{"id":2360,"date":"2012-02-03T16:34:33","date_gmt":"2012-02-03T16:34:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2360"},"modified":"2012-02-03T16:34:33","modified_gmt":"2012-02-03T16:34:33","slug":"o-passado-que-a-argentina-enfrenta-com-a-coragem-que-o-brasil-nao-tem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2360","title":{"rendered":"O passado que a Argentina enfrenta com a coragem que o Brasil n\u00e3o tem"},"content":{"rendered":"\n<p>A frase inesperada congelou a plateia colorida de azul, branco e marrom c\u00e1qui que lotava na segunda-feira, 12 de dezembro, o Sal\u00e3o San Mart\u00edn, o espa\u00e7o nobre do Edif\u00edcio Libertador, sede do comando do Ex\u00e9rcito em Buenos Aires.\u00a0 Perfilados diante do ministro da Defesa, Arturo Puricelli, os brigadeiros, almirantes e generais do Alto Comando das For\u00e7as Armadas argentinas ouviram, crispados, a senten\u00e7a s\u00fabita e cortante da autoridade que subvertia o r\u00edgido protocolo castrense:<\/p>\n<p><em>\u2014\u00a0 Juro por la p\u00e1tria, mi madre y los 30 mil desaparecidos! &#8211; improvisou o advogado e diplomata Alfredo Waldo Forti, 61 anos, ao prestar o juramento de praxe para renovar seu mandato como Secret\u00e1rio de Assuntos Internacionais da Defesa.<\/em> Nenhum militar aplaudiu, mas nenhum protestou. Todos respeitaram a frase atrevida de Forti, que dava ali o seu corajoso testemunho pessoal diante da corpora\u00e7\u00e3o fardada que legou \u00e0 Argentina, no per\u00edodo da chamada \u2018guerra suja\u2019 de 1976 a 1983, o desonroso t\u00edtulo de ditadura mais sangrenta entre os regimes militares que sufocaram a democracia no Cone Sul do continente, na segunda metade do S\u00e9culo 20.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto021.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto02\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto021.jpg?resize=627%2C275\" border=\"0\" title=\"Foto02\" width=\"627\" height=\"275\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>N\u00e9lida Azucena Sosa de Forti: presa no avi\u00e3o quando sa\u00eda do pa\u00eds com os 6 filhos<\/em><\/p>\n<p>Forti e sua m\u00e3e s\u00e3o s\u00edmbolos dessa viol\u00eancia &#8211; ele como sobrevivente, ela como um nome a mais na multid\u00e3o de desaparecidos pol\u00edticos no per\u00edodo da repress\u00e3o militar. A bela morena N\u00e9lida Azucena Sosa de Forti, ex-integrante dos Montoneros, o movimento guerrilheiro da esquerda peronista, tinha acabado de embarcar no voo 284 da Aerol\u00edneas Argentinas que sairia do aeroporto de Ezeiza rumo a Caracas, na manh\u00e3 de 18 de fevereiro de 1977.<\/p>\n<p>Fugindo do clima pol\u00edtico cada vez mais fechado do pa\u00eds, desde o golpe militar desfechado um ano antes, Azucena levava consigo os seis filhos, de 6 a 16 anos, incluindo Alfredo, o mais velho. J\u00e1 com os cintos afivelados para a decolagem, tiveram que desembarcar, chamados de repente para resolver \u2018problemas de documenta\u00e7\u00e3o\u2019. A m\u00e3e e as crian\u00e7as foram recebidas por agentes armados da pol\u00edcia de Buenos Aires, subordinada ao Primeiro Corpo de Ex\u00e9rcito. Com os olhos vendados, foram colocadas em dois carros e levadas para o Pozo de Quilmes, um quartel da Brigada de Investiga\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia localizado numa cidade da regi\u00e3o metropolitana, ao sul da capital.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto031.