{"id":23467,"date":"2019-06-27T23:46:01","date_gmt":"2019-06-28T02:46:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23467"},"modified":"2019-07-04T03:59:14","modified_gmt":"2019-07-04T06:59:14","slug":"stonewall-para-alem-da-lembranca-vazia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23467","title":{"rendered":"Stonewall: para al\u00e9m da lembran\u00e7a vazia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/8toC6PqtCt-op16cyDfIopTVk2HiO-MO5vKfTagmN3KxRZtCIwuhquDlk8mPrgxdeT3AUYw_6SPAX20GcDnNUWAqLv66CJYPyXoDhf3LT-kji_ZRqaR7_v46BOFzARWidD7keNuX9daffQ0hLbChiB7-Yjd2DKqtHs_8-QkUehRo14xhVfOBSpC3LAknQop1h8R45eS6ylxQfDIowYwre4k7EgPhZlB84o2ZhUSLgWciGwuHwbu4vnb2byfsJyW8uExTl1cPXNXx6GJYUp1pkuvHjGWRujMQVD1_zYl_cORSm2IsxJ8OvxqLEGULd1fNSyNB6Tejhs6KGHxZvzPr-WEWmcy5HdBjZBGoIvXc7sDgb5GJojuX9ORvJkNK1iCCPZ0hDrLr21JTVul7BB2N3whpadpqIVCjlXzJMxOvrgyk_iXGDgCpQS5FvutFl3g1BOqkpOr6szYv3N0vumVM7TjJaEeBxrozdcm2IPlwhAvptyvKwccPd7PLSc9sJ9DUQszazk8gL12dWmF2PilF76Nj7O1jDy9uAgC3HuRhaK-bUsWe-1_zipwEtMWBXiwvd-3TP0oSj149Y2uKhYkoHxDqvVqBK-ZrqSIwwddiXogAV18amOt6X5dzREU7iKOxkcItslwsIlH0az49GtGCS3ZTPTFoInzP=s297-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do Coletivo LGBT Comunista<\/p>\n<p>At\u00e9 cinquenta e sete anos atr\u00e1s era crime ser \u201chomossexual\u201d (categoria generalizada usada para se referir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT naquela \u00e9poca) em todos os estados dos EUA. Isto se<br \/>\nrepetia ao redor do mundo. Mesmo ap\u00f3s a revoga\u00e7\u00e3o dessas leis, em 1962, a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT era sistem\u00e1tica, tanto institucional como culturalmente. O sexo era reprimido. A homossexualidade era considerada uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em Nova Iorque, o \u201cStonewall Inn.\u201d, praticamente o \u00fanico bar que recebia a popula\u00e7\u00e3o LGBT, era constante alvo de batidas policiais. Em 1969, no dia 28 de junho, numa dessas repress\u00f5es policiais, um grupo se articulou para revidar. Ap\u00f3s as palavras de um policial expulsando a popula\u00e7\u00e3o que frequentava, as LGBTs seguiram em dire\u00e7\u00e3o a ele e reagiram<br \/>\n\u00e0 repress\u00e3o policial. A partir desse dia, se sucederam mais cinco dias muito violentos de guerra entre a comunidade LGBT que frequentava o bar e a pol\u00edcia novaiorquina.<\/p>\n<p>Esse momento de enfrentamento se tornou hist\u00f3rico para o movimento LGBT em todo o mundo. Stonewall foi um movimento que nasceu atrav\u00e9s da resist\u00eancia, respondendo \u00e0 viol\u00eancia policial, aplicada cotidianamente contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT, com os meios<br \/>\nposs\u00edveis. Sendo liderado por uma mulher trans negra, Marsha P. Johnson, e uma latina, Sylvia Rivera \u2013 que no ano seguinte desenvolveram um grupo organizado com travestis em<br \/>\nsitua\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>Hoje, Stonewall n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s uma mera lembran\u00e7a, mas uma postura a ser revivida. Stonewall n\u00e3o pode virar uma alegoria vazia de conte\u00fado pol\u00edtico, como a Associa\u00e7\u00e3o da Parada do Orgulho LGBT de S\u00e3o Paulo fez esse ano \u2013 colocando este tema na Parada,<br \/>\nmas cerceando a possibilidade de falas pol\u00edticas. Cinquenta anos ap\u00f3s Stonewall, o movimento internacional tem uma s\u00e9rie de lutas que remete \u00e0 mesma radicalidade. J\u00e1 lutamos junto com grevistas aqui no Brasil, at\u00e9 contra a ditadura empresarial-militar. Este \u00e9 o esp\u00edrito que o movimento LGBT deve ter: atrelado \u00e0s demandas da classe trabalhadora como um todo e entendendo as especificidades da<br \/>\ncomunidade LGBT.<\/p>\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m somos trabalhadoras e trabalhadores. Tamb\u00e9m temos o suor do trabalho marcando nossa pele. Enfrentamos condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, com remunera\u00e7\u00f5es baix\u00edssimas. Uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o LGBT trabalha na informalidade, sem garantia<br \/>\nnenhuma de direitos. Outro imenso contingente encontra-se dentro das estat\u00edsticas de desemprego. Al\u00e9m de tudo isso, temos que lidar com a amea\u00e7a constante de viol\u00eancias nas<br \/>\nruas em que andamos, nos estabelecimentos que frequentamos e muitas vezes na casa em que vivemos.<br \/>\nA realidade para n\u00f3s \u00e9 muito dura e nossa posi\u00e7\u00e3o deve ser intransigente ao dizer que n\u00e3o aceitaremos viver sob essas condi\u00e7\u00f5es! Nossas prioridades s\u00e3o p\u00e3o, trabalho, terra e moradia!<\/p>\n<p>E Stonewall faz parte da hist\u00f3ria dessas LGBTs, as que s\u00e3o trabalhadoras,<br \/>\nexploradas e desumanizadas pelo capitalismo. N\u00e3o \u00e9 sobre uma representatividade simb\u00f3lica em comerciais de televis\u00e3o fazendo propaganda para fast-food, ou sobre bancos que enriquecem cada dia mais, ao cobrarem juros extorsivos da classe trabalhadora, incluindo as LGBTs, enquanto se furtam de pagar impostos que deveriam ser convertidos em servi\u00e7os p\u00fablicos e de qualidade, para toda a classe.<\/p>\n<p>A nossa hist\u00f3ria deve ser usada para a nossa luta. Uma luta que entenda que o fim da LGBTfobia s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel numa outra sociedade, constru\u00edda por e para n\u00f3s trabalhadoras, onde n\u00e3o seremos mais exploradas e cada uma de n\u00f3s ser\u00e1<br \/>\nverdadeiramente livre. Portanto, Stonewall \u00e9, para n\u00f3s, um embri\u00e3o de uma luta radical. Mas que deve ser canalizado para a pr\u00f3pria supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, que \u00e9 o respons\u00e1vel<br \/>\npelo atual lugar que ocupamos.<\/p>\n<p>Pelo resgate hist\u00f3rico \u00e0 radicalidade na luta LGBT!<\/p>\n<p>Pela constru\u00e7\u00e3o do poder popular!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23467\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[182,20],"tags":[223],"class_list":["post-23467","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lgbt","category-c1-popular","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-66v","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23467"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23467\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}