{"id":23461,"date":"2019-06-27T03:32:46","date_gmt":"2019-06-27T06:32:46","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23461"},"modified":"2019-06-27T03:32:46","modified_gmt":"2019-06-27T06:32:46","slug":"elzita-santa-cruz-simbolo-da-luta-contra-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23461","title":{"rendered":"Elzita Santa Cruz: s\u00edmbolo da luta contra a Ditadura"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/vladimirherzog.org\/institutoivh\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/donaelzita-768x641.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Aos 105 anos, a pernambucana dona Elzita ainda lutava pelo direito de enterrar seu filho, Fernando Santa Cruz, militante pol\u00edtico desaparecido em 1974<\/p>\n<p>Morre Elzita Santa Cruz, \u00edcone da luta por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a no Brasil<\/p>\n<p>Publicado por Carolina Vilaverde<\/p>\n<p>Instituto Vladimir Herzog<\/p>\n<p>\u00cdcone feminino da resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar brasileira e da defesa dos direitos humanos, morreu na madrugada desta ter\u00e7a-feira (25\/06) , aos 105 anos de idade, dona Elzita Santa Cruz. Era a m\u00e3e de Fernando Santa Cruz, militante pol\u00edtico da A\u00e7\u00e3o Popular Marxista Leninista (APML), desaparecido no Carnaval de 1974. O vel\u00f3rio se inicia logo mais, \u00e0s 15h, na C\u00e2mara Municipal de Olinda e, nesta quarta-feira (26) o corpo ser\u00e1 cremado em cerim\u00f4nia reservada para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Durante 45 anos, dona Elzita cobrou not\u00edcias em quart\u00e9is, gabinetes de presidentes e de outras autoridades e junto a Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais, inclusive do exterior, sempre insistindo com a frase: \u201cOnde est\u00e1 meu filho?\u201d. Dizia que n\u00e3o tinha \u00e2nsia de encontrar quem matou Fernando; queria o direito de enterr\u00e1-lo. \u201c\u00c9 uma dor muito grande porque o \u00fanico crime que ele [Fernando] cometeu foi defender a igualdade social, essas coisas pelas quais eu luto at\u00e9 hoje\u201d, afirmou em 2009, enquanto pedia provid\u00eancias ao ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Noutra ocasi\u00e3o, em 2011, disse em entrevista \u00e0 jornalista Silvia Bessa para o Di\u00e1rio de Pernambuco: \u201cEu pe\u00e7o muito a Deus para ter coragem para saber o que aconteceu com meu filho\u201d. Nunca houve confirma\u00e7\u00e3o oficial do que aconteceu com Fernando.<\/p>\n<p>Nascida no Engenho Jeric\u00f3, em \u00c1gua Preta, na Zona da Mata Pernambucana, foi uma sinhazinha que virou ativista pol\u00edtica. Casada com o m\u00e9dico sanitarista Lincoln Santa Cruz. Al\u00e9m de Fernando, defendeu nas trincheiras da repress\u00e3o os filhos Marcelo Santa Cruz, hoje advogado, e Rosalina Santa Cruz, professora da PUC, ambos perseguidos pol\u00edticos. Ao comunicar a amigos sobre o falecimento, Rosalina escreveu em seu perfil p\u00fablico no Facebook, a homenagem dela \u00e0 m\u00e3e: \u201cCom voc\u00ea aprendi a lutar pelas coisas que acredito\u201d. Dona Elzita teve dez filhos, 28 netos e 32 bisnetos.<\/p>\n<p>O governador de Pernambuco, Paulo C\u00e2mara, destacou, por meio de nota, a import\u00e2ncia da matriarca dos Santa Cruz: \u201cDona Elzita foi incans\u00e1vel na busca por direitos humanos e justi\u00e7a para seu filho Fernando e para outras v\u00edtimas da Ditadura. A sua dedica\u00e7\u00e3o a essas causas seguir\u00e1 nos inspirando\u201d. