{"id":23688,"date":"2019-08-01T12:55:07","date_gmt":"2019-08-01T15:55:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23688"},"modified":"2019-08-01T12:55:07","modified_gmt":"2019-08-01T15:55:07","slug":"os-aproveitadores-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23688","title":{"rendered":"Os aproveitadores da guerra"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/eua\/imagens\/vitoria_amputada.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Dmitry Orlov<\/p>\n<p>No interior da vasta burocracia do Pent\u00e1gono existe um grupo encarregado de monitorar o estado geral do complexo militar-industrial e a sua capacidade cont\u00ednua de cumprir os requisitos da estrat\u00e9gia de defesa nacional. O gabinete para a aquisi\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o e o gabinete para a pol\u00edtica industrial gastam cerca de US$100 mil por ano para produzir um Relat\u00f3rio Anual ao Congresso. Ele est\u00e1 dispon\u00edvel para o p\u00fablico em geral. Est\u00e1 dispon\u00edvel at\u00e9 para o p\u00fablico em geral e especialistas russos divertiram-se muito a examin\u00e1-lo.<\/p>\n<p>De fato, o relat\u00f3rio encheu-os de otimismo. Como se sabe, a R\u00fassia quer a paz, mas os EUA parecem desejar a guerra e continuam a fazer gestos amea\u00e7adores contra uma longa lista de pa\u00edses que se recusam a cumprir suas ordens ou simplesmente n\u00e3o compartilham seus &#8220;valores universais&#8221;. Mas agora verifica-se que aquelas amea\u00e7as (e san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas cada vez mais sem garra) s\u00e3o quase tudo o que os EUA ainda s\u00e3o capazes de oferecer \u2013 isto apesar dos n\u00edveis absolutamente astron\u00f4micos dos gastos com defesa. Vamos ver com o que parece o complexo militar-industrial dos EUA atrav\u00e9s de lentes russas.<\/p>\n<p>\u00c9 importante observar que os autores do relat\u00f3rio n\u00e3o pretendiam for\u00e7ar legisladores a financiar algum projeto espec\u00edfico. Isso o torna mais valioso do que in\u00fameras outras fontes, cujo principal objetivo dos autores \u00e9 encher a barriga com o or\u00e7amento federal e que, portanto, tendem a ser ligeiros acerca de fatos e fortes em publicidade. Sem d\u00favida, a pol\u00edtica ainda desempenha um papel na forma como v\u00e1rios pormenores s\u00e3o retratados, mas parece haver um limite para o n\u00famero de problemas que seus autores podem eliminar e ainda assim fazer um trabalho razo\u00e1vel de an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o e de formula\u00e7\u00e3o de recomenda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O que provocou risos na an\u00e1lise russa foi o fato de que estes peritos do INDPOL (que, como o resto do Departamento da Defesa dos EUA, adoram siglas) avaliam o complexo militar-industrial dos EUA a partir de uma perspectiva com base no mercado! Voc\u00ea v\u00ea, o complexo militar-industrial russo \u00e9 totalmente de propriedade do governo russo e trabalha exclusivamente no seu interesse; qualquer coisa diferente seria considerada trai\u00e7\u00e3o. Mas o complexo militar-industrial dos EUA \u00e9 avaliado com base na sua\u2026 lucratividade! De acordo com o INDPOL, ele deve n\u00e3o apenas produzir produtos para os militares, mas tamb\u00e9m adquirir fatia de mercado no com\u00e9rcio global de armas e, talvez mais importante, maximizar a lucratividade para investidores privados. Por este padr\u00e3o, est\u00e1 se saindo bem: em 2017, a margem bruta (EBITDA) para os contratantes da defesa dos EUA variou de 15 a 17%, e alguns subcontratados \u2013 Transdigm, por exemplo \u2013 conseguiram obter nada menos que 42-45%. &#8220;Ah!&#8221;, gritam os especialistas russos: &#8220;Encontramos o problema! Os americanos legalizaram o lucro da guerra !