{"id":23730,"date":"2019-08-07T05:30:45","date_gmt":"2019-08-07T08:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23730"},"modified":"2019-08-07T05:30:45","modified_gmt":"2019-08-07T08:30:45","slug":"poder-global-dos-eua-trump-e-o-fim-do-mundo-unipolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23730","title":{"rendered":"Poder global dos EUA: Trump e o fim do mundo unipolar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/live.staticflickr.com\/65535\/48423172121_e5d76b124b_b.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por James Petras<br \/>\nGlobal Research<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o de Gabriel Deslandes para a Revista Opera<\/p>\n<p>O poder global dos Estados Unidos na Era Trump reflete as continuidades e mudan\u00e7as que est\u00e3o se desdobrando de forma r\u00e1pida e profunda em todo o mundo e que est\u00e3o afetando a posi\u00e7\u00e3o de Washington. Avaliar a din\u00e2mica do poder global americano \u00e9 um problema complexo que requer um exame de m\u00faltiplas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00f3s procederemos por:<\/p>\n<p>Conceituar os princ\u00edpios que determinam a constru\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio, especificamente as bases de poder e as mudan\u00e7as din\u00e2micas nas rela\u00e7\u00f5es e estruturas que moldam a posi\u00e7\u00e3o presente e futura dos EUA.<br \/>\nIdentificar as esferas de influ\u00eancia e poder e seu crescimento e decl\u00ednio.<br \/>\nExaminar as regi\u00f5es de conflito e contesta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs rivalidades principais e secund\u00e1rias.<br \/>\nAs rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis e mut\u00e1veis entre os centros de poder existentes e em ascens\u00e3o.<br \/>\nA din\u00e2mica interna que molda a for\u00e7a relativa dos centros concorrentes do poder global.<br \/>\nA instabilidade dos regimes e Estados que buscam reter e expandir o poder global.<br \/>\nConceitua\u00e7\u00e3o do poder global<br \/>\nO poder global dos EUA \u00e9 constru\u00eddo sobre v\u00e1rios fatos significativos. Estes incluem: a vit\u00f3ria dos EUA na Segunda Guerra Mundial, sua subsequente economia avan\u00e7ada e sua posi\u00e7\u00e3o militar dominante nos cinco continentes.<\/p>\n<p>Os EUA avan\u00e7aram seu dom\u00ednio por meio de uma s\u00e9rie de alian\u00e7as na Europa via OTAN; na \u00c1sia por meio de sua rela\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica com o Jap\u00e3o, Coreia do Sul, Filipinas e Taiwan, bem como Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia na Oceania; na Am\u00e9rica Latina via regimes-clientes tradicionais; na \u00c1frica via governantes neocoloniais impostos ap\u00f3s a independ\u00eancia.<\/p>\n<p>O poder global dos EUA foi constru\u00eddo em torno do cerco da URSS e da China, minando suas economias e derrotando seus aliados militarmente por meio de guerras regionais.<\/p>\n<p>Sua superioridade econ\u00f4mica e militar p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial criou aliados subordinados e estabeleceu seu poder global, mas lan\u00e7ou as bases para mudan\u00e7as graduais nas rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o. O poder americano era formid\u00e1vel, mas sujeito a mudan\u00e7as econ\u00f4micas e militares no decorrer do tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Esferas de poder dos EUA: antes e agora<br \/>\nO poder global americano explorou oportunidades, mas tamb\u00e9m sofreu retrocessos militares desde o in\u00edcio, particularmente na Coreia, na Indochina e em Cuba. Suas esferas de poder estavam claramente estabelecidas na Europa Ocidental e na Am\u00e9rica Latina, mas foram contestadas na Europa Oriental e na \u00c1sia.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o mais significativo do poder global dos EUA ocorreu com o desaparecimento e a desintegra\u00e7\u00e3o da URSS e seus Estados-clientes na Europa Oriental, bem como a transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da China e da Indochina durante os anos 1980.<\/p>\n<p>Os ide\u00f3logos americanos proclamaram ent\u00e3o a chegada de um Imp\u00e9rio unipolar livre de restri\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos ao seu poder global e regional. Os EUA se voltaram para a conquista de advers\u00e1rios perif\u00e9ricos. Washington destruiu a Iugosl\u00e1via e depois o Iraque \u2013 fragmentando-os em mini-Estados. Wall Street promoveu uma turba de corpora\u00e7\u00f5es multinacionais para invadir a China e a Indochina, que obtinham bilh\u00f5es de lucros explorando a m\u00e3o de obra barata.