{"id":23479,"date":"2019-07-01T22:38:30","date_gmt":"2019-07-02T01:38:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23479"},"modified":"2019-07-01T22:38:30","modified_gmt":"2019-07-02T01:38:30","slug":"canto-ao-clemente-a-marighella-e-marielle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23479","title":{"rendered":"Canto ao Clemente, a Marighella e Marielle"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.revistaprosaversoearte.com\/content\/uploads\/2017\/01\/Carlos-Marighella2.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Sobre os 50 anos sem Carlos Marighella. Sobre este 2 de Julho sem o Clemente<\/p>\n<p>Yang Borges Chung<\/p>\n<p>Pre\u00e2mbulo do Adeus ao \u00faltimo comandante da ALN<\/p>\n<p>Iniciando a primeira p\u00e1gina de um novo di\u00e1rio. Em um dia triste, come\u00e7ando logo pelo in\u00edcio da madrugada. Entre a leitura de um livro e algumas dedilhadas no viol\u00e3o, ao passar rapidamente pela internet, me deparei com uma not\u00edcia triste e impactante. A perda e a partida do nosso Clemente, o Carlos Eug\u00eanio. Tive a felicidade de conhec\u00ea-lo e conversar um pouco com este em Londrina no ano de 2013, durante o V Simp\u00f3sio Internacional Lutas Sociais na Am\u00e9rica Latina realizado na UEL. Assisti a sua participa\u00e7\u00e3o em uma mesa redonda durante este evento e pude testemunhar o seu orgulho por ter sido um dos comandantes e quadros da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN). Organiza\u00e7\u00e3o dirigida por Carlos Marighella e Joaquim C\u00e2mara Ferreira. Carlos Eug\u00eanio, o Clemente, era o terceiro comandante na linha sucess\u00f3ria da sua vanguarda dirigente.<\/p>\n<p>O seu n\u00e3o arrependimento, tenacidade e \u00edmpeto implac\u00e1vel de esperan\u00e7a e rebeldia. Na sua fala, durante as entrevistas que procurei assisti, depoimentos vivos de participante e testemunha ocular da Hist\u00f3ria. Pude observar, a alegria, o destemor, a esperan\u00e7a, a \u201cf\u00e9\u201d emuladora. A sua fala trepidante e agu\u00e7ada de romancista das lutas do povo brasileiro. De participante direto e romancista tamb\u00e9m das suas pr\u00f3prias lutas em alguns cap\u00edtulos da nossa Hist\u00f3ria recente durante aqueles anos de chumbo da ditadura. Quando o vi falar, presencialmente, e toda vez que assisti uma nova entrevista que concedia ou outra que eu j\u00e1 havia assistido, ficava com a mesma impress\u00e3o: era como se tudo aquilo que contava, ensinava e sonhava, continuasse ali. Vivo, latente, presente e intacto. Pelo menos, a paix\u00e3o, os motivos e intensidade das a\u00e7\u00f5es e sentimentos que, ao lado de tanta gente, o fizeram lutar, sonhar e acreditar<\/p>\n<p>E estamos t\u00e3o pr\u00f3ximos do 2 de Julho&#8230;<\/p>\n<p>Ter que lhe homenagear nesta data. Obviamente \u00e9 mais do que merecedor! Em datas de lutas e sonhos como no 2 de Julho, brilham as lutas e sonhos. Os olhares dos homens que creem, como disse Eduardo Galeano ao se referir a Che Guevara.<br \/>\nMas agora, Clemente? O homenagearia muitas vezes&#8230;Se dependesse de mim, de n\u00f3s, pela eternidade&#8230; Mas foste t\u00e3o cedo! E agora, j\u00e1 terei t\u00e3o precocemente que prestar este tipo de homenagem. O texto sobre os 50 anos sem Carlos Marighella seria um tanto diferente para este 2 de Julho. N\u00e3o queria dizer que tu foste agora, ao lado de outros que j\u00e1 partiram aos portos da alvorada!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em um di\u00e1logo no qual muitos lhe perguntariam, indago a ti, aos mortos e a certeza de luta dos vivos o seguinte: Por que jovens, como tu, seguiram aquele mulato baiano? Reconheceram a lideran\u00e7a e justeza do caminho trilhado por Carlos Marighella? Vamos aos argumentos da hist\u00f3ria&#8230;<\/p>\n<p>Da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana ao golpe de 1964. Da resist\u00eancia \u00e0 pris\u00e3o \u00e0 luta armada de Carlos Marighella e de toda uma gera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u00c9 conhecida a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica de um pa\u00eds continental como o Brasil na geopol\u00edtica mundial e os temores que representavam aos interesses da pol\u00edtica estadunidense e de fra\u00e7\u00f5es importantes da burguesia brasileira as reformas de base propostas pelo governo de Jo\u00e3o Goulart em um cen\u00e1rio hist\u00f3rico e pol\u00edtico de crise da hegemonia burguesa no Brasil durante o in\u00edcio dos anos de 1960. Temores de que ap\u00f3s o seu desenvolvimento tamb\u00e9m pudesse se repetir no Brasil a experi\u00eancia de uma revolu\u00e7\u00e3o, tal como em Cuba no ano 1959, liderada por Fidel Castro e proclamada como uma revolu\u00e7\u00e3o socialista em 1961. Mas o Brasil \u00e9 um pa\u00eds com outras dimens\u00f5es&#8230; A China j\u00e1 havia demonstrado o seu exemplo para o mundo com a vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Popular chinesa de 1949, dirigida por Mao-Ts\u00e9-Tung, ap\u00f3s d\u00e9cadas de luta.<\/p>\n<p>A pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria de Fidel Catro e Che Guevara passaram a representar um ide\u00e1rio anticapitalista e Socialista de luta para os povos da Am\u00e9rica Latina a partir do seu exemplo. A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana teve profundo impacto, pois al\u00e9m de representar possibilidade concreta de eclos\u00e3o e vit\u00f3ria de uma revolu\u00e7\u00e3o Socialista em um pa\u00eds perif\u00e9rico, dependente e subdesenvolvido, resultado de todas vicissitudes do processo hist\u00f3rico colonial, figurava a poucos quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia dos EUA. Aquela revolu\u00e7\u00e3o teve influ\u00eancia, inclusive, no que diz respeito a possibilidade de \u00eaxito de um modelo de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar que prescindiu de uma organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria (pelo menos momentaneamente, do partido, no seu sentido mais cl\u00e1ssico) para criar as condi\u00e7\u00f5es subjetivas e potencializar dentro de determinadas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas objetivas a tomada pelo poder e consolida\u00e7\u00e3o de um regime Socialista. Diferente das experi\u00eancias da R\u00fassia em 1917 e da China em 1949, com todas as suas particularidades hist\u00f3ricas, econ\u00f4micas e pol\u00edticas. Pa\u00edses pelos quais Carlos Marighella visitou, ou mesmo, estudou atentamente as suas experi\u00eancias revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Entretanto, o modelo de organiza\u00e7\u00e3o que orientou a dire\u00e7\u00e3o do movimento 26 de Julho durante o per\u00edodo que se inicia ap\u00f3s a tentativa de tomada insurrecional do quartel Moncada em 1953 e do in\u00edcio da guerra de guerrilhas deflagrado na Sierra Maestra, at\u00e9 os primeiros anos da vit\u00f3ria e consolida\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, n\u00e3o foge \u00e0s caracter\u00edsticas fundamentais do modelo de uma organiza\u00e7\u00e3o marxista e leninista. Em termos gerais, uma organiza\u00e7\u00e3o com quadros profissionais e disciplinados, dedicados e centralizados \u00e0s tarefas de agita\u00e7\u00e3o, propaganda e elabora\u00e7\u00e3o de um programa para a revolu\u00e7\u00e3o. Dedicados tamb\u00e9m ao fortalecimento das organiza\u00e7\u00f5es dos oper\u00e1rios, \u00e0s suas lutas espont\u00e2neas e econ\u00f4micas, mas dando um sentido program\u00e1tico geral e partid\u00e1rio para as suas lutas e criando as condi\u00e7\u00f5es para dirigir o processo revolucion\u00e1rio, tomar o poder e implantar o socialismo e suprimir o Estado capitalista. Sua m\u00e1quinaria contrarrevolucion\u00e1ria presente no seu aparelho estatal. Uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar de combate e com estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria, Socialista. Se na R\u00fassia czarista os bolcheviques eram a fra\u00e7\u00e3o ou agrupamento mais resoluto e que agia como partido no interior do POSDR, no caso chin\u00eas a luta revolucion\u00e1ria n\u00e3o prescindiu de um partido comunista desde seu in\u00edcio, de uma luta de massas, da guerra de guerrilhas e de forte car\u00e1ter nacional , anti-imperialista e Socialista. No caso cubano, ainda que o Movimento 26 de Julho n\u00e3o fosse um partido em termos cl\u00e1ssicos, possu\u00eda dire\u00e7\u00e3o centralizada em termos pol\u00edticos e militares e um programa bem definido de luta pela sua soberania nacional, anti-imperilista, antimonopolista, antilatifundi\u00e1ria e mesmo com forte propens\u00e3o para um programa socialista, j\u00e1 desde os primeiros anos de Sierra.