&#8221; (Isto, a prop\u00f3sito, \u00e9 apenas um dos muitos exemplos de algo chamado corrup\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, a qual \u00e9 abundante nos EUA.)<\/p>\n<p>Seria uma coisa se cada empreiteiro de defesa simplesmente cortasse a sua talhada do topo, mas em vez disso h\u00e1 toda uma cadeia alimentar de empreiteiros da defesa, a todos os quais \u00e9 legalmente exigido, nada menos, que maximizem os lucros dos seus acionistas. Mais de 28 mil empresas est\u00e3o envolvidas, mas os verdadeiros empreiteiros de primeira linha junto aos quais o Pent\u00e1gono coloca 2\/3 de todos os contratos de defesa s\u00e3o apenas os Seis Grandes: Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon, General Dynamics, BAE Systems e Boeing. Todas as outras empresas est\u00e3o organizadas numa pir\u00e2mide de subcontratados com cinco n\u00edveis hier\u00e1rquicos, e em cada n\u00edvel eles fazem o melhor que podem para ordenhar o n\u00edvel lhes est\u00e1 acima deles.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia em m\u00e9todos baseados no mercado e a exig\u00eancia de maximizar a lucratividade acabam por ser incompat\u00edveis com os gastos de defesa num n\u00edvel muito b\u00e1sico: os gastos com defesa s\u00e3o intermitentes e c\u00edclicos, com longos intervalos de ociosidade entre as encomendas principais. Isto for\u00e7ou at\u00e9 mesmo os seis grandes a efetuarem cortes nos seus departamentos de defesa em favor da expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o civil. Al\u00e9m disso, apesar do enorme tamanho do or\u00e7amento de defesa dos EUA, ele \u00e9 de dimens\u00e3o finita (h\u00e1 apenas um planeta para explodir), assim como o mercado global de armas. Uma vez que, numa economia de mercado, toda empresa enfrenta a op\u00e7\u00e3o de crescer ou ser comprada, isto tem precipitado grande n\u00famero de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, resultando num mercado altamente consolidado com uns poucos atores importantes em cada \u00e1rea.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, na maior parte das \u00e1reas, das quais os autores do relat\u00f3rio discutem 17, incluindo a Marinha, for\u00e7as terrestres, for\u00e7a a\u00e9rea, eletr\u00f4nica, armas nucleares, tecnologia espacial e assim por diante, pelo menos um ter\u00e7o do tempo o Pent\u00e1gono tem como escolha exatamente um empreiteiro para qualquer contrato espec\u00edfico, o que faz com que a qualidade e a pontualidade sofram, elevando pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Num certo n\u00famero de casos, apesar de seu poder industrial e financeiro, o Pent\u00e1gono tem se deparado com problemas insol\u00faveis. Especificamente, verificou-se que os EUA t\u00eam apenas um estaleiro naval capaz de construir porta-avi\u00f5es nucleares (por isso o USS Gerald Ford n\u00e3o \u00e9 exatamente um \u00eaxito). Este \u00e9 o Northrop Grumman Newport News Shipbuilding, em Newport, Virg\u00ednia. Em teoria, esta empresa poderia trabalhar com tr\u00eas navios de forma simult\u00e2nea, mas dois deles est\u00e3o permanentemente ocupados por porta-avi\u00f5es existentes que exigem manuten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de um caso \u00fanico: o n\u00famero de estaleiros capazes de construir submarinos nucleares, destr\u00f3ieres e outros tipos de navios tamb\u00e9m \u00e9 exatamente de um. Portanto, no caso de um conflito prolongado com um advers\u00e1rio s\u00e9rio no qual uma parcela significativa da Marinha dos EUA tenha sido afundada, ser\u00e1 imposs\u00edvel substituir os navios em qualquer per\u00edodo de tempo razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco melhor quanto \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de aeronaves. As f\u00e1bricas que existem podem produzir 40 avi\u00f5es