{"id":23525,"date":"2019-07-06T05:53:22","date_gmt":"2019-07-06T08:53:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23525"},"modified":"2019-07-06T05:53:22","modified_gmt":"2019-07-06T08:53:22","slug":"golpistas-na-venezuela-a-ajuda-humanitaria-como-negocio-e-fraude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23525","title":{"rendered":"Golpistas na Venezuela: a ajuda humanit\u00e1ria como neg\u00f3cio e fraude"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resumenlatinoamericano.org\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/3-de-julio-GUAIDO-CORRUPCION-620x400.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->\u00c1lvaro Verzi Rangel<br \/>\nResumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Desvio de dinheiro, malversa\u00e7\u00e3o de fundos para ajuda humanit\u00e1ria, infla\u00e7\u00e3o de cifras, fraude e amea\u00e7as foram usados pela equipe do autoproclamado presidente interino venezuelano Juan Guaid\u00f3 para se cercar de luxos, com a desculpa de tentar derrubar o presidente Nicolas Maduro para tomar o poder e os recursos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas mesmo nisso os opositores venezuelanos n\u00e3o s\u00e3o originais. O casal Clinton tem um hist\u00f3rico sombrio no Haiti. Bill Clinton enviou 20.000 soldados norte-americanos em uma opera\u00e7\u00e3o ironicamente chamada de &#8220;Restaura\u00e7\u00e3o da democracia&#8221; e cobrou a fatura: chantageou para que fosse liberado o com\u00e9rcio do arroz, baixando as taxas aduaneiras de 50 para 3%, a fim de que o cereal americano (que sua fam\u00edlia produzia em Arkansas) passasse a custar 40% mais barato do que o do Haiti. Era uma nova defini\u00e7\u00e3o de ajuda humanit\u00e1ria, que significou a destrui\u00e7\u00e3o do setor campon\u00eas e desencadeou aumento das taxas de diabetes entre os haitianos. E talvez tenha servido de exemplo para a apropria\u00e7\u00e3o de fundos que deveriam ser destinados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradia, entre outros itens, dos povos em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a nomea\u00e7\u00e3o de Hillary Clinton como secret\u00e1ria de Estado em 2009, Bill foi apontado como enviado especial da ONU ao Haiti. Isso tornou mais f\u00e1cil para os Clinton ampliar o espectro de influ\u00eancia sobre as decis\u00f5es de ajuda externa no pequeno pa\u00eds. Ap\u00f3s o terremoto que devastou Port-au-Prince em 2010, Bill Clinton foi nomeado &#8220;co-presidente da Comiss\u00e3o Interina para a Reconstru\u00e7\u00e3o do Haiti&#8221;. De acordo com o Wall Street Journal, &#8220;o Departamento de Estado come\u00e7ou a dirigir para a Funda\u00e7\u00e3o Clinton os interessados em competir por contratos para reconstruir o pa\u00eds&#8221;. Menos de 1% de &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221; foi administrado atrav\u00e9s do governo ou organiza\u00e7\u00f5es haitianas. 99% foram gerenciados por empreiteiras estrangeiras e ONGs internacionais, especialmente espanh\u00f3is e estadunidenses.