{"id":23459,"date":"2019-06-27T03:22:56","date_gmt":"2019-06-27T06:22:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23459"},"modified":"2019-06-27T03:22:56","modified_gmt":"2019-06-27T06:22:56","slug":"e-hora-de-os-estados-unidos-invadirem-os-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23459","title":{"rendered":"\u00c9 hora de os Estados Unidos invadirem os Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/media.cubadebate.cu\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Pobreza-en-Estados-Unidos.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Mart\u00edn Pastor<\/p>\n<p>Cuba Debate<\/p>\n<p>Sob a \u00e9gide da &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221; e da luta pela &#8220;democracia&#8221;, os Estados Unidos justificaram dezenas de interven\u00e7\u00f5es militares e pol\u00edticas no mundo durante os s\u00e9culos XX e XXI. Em sua campanha mais recente, eles se concentram na Venezuela, como parte de uma estrat\u00e9gia para minar governos progressistas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Com uma manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica coordenada, bloqueio econ\u00f4mico e press\u00e3o diplom\u00e1tica, a ofensiva imperialista se espalhou pela na\u00e7\u00e3o latino-americana por mais de uma d\u00e9cada. Rotularam de &#8220;ditadura&#8221; o governo venezuelano, apresentando-o como um &#8220;Estado falido&#8221; mergulhado no caos social, com altos \u00edndices de pobreza, desnutri\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a, argumentando que a causa \u00e9 o modelo progressista e n\u00e3o fatores ex\u00f3genos, como o bloqueio e o descr\u00e9dito internacional.<\/p>\n<p>Para os Estados Unidos e grande parte do Ocidente, estes s\u00e3o motivos suficientes para justificar uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e diplom\u00e1tica, que inclusive deve ser militar. Ent\u00e3o, se estas s\u00e3o justificativas para intervir, \u00e9 hora de os Estados Unidos, em defesa dos direitos humanos e da democracia, tomarem a iniciativa de invadirem seu pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Norte \u00e9 altamente preocupante e classifica a na\u00e7\u00e3o como uma receptora adequada de &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221; fabricada pelos EUA. De acordo com um relat\u00f3rio de Philip Alston, relator especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre pobreza extrema e direitos humanos, foi revelado que, at\u00e9 2018, 40 milh\u00f5es de pessoas nos Estados Unidos vivem na pobreza, 18,5 milh\u00f5es vivem em extrema pobreza e mais de cinco milh\u00f5es vivem em condi\u00e7\u00f5es de absoluta pobreza.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem a mais alta taxa de pobreza juvenil da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) e a maior taxa de mortalidade infantil entre os estados compar\u00e1veis nesse grupo. N\u00e3o \u00e9 surpresa que Alston tenha considerado o pa\u00eds como a sociedade mais desigual do mundo desenvolvido. Tampouco \u00e9 o fato de que os Estados Unidos j\u00e1 n\u00e3o possam mais ser chamados de na\u00e7\u00e3o de &#8220;primeiro mundo&#8221;. Segundo um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), para a maioria de seus cidad\u00e3os, aproximadamente 80% da popula\u00e7\u00e3o, os Estados Unidos s\u00e3o uma na\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel ao &#8220;terceiro mundo&#8221;. Para chegar a essa conclus\u00e3o, os economistas aplicaram o modelo de Arthur Lewis, vencedor do Pr\u00eamio Nobel de Economia (1979), projetado para entender quais fatores e como classificar um pa\u00eds em vias de desenvolvimento.