{"id":2353,"date":"2012-02-02T00:55:03","date_gmt":"2012-02-02T00:55:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2353"},"modified":"2012-02-02T00:55:03","modified_gmt":"2012-02-02T00:55:03","slug":"a-semana-no-olhar-comunista-0027","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2353","title":{"rendered":"A Semana no Olhar Comunista &#8211; 0027"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>O desabamento de tr\u00eas pr\u00e9dios no centro do Rio de Janeiro deveu-se, muito provavelmente, de acordo com as informa\u00e7\u00f5es que vem sendo divulgadas, \u00e0 irresponsabilidade da empresa contratada para uma obra, que n\u00e3o a registrou e, sem o adequado apoio t\u00e9cnico, desrespeitou princ\u00edpios elementares da engenharia civil. No entanto, o ocorrido trouxe \u00e0 tona problemas de fundo como a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o \u2013 as prefeituras, em geral, disp\u00f5em de poucos fiscais e quadros t\u00e9cnicos para isto \u2013, da falta de registros das plantas e projetos e da obrigatoriedade de haver fiscaliza\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica nas edifica\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da precariedade e lentid\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de \u201cgabinetes de crise\u201d capazes de gerir cat\u00e1strofes com agilidade. Se esta trag\u00e9dia ganhou manchetes de jornais e exposi\u00e7\u00e3o na TV, muitas outras acontecem quase diariamente, nas regi\u00f5es de moradia de trabalhadores de baixa renda, pela inexist\u00eancia de apoio t\u00e9cnico gratuito para a constru\u00e7\u00e3o, reforma e amplia\u00e7\u00e3o (os \u201cpuxadinhos\u201d) das habita\u00e7\u00f5es, que deve ser um direito de todos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Ind\u00fastria brasileira atinge \u00e1pice da desigualdade<\/strong><\/p>\n<p>A ind\u00fastria brasileira vem crescendo menos que o conjunto da economia e, nos \u00faltimos anos, vem ocorrendo uma forte retra\u00e7\u00e3o de alguns de seus setores enquanto outros se expandem rapidamente. Entre os principais que \u201cencolheram\u201d est\u00e3o os de equipamentos de comunica\u00e7\u00f5es e material eletr\u00f4nico \u2013 menos 36% em 38 meses \u2013, t\u00eaxtil, cal\u00e7ados e artigos de couro, e m\u00e1quinas, equipamentos e material el\u00e9trico, que declinaram cerca de 20%. Entre os que mais cresceram, est\u00e3o os de bebidas (21,50%), equipamentos m\u00e9dico-hospitalares (11,72%) e perfumaria, higiene e limpeza (10,56%), conforme dados do IBGE.<\/p>\n<p>O crescimento do consumo interno de bens n\u00e3o dur\u00e1veis e com dificuldades de importa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as principais explica\u00e7\u00f5es para a expans\u00e3o dos setores mencionados, ao passo que a desprote\u00e7\u00e3o \u00e0s importa\u00e7\u00f5es \u00e9 uma das causas mais importantes das quedas observadas. Como pano de fundo, a sobreposi\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia geral do capitalismo de desenvolver-se caoticamente, e sob a pol\u00edtica econ\u00f4mica neoliberal que n\u00e3o baliza ou ordena o desenvolvimento e exp\u00f5e a economia brasileira ao mercado mundial, fazendo o jogo das grandes empresas internacionais, que realocam a produ\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses que mais lhes conv\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>A terra \u00e9 dos paraguaios<\/strong><\/p>\n<p>O conflito entre sem-terra paraguaios (\u201ccarperos\u201d) e o Agrobusiness verde-amarelo ganha contornos cada vez mais tensos no Paraguai. Em conflitos recentes, os \u201ccarperos\u201d vem alegando que as terras s\u00e3o do estado paraguaio, terras p\u00fablicas, e que foram ocupadas ilegalmente pelos \u201cbrasiguaios\u201d, os fazendeiros brasileiros. O presidente Lugo, em sua campanha, prometeu uma reforma agr\u00e1ria mas n\u00e3o peitou o Congresso para concretiz\u00e1-la. As ocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma das formas de luta utilizados pelo movimento, que j\u00e1 entrou, in\u00fameras vezes, com processos na justi\u00e7a.<\/p>\n<p>O conflito ganhou dimens\u00f5es de crise diplom\u00e1tica entre Brasil e Paraguai. \u00c9 hora de apoiar os trabalhadores paraguaios, \u00e9 hora de o governo brasileiro pagar parte da d\u00edvida hist\u00f3rica que o Estado brasileiro tem com o povo paraguaio e reconhecer a justeza e a legalidade do pleito dos sem terra daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Bye bye, verdinhas<\/strong><\/p>\n<p>Em 2011, a remessa de lucros das transnacionais instaladas no Brasil para o exterior bateu todos os recordes e foi a maior em 64 anos: foram US$ 38,1 bilh\u00f5es enviados para as matrizes, 25% a mais que em 2010. E o &#8220;mercado&#8221; tem a expectativa de que essas remessas cres\u00e7am ainda mais neste ano, ao lado da redu\u00e7\u00e3o do investimento estrangeiro.