<\/p>\n<p>Durante os meses seguintes ao terremoto, a USAID concedeu quase 200 milh\u00f5es em contratos de ajuda e reconstru\u00e7\u00e3o, mas apenas 2,5% foram para empresas haitianas. Em 2016, uma s\u00e9rie de documentos desclassificado mostraram que, durante a gest\u00e3o de Hillary como secret\u00e1ria de Estado, os &#8220;amigos de Bill&#8221; receberam prioridade para executar doa\u00e7\u00f5es e, posteriormente, os colocava \u00e0 frente da lista de adjudica\u00e7\u00e3o de contratos para a reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As den\u00fancias contra o pessoal de Guaid\u00f3<\/p>\n<p>A primeira den\u00fancia foi feita por Orlando Avenda\u00f1o no portal da extrema direita de Miami, Panam-Post, onde ele lembrou que a oferta feita para atrair alguns membros das for\u00e7as armadas venezuelanas a abandonar o presidente constitucional Nicolas Maduro seria trat\u00e1-los como her\u00f3is, garantindo seu futuro. Os desertores militares acabaram ficando em sete hot\u00e9is em C\u00facuta. Esc\u00e2ndalos, prostitutas, \u00e1lcool e viol\u00eancia; estadia em hot\u00e9is, manuten\u00e7\u00e3o deles e de sua fam\u00edlia; medicamentos, alimentos, bebidas, hospital, prote\u00e7\u00e3o oficial colombiana: tudo o que eles precisavam.<\/p>\n<p>O Ministro venezuelano de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, Jorge Rodriguez, disse que desde 23 de mar\u00e7o vem denunciando com provas &#8220;a rede de corrup\u00e7\u00e3o e conspira\u00e7\u00e3o internacional contra o pa\u00eds a partir de C\u00facuta&#8221; pelo presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaid\u00f3, com dinheiro enviado (centenas de milhares de d\u00f3lares) para recrutar assassinos, sob a desculpa de distribuir ajuda humanit\u00e1ria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Juan Guaid\u00f3, enquanto isso, tuitou: &#8220;A delega\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia tem lidado com a situa\u00e7\u00e3o militar naquele pa\u00eds com austeridade e limita\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Em face de reclama\u00e7\u00f5es, pe\u00e7o ao Embaixador Calder\u00f3n Berti que solicite formalmente \u00e0s ag\u00eancias de intelig\u00eancia colombianas a investiga\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Transpar\u00eancia antes de tudo!&#8221;<\/p>\n<p>O Secret\u00e1rio Geral da OEA tamb\u00e9m tentou distanciar-se da corrup\u00e7\u00e3o, que todos (incluindo ele) conheciam: &#8220;Pedimos \u00e0s autoridades competentes investiga\u00e7\u00e3o esclarecedora sobre as graves acusa\u00e7\u00f5es aqui formuladas, determinando a responsabilidade e a presta\u00e7\u00e3o de contas. N\u00e3o h\u00e1 democratiza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel sob a opacidade dos atos de corrup\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A partir do fracasso da Opera\u00e7\u00e3o C\u00facuta em 23 de fevereiro, uma rede de corrup\u00e7\u00e3o foi tecida. Os ex-deputados Jos\u00e9 Manuel Olivares e Gaby Arellano conduziam a parte operativa relacionada aos esfor\u00e7os para fazer entrar ajuda humanit\u00e1ria de C\u00facuta e a eventual possibilidade de uma ruptura militar na fronteira, que levaria ao grande triunfo da campanha de ajuda humanit\u00e1ria para a Venezuela. Mas foi um fracasso.<\/p>\n<p>Em 24 de fevereiro, o dia em que alguns militares cruzaram a fronteira para a Col\u00f4mbia, Guaid\u00f3 assinou uma carta que autorizou Rossana Barrera e Kevin Rojas, ambos militantes da Vontade Popular (VP), a aten\u00e7\u00e3o de comando, log\u00edstica e seguran\u00e7a de &#8220;cidad\u00e3os venezuelanos, civis e militares que entram no territ\u00f3rio colombiano buscando ajuda e ref\u00fagio&#8221;. Barrera \u00e9 a cunhada do vice-presidente Sergio Vergara, bra\u00e7o direito de Guaid\u00f3, desde a pris\u00e3o de Roberto Marrero.<\/p>\n<p>O governo da Col\u00f4mbia estava cuidando do pagamento de hot\u00e9is de uns, e a ACNUR, a ag\u00eancia da ONU para refugiados, de outros, incluindo os hot\u00e9is Hampton Inn e Antigua Villa em Villa del Rosario. Para o pessoal de Guaid\u00f3, correspondia o pagamento dos hot\u00e9is \u00c1cora e Vasconia.