{"id":23446,"date":"2019-06-25T04:05:06","date_gmt":"2019-06-25T07:05:06","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23446"},"modified":"2019-06-25T04:05:06","modified_gmt":"2019-06-25T07:05:06","slug":"a-guerra-contra-o-ira-esta-em-movimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23446","title":{"rendered":"A guerra contra o Ir\u00e3 est\u00e1 em movimento"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.causaoperaria.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Petroleiro-atingido-em-ataque-no-Golfo-Pe%CC%81rsico-1024x585.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>Segundo as mais fresquinhas informa\u00e7\u00f5es vindas diretamente das \u00e1guas t\u00e9pidas do Golfo de Om\u00e3, a marinha dos Estados Unidos descobriu fragmentos de minas que h\u00e1 uma semana ter\u00e3o danificado dois petroleiros que estavam de passagem pela regi\u00e3o. E segundo as inscri\u00e7\u00f5es nelas registRadas, agora sim n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o autor da maldade foi o Ir\u00e3, h\u00e1 que castig\u00e1-lo. Raz\u00e3o tinham o presidente Trump e os seus guardas pretorianos Bolton e Pompeo, que juravam desde o primeiro momento ter pressentido as \u00abimpress\u00f5es digitais\u00bb de Teer\u00e3 no incidente.<\/p>\n<p>Assim se definem hoje a guerra e a paz, os culpados e os inocentes, os ju\u00edzes e os condenados em rela\u00e7\u00f5es internacionais. Como o tosco v\u00eddeo apresentado pelo comando regional do Pent\u00e1gono, e em cima do acontecimento, n\u00e3o convenceu ningu\u00e9m da culpa do Ir\u00e3 \u2013 exce\u00e7\u00e3o feita ao Reino Unido, o mais aliado entre os aliados \u2013 eis que a incans\u00e1vel armada imperial, vasculhando cada polegada das \u00e1guas do Oriente M\u00e9dio, diz ter encontrado os despojos de uma verdade, agora sim, irrefut\u00e1vel. Mesmo que o propriet\u00e1rio japon\u00eas do navio acidentado tenha garantido que n\u00e3o houve quaisquer minas no casco, mas sim \u00abum objeto voador\u00bb, partindo da\u00ed para qualificar a teoria norte-americana como \u00abfalsa\u00bb e levando tamb\u00e9m o governo de T\u00f3quio a afastar-se das maquina\u00e7\u00f5es b\u00e9licas do seu aliado de Washington.<\/p>\n<p>Uni\u00e3o Europeia sem coragem pol\u00edtica<br \/>\nAt\u00e9 os ministros dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da sempre t\u00e3o sol\u00edcita Uni\u00e3o Europeia, dando sinais de desconcerto e de uma clamorosa falta de coragem pol\u00edtica, optaram por pedir \u00abprovas independentes\u00bb suscept\u00edveis de incriminar o Ir\u00e3o, como quem parte do princ\u00edpio de que Teer\u00e3 pode ter alguma coisa a ver com a encena\u00e7\u00e3o quando teria tudo a perder no caso de se dedicar a estas aventuras suicidas e inconsequentes de abrir rombos em navios alheios. O Ir\u00e3o, a quem o direito internacional confere toda a legitimidade para encerrar o Estreito de Ormuz e quase secar o fornecimento mundial de petr\u00f3leo, s\u00f3 iria sofrer irrepar\u00e1veis danos estrat\u00e9gicos se optasse por recorrer a crimes banais pr\u00f3prios de flibusteiros de meia tigela.<\/p>\n<p>A alguns ministros dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Uni\u00e3o n\u00e3o bastou ainda terem sido ludibriados com o golpe na Venezuela; agora guardam alguma dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos procedimentos norte-americanos, mas s\u00e3o incapazes de dar um \u00fanico passo para tentar travar um risco de guerra com repercuss\u00f5es imprevis\u00edveis. Em nome da raz\u00e3o e dos direitos humanos que tantas vezes invocam t\u00eam o dever de se opor, desde j\u00e1, a esta aventura criminosa em andamento.<\/p>\n<p>Afinal h\u00e1 uma prova<br \/>\nUma prova \u2013 esta sim aut\u00eantica, e j\u00e1 com dez anos de exist\u00eancia \u2013 do que est\u00e1 a passar-se por estes dias no M\u00e9dio Oriente pode ser encontrada numa publica\u00e7\u00e3o de um dos pesos pesados da elabora\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica norte-americana, o Brookings Institution, no seu trabalho Que caminho para a P\u00e9rsia?1, publicado em 2009. A dado passo pode ler-se:<\/p>\n<p>\u00ab\u2026Seria bastante prefer\u00edvel, antes de lan\u00e7ar os ataques a\u00e9reos, que os Estados Unidos pudessem citar uma provoca\u00e7\u00e3o iraniana como justifica\u00e7\u00e3o para realiz\u00e1-los. Claramente, quanto mais sensacionalista, mais mort\u00edfera e mais improv\u00e1vel for a a\u00e7\u00e3o iraniana melhor ser\u00e1 para os Estados Unidos. \u00c9 claro que ser\u00e1 muito dif\u00edcil aos Estados Unidos incitarem o Ir\u00e3 a fazer tal provoca\u00e7\u00e3o sem que o resto do mundo reconhe\u00e7a esse jogo, o que o prejudicaria\u00bb.