por m\u00eas e poderiam chegar aos 130 por m\u00eas se pressionadas. Por outro lado, a situa\u00e7\u00e3o com tanques e artilharia \u00e9 absolutamente desanimadora. De acordo com este relat\u00f3rio, os EUA perderam completamente a compet\u00eancia para construir a nova gera\u00e7\u00e3o de tanques. N\u00e3o se trata mais da perda da f\u00e1brica e do equipamento; nos EUA, uma segunda gera\u00e7\u00e3o de engenheiros que nunca projetou um tanque est\u00e1 se aposentando. Seus substitutos n\u00e3o t\u00eam ningu\u00e9m com quem aprender e s\u00f3 sabem acerca de tanques modernos a partir de filmes e videogames. No que diz respeito \u00e0 artilharia, h\u00e1 apenas uma linha de produ\u00e7\u00e3o remanescente nos EUA que pode produzir canos superiores a 40 mm; ela est\u00e1 totalmente lotada de servi\u00e7o e seria incapaz de aumentar a produ\u00e7\u00e3o em caso de guerra. O empreiteiro n\u00e3o est\u00e1 disposto a expandir a produ\u00e7\u00e3o a menos que o Pent\u00e1gono garanta pelo menos 45% de utiliza\u00e7\u00e3o, uma vez que isso n\u00e3o seria rent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante para todas as \u00e1reas da lista; ela \u00e9 melhor para tecnologias de uso duplo que podem ser obtidas junto a empresas civis e significativamente pior para empresas altamente especializadas. O custo unit\u00e1rio de cada tipo de equipamento militar aumenta ano ap\u00f3s ano, enquanto os volumes sendo adquiridos tendem continuamente a baixar \u2013 por vezes at\u00e9 zero. Ao longo dos \u00faltimos 15 anos, os EUA n\u00e3o adquiriram um \u00fanico tanque novo. Eles continuam a modernizar os antigos, mas a uma taxa que n\u00e3o vai al\u00e9m de 100 por ano.<\/p>\n<p>Devido a todas estas inclina\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias, a ind\u00fastria de defesa continua a perder n\u00e3o s\u00f3 pessoal qualificado como tamb\u00e9m a capacidade de realizar o trabalho. Peritos do INDPOL estimam que o d\u00e9ficit em m\u00e1quinas ferramenta atingiu os 27%. No \u00faltimo quarto de s\u00e9culo os EUA cessaram de fabricar uma grande variedade de equipamentos manufatureiros. Apenas metade destas ferramentas pode ser importada de aliados ou na\u00e7\u00f5es amigas; para o resto, h\u00e1 apenas uma fonte: a China. Eles analisaram as cadeias de fornecimento de 600 dos mais importantes tipos de armas e descobriram que um ter\u00e7o delas tem rupturas ao passo que outro ter\u00e7o arruinou-se completamente. Na pir\u00e2mide subcontratada de cinco n\u00edveis do Pent\u00e1gono, os fabricantes de componentes s\u00e3o quase sempre relegados ao n\u00edvel mais baixo e os avisos que eles emitem quando cessam a produ\u00e7\u00e3o ou encerram completamente tendem a afogar-se no p\u00e2ntano burocr\u00e1tico do Pent\u00e1gono.<\/p>\n<p>O resultado final de tudo isso \u00e9 que teoricamente o Pent\u00e1gono ainda \u00e9 capaz de efetuar pequenos ciclos de produ\u00e7\u00e3o de armas para compensar perdas cont\u00ednuas em conflitos localizados de baixa intensidade num per\u00edodo geral de paz, mas hoje mesmo isto est\u00e1 no extremo final das suas capacidades. No caso de um conflito s\u00e9rio com qualquer na\u00e7\u00e3o bem armada, tudo com que poder\u00e1 contar \u00e9 o estoque existente de muni\u00e7\u00f5es e pe\u00e7as sobressalentes, a quais ser\u00e3o rapidamente esgotadas.