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto03\"><em><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto031.jpg?resize=629%2C276\" border=\"0\" title=\"Foto03\" width=\"629\" height=\"276\" \/><\/em><\/a><\/p>\n<p><em>Forti para Bussi: &#8220;N\u00e3o tenho problema nenhum em cravar a faca cinco vezes em voc\u00ea. Mas a forma\u00e7\u00e3o que recebi de minha m\u00e3e me diz que esta n\u00e3o seria a maneira certa&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Uma semana depois, as crian\u00e7as reapareceram, vendadas com len\u00e7ol e amarradas na \u00e1rvore de uma pra\u00e7a no Parque Patr\u00edcios. Azucena ainda foi vista por um prisioneiro de Quilmes na primeira semana de mar\u00e7o, at\u00e9 ser transferida para a chefatura de pol\u00edcia de San Miguel de Tucum\u00e1n, sua cidade de origem, 1.300 km a noroeste de Buenos Aires. A ordem de pris\u00e3o e transfer\u00eancia para Tucum\u00e1n partiu do general Antonio Domingo Bussi, que comandava a repress\u00e3o mais feroz \u00e0 guerrilha rural mais ativa do pa\u00eds na menor prov\u00edncia da Argentina.<\/p>\n<p>Azucena foi vista com vida, pela \u00faltima vez, no centro clandestino de deten\u00e7\u00e3o conhecido como Arsenales, na sa\u00edda norte da cidade, onde funcionava a Companhia de Arsenais Miguel de Azcu\u00e9naga, da V Brigada de Infantaria. Era um t\u00edpico campo de concentra\u00e7\u00e3o, cercado por duas cercas de alambrado separadas por uma faixa de terra vigiada por soldados e c\u00e3es e altas torres de sentinelas.<\/p>\n<p>Alfredo Forti e seus cinco irm\u00e3os nunca mais tiveram not\u00edcias de Azucena. No final da d\u00e9cada de 1990, advogado com banca em Washington e consagrado assessor pol\u00edtico dos governos do Peru, Equador e Guatemala, ele descobriu que dividia casualmente o mesmo voo da Aerol\u00edneas com o algoz de sua m\u00e3e, Bussi, ent\u00e3o um septuagen\u00e1rio general reformado. Naqueles tempos, a refei\u00e7\u00e3o era servida com talheres de metal, n\u00e3o de pl\u00e1stico. Em pleno voo, Forti deixou sua poltrona e foi at\u00e9 onde se sentava o general. Sem se apresentar, inclinou-se sobre ele, entreabriu o palet\u00f3 e lhe disse:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto041.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto04\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto041.jpg?resize=629%2C276\" border=\"0\" title=\"Foto04\" width=\"629\" height=\"276\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>At\u00e9 o parceiro norte-americano exigia explica\u00e7\u00f5es sobre a m\u00e3e de Forti<\/em><\/p>\n<p>\u2014 Est\u00e1s vendo esta faca? N\u00e3o tenho problema nenhum em crav\u00e1-la cinco vezes em voc\u00ea. Mas a forma\u00e7\u00e3o que recebi de minha m\u00e3e me diz que esta n\u00e3o seria a maneira certa de resolver as coisas. Eu quero te ver apodrecer no c\u00e1rcere! &#8211; amaldi\u00e7oou Forti, deixando para tr\u00e1s, tremendo, o homem que fazia a Argentina estremecer na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>Caso americano<\/p>\n<p>O nome de Bussi fazia abalar o prest\u00edgio da Argentina at\u00e9 nos Estados Unidos, no auge da ditadura. O National Security Archive da Universidade George Washington revelou, em 2002, o conte\u00fado de 4.600 documentos secretos do Departamento de Estado que abordavam viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos no pa\u00eds. O telegrama 04997 que a Embaixada em Buenos Aires enviou a Washington, no dia 29 de junho de 1978, relacionava os nomes de 103 pessoas das quais o governo norte-americano exigia informa\u00e7\u00f5es. Um dos \u201ccasos de direitos humanos de interesse para os Estados Unidos\u201d era o n\u00ba 71-77-5, de N\u00e9lida Azucena Sosa de Forti, com o status de \u201cdesaparecida\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto05.