<\/p>\n<p>Os alarmes se confirmaram quando Barrera e Rojas come\u00e7aram a levar uma vida de milion\u00e1rios, desenvolvendo uma rede inteira para desviar recursos relativos \u00e0 ajuda humanit\u00e1ria e ao apoio dos militares em C\u00facuta: hot\u00e9is, clubes, bebidas, refei\u00e7\u00f5es e roupas caras lojas de Bogot\u00e1 e C\u00facuta, relat\u00f3rios de loca\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e pagamentos em hot\u00e9is com sobretaxas, sem prestar contas a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Outro incidente, do qual o Governo da Col\u00f4mbia estava ciente, estava relacionado ao n\u00famero de soldados em C\u00facuta. A informa\u00e7\u00e3o oficial, fornecida por Guaid\u00f3 ao governo de Iv\u00e1n Duque, foi de mais de 1.450 funcion\u00e1rios. No entanto, uma avalia\u00e7\u00e3o paralela da intelig\u00eancia colombiana concluiu que Barrera e Rojas inflaram o n\u00famero de desertores. Realmente foi cerca de 700.<\/p>\n<p>Em 15 de maio, cerca de 60 desertores das for\u00e7as armadas da Venezuela e suas fam\u00edlias foram despejados do hotel onde estavam abrigados na Col\u00f4mbia devido a d\u00edvidas com o alojamento. Em meados de maio, os respons\u00e1veis pela opera\u00e7\u00e3o em C\u00facuta propuseram organizar um jantar de caridade no luxuoso restaurante Pajares Salina Bogot\u00e1, a fim de levantar fundos para manter os soldados e suas fam\u00edlias, contra o que se op\u00f4s o &#8220;embaixador&#8221; de Guaid\u00f3, Calder\u00f3n Berti. O jantar foi finalmente cancelado.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os de intelig\u00eancia colombianos alertaram Caracas: &#8220;Leopoldo Lopez e Juan Guaid\u00f3 se inteiraram de tudo que faziam Rossana Barrera e Kevin Rojas&#8221;, que foram separados, apesar da forte defesa da turma de Guaid\u00f3, tentando desviar a aten\u00e7\u00e3o contra Calder\u00f3n Berti. Em uma auditoria realizada em Bogot\u00e1, Barrera reconheceu apenas ter praticado cem mil d\u00f3lares de despesas durante sua estada em C\u00facuta.<\/p>\n<p>O roubo dos fundos da Citgo<\/p>\n<p>Calcula-se em 800 milh\u00f5es de d\u00f3lares o roubo dos fundos pertencentes \u00e0 Citgo estatal, uma subsidi\u00e1ria da Petr\u00f3leos da Venezuela (PDVSA), planejado e executado por membros da Vontade do Povo e pela rede de corrup\u00e7\u00e3o criada por Guid\u00f3, seu mais vis\u00edvel dirigente, logo ap\u00f3s sua autoproclama\u00e7\u00e3o em 23 de janeiro.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os delitos cometidos pelos l\u00edderes do VP, empenhados em receber e apropriando-se de grandes somas de dinheiro que foram originalmente destinadas a facilitar, em fevereiro passado, uma interven\u00e7\u00e3o militar a partir de C\u00facuta, Col\u00f4mbia, com a desculpa para fazer entrar suposta &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221; na Venezuela.<\/p>\n<p>O modus operandi de Guaid\u00f3 \u00e9 roubar os recursos de qualquer empresa venezuelana no exterior, em cumplicidade com os governos da Col\u00f4mbia, Estados Unidos e Argentina. Depois de obter os recursos, Guaid\u00f3 e seus colaboradores mais pr\u00f3ximos, todos pertencentes ao Partido da Vontade Popular, criam ONGs fict\u00edcias para receber o dinheiro e depois transferir para contas pessoais.