<\/p>\n<p>Os cr\u00e9dulos no duradouro poder global americano imaginaram um s\u00e9culo de dom\u00ednio imperial dos EUA. Na realidade, essa foi uma vis\u00e3o de curto prazo de um breve intervalo de tempo.<\/p>\n<p>Fim da unipolaridade, novas rivalidades e centros globais e regionais de poder: uma vis\u00e3o geral<br \/>\nO poder global dos EUA levou Washington a uma \u201csobrecarga\u201d em v\u00e1rias \u00e1reas cruciais. Lan\u00e7aram uma s\u00e9rie de guerras prolongadas e caras, especificamente no Iraque e no Afeganist\u00e3o, que tiveram tr\u00eas consequ\u00eancias negativas: a destrui\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas e da economia do Iraque levou \u00e0 ascens\u00e3o do Estado Isl\u00e2mico, que ocupou a maior parte do pa\u00eds; a ocupa\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o que levou \u00e0 ascens\u00e3o do Talib\u00e3 e uma guerra de 20 anos em andamento que custou centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares e v\u00e1rios milhares de soldados americanos feridos e mortos; como resultado, a maioria do p\u00fablico americano se tornou contr\u00e1rio a guerras e constru\u00e7\u00e3o de imp\u00e9rios.<\/p>\n<p>A pilhagem e o dom\u00ednio dos EUA na R\u00fassia terminaram quando o presidente Putin substituiu o vassalo I\u00e9ltsin. A R\u00fassia reconstruiu sua ind\u00fastria, ci\u00eancia, tecnologia e poder militar. A popula\u00e7\u00e3o da R\u00fassia recuperou seus padr\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>Com a independ\u00eancia da R\u00fassia e seu armamento militar avan\u00e7ado, os EUA perderam seu poder militar unipolar. Entretanto, Washington financiou um golpe que praticamente anexou 2\/3 da Ucr\u00e2nia. Os EUA incorporaram os \u201cEstados\u201d iugoslavos fragmentados na OTAN. A R\u00fassia reagiu anexando a Crimeia e garantiu um mini-Estado adjacente \u00e0 Ge\u00f3rgia.<\/p>\n<p>A China converteu a invas\u00e3o econ\u00f4mica de corpora\u00e7\u00f5es multinacionais americanas em experi\u00eancias de aprendizado para construir sua economia nacional e plataformas de exporta\u00e7\u00e3o, que contribu\u00edram para que ela se tornasse uma rival e concorrente econ\u00f4mica para os EUA.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio global dos EUA sofreu retrocessos importantes na Am\u00e9rica Latina, resultantes do chamado Consenso de Washington. A imposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neoliberais privatizou e saqueou suas economias, empobreceram a classe trabalhadora e a classe m\u00e9dia e provocaram uma s\u00e9rie de levantes populares e a ascens\u00e3o de movimentos sociais radicais e governos de centro-esquerda.<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio americano perdeu esferas de influ\u00eancia em algumas regi\u00f5es (China, R\u00fassia, Am\u00e9rica Latina e Oriente M\u00e9dio), embora tenha mantido influ\u00eancia entre as elites em regi\u00f5es disputadas e at\u00e9 mesmo lan\u00e7ado novas guerras imperiais em terreno contestado. Mais notavelmente, os EUA atacaram os governos independentes na L\u00edbia, S\u00edria, Venezuela, Som\u00e1lia e Sud\u00e3o por meio de guerras por procura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de um mundo unipolar para um multipolar e o surgimento gradual de rivais regionais levaram os estrategistas globais americanos a repensarem sua estrat\u00e9gia. As pol\u00edticas agressivas do governo Trump definem o cen\u00e1rio para a divis\u00e3o pol\u00edtica dentro do regime e entre seus aliados.