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto05\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto05.jpg?resize=629%2C276\" border=\"0\" title=\"Foto05\" width=\"629\" height=\"276\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>C\u00f3pia do telegrama da embaixada<\/em><\/p>\n<p>Azucena e milhares de compatriotas come\u00e7am a desaparecer quando emerge, no mapa argentino, a sinistra figura do CCD. \u00c9 a sigla dos Centros Clandestinos de Deten\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00f5es secretas das For\u00e7as Armadas para executar o mesmo plano que Adolf Hitler, em 1941, batizou poeticamente de Nacht und Nebel (Noite e N\u00e9voa): um projeto de Estado para o desaparecimento de opositores ao regime. Os generais argentinos, como seus confrades nazistas, programaram a elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos dissidentes numa opera\u00e7\u00e3o que come\u00e7ava com os sequestros, geralmente sob o manto da noite, e depois se completava pela n\u00e9voa do desaparecimento sem pistas, sem rastros.<\/p>\n<p>Havia m\u00e9todo na loucura, como bradava Hamlet. Os CCD, apesar das diferen\u00e7as, tinham uma estrutura b\u00e1sica e eficiente: uma ou duas salas de tortura, alojamento decente para abrigar os guardas e torturadores e espa\u00e7o amplo e indecente para receber os presos. Todos tinham servi\u00e7o m\u00e9dico e, em alguns casos, at\u00e9 um capel\u00e3o para atender a consci\u00eancia pesada dos mantenedores da ordem.<\/p>\n<p>Inspira\u00e7\u00e3o brasileira<\/p>\n<p>Come\u00e7aram em meados da d\u00e9cada de 1970 como pequenas casas ou por\u00f5es clandestinos e, \u00e0 medida que endurecia o regime, cresciam os CCD, espalhados pelos maiores quart\u00e9is do pa\u00eds, todos engolfados no turbilh\u00e3o da tortura. Em 1976, ano do golpe de 24 de mar\u00e7o, 610 CCD assombravam o pa\u00eds. Havia 68 deles s\u00f3 na prov\u00edncia de Buenos Aires, 13 apenas na capital &#8211; incluindo os not\u00f3rios CCD da ESMA, a temida Escola de Mec\u00e2nica da Armada, e do Campo de Mayo, o maior quartel do pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto06.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto06\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto06.jpg?resize=627%2C275\" border=\"0\" title=\"Foto06\" width=\"627\" height=\"275\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Bussi: uma das mais terr\u00edveis faces da repress\u00e3o argentina.<\/em><\/p>\n<p>A prov\u00edncia de Tucum\u00e1n, onde reinaria o general Bussi, tinha 16 CCD, a metade deles apenas na capital, San Miguel, terra onde nasceu a cantora Mercedes Sosa e onde desapareceu Azucena. Era um n\u00famero espantosamente grande de terror disseminado por um \u00fanico pa\u00eds. Os CCD excediam, em n\u00famero, aos DOI-CODI da ditadura no Brasil (1964-1985), um pa\u00eds tr\u00eas vezes mais extenso, quase cinco vezes mais populoso e assolado por um regime de arb\u00edtrio tr\u00eas vezes mais longevo do que a da ditadura na Argentina (1976-1983).<\/p>\n<p>A receita brasileira surgiu bem antes, em 1969, com a modelar OBAN, a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante do II Ex\u00e9rcito, em S\u00e3o Paulo, que inovou unindo intelig\u00eancia e viol\u00eancia das For\u00e7as Armadas, da Pol\u00edcia Militar e dos policiais mais truculentos das delegacias da capital, onde despontou a lideran\u00e7a do delegado S\u00e9rgio Fleury, que se tornaria o s\u00edmbolo internacional da repress\u00e3o brasileira como estrela maior do DOPS.<\/p>\n<p>Um ano depois, a f\u00f3rmula de sucesso foi definitivamente militarizada, sob o comando do Ex\u00e9rcito, com a cria\u00e7\u00e3o dos Destacamentos de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es, os DOI do servi\u00e7o sujo, que sa\u00edam \u00e0s ruas para combater, sequestrar e torturar os militantes da guerrilha urbana. Eram coordenados pelos Centros de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna, os CODI. Nascia a marca mais letal do regime brasileiro: os DOI-CODI, parceria macabra que se estendia pelos dez mais importantes comandos militares do pa\u00eds, nas grandes capitais.