<\/p>\n<p>Citgo, subsidi\u00e1ria da PDVSA, foi ilegalmente apropriada por autoridades estadunidenses em conluio com dirigentes da oposi\u00e7\u00e3o fugitivos da justi\u00e7a como Carlos Vecchio, nomeado ilegalmente membro do sua junta diretiva e &#8220;embaixador&#8221; da Venezuela em Washington, como uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para a apropria\u00e7\u00e3o e desvio de fundos estatais venezuelanos. A rede de corrup\u00e7\u00e3o criada por Juan Guaid\u00f3 e l\u00edderes de seu partido \u00e9 uma das principais raz\u00f5es para a aparente fratura da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Toledo e a &#8220;Casa da Liberdade&#8221;<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo produzido em raz\u00e3o do roubo de recursos e dinheiro destinados a &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221; em C\u00facuta, Col\u00f4mbia, pela lideran\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o, o editor da PanAm Post, Orlando Avenda\u00f1o, entrevistou Lester Toledo, pol\u00edtico fugitivo da justi\u00e7a venezuelana e membro da turba liderada por Juan Guaid\u00f3 e o fugitivo Leopoldo L\u00f3pez.<\/p>\n<p>A Freedom House, institui\u00e7\u00e3o ligada ao Departamento de Estado, ajudou a preparar politica e financeiramente a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana e paga o escrit\u00f3rio de advocacia Foro Penal, defendendo atores violentos que participaram em sucessivas opera\u00e7\u00f5es perturbadoras e desestabilizadoras (entre 2014 e 2017). Al\u00e9m de financiar Toledo, fornece treinamento t\u00e9cnico a ONGs e funda\u00e7\u00f5es relacionadas ao antichavismo.<\/p>\n<p>A Rede Atlas (Atlas Economic Research Foundation), internacional do capitalismo ultramontante que funciona atrav\u00e9s de um vasto conglomerado de funda\u00e7\u00f5es, institutos, ONGs, grupos de reflex\u00e3o e empresas ligadas entre si por pequenos fios detect\u00e1veis, que ajudou a alterar o poder pol\u00edtico em diferentes pa\u00edses, \u00e9 uma extens\u00e3o t\u00e1cita da pol\u00edtica externa dos EUA. Os associados a Atlas s\u00e3o financiados pelo Departamento de Estado e a Funda\u00e7\u00e3o Nacional para a Democracia (National Endowment for Democracy, NED), bra\u00e7o crucial do soft power estadunidense, patrocinado, entre outros, pelos irm\u00e3os Koch, poderosos bilion\u00e1rios ultraconservadores e v\u00e1rias transnacionais.<\/p>\n<p>A NED e o Departamento de Estado, cujas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas funcionam como centros de opera\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o de linhas e fundos como a Funda\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Desenvolvimento (FUPAD), a Freedom House e a Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), s\u00e3o os principais atores que distribuem diretrizes e recursos, em troca de resultados concretos na guerra assim\u00e9trica de que participam.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m disso, Toledo afirma que \u00e9 &#8220;muito bom organizar&#8221; campanhas eleitorais. Na entrevista assinala que aconselhou a campanha presidencial de Guillermo Lasso no Equador, ligado ao lobby pol\u00edtico dos espanh\u00f3is Mario Vargas Llosa e Felipe Gonzalez, que tamb\u00e9m nutrem simpatia pelo governo fict\u00edcio. Ele fez o mesmo com a campanha de Jos\u00e9 Antonio Meade no M\u00e9xico, muito pr\u00f3xima do establishment norte-americano.<\/p>\n<p>Como membro da VP, a coordena\u00e7\u00e3o com v\u00e1rios l\u00edderes pol\u00edticos o ajuda a ampliar o raio de influ\u00eancia da agenda golpista contra a Venezuela na regi\u00e3o, sobretudo na Am\u00e9rica Central, e o acesso a fundos que muitas vezes s\u00e3o recursos reservados \u00e0s presid\u00eancias de pa\u00edses aliados-c\u00famplices dos EUA.