{"id":23536,"date":"2019-07-09T06:15:10","date_gmt":"2019-07-09T09:15:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23536"},"modified":"2019-07-17T04:16:50","modified_gmt":"2019-07-17T07:16:50","slug":"a-exploracao-das-mulheres-possibilita-os-baixos-salarios-de-toda-a-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23536","title":{"rendered":"A explora\u00e7\u00e3o das mulheres possibilita os baixos sal\u00e1rios de toda a classe trabalhadora"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.convergenciamedios.cl\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/236.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Feminismo classista: entrevista com a economista comunista Marina Machado<br \/>\nNoelia Cuenca**, Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Seu olhar \u00e9 contundente e seu sorriso \u00e9 como o mundo. Marina Machado Gouvea tem a qualidade de simplificar o complexo, de captar o sentido concreto do abstrato, a praticidade de ideias, e tem a not\u00e1vel capacidade de transmiti-las para entender a nossa realidade e, acima de tudo, para a transformar, como bem apontou Marx com sua filosofia da pr\u00e1xis. Marina \u00e9 economista, Doutora em Economia Internacional, pesquisadora e professora universit\u00e1ria. Ela tem 35 anos, nasceu no Brasil, \u00e9 uma militante latino-americana e comunista. Compartilhamos a entrevista que ela concedeu ao jornal Adelante! sobre como a explora\u00e7\u00e3o das mulheres possibilita os sal\u00e1rios de fome de toda a classe trabalhadora, e ainda mais, a sua an\u00e1lise incentiva uma compreens\u00e3o profunda das principais contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista e esbo\u00e7a um elemento fundamental para que tracemos entre todos e todas uma sociedade sem opressores ou oprimidos. O encontro teve lugar durante a sua visita ao Paraguai, no contexto dos cursos de forma\u00e7\u00e3o para os membros do PCP de que ela est\u00e1 dando, organizado pelo Comit\u00ea de Mulheres &#8220;Juana Peralta&#8221;.<\/p>\n<p>O trabalho de cuidado: muito mais por muito menos<\/p>\n<p>As mulheres s\u00e3o historicamente associadas a empregos que t\u00eam a ver com o cuidado dos outros. Somos respons\u00e1veis em nossa sociedade &#8211; remunerados ou n\u00e3o &#8211; pela educa\u00e7\u00e3o dos filhos, pelo cuidado dos idosos, dos doentes, da limpeza, da cozinha, etc. Com esta condi\u00e7\u00e3o imposta por tanto tempo, somos incapazes de desenvolver outros m\u00faltiplos aspectos que comp\u00f5em nossa humanidade. Como isso contribui para a explora\u00e7\u00e3o de toda a classe trabalhadora?<\/p>\n<p>A capacidade de gerar vida, isto \u00e9, de engravidar, paradoxalmente, nos torna as primeiras a ser demitidas ou dificulta a obten\u00e7\u00e3o de um emprego formal. H\u00e1 muito mais informalidade no trabalho feminino. Uma parte consider\u00e1vel das mulheres trabalhadoras dom\u00e9sticas s\u00e3o contratadas apenas por palavra, com maior risco de serem demitidas e com sal\u00e1rios mais baixos. Porque somos mulheres, continuamos a receber menos do que os homens pelo mesmo trabalho. E o outro elemento desta divis\u00e3o sexual do trabalho, que \u00e9 o que d\u00e1 a base do mencionado acima, tem a ver com o papel atribu\u00eddo por excel\u00eancia \u00e0s mulheres por serem respons\u00e1veis pela reprodu\u00e7\u00e3o da vida de todas as pessoas. \u00c9 algo que o sistema precisa para nos manter vivos e renovados, a fim de voltar a vender a nossa for\u00e7a de trabalho no mercado, para continuar a nos explorar: o trabalho de cuidar.<\/p>\n<p>O sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 baseado no custo do conjunto de bens necess\u00e1rios para reproduzir a capacidade de um trabalhador de vender sua for\u00e7a de trabalho, que \u00e9 conhecida como a cesta b\u00e1sica da fam\u00edlia. Em outras palavras, o c\u00e1lculo do sal\u00e1rio \u00e9 feito com base no que \u00e9 necess\u00e1rio para o trabalhador comprar para viver, isto \u00e9, em uma base comercial. Mas o que as pessoas podem comprar com o sal\u00e1rio atual n\u00e3o \u00e9 suficiente para reproduzir a vida. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio um trabalho adicional que \u00e9 o trabalho de cuidado, comumente chamado de trabalho dom\u00e9stico. Quando um trabalhador recebe um sal\u00e1rio e compra comida no mercado, antes de ser consumido, \u00e9 necess\u00e1rio cozinh\u00e1-lo. O mesmo vale para a limpeza da casa, cria\u00e7\u00e3o dos filhos, lavagem das roupas, planejamento dessas tarefas. Estas s\u00e3o tarefas geralmente realizadas por mulheres e esta realidade foi socialmente constru\u00edda como um valor \u00e9tico que garante ser o nosso dever, o nosso papel. N\u00f3s mulheres trabalhamos por muito menos remunera\u00e7\u00e3o, mas por muitas mais horas. Precisamos trabalhar em casa depois do dia normal, adicionando assim muito mais horas do que o trabalho m\u00e9dio de qualquer homem.