<\/p>\n<p>Essa dezena de reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do terror, na estimativa do historiador Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de Como eles agiam &#8211; os subterr\u00e2neos da ditadura militar: espionagem e pol\u00edcia pol\u00edtica (ed. Record, 2001), abrigava cerca de 1.000 pessoas diretamente envolvidas com a repress\u00e3o e a tortura &#8211; a quinta parte do efetivo do SNI, 5.000 arapongas, no auge do Governo Figueiredo. Antecipando os CCD argentinos, os militares brasileiros ainda montaram sete centros clandestinos de tortura em cinco Estados diferentes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto07.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto07\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto07.jpg?resize=622%2C273\" border=\"0\" title=\"Foto07\" width=\"622\" height=\"273\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>DOI-CODI Hilton e CCD Sheraton, maus locais de hospedagem<\/em><\/p>\n<p>Hilton e Sheraton<\/p>\n<p>Um s\u00edtio em Sergipe, um apartamento em Goi\u00e2nia, uma casa no Recife, tr\u00eas locais em S\u00e3o Paulo (uma casa na avenida 23 de Maio, um s\u00edtio em Atibaia e uma ch\u00e1cara em Parelheiros, na zona rural paulistana) e a \u2018Casa da Morte\u2019, uma resid\u00eancia de aspecto acolhedor, com varanda e lareira na sala, numa rua tranquila de Petr\u00f3polis, na serra fluminense. O lugar, como um superlativo dos horrores comandados pelo CODI, ganhou um cifrado apelido dos militares que o frequentavam: \u201cCod\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os DOI-CODI mais importantes estavam nas duas maiores cidades brasileiras. O do Rio de Janeiro, instalado no quartel da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, na rua Bar\u00e3o de Mesquita, registrou 735 den\u00fancias de torturas, segundo o projeto Brasil Nunca Mais. Num espa\u00e7o de 21 meses, entre julho de 1972 e mar\u00e7o de 1974, quando o I Ex\u00e9rcito era comandado pelo general linha-dura Sylvio Frota, morreram ali 29 presos. O maior e mais not\u00f3rio DOI-CODI do pa\u00eds era o de S\u00e3o Paulo, com 250 homens da PM e da pol\u00edcia civil, integrado ainda por 10 oficiais do Ex\u00e9rcito, 25 sargentos e cinco cabos sob o comando de seu fundador, o major Carlos Alberto Brilhante Ustra.<\/p>\n<p>Ele redesenhou o 36\u00ba Distrito Policial, uma decadente delegacia a cinco quadras do gin\u00e1sio do Ibirapuera, para instalar ali o DOI-CODI que se tornou o s\u00edmbolo mais sangrento do regime: passaram por l\u00e1 2.541 \u2018subversivos\u2019 e 51 \u2018terroristas\u2019 morreram trocando bala com sua equipe barra-pesada, na heroica vers\u00e3o do pr\u00f3prio Ustra. Nos 40 meses em que o major reinou ali, entre 1970 e 1974, houve 502 den\u00fancias de tortura (uma a cada 60 horas) e 40 mortos (um por m\u00eas) nos interrogat\u00f3rios, segundo levantamento da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O centro de torturas de Ustra ficava na esquina da rua Tut\u00f3ia com Tom\u00e1s Carvalhal. Quando um preso era levado para l\u00e1, os agentes do DOI-CODI brincavam com a fama do lugar: \u201cAgora voc\u00ea vai conhecer o Tut\u00f3ia Hilton\u201c, diziam. O que era Hilton, no Brasil, era conhecido como Sheraton na Argentina. O CCD Sheraton funcionava na subcomissaria de pol\u00edcia de Villa Insuperable, em La Matanza, o mais populoso dos munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana de Buenos Aires, onde vivem 13 milh\u00f5es de pessoas, a maior aglomera\u00e7\u00e3o do continente, abaixo s\u00f3 de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto08.