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o recebe, desde os EUA, fundos para os planos golpistas, atrav\u00e9s de ONGs, funda\u00e7\u00f5es, contatos com jogadores milion\u00e1rios de beisebol (Jos\u00e9 Altuve) e empres\u00e1rios venezuelanos (Lorenzo Mendoza, Grupo Polar). Ao ser perguntado sobre como a embaixada virtual de Carlos Vecchio \u00e9 mantida em Washington, ele refletiu sobre os migrantes da Venezuela e o tipo de trabalho que devem ocupar, sempre segundo sua classe ( &#8220;somos uma classe de elite&#8221;, disse ele).<br \/>\nToledo considerou normal que todos os membros do seu partido obtiveram um trabalho &#8220;de que eles gostam&#8221;, e \u00e9 uma coincid\u00eancia que todos se encontrem em posi\u00e7\u00f5es-chave relacionadas aos promotores dos mecanismos golpistas na Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA) e na embaixada virtual nos Estados Unidos. &#8220;Alguns j\u00e1 tinham dinheiro e teriam como ficar muito tempo sem trabalho. Outros, eu n\u00e3o sei&#8221;, ele lavou as m\u00e3os. &#8220;Eu fui para o ex\u00edlio sem nada, eu tinha no m\u00e1ximo 200 d\u00f3lares, e a Freedom House me ofereceu esse apoio enquanto eu vendia minhas coisas. Montei um pequeno fundo e comecei a ver como eu continuava at\u00e9 conseguir um emprego.<\/p>\n<p>Na entrevista, Avenda\u00f1o ressalta que os empres\u00e1rios de C\u00facuta informaram que doaram muito dinheiro para ONGs venezuelanas e n\u00e3o sabem onde est\u00e1 esse dinheiro. Toledo, coordenador internacional da Coaliz\u00e3o Ajuda e Liberdade, n\u00e3o respondeu a este ponto, mas admitiu que, em janeiro, Caroline Kennedy, filha do presidente Kennedy, viajou para C\u00facuta e deu uma grande doa\u00e7\u00e3o (100.000 d\u00f3lares) a uma ONG. &#8220;Eu acho que aos venezuelanos em C\u00facuta, dirigido por Eduardo Espinel &#8220;, um homem pr\u00f3ximo a Iv\u00e1n Duque.<\/p>\n<p>O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, em meio a esse esc\u00e2ndalo, lan\u00e7ou um tweet dizendo que seu pa\u00eds havia doado 213 milh\u00f5es de d\u00f3lares para ajuda humanit\u00e1ria \u00e0 Venezuela. &#8220;Todas essas doa\u00e7\u00f5es foram feitas com os recursos que eles deram. Mas n\u00e3o \u00e9 que eles nos d\u00e3o o dinheiro, eles t\u00eam seus controles internos com suas ONGs&#8221;, disse Toledo. Acrescentou que, no dia 14 de fevereiro, na OEA, sob os ausp\u00edcios de Almagro, foi montado um superevento, com mais de 60 declara\u00e7\u00f5es de &#8220;personalidades&#8221;. &#8220;Ent\u00e3o os pa\u00edses, em uma esp\u00e9cie de leil\u00e3o, come\u00e7aram a doar. Eu coloquei vinte mil, coloquei 20 milh\u00f5es&#8221;. &#8220;E, irm\u00e3o, a certa altura havia mais de cem milh\u00f5es de d\u00f3lares&#8221;, acrescentou ele.<\/p>\n<p>Toledo narra que quando terminou o evento, foi decidido com Almagro que, como o &#8220;governo interino&#8221; sequer tinha uma conta, que seria criado um fundo humanit\u00e1rio e esse n\u00famero de conta seria divulgado em todos os pa\u00edses para arrecadar doa\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o Canad\u00e1 havia contribu\u00eddo com 40 milh\u00f5es de d\u00f3lares para a mobiliza\u00e7\u00e3o na fronteira do Brasil. &#8220;Naquela conta do fundo da OEA havia, at\u00e9 hoje, zero. Portanto, eu ratifico: nem o que os pa\u00edses doaram nem os fundos do concerto foram usados para a ajuda