<\/p>\n<p>Se essas tarefas de cuidado e reprodu\u00e7\u00e3o fossem mercantilizadas, isto \u00e9, calculadas como parte do que \u00e9 necess\u00e1rio para viver, os sal\u00e1rios de toda a classe trabalhadora deveriam ser muito maiores. A explora\u00e7\u00e3o das mulheres possibilita os baixos sal\u00e1rios de toda a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o da vida, ou seja, o trabalho de cuidado, dentro da l\u00f3gica do sistema capitalista, \u00e9 referido como &#8220;improdutivo&#8221;, porque, mantendo a ordem social das classes, n\u00e3o gera riquezas diretamente ao capital.<\/p>\n<p>Um exemplo claro para ilustrar como o trabalho de cuidado \u00e9 invis\u00edvel, \u00e9 o debate sobre a remunera\u00e7\u00e3o das trabalhadoras dom\u00e9sticas assalariadas: h\u00e1 uma dificuldade de toda a sociedade em assumir os direitos que lhes correspondem como trabalhadoras, inclusive o mais elementar, o sal\u00e1rio m\u00ednimo. E as mulheres mais exploradas s\u00e3o aquelas que mais sofreram com a coloniza\u00e7\u00e3o, as negras e as ind\u00edgenas. Elas recebem os sal\u00e1rios mais baixos e t\u00eam jornadas duplas e triplas.<\/p>\n<p>Existe uma estrutura social que permite que isso ocorra. \u00c9 essa estrutura que precisa ser transformada.<\/p>\n<p>Maiores lucros para a classe exploradora<\/p>\n<p>O impacto com o qual este sistema atinge as mulheres \u00e9 m\u00faltiplo. Mas essa opress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma para todas as mulheres. O papel desempenhado pelas classes sociais na reprodu\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial e transversal. No Brasil, n\u00e3o \u00e9 igual a situa\u00e7\u00e3o das mulheres negras n\u00e3o propriet\u00e1rias; no Paraguai a condi\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas &#8211; e no mundo como um todo &#8211; n\u00e3o \u00e9 a mesma que a das mulheres n\u00e3o brancas.<\/p>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es de ra\u00e7a e g\u00eanero s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es concretas de um sistema social que universalizou a explora\u00e7\u00e3o baseada na propriedade privada e a objetifica\u00e7\u00e3o de seres humanos, ou seja, a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o das mulheres nessa sociedade \u00e9 parte de um sistema social que baseia a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias no lucro, no ac\u00famulo de lucro. N\u00e3o haver\u00e1 possibilidade de liberta\u00e7\u00e3o das mulheres ou do fim da subjuga\u00e7\u00e3o racial nesta sociedade, porque precisamente essas divis\u00f5es produzem maior ganho para a classe exploradora.<\/p>\n<p>Se o trabalho dom\u00e9stico fosse levado em conta, os sal\u00e1rios aumentariam, e o lucro capitalista diminuiria.<\/p>\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o cultural da explora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u00c9 importante entender que essas condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o reproduzidas culturalmente. A sociedade capitalista est\u00e1 baseada em uma s\u00e9rie de valores instalados pelas revolu\u00e7\u00f5es burguesas que constru\u00edram a ideia de sociedade como uma soma de indiv\u00edduos iguais e que corresponde \u00e0 ideia de que &#8220;indiv\u00edduo&#8221; \u00e9 o propriet\u00e1rio homem branco. O homem branco personifica a ideia universal de cidad\u00e3o. Isto \u00e9 muito profundo e se reflete em pr\u00e1ticas muito recorrentes, como ao se interromperem as mulheres quando falamos ou ao se pedir para explicar algo que acabamos de dizer como se n\u00e3o soubemos explicar bem, assim como termos de escutar com mais aten\u00e7\u00e3o quando os homens falam, al\u00e9m de mentir-nos muito. Tudo isso tem a ver com a valoriza\u00e7\u00e3o das mulheres abaixo do que \u00e9 valorizado pelo homem e est\u00e1 dialeticamente relacionado ao valor de nossa for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando na pr\u00e1tica cultural, cotidiana, uma mulher \u00e9 valorizada &#8211; consciente ou inconscientemente &#8211; abaixo do que se valorizaria um homem, estamos reproduzindo a divis\u00e3o sexual do trabalho e, com ela, as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo a constru\u00e7\u00e3o da ideia de amor nesta sociedade nos coloca em uma situa\u00e7\u00e3o em que devemos aceitar a explora\u00e7\u00e3o como parte do que nos toca fazer &#8220;por amor&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 indiscut\u00edvel que a sociedade precisa de cuidados, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 que as mulheres tenhamos que parar de cuidar, mas que os homens tamb\u00e9m assumam os trabalhos de cuidado. A reprodu\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que nos reduz \u00e9 a que nos faz acreditar que o fato de os homens serem abusivos \u00e9 normal, &#8220;\u00e9 a sua natureza&#8221;, e com isso justificar uma s\u00e9rie de injusti\u00e7as e maus tratos.