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto08\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto08.jpg?resize=612%2C268\" border=\"0\" title=\"Foto08\" width=\"612\" height=\"268\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>O ministro Martinez de Hoz, com um CCD (Centro Clandestino de Deten\u00e7\u00e3o) em sua empresa<\/em><\/p>\n<p>Era um pr\u00e9dio de dois andares, com a garagem e as celas no t\u00e9rreo e a sala de tortura no andar superior, situado a quatro quadras da avenida General Paz, uma movimentada via de 24 km de extens\u00e3o que margeia a capital ao norte e a oeste.\u00a0 Um CCD chegou a funcionar em 1975 na maior sider\u00fargica do pa\u00eds, a Acindar, presidida por Jos\u00e9 Alfredo Martinez de Hoz, a vers\u00e3o portenha de Delfim Netto, o poderoso ministro da Economia ao longo dos cinco anos do brutal governo do general Jorge Videla.<\/p>\n<p>A patota dos Falcon<\/p>\n<p>Talvez para amenizar a sombra que pairava sobre os CCD, os generais da n\u00e9voa argentina lhes outorgavam codinomes ou apelidos singelos, quase inocentes, que camuflavam sua l\u00fagubre destina\u00e7\u00e3o: El Campito, La Perla, Los Pl\u00e1tanos, El Banco, El Chalecito, La Casita de Los M\u00e1rtires, El Olimpo, El Motel, La Escuelita para Mudos.\u00a0 Como os DOI brasileiros, os CCD argentinos contavam com seus grupos de busca e apreens\u00e3o, os GT (ou grupos de tarefas), conhecidos como patotas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto09.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto09\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto09.jpg?resize=627%2C275\" border=\"0\" title=\"Foto09\" width=\"627\" height=\"275\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Milhares de retratos em branco e preto que jamais foram atualizados | Foto-montagem de Emmanuel Frezzotti \/ Flickr<\/em><\/p>\n<p>A eles cabiam a captura dos subversivos, circulando pelas ruas das cidades nos temidos sed\u00e3 Ford Falcon azul ou verde, quatro portas, que formavam a frota da repress\u00e3o. Os presos eram detidos, encapuzados, algemados e levados ao CCD para a tortura, praticada pela mesma patota, durante um ou dois meses.\u00a0 Ap\u00f3s este per\u00edodo, os detidos simplesmente desapareciam, sumiam.<\/p>\n<p>Como toda ditadura, a argentina recriava o idioma para ocultar sua maldade. Ningu\u00e9m era preso, apenas chupado, eufemismo militar para quem era preso. Entre os repressores, os CCD eram conhecidos como chupaderos. Da mesma forma, ningu\u00e9m morria. Os detidos que eram desaparecidos passavam apenas por um translado.\u00a0 N\u00e3o importava a forma final utilizada, fuzilamento em massa, fossa comum, incinera\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver ou uma tumba com a l\u00e1pide NN (no nombrado), todos eram apenas transladados.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto10.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto10\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto10.jpg?resize=631%2C277\" border=\"0\" title=\"Foto10\" width=\"631\" height=\"277\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Picha\u00e7\u00e3o num muro de Buenos Aires<\/em><\/p>\n<p>Quem tivesse o azar de ser sugado por um chupadero dos CCD dificilmente escaparia do translado. No CCD El Olimpo, num bairro do lado oeste, a 100 metros da agitada avenida Rivadavia que atravessa Buenos Aires, foram chupados cerca de 700 homens e mulheres. Menos de 50 sa\u00edram vivos dali. Na ESMA, a escola de morte da Marinha na capital argentina, passaram mais de 5.000 presos, dos quais sobreviveram