<\/p>\n<p>De acordo com Peter Temin, coautor do estudo, os Estados Unidos seguem este modelo: s\u00e3o uma economia dual (desigualdade incompar\u00e1vel entre uma pequena parte da popula\u00e7\u00e3o e a vasta maioria), na qual o setor de baixos sal\u00e1rios tem pouca influ\u00eancia na pol\u00edtica p\u00fablica; um setor de alta renda mant\u00e9m baixos sal\u00e1rios no outro setor para garantir o fornecimento de m\u00e3o de obra barata; um controle social que \u00e9 usado para impedir que o setor de baixos sal\u00e1rios desafie pol\u00edticas que favore\u00e7am o setor de alta renda; altas taxas de encarceramento; pol\u00edticas p\u00fablicas dos setores mais ricos com o objetivo de reduzir impostos para o referido grupo; e uma sociedade em que a mobilidade social e econ\u00f4mica \u00e9 baixa. Especialmente quando um dos principais argumentos para justificar as agress\u00f5es \u00e9 o suposto &#8216;bem-estar&#8221; e os direitos humanos dos cidad\u00e3os, novamente os americanos deveriam ver a &#8220;farpa em seus pr\u00f3prios olhos&#8221; primeiro.<\/p>\n<p>Segundo uma an\u00e1lise trienal do Commonwealth Fund (2017), os Estados Unidos, pela sexta vez consecutiva, s\u00e3o o pior sistema de sa\u00fade entre 11 pa\u00edses desenvolvidos. Eles t\u00eam o sistema de sa\u00fade mais caro do planeta, com um gasto anual de tr\u00eas bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o que resulta em um dos pa\u00edses com maior disparidade no acesso \u00e0 sa\u00fade, com base na renda.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a expectativa de vida nos Estados Unidos diminuiu pelo terceiro ano consecutivo, situando-se em 78,1 anos, uma redu\u00e7\u00e3o percentual compar\u00e1vel ao per\u00edodo de 1915 e 1918, em que o pa\u00eds enfrentou uma guerra mundial e a pandemia mundial de gripe. Em compara\u00e7\u00e3o, Cuba, que faz parte da &#8220;Troika da Tirania&#8221;, segundo John Bolton (Conselheiro da Seguran\u00e7a Nacional), teve uma expectativa de vida de 79,74 anos em 2018.<\/p>\n<p>E na educa\u00e7\u00e3o, o que falar? De 1990 a 2016, os Estados Unidos ca\u00edram do sexto para o vig\u00e9simo s\u00e9timo lugar, classificando-se como um dos piores sistemas educativos do mundo &#8216;desenvolvido&#8217;, com uma despesa p\u00fablica reduzida, entre 2010 e 2014, em 3%, enquanto o investimento nas demais economias desenvolvidas cresceu mais de 25%.<\/p>\n<p>Um bem-estar de vida deteriorada, um sistema de sa\u00fade caro e desigual e uma educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se compara a outras na\u00e7\u00f5es desenvolvidas. Se isso n\u00e3o for suficiente para que o governo dos EUA e o resto do Ocidente decidam intervir, as viola\u00e7\u00f5es constantes dos direitos humanos devem ser uma causa para mobilizar tropas para a fronteira e iniciar bloqueios econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos t\u00eam dirigido ou influenciado sistematicamente as interven\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e no resto do Sul global. Opera\u00e7\u00f5es clandestinas, guerras \u00e9tnicas e as mais recentes invas\u00f5es militares s\u00e3o a prova da &#8216;licen\u00e7a para matar&#8217; que foi concedida a este pa\u00eds. As pris\u00f5es onde os direitos humanos s\u00e3o violados, como Guant\u00e1namo e Abu Ghraib, s\u00e3o apenas exemplos dessa realidade. E figuras como Gina Haspel, que estava diretamente envolvida no programa de tortura do governo dos EUA, foram al\u00e7adas a posi\u00e7\u00f5es de poder global; neste caso, como diretora da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA).<\/p>\n<p>Mas a transgress\u00e3o mais clara \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o do Conselho de Direitos Humanos da ONU, \u00f3rg\u00e3o internacional encarregado de assegurar que tais viola\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocorram. A decis\u00e3o veio dias depois que o Alto Comissariado para os Direitos Humanos denunciou a pr\u00e1tica da administra\u00e7\u00e3o atual de separar \u00e0 for\u00e7a de seus pais crian\u00e7as migrantes e prend\u00ea-las em espa\u00e7os que s\u00f3 podem ser chamados de campos de concentra\u00e7\u00e3o modernos.