<\/p>\n<p>E mais adiante:<\/p>\n<p>\u00ab\u2026 No caso de Washington pretender tal provoca\u00e7\u00e3o, poderia tomar a\u00e7\u00f5es que tornassem mais prov\u00e1vel a possibilidade de o Ir\u00e3o a fazer (embora o risco de o processo ser demasiado \u00f3bvio poder anular a provoca\u00e7\u00e3o). No entanto, se for deixado apenas ao Ir\u00e3o o movimento de cria\u00e7\u00e3o da provoca\u00e7\u00e3o, uma coisa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual o Ir\u00e3o tem sido muito reservado no passado, os Estados Unidos nunca saber\u00e3o ao certo se vir\u00e3o a dispor da necess\u00e1ria provoca\u00e7\u00e3o iraniana. De fato, ela poder\u00e1 mesmo n\u00e3o acontecer de todo\u00bb.<\/p>\n<p>Em dois singelos par\u00e1grafos reconstitui-se a velha estrat\u00e9gia de \u00abbandeira falsa\u00bb a que os Estados Unidos t\u00eam recorrido em quase todas as guerras que iniciam. Um m\u00e9todo que pode ir se buscar nos fins do s\u00e9culo XIX, quando foi lan\u00e7ada a guerra contra o dom\u00ednio espanhol em Cuba; no epis\u00f3dio do navio Lusit\u00e2nia, que abriu as portas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial; a Pearl Harbour, idem aspas para a Segunda Guerra Mundial; no caso do Golfo de Tonquim na guerra do Vietname; e sem esquecer, com as suas caracter\u00edsticas muito pr\u00f3prias, a encena\u00e7\u00e3o sobre as armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva que estariam em poder do Iraque de Saddam Hussein.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que os epis\u00f3dios com os petroleiros no Golfo de Om\u00e3 n\u00e3o t\u00eam a consist\u00eancia que a Brookings Institution recomenda, mas servem para provar que o quarteto fascista Trump-Pence-Bolton-Pompeo n\u00e3o parece preocupado com a qualidade e a credibilidade do pretexto para avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Guerra h\u00edbrida<br \/>\nPara j\u00e1 os epis\u00f3dios contra o Ir\u00e3 \u2013 haja ou n\u00e3o os \u00abbombardeios massivos\u00bb, mas \u00ablimitados\u00bb, norte-americanos ou israelenses de que j\u00e1 se fala \u2013 integram uma estrat\u00e9gia de guerra h\u00edbrida, t\u00e3o do agrado dos estrategistas atuais do establishment e que est\u00e1 em movimento na Venezuela, por exemplo.<\/p>\n<p>Na frente iraniana, trata-se de juntar a desestabiliza\u00e7\u00e3o provocada pela amea\u00e7a latente de uma guerra convencional aos efeitos das san\u00e7\u00f5es e embargos, capazes de colocar a economia de Teer\u00e3 \u00e0 beira do abismo por n\u00e3o vender petr\u00f3leo, \u00e0s conspira\u00e7\u00f5es internas para minar o regime, ao terrorismo propagand\u00edstico. Combinam-se assim m\u00faltiplas a\u00e7\u00f5es com uma sobrecarga de efeitos a que um pa\u00eds cada vez mais isolado ter\u00e1 muita dificuldade em resistir.<\/p>\n<p>O embargo petrol\u00edfero, depois das mais recentes medidas de Washington, fechou praticamente a torneira das exporta\u00e7\u00f5es de hidrocarbonetos iranianos. De tal modo que as autoridades de Teer\u00e3 decidiram ultrapassar os limites de enriquecimento de ur\u00e2nio estabelecidos no Acordo Nuclear de Genebra \u2013 do qual os Estados Unidos se retiraram \u2013 para tentar contornar dificuldades energ\u00e9ticas suscitadas pelo descalabro econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis iranianos advertem, contudo, que esta medida ser\u00e1 imediatamente suspensa se a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o acatar o embargo petrol\u00edfero imposto pelos Estados Unidos \u2013 uma atitude que depende assim da coragem pol\u00edtica de Bruxelas que, como j\u00e1 se viu, \u00e9 pouca ou nenhuma.<\/p>\n<p>A guerra contra o Ir\u00e3 est\u00e1, portanto, em movimento. Arbitr\u00e1ria, desumana, ilegal mas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual as Na\u00e7\u00f5es Unidas permanecem inativas, a n\u00e3o ser pedindo \u00abconten\u00e7\u00e3o \u00e0s duas partes\u00bb.<\/p>\n<p>Duas partes? Agressor e v\u00edtima, juiz e condenado no mesmo n\u00edvel num conflito que s\u00f3 tem um sentido. \u00c9 assim que age a chamada \u00abcomunidade internacional\u00bb perante a prepot\u00eancia imperial.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3 est\u00e1 isolado; os Estados Unidos transformam as medidas decididas pelo seu governo fora da lei em leis de \u00e2mbito universal. De tal modo que, at\u00e9 ver, pot\u00eancias como a R\u00fassia e a China n\u00e3o parecem dispostas a desafi\u00e1-las.<\/p>\n<p>Na cena internacional o crime compensa. E o criminoso talvez nem necessite \u2013 embora a vontade seja muita \u2013 de recorrer \u00e0 guerra convencional.<\/p>\n<p>A guerra h\u00edbrida est\u00e1 cumprindo o seu papel.<\/p>\n<p>O petroleiro noruegu\u00eas Front Altair em chamas no Golfo de Om\u00e3, 13 de Junho de 2019. Cr\u00e9ditos STRINGER \/ EPA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23446\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[248],"tags":[228],"class_list":["post-23446","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ira","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-66a","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23446","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23446\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}