pouco mais de cem. O CCD El Campito foi instalado no cora\u00e7\u00e3o do maior quartel argentino, o Campo de Mayo, a 30 km do centro de Buenos Aires. Ali sobreviveram apenas 43 dos 5.000 detidos chupados pela repress\u00e3o. Ele tinha um requinte a mais: o hospital militar utilizado para os partos clandestinos nas prisioneiras. Ap\u00f3s o nascimento, o beb\u00ea era chupado para fam\u00edlias dos militares e a m\u00e3e, usualmente, era submetida ao translado inapel\u00e1vel. Cerca de 500 beb\u00eas, sequestrados de pais desaparecidos, fazem parte desta t\u00e9trica estat\u00edstica argentina.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto11.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto11\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto11.jpg?resize=627%2C275\" border=\"0\" title=\"Foto11\" width=\"627\" height=\"275\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>&#8220;Temos que matar e aniquilar a todos os guerrilheiros&#8221;, ordenou Isabelita Per\u00f3n<\/em><\/p>\n<p>O primeiro CCD do pa\u00eds surgiu, por ironia, na terra natal da transladada Azucena. Em 1975, ainda antes do golpe de Videla, o Ex\u00e9rcito aproveitou o pr\u00e9dio inacabado de uma escolinha na sa\u00edda oeste da cidade de Famaill\u00e1, a 40 km da capital de Tucum\u00e1n, San Miguel, para instalar o seu primeiro centro clandestino, que passou \u00e0 hist\u00f3ria como La Escuelita.\u00a0 Das oito salas de aula, sete viraram celas e a \u00faltima, o local de tortura. A menor prov\u00edncia do pa\u00eds estava agitada, como foco guerrilheiro escolhido pelo grupo trotskista \u2018Ex\u00e9rcito Revolucion\u00e1rio do Povo\u2019 (ERP) para confrontar o regime da presidente Isabelita Per\u00f3n, aproveitando a geografia montanhosa da regi\u00e3o aos p\u00e9s dos Andes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto12.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto12\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto12.jpg?resize=629%2C276\" border=\"0\" title=\"Foto12\" width=\"629\" height=\"276\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Genera Vilas, linha dur\u00edssima superada por Bussi<\/em><\/p>\n<p>A sanha de Isabelita<\/p>\n<p>O governo lan\u00e7ou a \u2018Opera\u00e7\u00e3o Independ\u00eancia\u2019, para reprimir a guerrilha do ERP, sob a chefia do general Acdel Edgardo Vilas, comandante da V Brigada de Infantaria de Montanha, baseada em Tucum\u00e1n. Linha dur\u00edssima, ele confiava mais na bala do que na lei: \u201c\u00c9 mais f\u00e1cil passar um camelo pelo buraco da agulha do que condenar um subversivo num tribunal\u201d, avisava Vilas. Pela agulha do CCD de Famaill\u00e1 passaram, nas contas do general, 1.507 pessoas, mas c\u00e1lculos mais realistas falam em mais de 2.000 pessoas.<\/p>\n<p>La Escuelita j\u00e1 operava com for\u00e7a quando a presidente da Rep\u00fablica visitou o Comando T\u00e1tico de Famaill\u00e1, a cinco quadras dali, para insuflar a sanha assassina dos militares: \u201cTemos que matar e aniquilar a todos os guerrilheiros\u201d, ordenou Isabelita, com \u00edmpeto chupadero, meses antes dela mesmo ser transladada do poder pelos companheiros de armas de Vilas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto13.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto13\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto13.jpg?resize=629%2C276\" border=\"0\" title=\"Foto13\" width=\"629\" height=\"276\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Bussi logo encontrou o que fazer<\/em><\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o posterior de parlamentares apurou que, sob o comando do general, Tucum\u00e1n assistiu a 123 sequestros de opositores &#8211; dos quais 14 foram assassinados e 77 simplesmente desapareceram, transladados. Quando o general Antonio Domingo Bussi chegou para assumir o comando, no final de 1975, lamentou-se com seu antecessor: \u201cVilas, voc\u00ea n\u00e3o me deixou nada por fazer!