<\/p>\n<p>A soma enviada como remessa estourou as contas do balan\u00e7o brasileiro e serviu para que o consumidor brasileiro socorresse, em larga medida, as companhias europ\u00e9ias. Em not\u00edcia divulgada pela <strong><em>Folha de S. Paulo<\/em><\/strong>, ficamos sabendo que os n\u00fameros n\u00e3o foram ainda maiores porque &#8220;as empresas resolveram segurar mais os recursos no Brasil &#8211; campe\u00e3o mundial de juros &#8211; para melhorar seus rendimentos e, consequentemente, o balan\u00e7o&#8221;. Enquanto isso, o n\u00edvel de desemprego bate recorde atr\u00e1s de recorde na Zona do Euro&#8230;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Outro recorde: juros consomem R$ 236,673 bilh\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A taxa Selic mais alta, n\u00e3o podia dar em outra, elevou as despesas com o pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica em 2011: segundo o Banco Central (BC), com o aumento de R$ 41,304 bilh\u00f5es no ano passado, foram recorde os R$ 236,673 bilh\u00f5es (5,72% do PIB) enviados diretamente aos banqueiros e financistas. Em 2010, os gastos com juros foram &#8220;menores&#8221;, de &#8220;apenas&#8221; 5,18% do PIB.<\/p>\n<p>Isso significa que estamos a caminho da liberta\u00e7\u00e3o? N\u00e3o se anime: o d\u00e9ficit nominal de 2011 soma R$ 107,963 bilh\u00f5es (2,61% do PIB), acima dos R$ 93,673 bilh\u00f5es (2,48% do PIB) de 2010.<\/p>\n<p>Ou o Brasil acaba com a sa\u00fava, ou a sa\u00fava&#8230;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Brasil tem 2,318 milh\u00f5es de desempregados<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa de Emprego e Desemprego feita pelo Dieese em conjunto com o Seade n\u00e3o deixa d\u00favidas: o total de desempregados no Brasil em 2011 era de 2,318 milh\u00f5es de pessoas. A taxa de desemprego soma 9,1% na metodologia da pesquisa, calculada sobre a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa (PEA) e n\u00e3o a total, e desnuda o discurso oficial de que o pa\u00eds caminha para o pleno emprego &#8211; mesmo que seja &#8220;sub&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>&#8220;Perdeu, playboy!&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>O diretor do banco brit\u00e2nico Royal Bank of Scotland (RBS), Stephen Hester, foi obrigado a abrir m\u00e3o de um &#8220;b\u00f4nus&#8221; de R$ 2,7 milh\u00f5es ap\u00f3s press\u00f5es pol\u00edticas no parlamento brit\u00e2nico que chegaram a atingir o primeiro-ministro David Cameron.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da crise, em 2008, o RBS foi um dos bancos brit\u00e2nicos que mais precisaram de ajuda do governo para n\u00e3o quebrar. Na ocasi\u00e3o, o governo assumiu 82% de seu controle. Por isso, o an\u00fancio de que Hester receberia este &#8220;b\u00f4nus&#8221; provocou forte indigna\u00e7\u00e3o entre os brit\u00e2nicos, que come\u00e7am a viver sob uma economia no vermelho &#8211; e grandes cortes no gasto p\u00fablico, com congelamento dos sal\u00e1rios de policiais e enfermeiras.<\/p>\n<p>Haja \u00f3leo de peroba.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Montadoras, as eternas &#8220;queridinhas&#8221;, ficam livres do aumento no IPI<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o: o governo liberou uma lista de montadoras do aumento de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) at\u00e9 o final do ano. As eternas queridinhas do Planalto, respons\u00e1veis pelo alienante sonho de consumo do autom\u00f3vel zero &#8211; e que tornam o ir e vir nas cidades brasileiras uma tarefa cada vez mais estressante para a maioria absoluta da popula\u00e7\u00e3o &#8211; poder\u00e3o assim elevar suas taxas de lucro. Confira quem ganhou o &#8220;presentinho&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; Agrale<\/p>\n<p>&#8211; Hyundai<\/p>\n<p>&#8211; Fiat<\/p>\n<p>&#8211; Ford<\/p>\n<p>&#8211; GM<\/p>\n<p>&#8211; Honda<\/p>\n<p>&#8211; Iveco<\/p>\n<p>&#8211; MAN<\/p>\n<p>&#8211; Mitsubishi<\/p>\n<p>&#8211; Mercedes-Benz<\/p>\n<p>&#8211; Nissan<\/p>\n<p>&#8211; Peugeot Citro\u00ebn<\/p>\n<p>&#8211; Renault<\/p>\n<p>&#8211; Scania<\/p>\n<p>&#8211; Toyota<\/p>\n<p>&#8211; Volkswagen<\/p>\n<p>&#8211; Volvo<\/p>\n<p>&#8211; International Ind\u00fastria Automotiva da Am\u00e9rica do Sul<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO desabamento de tr\u00eas edif\u00edcios no centro do Rio de Janeiro deixa claro: falta fiscaliza\u00e7\u00e3o e sobra lentid\u00e3o na solu\u00e7\u00e3o de desastres. \u00c9 o que destacamos nessa edi\u00e7\u00e3o do Olhar Comunista\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2353\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[100],"tags":[],"class_list":["post-2353","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c113-a-semana-no-olhar-comunista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-BX","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2353"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2353\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}