<\/p>\n<p>Por que Carlos Marighella naquelas circunst\u00e2ncias da hist\u00f3ria se inspirou naquela experi\u00eancia cubana de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar, ainda que sob moldes n\u00e3o regidos por uma estrutura t\u00e3o hier\u00e1rquica ou que agia de maneira mais horizontalizada poss\u00edvel? Na qual o lema \u201ca a\u00e7\u00e3o faz a vanguarda\u201d, parecia imperar. Como a ALN parecia funcionar? Algumas quest\u00f5es que seguem, talvez nos ajudem a refletir a respeito dos motivos de Carlos Marighella ter adotado aquele modelo de organiza\u00e7\u00e3o, ainda que brevemente os objetivos deste texto.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s luta de Carlos Marighella no PCB durante quase quarenta anos, se processar\u00e1 uma inflex\u00e3o da sua concep\u00e7\u00e3o de partido\/organiza\u00e7\u00e3o na sua pr\u00e1tica e teoria. Suas cr\u00edticas ter\u00e3o ponto culminante com a sua ida a OLAS (Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Solidariedade), ruptura com o PCB ap\u00f3s carta dirigida a sua Executiva e funda\u00e7\u00e3o da ALN (A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional).<\/p>\n<p>Mas \u00e9 importante destacar que esta evolu\u00e7\u00e3o processual n\u00e3o se dar\u00e1 de maneira deslocada da sua an\u00e1lise a respeito das condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e econ\u00f4micas da conjuntura pol\u00edtica vigente dos anos de 1960 e de importantes reflex\u00f5es a respeito da \u201cheran\u00e7a\u201d estrutural e oriunda da nossa forma\u00e7\u00e3o social. Neste sentido, a sua contribui\u00e7\u00e3o termina por reafirmar a an\u00e1lise totalizante da \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d marxista de outros revolucion\u00e1rios. Tudo veio do ritmo, do time da sua \u00e9poca e gera\u00e7\u00e3o. Sua a\u00e7\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e te\u00f3rica percorreu um caminho de dinamicidade e compreens\u00e3o dial\u00e9tica dos condicionantes econ\u00f4micos impostos pelas classes dominantes e da conjuntura do golpe de 1964 que instalou uma ditadura. Do clima e dos meios que buscou para resistir a partir da sua experi\u00eancia. E tamb\u00e9m deu-se a partir da experi\u00eancia e compreens\u00e3o dos limites pr\u00e1ticos e te\u00f3ricos, da baixa for\u00e7a pol\u00edtica ou capacidade do maior partido da esquerda brasileira naquele per\u00edodo (o PCB), para dar impulso ou estar disposto a criar as condi\u00e7\u00f5es subjetivas para a luta revolucion\u00e1ria naquelas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas as quais Marighella considerava das mais favor\u00e1veis para este processo, quando comparado a outros per\u00edodos que viveu da pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Ainda assim, o partido em que militara por tantos anos foi o maior ou primeira express\u00e3o de partido de massas (ou com a maior capilaridade junto as massas) da hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira. Mobilizador de grandes greves, campanhas e de maior capacidade de fazer filia\u00e7\u00f5es, ainda mais se levarmos em considera\u00e7\u00e3o os per\u00edodos que seus quadros e militantes \u201cviveram\u201d ou estiveram \u201csubmersos\u201d na clandestinidade. Este partido, que teve muitos quadros, artistas e intelectuais nas suas fileiras. Sua lista a este respeito \u00e9 muito extensa. Assim como uma das bancadas mais combativas e qualificadas da hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira. Aquele