\u2026\u201d.<\/p>\n<p>Mod\u00e9stia de Bussi. Entre 1976 e 77, o general fez tr\u00eas vezes mais do que Vilas: aconteceram 371 desaparecimentos na prov\u00edncia &#8211; 194 deles supostos militantes Montoneros ou meros simpatizantes. Numa comiss\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o parlamentar, Osvaldo Humberto P\u00e9rez\u00a0&#8211; que foi chupado pelo CCD Arsenales e, ao contr\u00e1rio de Azucena, sobreviveu\u00a0&#8211; contou que ali, no espa\u00e7o de um ano, foram fuziladas entre 800 e 1.000 pessoas. Em abril de 1976, o lugar ganhou o refor\u00e7o de 40 soldados enviados desde Campo de Mayo.<\/p>\n<p>Um deles, Omar Eduardo Torres, depondo na d\u00e9cada de 1980 perante a Comiss\u00e3o Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), presidida pelo escritor Ernesto S\u00e1bato, contou como era a vida (e a morte) no CCD Arsenales, subordinado diretamente ao general Bussi.<\/p>\n<p>\u2014 Uma vez vi como um preso desnudo era enterrado vivo, s\u00f3 com a cabe\u00e7a fora do buraco, com a terra em volta molhada para ser compactada com os p\u00e9s. O preso ficava l\u00e1 48 horas. O buraco provocava c\u00e3ibras dolorosas e infec\u00e7\u00f5es na pele. Por duas vezes presenciei fuzilamentos ali, e quem efetuava o primeiro disparo era o general Antonio Bussi. Depois ele fazia com que todos os oficiais de maior hierarquia atirassem tamb\u00e9m. O local das execu\u00e7\u00f5es estava localizado a uns 300, 400 metros da Companhia de Arsenais, montanha acima. Estendiam um cord\u00e3o de seguran\u00e7a a uma dist\u00e2ncia de 20 metros e outro a uns 100 metros do local. Os disparos eram feitos com pistolas calibre 9 mm ou 11.25 mm, sempre entre as 23h e 23h30. A cada 15 dias se assassinavam entre 15 a 20 pessoas\u00a0&#8211; relatou o soldado Torres.<\/p>\n<p>A coisa certa<\/p>\n<p>O ex-soldado Domingo Jerez garantiu ao juiz Carlos Jim\u00e9nez Montilla, em fevereiro de 2010, que testemunhou o general Bussi matar a bordoadas a dois homens em um campo de concentra\u00e7\u00e3o em Timb\u00f3 Viejo, localidade ao norte de San Miguel, na rodovia 305. \u201cVi quando colocaram o cano de um fuzil na vagina de uma mulher gr\u00e1vida\u201d, contou o soldado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto14.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto14\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto14.jpg?resize=625%2C274\" border=\"0\" title=\"Foto14\" width=\"625\" height=\"274\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>O general Bussi no tribunal<\/em><\/p>\n<p>Bussi trocou La Escuelita pelo CCD Nueva Baviera, um velho engenho de a\u00e7\u00facar dotado de heliporto e v\u00e1rios caminh\u00f5es para transporte de tropas e prisioneiros. Ele descentralizou a tortura e ampliou suas patotas. Atacou com bombas a universidade local, os partidos, os opositores. Advogados, sindicalistas e pol\u00edticos foram alvo de sequestro, pris\u00e3o e tortura. Bussi, como se via, ainda tinha muito que fazer. Dono de um par de olhos azuis frios como as rajadas que sopravam dos Andes, Bussi mantinha a cara fechada, casmurra, apropriada para aqueles tempos azedos. Seu bra\u00e7o longo cruzou a longa dist\u00e2ncia at\u00e9 Buenos Aires para alcan\u00e7ar a montonera Azucena minutos antes de al\u00e7ar voo para a liberdade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto15.