humanit\u00e1ria&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>O Governo da Col\u00f4mbia n\u00e3o apenas se irritou e se sente tra\u00eddo em sua condi\u00e7\u00e3o de &#8220;aliado&#8221; da oposi\u00e7\u00e3o venezuelana, por causa das transa\u00e7\u00f5es fraudulentas feitas pelo pessoal de Guaid\u00f3, mas tamb\u00e9m porque este nunca informou sobre as negocia\u00e7\u00f5es que tiveram lugar em Oslo com os representantes do governo. H\u00e1 um m\u00eas, Guaid\u00f3 e L\u00f3pez tomaram conhecimento das a\u00e7\u00f5es corruptas de seus emiss\u00e1rios em C\u00facuta, mas at\u00e9 agora n\u00e3o se disseram inteirados do assunto.<\/p>\n<p>Barrera e Rojas foram tamb\u00e9m correspons\u00e1veis pela gest\u00e3o das toneladas de ajuda humanit\u00e1ria estacionadas em C\u00facuta e doadas por v\u00e1rios pa\u00edses, juntamente com Miguel Sabal, designado por Guaid\u00f3 para lidar com tudo relacionado \u00e0 USAID: 60% de todos os alimentos doados por v\u00e1rios governos, como o chileno, foram perdidos, apodreceram nos galp\u00f5es. A ajuda n\u00e3o s\u00f3 nunca chegou ao povo venezuelano, tampouco a algum venezuelano na Col\u00f4mbia, desertor, traidor ou migrante.<\/p>\n<p>Estas comprovadas den\u00fancias despertaram alarmes e investiga\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios governos sul-americanos, que tamb\u00e9m enviaram a sua &#8220;ajuda&#8221; \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o venezuelana, ao mesmo tempo em que financiavam os &#8220;embaixadores&#8221; e &#8220;enviados especiais&#8221; daquele que agora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais apresentado como &#8220;presidente interino&#8221;, mas apenas como &#8220;Presidente da Assembleia Geral&#8221;.<\/p>\n<p>O website de extrema direita PanAm Post e, em seguida, o pr\u00f3prio secret\u00e1rio da OEA Luis Almagro se encarregaram de desvendar a corrup\u00e7\u00e3o massiva em C\u00facuta, por ocasi\u00e3o da divulga\u00e7\u00e3o do fracassado concerto Venezuela Live Aid. Chama a aten\u00e7\u00e3o que Almagro agora fala da corrup\u00e7\u00e3o na comitiva de Guaid\u00f3, praticamdnte seu afilhado pol\u00edtico, ao passo que ele desviou o olhar para casos como os de Pe\u00f1a Nieto, Michel Temer, Juan Manuel Santos, v\u00e1rios l\u00edderes da Am\u00e9rica Central (obviamente \u00e0 direita) e os \u00faltimos cinco presidentes peruanos.<\/p>\n<p>Jets privados, Richard Branson (multimilion\u00e1rio empres\u00e1rio ingl\u00eas, propriet\u00e1rio do Grupo Virgin), os artistas med\u00edocres do miameiro Emilio Estefan, presidentes, pol\u00edticos pilantras, Almagro, voos charter de Caracas cheios de burgueses ricos mas em &#8220;crise humanit\u00e1ria&#8221;, deputados antichavistas, o uribismo, militares estadunudenes e da CIA, paramilitares, traficantes de drogas, cana, rum e u\u00edsque, coca\u00edna colombiana, prostitutas, e um megaconcerto com escasso p\u00fablico. Foi nesse mesmo dia em fevereiro, quando o deputado Freddy Superlano e seu primo, com duas prostitutas, foram drogados e roubados em um hotel, enquanto outro deputado da oposi\u00e7\u00e3o, Lorent Saleh, foi preso com um amigo, denunciados por abuso sexual.<\/p>\n<p>A farsa<br \/>\nEnquanto isso, Guaid\u00f3, Duke, Pi\u00f1era e Almagro sacavam o saldo de um concerto que n\u00e3o arrecadou quase nada (era uma fraude sob todos os pontos de vista) e se prepararam para a farsa da entrada de &#8220;ajuda humanit\u00e1ria&#8221; na Venezuela no dia seguinte. Vilca Fern\u00e1ndez, Jos\u00e9 Manuel Olivares e Gaby Arellano prepararam seus grupos de choque. O espet\u00e1culo mudou de um dia para outro: da festa, das selfies na folia e da euforia se passou para as tropas de choque, os coquet\u00e9is molotov, a viol\u00eancia, a farsa.