<\/p>\n<p>Construir novas rela\u00e7\u00f5es \u00e9 revolucion\u00e1rio<\/p>\n<p>A sociedade \u00e9 uma totalidade constitu\u00edda pelas rela\u00e7\u00f5es entre suas partes. N\u00e3o vamos destravar uma parte sem o todo. Lutar pelo novo \u00e9 tamb\u00e9m construir o novo. Temos que redobrar nossos esfor\u00e7os para combater as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o que reproduzimos em nossa pr\u00e1tica di\u00e1ria.<\/p>\n<p>O ser humano \u00e9 uma esp\u00e9cie que tem alguma liberdade porque pode imaginar e planejar o novo. Quanto mais reconhecemos as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade em que vivemos, maior \u00e9 nossa capacidade de super\u00e1-las, decidir o que fazer. Mas se fingirmos que elas n\u00e3o existem, n\u00e3o temos liberdade para escolher. Talvez n\u00e3o possamos superar todas as contradi\u00e7\u00f5es nesta \u00e9poca hist\u00f3rica, mas podemos avan\u00e7ar. De fato, isso \u00e9 necess\u00e1rio para construir novas refer\u00eancias sociais que sustentem ideologicamente novas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 lutar para demolir esta sociedade onde poucos seres humanos t\u00eam tudo e os outros seres humanos d\u00e3o literalmente a vida para que esses poucos possam ter tudo. E parte dessa luta por uma nova sociedade \u00e9 a luta contra nossas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, \u00e9 fundamental dividir o trabalho de cuidado, que os homens n\u00e3o &#8220;ajudem&#8221; as mulheres, mas se assumem como correspons\u00e1veis pelo trabalho de cuidado e reprodu\u00e7\u00e3o da vida, que parem de mentir para n\u00f3s, porque com mentiras colocam em evid\u00eancia que eles consideram que n\u00e3o somos capazes de lidar com a verdade ou que n\u00e3o merecemos a verdade. Que eles parem de abusar de n\u00f3s, com viol\u00eancia emocional, financeira e f\u00edsica. Que eles parem de nos violar, nosso corpo n\u00e3o pertence a eles. Parem de pensar que uma mulher est\u00e1 sempre vivendo para conseguir e manter um homem. Que eles deixem de se aproveitar de nossas inseguran\u00e7as para conseguir espa\u00e7os mais favorecidos.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de novos g\u00eaneros, a transgeneralidade, n\u00e3o passa apenas pela reconstru\u00e7\u00e3o daquelas pessoas que s\u00e3o oprimidas, h\u00e1 que construir novas formas de ser mulheres e novas formas de ser homens, novas sociedades.<\/p>\n<p>*Marina Machado Gouvea (35) \u00e9 Economista, Doutora em Economia Pol\u00edtica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), docente da Escola de Servi\u00e7o Social da UFRJ, pesquisadora e militante. Atualmente trabalha como Diretora da Sociedade de Economia Pol\u00edtica do Brasil (SEP), membra do Diret\u00f3rio da Sociedade de Economia Pol\u00edtica da Am\u00e9rica Latina e do Caribe (SEPLA) e membra do Grupo de Trabalho Crise e Economia Mundial do Conselho Latinoamericano de Ci\u00eancias Sociais (CLACSO). Coordena o Grupo de Estudos em Teoria da Depend\u00eancia (UNILA-CNPq).<\/p>\n<p>**Editora e redatora de Adelante!<\/p>\n<p>***Adelante! \u00e9 o peri\u00f3dico do Partido Comunista Paraguaio desde 1941. Resistiu contra a tirania de Stroessner durante 35 anos circulando de forma clandestina. Atualmente \u00e9 publicado mensalmente na vers\u00e3o impressa.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p>http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/07\/05\/feminismo-entrevista-a-la-economista-comunista-marina-machado-la-explotacion-de-las-mujeres-posibilita-los-bajos-salarios-de-toda-la-clase-trabajadora\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23536\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180,20],"tags":[228],"class_list":["post-23536","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","category-c1-popular","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-67C","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23536","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23536"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23536\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}