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto15\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto15.jpg?resize=622%2C273\" border=\"0\" title=\"Foto15\" width=\"622\" height=\"273\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Alfredo Forti abriu processo contra o general Bussi em 2005<\/em><\/p>\n<p>O\u00a0secret\u00e1rio Alfredo Forti, o garoto sequestrado por ordem de Bussi, abriu um processo contra o general em 2005, depois que o Governo Kirchner revogou as anistias do Ponto Final e da Obedi\u00eancia Devida, que deixavam impunes os torturadores. Assim, outros 800 processos por sequestro, tortura e morte, antes engavetados, voltaram a assombrar o velho general, que passou a frequentar os tribunais como uma caricatura de seu decr\u00e9pito poder, envelhecido, enfraquecido por doen\u00e7as dos pulm\u00f5es e do cora\u00e7\u00e3o, com uma sonda de oxig\u00eanio sempre enfiada no nariz.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto16.jpg\" target=\"_blank\" title=\"Foto16\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.conversaafiada.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Foto16.jpg?resize=625%2C274\" border=\"0\" title=\"Foto16\" width=\"625\" height=\"274\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Bussi: &#8220;N\u00e3o nego, nem afirmo&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Acossado tamb\u00e9m por den\u00fancias de contas clandestinas no exterior, respondia ao melhor estilo Maluf: \u201cN\u00e3o nego, nem afirmo\u201d. Em 2003, eleito para a prefeitura de San Miguel, a cidade que ele aterrorizou na ditadura, foi impedido de assumir o cargo, acusado pelo desaparecimento e morte do senador peronista Guillermo Vargas Aignasse.<\/p>\n<p>Foi denunciado tamb\u00e9m por crimes de lesa humanidade e pelo desaparecimento de outras 72 pessoas, o que lhe rendeu a pris\u00e3o perp\u00e9tua em agosto de 2008. O chefe temido da repress\u00e3o argentina foi destitu\u00eddo com desonra do Ex\u00e9rcito. N\u00e3o conseguiu ver as outras condena\u00e7\u00f5es iminentes, porque o cora\u00e7\u00e3o enfim falhou, em novembro passado, determinando o seu translado irremedi\u00e1vel aos 85 anos.<\/p>\n<p>Um \u00fanico deputado de Tucum\u00e1n animou-se a pagar o an\u00fancio de falecimento num jornal local, assim mesmo com o estrito cuidado de citar o nome do filho vivo, n\u00e3o do pai morto: \u201cO deputado Alberto Colombres Garmend\u00eda participa com dor o falecimento do pai do deputado Ricardo Bussi\u201d.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Assuntos Internacionais da Defesa, Alfredo Waldo Forti, n\u00e3o viu o sequestrador de sua m\u00e3e apodrecer no c\u00e1rcere, como imaginava.<\/p>\n<p>O filho de Azucena viu coisa pior: o general Ant\u00f4nio Bussi, como acontece com os criminosos de todas as ditaduras, apodreceu em vida, chupado pela mem\u00f3ria de seus abusos, cravado pela l\u00e2mina aguda dos tribunais e da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Como ensinava Azucena a seus filhos, \u00e9 a maneira correta de resolver as coisas num pa\u00eds que respeita sua hist\u00f3ria, sua mem\u00f3ria, seu povo.<\/p>\n<p>* Luiz Cl\u00e1udio Cunha \u00e9 jornalista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/2012\/01\/o-passado-que-a-argentina-enfrenta-com-a-coragem-que-o-brasil-nao-tem\/\" target=\"_blank\"><strong>http:\/\/sul21.com.br\/jornal\/2012\/01\/o-passado-que-a-argentina-enfrenta-com-a-coragem-que-o-brasil-nao-tem\/<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ConversaAfiada\n\n\n\n\n\n\n\n\nLuiz Cl\u00e1udio Cunha &#8211; Especial para Sul21\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2360\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-2360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-C4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2360\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}