<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o semelhante prevalece na \u00e1rea de elementos extra\u00eddos de terras raras e outros materiais para a produ\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica. No momento, o estoque acumulado destes materiais necess\u00e1rios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis e tecnologia espacial \u2013 sobretudo os sat\u00e9lites \u2013 \u00e9 suficiente para cinco anos \u00e0 taxa de utiliza\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio classifica especificamente como terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea das armas nucleares estrat\u00e9gicas. Quase toda a tecnologia para comunica\u00e7\u00f5es, direcionamento, c\u00e1lculos de trajet\u00f3ria e armamento das ogivas dos ICBM foi desenvolvida nos anos 1960 e 70. At\u00e9 os dias de hoje, os dados s\u00e3o carregados a partir de disquetes floppy de 5 polegadas, as quais eram produzidas em massa h\u00e1 15 anos atr\u00e1s. N\u00e3o h\u00e1 substitutos para elas e as pessoas que as conceberam est\u00e3o mortas. A op\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre comprar pequenas quantidades de produ\u00e7\u00e3o de todos os consum\u00edveis a um custo extravagante ou desenvolver a partir do zero toda a tr\u00edade estrat\u00e9gica baseada na terra, ao custo de tr\u00eas or\u00e7amentos anuais do Pent\u00e1gono.<\/p>\n<p>Existem muitos problemas espec\u00edficos em cada \u00e1rea descrita no relat\u00f3rio, mas a principal \u00e9 a perda de compet\u00eancia entre a equipe t\u00e9cnica e de engenharia causada por um baixo n\u00edvel de encomendas de substitui\u00e7\u00e3o ou para o desenvolvimento de novos produtos. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 tal que novos desenvolvimentos te\u00f3ricos promissores provenientes de centros de investiga\u00e7\u00e3o como o DARPA n\u00e3o podem ser realizados, dado o atual conjunto de compet\u00eancias t\u00e9cnicas. Para uma s\u00e9rie de especializa\u00e7\u00f5es chave, h\u00e1 menos de tr\u00eas d\u00fazias de especialistas treinados e experientes.<\/p>\n<p>H\u00e1 a expectativa de que esta situa\u00e7\u00e3o continue a se deteriorar, com o n\u00famero de pessoas empregadas no setor da defesa diminuindo 11-16% ao longo da pr\u00f3xima d\u00e9cada, devido principalmente \u00e0 escassez de jovens candidatos qualificados para substituir aqueles que se reformam. Um exemplo espec\u00edfico: o trabalho de desenvolvimento do F-35 est\u00e1 quase pronto e n\u00e3o haver\u00e1 necessidade de desenvolver um novo ca\u00e7a a jacto at\u00e9 2035-2040. Nesse meio tempo, o pessoal envolvido em seu desenvolvimento ficar\u00e1 ocioso e o seu n\u00edvel de compet\u00eancia se deteriorar\u00e1.<\/p>\n<p>Embora no momento os EUA ainda liderem o mundo em gastos com defesa (US$ 610 bilh\u00f5es dos US$ 1,7 trilh\u00f5es em 2017, que \u00e9 cerca de 36% de todos os gastos militares no planeta), a economia dos EUA j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 capaz de suportar toda a pir\u00e2mide tecnol\u00f3gica mesmo num tempo de relativa paz e prosperidade. No papel, os EUA ainda parecem como um l\u00edder em tecnologia militar, mas os fundamentos da sua supremacia militar foram corro\u00eddos. Os resultados disso s\u00e3o claramente vis\u00edveis:<br \/>\nOs EUA amea\u00e7aram a Coreia do Norte com a\u00e7\u00f5es militares, mas foram for\u00e7ados a recuar porque n\u00e3o t\u00eam capacidade para travar uma guerra contra ela.<\/p>\n<p>Os EUA amea\u00e7aram o Ir\u00e3 com a\u00e7\u00f5es militares, mas foram for\u00e7ados a recuar porque n\u00e3o t\u00eam capacidade de travar uma guerra contra ele.<\/p>\n<p>Os EUA perderam a guerra no Afeganist\u00e3o para o Talib\u00e3 e quando o mais longo conflito militar na hist\u00f3ria dos EUA finalmente estiver acabado a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ali voltar\u00e1 ao status quo ante com o Talib\u00e3 no comando e campos de treino terrorista isl\u00e2mico em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mandat\u00e1rios dos EUA (sobretudo a Ar\u00e1bia Saudita) que combatem no I\u00eamen provocaram um desastre humanit\u00e1rio, mas t\u00eam sido incapazes de prevalecer militarmente.