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, hoje presidido por Felipe Santa Cruz, filho de Fernando, emitiu nota de pesar: \u201cA OAB se solidariza com toda a fam\u00edlia e amigos de D. Elzita, um exemplo de fibra e coragem para todos n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>O Instituto Vladimir Herzog lamenta profundamente a morte de Elzita Santa Cruz, uma das 13 mulheres que escolhemos homenagear com a primeira edi\u00e7\u00e3o do livro \u201cHero\u00ednas desta Hist\u00f3ria\u201d, que deve ser lan\u00e7ado ainda este ano. Em uma coincid\u00eancia triste, a jornalista pernambucana Silvia Bessa e as organizadoras do projeto, Carla Borges e Tatiana Merlino, passaram os \u00faltimos dias justamente finalizando o cap\u00edtulo que trar\u00e1 luz \u00e0 hist\u00f3ria desta figura excepcional. Elzita n\u00e3o conseguiu, infelizmente, ver o perfil conclu\u00eddo e nem realizar o desejo de encontrar o filho desaparecido. Neste momento, o que nos conforta \u00e9 saber que registramos sua hist\u00f3ria para inspirar as gera\u00e7\u00f5es futuras, cumprindo nosso compromisso com o Direito \u00e0 Mem\u00f3ria, \u00e0 Verdade e \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Elzita Santa Cruz, presente!<\/p>\n<p>https:\/\/vladimirherzog.org\/morre-elzita-<wbr \/>santa-cruz-icone-da-resistencia-a-ditadura-militar-no-brasil\/<\/p>\n<p>Homenagem do camarada Mauro Iasi:<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/qYFDkXaPmsPgdGBOzTuIsZWBRZNoTSMMjVq6KD2Cz-SJjoq9gUx4gO2Hyc-bPyQ5_uCkzDqu_RMsWdoqljBwVEZmg7NR_9RrQk-6prHBHHdL5QiEEmBZHvxl2BmePArkn2vrR9C-09yuDGxVTu2a1RB9m1U5wyWtfkyrFVv1dIpnzR5unkX1uwJn64en_oCluifruxeAwugNcH9jWnp38BvvgBcWq1s_cq6z5Vdpeg85laEQgMlE4BcMgxYeAVvKgzYIYpgj9zj75I_RZPRV3H09pvx8YSNhaGu8O3mq_S6g6uWsBSfkf_-rYdpJPtbM2zKvuNff3TvsUw0kNq_4h3Mfgvmkasp1Ihes1qR8K4gFmM7T80kt4WL50GJl3s0kmqDTxlXnSgWqjpu7-ork9YJ9uPQY7oJqvBYEIRnyHx5urIEcC5umwnLzUXKJD31Xj8DRksfeIJTc534vqMUOgCbEi5wO3fFu_Mb1xpH4_odSahKYO5pbc2-EhA5233mc91MHSp40pvSOoIuIyVdBuN91LCt4FpawVCu9-hajNetSnkg-62cITQ_jvWQE-1_fZFqizp9b2DAHtNev_5uX8pFkPyYlymdxdG1quBtbxltlpNtLOOpRifZITmupkA-RuvXZd3AIDaQa7d73Km_9LyBYNql6-hSQ=w931-h872-no\" alt=\"imagem\" \/><strong>Elzita<\/strong><\/p>\n<p><em>(Para Elzita Santa Cruz, M\u00e3e de Fernando e s\u00edmbolo de luta contra a Ditadura)<\/em><\/p>\n<p><em>Elzita se foi hoje<\/em><br \/>\n<em>Demorou-se em partir<\/em><br \/>\n<em>Porque tinha ra\u00edzes profundas<\/em><br \/>\n<em>Porque tinha abismos na alma<\/em><\/p>\n<p><em>Por mais de um s\u00e9culo ficou<\/em><br \/>\n<em>Por toda uma vida lutou<\/em><br \/>\n<em>Pela vida que deu<\/em><br \/>\n<em>E a ditadura lhe tirou<\/em><\/p>\n<p><em>Sem corpo e sem tumulo<\/em><br \/>\n<em>Para descanso e lamento<\/em><br \/>\n<em>Seguiu o menino vivendo<\/em><br \/>\n<em>No corpo e na luta dos outros<\/em><\/p>\n<p><em>Um p\u00e9 de vento passou violento<\/em><br \/>\n<em>Arrancando uma \u00e1rvore em casa<\/em><br \/>\n<em>De certo era Elzita tentando ficar<\/em><br \/>\n<em>Dizendo que ainda \u00e9 cedo<\/em><\/p>\n<p><em>Descanse guerreira, descanse<\/em><br \/>\n<em>Que a gente segue daqui<\/em><br \/>\n<em>Lutando pra n\u00e3o esquecer<\/em><br \/>\n<em>Perguntando onde est\u00e1 Fernando<\/em><\/p>\n<p><em>Descanse guerreira, descanse<\/em><br \/>\n<em>Agora abrace o infinito<\/em><br \/>\n<em>Que ele \u00e9 t\u00e3o grande, t\u00e3o grande <\/em><br \/>\n<em>Que \u00e9 quase do teu tamanho.<\/em><\/p>\n<p><em>(Mauro Iasi, 2019)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23461\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53,180,46],"tags":[224],"class_list":["post-23461","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura","category-feminista","category-c56-memoria","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-66p","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23461\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}