partido tentou, mesmo com todas as suas insufici\u00eancias citadas aqui ou outras que n\u00e3o foi poss\u00edvel abordar neste texto, praticar, em alguma medida, uma concep\u00e7\u00e3o de luta e organiza\u00e7\u00e3o a partir de uma vida militante org\u00e2nica. No entanto, por uma s\u00e9rie de fatores, isto se mostrou insuficiente para preparar e organizar o proletariado para os combates que ocorreriam. Seguramente, um dos mais importantes, foi a sua t\u00e1tica reformista em alguns per\u00edodos, a exemplo do seu posicionamento contido na Declara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o de 1958. Ou mesmo, quando adotou uma t\u00e1tica doutrin\u00e1ria em outros momentos, obviamente a exemplo do seu posicionamento contido no Manifesto de Agosto de 1950. Tamb\u00e9m, possivelmente, a sua vis\u00e3o cupulista e insufici\u00eancias pr\u00e1ticas e te\u00f3ricas que predominavam na sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, a partir de certo momento, Carlos Marighella passou a acreditar que a organiza\u00e7\u00e3o pela qual lutara a quase quatro d\u00e9cadas n\u00e3o era mais o intrumento mais apropriado para dirigir ou ser um dos pilares dirigentes da luta e derrubada da ditadura e constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o brasileira. Agora, Marighella acreditava que era necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o da ALN. Resumidamente, uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar que realizava a\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas de combate e de propaganda no meio urbano voltadas para a prepara\u00e7\u00e3o da guerrilha rural. O objetivo estrat\u00e9gico a m\u00e9dio e longo prazo. Marighella estudava o melhor momento poss\u00edvel dentro daquelas circunst\u00e2ncias para deflagar a guerrilha rural. Contava com a juventude e com padres dominicanos devotados pela coragem e pela f\u00e9. Almejava criar colunas guerrilheiras que se constituiriam no embri\u00e3o do Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional. Que seriam um dos condutores da almejada revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Aquele caminho preconizado pelo dirigente comunista Carlos Marighella. Que tamb\u00e9m foi deputado e resistiu bravamente a viol\u00eancia e autoritarismo do golpe de 1964. Esses golpes absurdos que existem na hist\u00f3ria&#8230; Deixou para sempre na hist\u00f3ria e na eternidade este exemplo indel\u00e9vel nas suas a\u00e7\u00f5es que deram vida ao texto Por que resisti \u00e0 pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Teu exemplo ou muitas das suas ideias ou formula\u00e7\u00f5es foram largamente ou em certa medida seguidas pela esquerda armada no Brasil, presente nas mais diversas organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias ou pol\u00edticas e militares, a despeito das suas diferen\u00e7as. Marighella inspirou a esquerda mundial, ap\u00f3s o sequestro do embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick, mesmo sem ter participado da a\u00e7\u00e3o ou sequer tivesse ci\u00eancia que a mesma ocorreria. A esquerda presente no centro do capitalismo referenciou os brasileiros. Marighella tamb\u00e9m foi identificado e festajado pelos cubanos e Panteras Negras como lideran\u00e7a brasileira e mundial inconteste.<\/p>\n<p>Importante lembrar dos caminhos de Carlos Marighella na sua juventude como estudante brilhante que respondia provas de f\u00edsica e qu\u00edmica em versos no antigo Gin\u00e1sio da Bahia e desafiava o autoritarismo do ent\u00e3o interventor na Bahia Juracy Magalh\u00e3es. O mesmo jovem que saiu da Bahia para contribuir na organiza\u00e7\u00e3o do PCB no eixo Rio e S\u00e3o Paulo. Na sua trajet\u00f3ria disciplinada e mesmo em alguns momentos dogm\u00e1tica no partido a sua ruptura e iniciativa de fundar a ALN ao lado de outros companheiros que o seguiram.<\/p>\n<p>O at\u00e9 breve e a eternidade de tudo que fizeram. Canto ao Clemente, a Marighella e Marielle.