao golpe militar, \u00e9 poss\u00edvel pontuar algumas, como explica Marta Harnecker: \u201cMuitos esqueceram que se havia conquistado o governo e n\u00e3o o poder; que os poderes Legislativo e Judici\u00e1rio estavam nas m\u00e3os das for\u00e7as opositoras; e que o pilar fundamental do Estado burgu\u00eas: o Ex\u00e9rcito, se mantinha intacto, protegido pelo chamado Estatuto de Garantias Constitucionais\u201d.<\/p>\n<p>Por mais positivos que fossem os avan\u00e7os do Governo Allende, uma das an\u00e1lises cr\u00edticas que se faz \u00e9 que os setores populares perdem sua for\u00e7a de organiza\u00e7\u00e3o, e \u201caparecem como meros espectadores e setores de apoio do processo.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs Comit\u00eas de Unidade Popular, que haviam tido um extraordin\u00e1rio auge durante o per\u00edodo pr\u00e9-eleitoral, em sua maioria desaparecem logo depois do triunfo [eleitoral]. Os partidos dedicam todos os seus quadros \u00e0s novas tarefas do governo, abandonando de forma significativa seu trabalho no movimento popular\u201d, defende Marta em um texto de balan\u00e7o. Ainda assim, em zonas mapuches, estes povos origin\u00e1rios promoveram mobiliza\u00e7\u00f5es para recuperar suas terras ancestrais.<\/p>\n<p>Como antecedentes do golpe, Marta Harnecker enumerou seis eixos da contraofensiva da extrema-direita no Chile. O primeiro era a busca em dividir a coaliz\u00e3o Unidade Popular, entre os \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d e os \u201cmarxistas\u201d, e para isolar os comunistas.<\/p>\n<p>O segundo era o controle dos meios de comunica\u00e7\u00e3o: \u201cA oposi\u00e7\u00e3o controlava 70% da imprensa escrita e 115 das 155 r\u00e1dios que existiam no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>A defesa da propriedade privada era o terceiro eixo da extrema-direita, utilizando de \u201cmecanismos legais e meios de press\u00e3o para atrasar a forma\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de propriedade social\u201d, afirma Marta.<\/p>\n<p>Um quarto ponto tem a ver com a quest\u00e3o militar, com uma linha anti-Unidade Popular no interior das For\u00e7as Armadas. \u201cO ponto central dessa campanha foi a den\u00fancia da exist\u00eancia de grupos armados em detrimento das \u00fanicas for\u00e7as armadas que deveriam existir no pa\u00eds. Isso dificultava enormemente qualquer tentativa de armar o povo para defender o governo popular\u201d, analisa.<\/p>\n<p>A conquista dos setores m\u00e9dios para uma a\u00e7\u00e3o contra o governo foi o quinto elemento de atua\u00e7\u00e3o da extrema-direita.<\/p>\n<p>\u201cMas o objetivo fundamental, e que permitiria conquistar v\u00e1rios dos outros, quase poder\u00edamos dizer que por acr\u00e9scimo, foi provocar o fracasso econ\u00f4mico do governo popular\u201d, como a corrida banc\u00e1ria, o contrabando de d\u00f3lares, a paralisa\u00e7\u00e3o de algumas ind\u00fastrias, bem como o bloqueio das modifica\u00e7\u00f5es da \u201cinjusta estrutura tribut\u00e1ria\u201d no Parlamento.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, promoviam derrotas no Congresso negando \u201cos recursos or\u00e7ament\u00e1rios para levar adiante os planos do governo de car\u00e1ter social: distribui\u00e7\u00e3o de leite, planos de sa\u00fade, de moradia e obras p\u00fablicas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cCada vez mais setores sociais da direita e seus aliados foram participando da pol\u00edtica: em panela\u00e7os, manifesta\u00e7\u00f5es de rua, paralisa\u00e7\u00f5es de transporte, greves nas minas de cobre\u201d, e faltava uma unidade dentro das for\u00e7as governistas.<\/p>\n<p>Com a situa\u00e7\u00e3o se agravando dia ap\u00f3s dia, chega o 11 de setembro de 1973, data em que Allende anunciaria um plebiscito popular \u00e0s 11 da manh\u00e3: \u201cA essa hora, as balas reduziram ao sil\u00eancio o heroico e consequente mandat\u00e1rio chileno\u201d.<\/p>\n<p>*Fragmentos da entrevista com Marta Harnecker vieram, sob sua an\u00e1lise, de uma entrevista com a rep\u00f3rter Arleen Rodr\u00edguez, do programa radiof\u00f4nico cubano \u201cA la luz del recuerdo\u201d; de seu livro \u201cUm mundo a Construir\u201d, lan\u00e7ado tamb\u00e9m em portugu\u00eas pela Editora Express\u00e3o Popular; e o texto \u201cEstudiar el pasado para construir el futuro\u201d, de 2003.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Marta Harnecker em 1978: educadora participou da &#8220;Via Chilena ao Socialismo&#8221; e atuou nos governos revolucion\u00e1rios de Cuba e da Venezuela \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Daniel Giovanaz<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/06\/15\/morre-aos-82-anos-a-educadora-marxista-chilena-marta-harnecker\/?utm_campaign=bdf&#038;utm_medium=referral&#038;utm_campaign=whatsapp_share<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23384\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[226],"class_list":["post-23384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-65a","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23384\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}