<\/p>\n<p>Internamente, se reduziu a responsabiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia pelo uso de for\u00e7a excessiva, especialmente nas comunidades negras e latinas. A matan\u00e7a sistem\u00e1tica de homens negros nos Estados Unidos por for\u00e7a da ordem, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Boston, reflete um racismo estrutural subjacente na sociedade americana. Isso tamb\u00e9m se reflete em um sistema de justi\u00e7a tendencioso contra as comunidades negras.<\/p>\n<p>&#8220;Se a pol\u00edcia patrulhar as \u00e1reas brancas como faz em bairros pobres negros, seria uma revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Paul Butler, autor de &#8216;Chokehold: policiamento de homens negros&#8217;, que relata o que significa ser um homem negro na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Essas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos s\u00e3o a realidade cotidiana das minorias \u00e9tnicas e dos grupos historicamente discriminados. Isto \u00e9 acompanhado pelo fortalecimento de grupos com tend\u00eancias fascistas, que t\u00eam o apoio direto e indireto do governo central e local em v\u00e1rios estados. Um cen\u00e1rio preocupante para milh\u00f5es de negros, latinos e cidad\u00e3os de outras etnias.<\/p>\n<p>No entanto, a falso &#8220;preocupa\u00e7\u00e3o&#8221; com a Venezuela, L\u00edbia, S\u00edria, Iraque, I\u00eamen, Afeganist\u00e3o e Ucr\u00e2nia, apenas nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, resultou em invas\u00f5es e ataques em nome do bem-estar e dos direitos humanos. A\u00e7\u00f5es que, por sua vez, carregam interesses ocultos baseados em um indicador em que os Estados Unidos s\u00e3o o n\u00famero um: gastos militares. Em 2019, este pa\u00eds apresenta um or\u00e7amento militar de 680 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, que \u00e9 mais do que os or\u00e7amentos combinados de sete na\u00e7\u00f5es que seguem a lista: China, R\u00fassia, Ar\u00e1bia Saudita, \u00cdndia, Fran\u00e7a, Reino Unido e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade econ\u00f4mica (12\u00ba no mundo) s\u00e3o l\u00edderes ou quanto ao crescimento do PIB (147\u00ba, entre 224 pa\u00edses), o que reflete uma realidade. Os EUA s\u00e3o um imp\u00e9rio militar, sua economia \u00e9 baseada na guerra e qualquer a\u00e7\u00e3o tomada em nome da &#8216;ajuda humanit\u00e1ria&#8217; \u00e9 coerente quando o interesse de seu governo \u00e9 promover o caos para sua pr\u00f3pria vantagem.<\/p>\n<p>Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, o que o mundo est\u00e1 experimentando \u00e9 o ato de desespero de uma superpot\u00eancia em decl\u00ednio. \u00c9 por isso que t\u00e3o cuidadosamente tenta segurar o \u00faltimo basti\u00e3o da influ\u00eancia que continua a manter na Am\u00e9rica Latina, com sua fixa\u00e7\u00e3o na Venezuela e em outros pa\u00edses da regi\u00e3o. Porque, se fosse ajuda real, era hora de os Estados Unidos analisarem seriamente a interven\u00e7\u00e3o, com a mesma intensidade, em seu pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"SHyxgsws9r\"><p><a href=\"http:\/\/www.cubadebate.cu\/especiales\/2019\/03\/06\/es-hora-que-estados-unidos-invada-a-estados-unidos\/\">Es hora que Estados Unidos invada a Estados Unidos<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#171;Es hora que Estados Unidos invada a Estados Unidos&#187; &#8212; Cubadebate\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.cubadebate.cu\/especiales\/2019\/03\/06\/es-hora-que-estados-unidos-invada-a-estados-unidos\/embed\/#?secret=SHyxgsws9r\" data-secret=\"SHyxgsws9r\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23459\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[228],"class_list":["post-23459","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-66n","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23459\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}