<\/p>\n<p>Nunca houve qualquer inten\u00e7\u00e3o de ajudar algu\u00e9m: a centr\u00edfuga de recursos acabou na corrup\u00e7\u00e3o binacional desenvolvida sob o disfarce do presidente autoproclamado, apoiado pela Secretaria-Geral da OEA e por v\u00e1rios presidentes latino-americanos e europeus.<\/p>\n<p>Que tipo de sentido tem a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana e os Estados Unidos pretenderem levar ajuda ao povo venezuelano se eles pr\u00f3prios foram arquitetos, planejadores e implementadores de um bloqueio econ\u00f4mico que est\u00e1 gerando s\u00e9rios preju\u00edzos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o?, se perguntam os analistas da Opera\u00e7\u00e3o Verdade.<\/p>\n<p>O roubo de milh\u00f5es e milh\u00f5es de d\u00f3lares supostamente para fins humanit\u00e1rios fez parte do plano de criminosos usando m\u00e1scaras de pol\u00edticos, que veem a situa\u00e7\u00e3o atual como uma carreira pol\u00edtica a m\u00e9dio e longo prazo e de um bem-estar econ\u00f4mico para toda a vida. Os Clintons e as ONGs americanas e europeias j\u00e1 sabiam: a ajuda humanit\u00e1ria pode ser um grande neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>E como corol\u00e1rio, uma d\u00favida permanece: as autoridades da Rep\u00fablica Dominicana prenderam seis venezuelanos ligados ao caso da apreens\u00e3o de mais de 1,3 milh\u00f5es de d\u00f3lares que foram sacados fora do pa\u00eds em um avi\u00e3o atrav\u00e9s do Aeroporto Internacional de La Romana (leste). As autoridades explicaram que as investiga\u00e7\u00f5es continuam a estabelecer se \u00e9 uma rede de crime organizado dedicada ao tr\u00e1fico de drogas e \u00e0 lavagem de ativos resultantes dessa atividade criminosa a quem ela beneficiava.<\/p>\n<p>Talvez seja um caso policial. Ou talvez pol\u00edtico-criminoso. A oposi\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das redes sociais, quis envolver (por similaridade de sobrenomes dos presos) as autoridades do governo, mas cresce a possibilidade de que sejam atividades criminosas usadas para financiar a oposi\u00e7\u00e3o radical. Se n\u00e3o, por que aqueles 1,3 milh\u00f5es de d\u00f3lares em ingressos foram para Caracas?<\/p>\n<p>*Soci\u00f3logo venezuelano, codiretor do Observat\u00f3rio em Comunica\u00e7\u00e3o e Democracia e do Centro Latinoamericano de An\u00e1lise Estrat\u00e9gica (CLAE)<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"W2dogUm0Kp\"><p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/07\/03\/venezuela-la-ayuda-humanitaria-como-negocio-y-estafa-impune\/\">Venezuela. La ayuda humanitaria como negocio y estafa impune<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#171;Venezuela. La ayuda humanitaria como negocio y estafa impune&#187; &#8212; Resumen Latinoamericano\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/07\/03\/venezuela-la-ayuda-humanitaria-como-negocio-y-estafa-impune\/embed\/#?secret=W2dogUm0Kp\" data-secret=\"W2dogUm0Kp\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23525\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[227],"class_list":["post-23525","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-67r","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23525"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23525\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}