{"id":2350,"date":"2012-02-01T18:46:07","date_gmt":"2012-02-01T18:46:07","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2350"},"modified":"2012-02-01T18:46:07","modified_gmt":"2012-02-01T18:46:07","slug":"tods-somos-pinheirinho-aqui-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2350","title":{"rendered":"Tod@s somos Pinheirinho, aqui e agora"},"content":{"rendered":"\n<p><em>30\/01\/2012<\/em><\/p>\n<p><em>L\u00facio Fl\u00e1vio Rodrigues de Almeida<\/em><\/p>\n<p>Os lutadores e lutadoras do Pinheirinho foram desalojados e vivem uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil, extremamente dif\u00edcil. No entanto, sua luta, que \u00e9 nossa luta, continua.\u00a0 Sob certos aspectos, cresce e deve crescer ainda mais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Brasil a direita cresce, mas carece, em especial no que se refere a setores da classe m\u00e9dia e da burocracia de Estado, de fortes dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mesmo no plano partid\u00e1rio. O PFL-DEM vive espasmos e os tucanos se atritam o tempo todo, enfraquecendo-se reciprocamente. J\u00e1 a grande burguesia, se enchendo de lucros, mas em p\u00e2nico diante de crises no curto prazo, divide-se entre o apoio ao governo e a dist\u00e2ncia prudente, sempre aberta para quaisquer planos b, c ou z.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica parafascista de Geraldo Alckmin n\u00e3o \u00e9 simples sadismo de um tresloucado. Possui certo grau de coer\u00eancia, desfruta de s\u00f3lidas bases sociais e expressa uma aposta clara.<\/p>\n<p>Como alguns analistas j\u00e1 observaram, trata-se de apresentar S\u00e3o Paulo como o estado que premia todos os que querem prosperar, dos cidad\u00e3os contribuintes, que vencem por seus pr\u00f3prios m\u00e9ritos e possuem o leg\u00edtimo direito de manter o que conquistaram fora do alcance dos desordeiros e fracassados e, portanto, inimigos do alheio. Caso ganhe, ele se cacifa como o grande paladino da direita brasileira. Neste sentido, incrementa a militariza\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Paulo, viola direitos de dependentes qu\u00edmicos pobres, suja as m\u00e3os com o sangue do Pinheirinho e, se achar que deu certo, continuar\u00e1 na mesma toada. J\u00e1 anuncia novos e violentos despejos de sem-teto ou, para usar uma linguagem elegante, \u201creintegra\u00e7\u00f5es de posse\u201d.\u00a0 O pessoal ligado \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria sorri at\u00e9 as orelhas, mas n\u00e3o percebo aplausos entusi\u00e1sticos de amplos setores da burguesia. \u00c9 melhor n\u00e3o cutucar o povo com vara curta e, se o governo federal \u2013\u00a0 na cola do anterior \u2013\u00a0 sabe como lidar com ele, que d\u00ea certo enquanto dure. O neonacionaldesenvolvimentismo n\u00e3o atropela os interesses da grande burguesia (capital imperialista incluso). Por outro lado, caso a situa\u00e7\u00e3o fuja ao controle, \u00e9 importante que algu\u00e9m se apresente para restaurar a ordem.<\/p>\n<p>O governo Dilma n\u00e3o tem qualquer pretens\u00e3o de mexer na atual correla\u00e7\u00e3o intraburguesa de for\u00e7as, exceto no sentido de se fortalecer gradualmente. A ideia \u00e9 capturar cada vez mais os segmentos da burguesia que apoiam o tucanato e promover pol\u00edticas sociais compensat\u00f3rias. No plano eleitoral, o objetivo t\u00e1tico mais importante \u00e9 vencer as elei\u00e7\u00f5es para a prefeitura de S\u00e3o Paulo, at\u00e9 para, na sequ\u00eancia, ganhar o governo da \u201clocomotiva\u201d. Isto implica, como diziam os antigos, comer pela beirada do prato e apostar no erro do advers\u00e1rio, at\u00e9 porque este se desespera. Aqui se trata mais de expressar sensibilidade social e jamais de estimular a \u201cdesordem\u201d. Pode-se at\u00e9 amparar os lutadores e lutadoras do Pinheirinho, desde que&#8230; parem de lutar. Dilma declarou no F\u00f3rum Social Mundial que o tratamento dado a eles foi \u201cb\u00e1rbaro\u201d, mas n\u00e3o se solidarizou com a luta deles nem, no calor da chacina, protestou contra o tiro que o representante do governo federal recebeu da PM paulista. Afinal, argumenta Eduardo Cardozo, existe um pacto federativo e \u201cn\u00e3o podemos\u201d nos intrometer nos assuntos paulistas. E hoje, Lula n\u00e3o somente recebeu a visita de Alckmin, nos Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, como trocou sorridente abra\u00e7o com o tucano que mandou atirar contra o povo organizado. Os dois personagens n\u00e3o s\u00e3o aliados partid\u00e1rios nem adeptos das mesmas pol\u00edticas sociais. Mas a pr\u00e1tica \u00e9 o crit\u00e9rio da verdade. Exigimos que o governo federal desaproprie a \u00e1rea e a devolva, em condi\u00e7\u00f5es adequadas, a seus moradores e moradoras.\u00a0 Enquanto isso, que lhes assegure, com ou sem participa\u00e7\u00e3o do governo estadual, condi\u00e7\u00f5es de moradia digna.