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es dos EUA na S\u00edria levaram a uma consolida\u00e7\u00e3o do poder e do territ\u00f3rio pelo governo s\u00edrio e \u00e0 posi\u00e7\u00e3o regional agora dominante da R\u00fassia, Ir\u00e3 e Turquia.<\/p>\n<p>A segunda maior pot\u00eancia da OTAN, a Turquia, comprou os sistemas de defesa a\u00e9rea S-400 da R\u00fassia. A alternativa dos EUA \u00e9 o sistema Patriot, o qual \u00e9 duas vezes mais caro e realmente n\u00e3o funciona.<br \/>\nTodos estes pontos apontam para o fato de que os EUA j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais uma pot\u00eancia militar de todo. Isto \u00e9 uma boa not\u00edcia pelo menos pelas quatro seguintes raz\u00f5es.<\/p>\n<p>Primeiro, os EUA s\u00e3o de longe o pa\u00eds mais beligerante da Terra, tendo invadido grande n\u00famero de pa\u00edses e continuado a ocupar muitos deles. O fato de n\u00e3o poderem mais combater significa que oportunidades para a paz devem aumentar.<\/p>\n<p>Segundo, uma vez entendida a not\u00edcia de que o Pent\u00e1gono \u00e9 nada mais do que um autoclismo para fundos p\u00fablicos, seu financiamento ser\u00e1 cortado e a popula\u00e7\u00e3o dos EUA poder\u00e1 ver o dinheiro que atualmente est\u00e1 engordando os aproveitadores de guerra sendo gasto em estradas e pontes, embora pare\u00e7a muito mais prov\u00e1vel que todo ele ir\u00e1 servir para pagar a despesa de juros da d\u00edvida federal (enquanto durarem os estoques de materiais).<\/p>\n<p>Terceiro, os pol\u00edticos dos EUA perder\u00e3o a capacidade de manter a popula\u00e7\u00e3o em estado de ansiedade permanente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;seguran\u00e7a nacional&#8221;. Na verdade, os EUA t\u00eam &#8220;seguran\u00e7a natural&#8221; \u2013 dois oceanos \u2013 e n\u00e3o precisam de todo de muita defesa nacional (desde que se mantenham a si pr\u00f3prios e n\u00e3o tentem criar problemas aos outros). Os canadenses n\u00e3o v\u00e3o invadi-lo e, embora a fronteira do sul precise de alguma guarda, isso pode ser cumprido ao n\u00edvel estadual\/municipal por alguns bons rapazes usando armas e muni\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 disp\u00f5em. Uma vez que esta &#8220;defesa nacional&#8221; de US$ 1,7 trilh\u00f5es esteja fora das suas costas, cidad\u00e3os americanos comuns poder\u00e3o trabalhar menos, brincar mais e sentirem-se menos agressivos, ansiosos, deprimidos e paranoicos.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, ser\u00e1 delicioso ver os aproveitadores da guerra reduzidos a rasparem sob as almofadas do sof\u00e1 para conseguirem uns trocados. Tudo o que os militares dos EUA t\u00eam sido capazes de produzir durante longo tempo at\u00e9 agora \u00e9 mis\u00e9ria, cujo termo t\u00e9cnico \u00e9 &#8220;desastre humanit\u00e1rio&#8221;. Olhe-se para as consequ\u00eancias do envolvimento militar dos EUA na S\u00e9rvia\/Kosovo, Afeganist\u00e3o, Iraque, L\u00edbia, S\u00edria e I\u00eamen e o que se v\u00ea? S\u00f3 se v\u00ea mis\u00e9ria \u2013 tanto para os habitantes locais quanto para os cidad\u00e3os americanos que perderam membros da sua fam\u00edlia, tiveram suas pernas amputadas ou agora sofrem de PTSD ou les\u00e3o cerebral. Seria justo se essa desgra\u00e7a voltasse \u00e0queles que lucraram com isso.<br \/>\n16\/Julho\/2019<\/p>\n<p>O original encontra-se em cluborlov.blogspot.com\/2019\/07\/war-profiteers-and-demise-of-us.html<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em http:\/\/resistir.info\/ .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23688\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[234],"class_list":["post-23688","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6a4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23688\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}