<\/p>\n<p>No dia 04 de Novembro de 1969 mataram Carlos Marighella, o mulato baiano. Antes dele, haviam matado outros. E torturado outros. Antes do 2 de Julho, mataram tamb\u00e9m tantos outros. Mas muitas Quit\u00e9rias e Clementes se juntaram e se juntam a luta de todos todos os dias. N\u00e3o se matam ide\u00edas. N\u00e3o se destr\u00f3i a hist\u00f3ria, a mem\u00f3ria e a verdade. Caso contr\u00e1rio, como diriam \u201cimortais\u201d, como Bloch ou Benjamin, neste caso \u201cos mortos e as suas lutas n\u00e3o estar\u00e3o em seguran\u00e7a\u201d. N\u00e3o se brinca ou se desrespeita quem lutou ou mesmo deu a vida por n\u00f3s. Por qu\u00ea jovens como Clemente seguiram aquele mulato baiano? Clemente e tantos outros e outras queriam outro mundo. Educa\u00e7\u00e3o e m\u00fasica p\u00fablica com forma\u00e7\u00e3o de qualidade. Carlos Eugenio, continuou sendo um m\u00fasico em sala de aula. Clemente, que seguiu Marighella, queria fartura para muitos brasileiros<\/p>\n<p>At\u00e9 breve! Clemente!<\/p>\n<p>Carlos Eug\u00eanio, o Clemente, queria ser mais um entre tantos brasileiros&#8230;<br \/>\nClemente e muitos outros, seguiram Marighella, por conta daqueles sonhos dos nossos antepassados. Aqueles sonhos de esperan\u00e7a e de comida na mesa dos que ajuram a formar este pa\u00eds. Os sonhos e pedidos das estrelas do ce\u00fa que podem ser os pensamentos bons, de f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o mesmo ing\u00eanuos que o povo tanto tem. Sonhos e pedidos desejados, mas conquistados apenas na luta . Vieram e vem com a luta dos calejados. Disse certa vez em entrevista outro quadro da ALN, Jos\u00e9 Luis Del Roio Del Roio, que sem luta \u201cesta na\u00e7\u00e3o seria infinitamente mais pobre\u201d. Muitos ficaram pelos caminhos ou ainda n\u00e3o puderam ver toda a primavera dos seus sonhos. Mas aquilo que conquistamos, n\u00e3o nos foi dado.<\/p>\n<p>Em um ano como este, do lan\u00e7amento do filme Marighella, que marca a estreia de Wagner Moura como cineasta, precisamos valorizar os trabalhos s\u00e9rios e que se colocam ao lado do povo e de todos que resistiram quando tudo podia ser f\u00e1cil e a regra era ceder&#8230; Dos que naquelas circunst\u00e2ncias n\u00e3o tergiversaram em escolher o caminho mais dif\u00edcil. Mas o caminho ao lado dos que sofreram e sofrem. Marighella foi seguido por uma gera\u00e7\u00e3o. Mulheres, homens, jovens.<\/p>\n<p>Gente que at\u00e9 \u201cabriu m\u00e3o da sua juventude\u201d. Ou melhor, \u201cque precisou amadurecer mais r\u00e1pido\u201d. Gente como Carlos Eug\u00eanio Paz. Algu\u00e9m t\u00e3o jovem, quando ingressou na ALN, Este mesmo jovem que, at\u00e9 outro dia, falava com o mesmo vigor nos olhos, nas ma\u00f5es e na t\u00eampera. Falava de maneira engra\u00e7ada a respeito da peruca que Carlos Marighella utilizava para disfarce. Do Joaquim C\u00e2mara Ferreira e dos eventos do passado t\u00e3o presentes e recentes no seu corpo e mente.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds anoiteceu mais triste<\/p>\n<p>Este pa\u00eds madrugou mais triste<\/p>\n<p>Este pa\u00eds acordou mais triste<\/p>\n<p>Com a perda de Carlos Eugenio, o Clemente<\/p>\n<p>Meu cora\u00e7\u00e3o bateu ontem e hoje mais triste<\/p>\n<p>Se foi o \u00faltimo comandante ainda vivo da ALN<\/p>\n<p>Clemente: Carlos Eugenio, Presente!<\/p>\n<p>Clemente: Vive!<\/p>\n<p>Marighella: Vive!<\/p>\n<p>Marielle: Vive!<\/p>\n<p>Toda noite e todo dia \u00e9 tamb\u00e9m nascimento de um novo dia<\/p>\n<p>Da certeza da esperan\u00e7a<\/p>\n<p>Adeus, Clemente! Ainda n\u00e3o acredito que se foi&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 breve!<\/p>\n<p>Yang Borges Chung \u00e9 Professor de Sociologia do Ifbaiano. \u00c9 filiado e militante do PSOL<\/p>\n<p>30\/06\/2019<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23479\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[224],"class_list":["post-23479","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-66H","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23479"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23479\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}