{"id":23504,"date":"2019-07-04T03:56:57","date_gmt":"2019-07-04T06:56:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23504"},"modified":"2019-07-04T03:56:57","modified_gmt":"2019-07-04T06:56:57","slug":"a-europa-na-estrategia-nuclear-do-pentagono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23504","title":{"rendered":"A Europa na estrat\u00e9gia nuclear do Pent\u00e1gono"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/media.defense.gov\/2019\/May\/22\/2002134705\/780\/780\/0\/190521-F-ZD147-0231.JPG\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Manlio Dinucci<\/p>\n<p>Em 11 de junho o Estado Maior Conjunto dos EUA aprovou um documento sobre opera\u00e7\u00f5es nucleares. Em 26 e 27 de junho os ministros da defesa da OTAN foram a Bruxelas assinar embaixo a nova estrat\u00e9gia. No fundamental, trata-se de incrementar o enorme arsenal j\u00e1 instalado, agora na base de uma tese ainda mais demente: a do seu uso t\u00e1tico, admitindo-se que uma guerra nuclear pode ser vencida. Os EUA, que nunca viveram uma agress\u00e3o militar externa, estariam dispostos a desencadear uma cat\u00e1strofe global, imaginando talvez que n\u00e3o lhes chegaria em casa.<\/p>\n<p>Os ministros da defesa da OTAN (para a It\u00e1lia Elisabetta Trenta, M5S) foram convocados a Bruxelas em 26 e 27 de junho para aprovar as novas medidas de \u201cdissuas\u00e3o\u201d contra a R\u00fassia, acusada sem qualquer prova de viola\u00e7\u00e3o do Tratado INF. No essencial, seguir\u00e3o os Estados Unidos que, retirando-se definitivamente do Tratado em 2 de agosto, se preparam para instalar m\u00edsseis nucleares terrestres na Europa (entre 500 e 5500 km), an\u00e1logos aos da d\u00e9cada de 1980 (os Pershing 2 os Cruize), que foram eliminados (juntamente com os SS-20 sovi\u00e9ticos) pelo Tratado INF, assinado em 1987 pelos Presidentes Gorbachev e Reagan.<\/p>\n<p>As maiores pot\u00eancias europeias, cada vez mais divididas no interior da UE, re\u00fanem-se na OTAN sob comando EUA para apoiar os seus interesses estrat\u00e9gicos comuns. A pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia &#8211; na qual 21 dos 27 membros fazem parte da OTAN (tal como faz parte a Inglaterra em processo de sa\u00edda da UE) &#8211; rejeitou na ONU a proposta russa de manter o Tratado INF. Sobre uma quest\u00e3o de tal import\u00e2ncia, a opini\u00e3o p\u00fablica europeia \u00e9 deliberadamente deixada no escuro pelos governos e a grandes m\u00eddia. N\u00e3o se adverte do perigo crescente que paira sobre n\u00f3s: aumenta a possibilidade de que um dia se venha a usar armas nucleares.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 confirmado pelo \u00faltimo documento estrat\u00e9gico das For\u00e7as Armadas dos EUA, \u201d Nuclear Operations \u201d (11 de junho), elaborado sob a dire\u00e7\u00e3o do Presidente do Estado Maior Conjunto. Dado que \u201cas for\u00e7as nucleares fornecem aos EUA a capacidade de atingir os seus objetivos nacionais\u201d, o documento sublinha que elas devem ser \u201cdiversificadas, flex\u00edveis e adapt\u00e1veis\u201d a \u201cuma vasta gama de advers\u00e1rios, amea\u00e7as e contextos\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto a R\u00fassia adverte que mesmo o uso de uma \u00fanica arma nuclear de baixa pot\u00eancia desencadearia uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia que poderia levar a um conflito nuclear em grande escala, a doutrina dos EUA est\u00e1 se orientando na base de um perigoso conceito de \u201cflexibilidade\u201d. O documento estrat\u00e9gico afirma que \u201cas for\u00e7as nucleares dos EUA fornecem os meios para aplicar a for\u00e7a a uma vasta gama de alvos nos tempos e nos modos escolhidos pelo Presidente\u201d. Alvos (esclarece o mesmo documento) na realidade escolhidos pelas ag\u00eancias de informa\u00e7\u00f5es, que avaliam a vulnerabilidade a um ataque nuclear, prevendo tamb\u00e9m os efeitos da precipita\u00e7\u00e3o radioativa.<br \/>\nO uso de armas nucleares &#8211; sublinha o documento &#8211; \u201cpode criar as condi\u00e7\u00f5es para resultados decisivos: especificamente, o uso de uma arma nuclear mudar\u00e1 fundamentalmente o quadro de uma batalha criando as condi\u00e7\u00f5es que permitem aos comandantes prevalecer no conflito\u201d .<\/p>\n<p>As armas nucleares permitem tamb\u00e9m que os EUA \u201cgarantam os seus aliados e parceiros\u201d que, confiando neles, \u201crenunciam \u00e0 posse de suas armas nucleares pr\u00f3prias, contribuindo para os objetivos de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o dos EUA\u201d.<br \/>\nNo entanto, o documento deixa claro que \u201cos EUA e alguns aliados selecionados da OTAN mant\u00eam avi\u00f5es de dupla capacidade capazes de transportar armas nucleares ou convencionais\u201d. Admite assim que quatro pa\u00edses europeus oficialmente n\u00e3o nucleares &#8211; It\u00e1lia, Alemanha, B\u00e9lgica, Holanda \u2013 e a Turquia, violando o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 hospedam armas nucleares EUA (as bombas B-61 que a partir de 2020 ser\u00e3o substitu\u00eddas pelas mais mort\u00edferas B61-12), mas est\u00e3o preparados para as usar num ataque nuclear sob o comando do Pent\u00e1gono.<\/p>\n<p>Tudo isto \u00e9 silenciado pelos governos e parlamentos, televis\u00f5es e jornais, com o sil\u00eancio c\u00famplice da grande maioria dos pol\u00edticos e jornalistas, que em vez disso todos os dias nos repetem qu\u00e3o importante \u00e9 para n\u00f3s, italianos e europeus, a \u201cseguran\u00e7a\u201d. Os Estados Unidos garantem-na instalando outras armas nucleares na Europa.<\/p>\n<p>(il manifesto, 25 de junho de 2019)<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.marx21.it\/index.php\/internazionale\/pace-e-guerra\/29829-leuropa-nella-strategia-nucleare-del-pentagono<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23504\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[18],"tags":[233],"class_list":["post-23504","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s22-europa","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-676","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23504\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}