{"id":23622,"date":"2019-07-20T06:03:57","date_gmt":"2019-07-20T09:03:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23622"},"modified":"2019-07-20T06:07:25","modified_gmt":"2019-07-20T09:07:25","slug":"mais-um-ataque-a-populacao-lgbt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23622","title":{"rendered":"Mais um ataque \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/efectococuyo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/matrimonio-lgbt-1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Nota Pol\u00edtica do Coletivo LGBT Comunista Nacional de rep\u00fadio \u00e0 suspens\u00e3o do Vestibular da Unilab<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o LGBT brasileira tem de enfrentar mais um golpe do governo Bolsonaro\/Mour\u00e3o. Dessa vez, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o suspendeu o vestibular especificamente direcionado para transexuais, transg\u00eanero, travestis e intersexuais da Universidade da Integra\u00e7\u00e3o da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). O processo seletivo permitiria acesso a 120 vagas em cursos de gradua\u00e7\u00e3o nos estados da Bahia e do Cear\u00e1. Esse \u00e9 mais um dos casos que demonstra a disposi\u00e7\u00e3o do governo Bolsonaro\/Mour\u00e3o em desarticular qualquer tipo de iniciativa ou pol\u00edtica voltada para a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o LGBT.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o nos foi negado ao longo da hist\u00f3ria e isso n\u00e3o se deu \u00e0 toa. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento central para a forma\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos capazes de perceber as contradi\u00e7\u00f5es sociais e, a partir disso, pensar processos de transforma\u00e7\u00e3o da realidade. Em uma sociedade capitalista, estruturada essencialmente pela explora\u00e7\u00e3o do trabalho, \u00e9 fundamental para os exploradores que continuemos sem acessar de forma plena o conhecimento produzido pela humanidade.<\/p>\n<p>Impedir que partes espec\u00edficas da popula\u00e7\u00e3o acessem isso significa tamb\u00e9m determinar quais espa\u00e7os da sociedade essas podem ou n\u00e3o ocupar.<br \/>\nDe acordo com a Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil, pessoas T, transg\u00eaneros e travestis sofrem com uma taxa de 82% de evas\u00e3o escolar, que muito \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 transfobia dos espa\u00e7os educacionais. Esse fato, aliado ao dado de que a m\u00e9dia de idade com a qual pessoas T s\u00e3o expulsas de suas casas por suas fam\u00edlias \u00e9 de 13 anos, segundo estudo realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais, a ANTRA, em 2017, \u00e9 o que faz a realidade dessa popula\u00e7\u00e3o t\u00e3o extrema. Os dados s\u00e3o, a cada vez, mais alarmantes: a ANTRA divulgou, ainda em 2017, que apenas cerca de 0,02% da popula\u00e7\u00e3o T est\u00e1 no Ensino Superior.<\/p>\n<p>Nenhum aspecto dessa realidade \u00e9 coincid\u00eancia! Por isso, no Brasil, LGBTs da classe trabalhadora, nos dias atuais, t\u00eam grande dificuldade de inser\u00e7\u00e3o no mercado formal de trabalho por n\u00e3o conseguirem concluir suas trajet\u00f3rias acad\u00eamicas, tendo de enfrentar duras realidades de precariedade. Isso fica claro quando nos deparamos com mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o T utilizando da prostitui\u00e7\u00e3o como fonte de renda e subsist\u00eancia, ainda com base no estudo da ANTRA. Para manter uma sociedade onde o absurdo de 1% da popula\u00e7\u00e3o do mundo concentra a riqueza dos 99% restantes, \u00e9 necess\u00e1rio que sejam criadas formas de extrair, mais e mais, do povo. A LGBTfobia \u00e9 uma dessas t\u00e1ticas, pois \u00e9 utilizada para rebaixar sal\u00e1rios, impor p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e negar direitos a uma popula\u00e7\u00e3o inteira, inclusive os mais b\u00e1sicos, como o de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuando o governo Bolsonaro\/Mour\u00e3o impede a realiza\u00e7\u00e3o do vestibular espec\u00edfico da Unilab, n\u00e3o se trata apenas de um entendimento contr\u00e1rio \u00e0 inclus\u00e3o de LGBTs na lei de cotas, como foi dito pelo MEC. A exclus\u00e3o e a viol\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT \u00e9 parte do seu declarado projeto pol\u00edtico. Nas palavras do presidente, \u201cestou me lixando para esse pessoal\u201d. Tratamos, aqui, de um presidente que declara frontal contrariedade \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o, que nega direitos b\u00e1sicos e que persegue qualquer tipo de debate acerca de suas demandas.<\/p>\n<p>O governo Bolsonaro\/Mour\u00e3o comete o erro de esquecer que n\u00f3s, LGBTs trabalhadoras, n\u00e3o estamos na vida a passeio. N\u00f3s constru\u00edmos greves, enfrentamos a viol\u00eancia policial e conquistamos com sangue e suor cada um dos direitos que temos hoje e assim continuaremos a fazer. \u00c9 fundamental que pensemos na perspectiva de estabelecimento de um profundo debate sobre as possibilidades e alternativas de elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas diretamente voltadas para o acesso e a perman\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o LGBT nas institui\u00e7\u00f5es de ensino. A popula\u00e7\u00e3o LGBT, historicamente, se ergueu at\u00e9 os presentes dias com duras lutas e n\u00e3o ser\u00e1 o governo Bolsonaro que se colocar\u00e1 em nosso caminho! Somos LGBTs, temos classe, somos trabalhadoras e lutaremos veementemente por nossos direitos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23622\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[182],"tags":[223],"class_list":["post-23622","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lgbt","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-690","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23622"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23622\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}