<\/p>\n<p>Neste complexo tabuleiro onde a pequena e a grande pol\u00edtica se misturam o tempo todo, talvez j\u00e1 seja poss\u00edvel sinalizar alguns elementos de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>O primeiro deles \u00e9 que o Pinheirinho produziu a mais radical e politizada manifesta\u00e7\u00e3o coletiva de sem-teto, ao menos neste in\u00edcio de s\u00e9culo. Depois dos mitos do fim da quest\u00e3o agr\u00e1ria no Brasil; da impossibilidade de articula\u00e7\u00e3o de lutas de empregados e desempregados; da in\u00e9rcia final e fatal de amplas categorias de trabalhador@s (como na constru\u00e7\u00e3o civil, setor banc\u00e1rio, metal\u00fargicos etc.); cai o lero-lero de que os impactos da presen\u00e7a estatal, da ind\u00fastria cultural e do narcotr\u00e1fico tornavam imposs\u00edvel a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos sem-teto nos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 que, por mais que a chamada grande imprensa tente ocultar, o assunto \u00e9 pol\u00edtico. Na conjuntura, a linha divis\u00f3ria principal passa entre quem \u00e9 a favor da vit\u00f3ria ou da derrota do Pinheirinho. \u00c9 claro que existe um amplo meio de campo dos sem informa\u00e7\u00e3o, sem posi\u00e7\u00e3o formada, onde se encontram milh\u00f5es a serem sensibilizados pelos que ousaram se levantar sem pedir favor aos dominantes. Mas uma coisa \u00e9 certa: com toda a heterogeneidade deste campo, se algu\u00e9m \u00e9 a favor do Pinheirinho e contra a pol\u00edtica do governo Alckmin, d\u00e1 pra conversar. Se for a favor do a\u00e7ougueiro do Morumbi, n\u00e3o tem acordo. Do contr\u00e1rio, com ou sem a presen\u00e7a de Alckmin, esta pol\u00edtica parafascista se expandir\u00e1 rapidamente pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Enfim, o que pode ser uma boa not\u00edcia. Apesar da vit\u00f3ria militar do demotucanato e da cobertura que este, como de praxe, obteve da grande imprensa, a luta do Pinheirinho obt\u00e9m vit\u00f3rias onde as classes populares brasileiras perdem todas nos \u00faltimos anos: na luta ideol\u00f3gica. A manifesta\u00e7\u00e3o dos cineastas na cerim\u00f4nia do Pr\u00eamio Governador do Estado para a Cultura em S\u00e3o Paulo (presen\u00e7a do carniceiro do Morumbi) foi fant\u00e1stica; o ato pol\u00edtico unit\u00e1rio do 25 de janeiro teve \u00f3tima repercuss\u00e3o; juristas cr\u00edticos come\u00e7am a se manifestar inclusive no \u00e2mbito internacional; ao menos um respeit\u00e1vel jornal estrangeiro critica o governo paulista e \u2013 melhor ainda \u2013 os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0 brasucas; e v\u00e1rios destes, inclusive na internet, j\u00e1 se reposicionam e fazem uma cobertura mais cautelosa do embate.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o atuarmos com toda a persist\u00eancia e urg\u00eancia poss\u00edveis nesta conjuntura, deixaremos passar uma oportunidade hist\u00f3rica para o avan\u00e7o da luta pol\u00edtica dos dominados neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>A urg\u00eancia se deve ao aspecto contr\u00e1rio: a extrema fragilidade atual dos lutadores e lutadoras do Pinheirinho. Em uma escola e dois dos tr\u00eas centros poliesportivos, continuam cercados e controlados pela pol\u00edcia. E todos os alojamentos s\u00e3o prec\u00e1rios: fervem sob o sol e gelam durante toda a noite; falta \u00e1gua, comida, roupa (fraldas inclusas), material de limpeza\u00a0 e \u2013 o que tamb\u00e9m \u00e9 important\u00edssimo \u2013 lazer, especialmente a crian\u00e7ada. \u00c9 preciso denunciar tudo isso o tempo todo. \u00c9 preciso encontrar meios pol\u00edticos de retirar a pol\u00edcia destes locais. \u00c9 preciso organizar redes de solidariedade que levem os recursos materiais e culturais necess\u00e1rios. Aqui, de fato, somos tod@s Pinheirinho.<\/p>\n<p>Longe de filantr\u00f3picas, estas a\u00e7\u00f5es de solidariedade e antibarb\u00e1rie podem ser pol\u00edticas e politizadoras, inclusive de n\u00f3s mesm@s.<\/p>\n<p>Parafraseando Gramsci, abriu-se um momento em que a vontade pode ter raz\u00e3o em seu otimismo.<\/p>\n<p>Ousar viv\u00ea-lo \u00e9 o nosso desafio.<\/p>\n<p><em>L\u00facio Fl\u00e1vio Rodrigues de Almeida \u00e9 professor do Departamento de Pol\u00edtica da PUC-SP.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 2.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\n\u00c0s vezes, os jarg\u00f5es ganham vida. A luta continua\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2350\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-2350","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-BU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2350","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2350"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2350\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}