<\/p>\n<p>Converg\u00eancia e diferen\u00e7as Obama-Trump na constru\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio<br \/>\nNa segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, surgiram v\u00e1rios novos alinhamentos de poder global: a China se tornou a principal concorrente econ\u00f4mica do poder mundial, e a R\u00fassia foi a principal desafiante da supremacia militar dos EUA a n\u00edvel regional. Os EUA substitu\u00edram o antigo imp\u00e9rio colonial europeu na \u00c1frica, e a esfera de influ\u00eancia de Washington se estende especialmente na \u00c1frica do Norte e subsaariana: Qu\u00eania, L\u00edbia, Som\u00e1lia e Eti\u00f3pia. Trump ganhou influ\u00eancia no Oriente M\u00e9dio \u2013 no Egito, Ar\u00e1bia Saudita, Emirados e Jord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Israel reteve seu papel peculiar, convertendo os EUA como sua esfera de influ\u00eancia, mas os EUA enfrentaram rivais regionais no L\u00edbano, S\u00edria, Ir\u00e3, Iraque e Arg\u00e9lia. No Sul da \u00c1sia, os EUA enfrentaram a competi\u00e7\u00e3o por esferas de influ\u00eancia da China, \u00cdndia, Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o. Na Am\u00e9rica Latina, mudan\u00e7as bruscas e abruptas eram a norma. A influ\u00eancia americana diminuiu entre 2000 e 2015 e se recuperou de 2015 para o presente.<\/p>\n<p>Alinhamentos do poder imperial sob o presidente Trump<br \/>\nO presidente Trump enfrentou desafios pol\u00edticos e econ\u00f4micos complexos globais, regionais e locais. Trump seguiu e aprofundou muitas das pol\u00edticas lan\u00e7adas por Obama-Hillary Clinton em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses e regi\u00f5es. Contudo, Trump tamb\u00e9m radicalizou e\/ou reverteu pol\u00edticas de seus antecessores, que combinavam bajula\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Em nenhum momento Trump reconheceu os limites do poder global dos EUA. Como os tr\u00eas presidentes anteriores, ele persistiu na cren\u00e7a de que o per\u00edodo transit\u00f3rio de um Imp\u00e9rio global unipolar poderia ser reimposto.<\/p>\n<p>Para a R\u00fassia, uma concorrente global, Trump adotou uma pol\u00edtica de \u201crevers\u00e3o\u201d. Trump imp\u00f4s san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, com a \u201cesperan\u00e7a\u201d estrat\u00e9gica de que, ao empobrecer a R\u00fassia, degradaria seus setores financeiro e industrial, o que poderia for\u00e7ar uma mudan\u00e7a de regime que converteria Moscou em um Estado vassalo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de sua campanha presidencial, Trump flertou com a ideia de uma acomoda\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios com Putin. Por\u00e9m, as nomea\u00e7\u00f5es ultrabeligerantes e a oposi\u00e7\u00e3o interna a Trump logo a transformaram em uma estrat\u00e9gia altamente militarizada, rejeitando acordos \u2013 incluindo os nucleares \u2013 em favor da escalada militar.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 China, Trump enfrentou uma concorrente tecnol\u00f3gica din\u00e2mica e avan\u00e7ada. Trump recorreu a uma \u201cguerra comercial\u201d que foi muito al\u00e9m do \u201ccom\u00e9rcio\u201d para abranger uma guerra contra a estrutura econ\u00f4mica e as rela\u00e7\u00f5es sociais de Pequim \u2013 san\u00e7\u00f5es impostas pelo governo de Trump e amea\u00e7a de um boicote total \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es chinesas.<\/p>\n<p>Trump e sua equipe econ\u00f4mica exigiram que a China privatizasse e desnacionalizasse toda a ind\u00fastria apoiada pelo Estado. Eles exigiram o poder de decidir unilateralmente quando viola\u00e7\u00f5es das regras comerciais americanas ocorrem e de reintroduzir san\u00e7\u00f5es sem consultas. Trump exigiu que todos os acordos tecnol\u00f3gicos chineses, setores econ\u00f4micos e inova\u00e7\u00f5es estivessem sujeitos e abertos aos interesses comerciais americanos. Em outras palavras, Trump exigiu o fim da soberania chinesa e a revers\u00e3o da base estrutural de seu poder global. Os EUA n\u00e3o estavam interessados em mero \u201ccom\u00e9rcio\u201d \u2013 almejavam um retorno ao dom\u00ednio imperial sobre uma China colonizada.<\/p>\n<p>O regime de Trump rejeitou as negocia\u00e7\u00f5es e o reconhecimento de uma rela\u00e7\u00e3o de poder compartilhada: via seus rivais globais como clientes potenciais. Inevitavelmente, a estrat\u00e9gia do regime Trump nunca chegaria a acordo algum duradouro sobre quaisquer quest\u00f5es substanciais em negocia\u00e7\u00e3o. A China tem uma estrat\u00e9gia bem-sucedida para o poder global baseada em uma pol\u00edtica de desenvolvimento mundial \u2013 a Iniciativa Um Cintur\u00e3o, Uma Estrada \u2013 de US$ 6 trilh\u00f5es, que interliga 60 pa\u00edses e v\u00e1rias regi\u00f5es. A Iniciativa Um Cintur\u00e3o, Uma Estrada est\u00e1 construindo sistemas de portos, trens e transporte a\u00e9reo que ligam ind\u00fastrias financiadas por bancos de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Em contraste, os bancos americanos exploram a ind\u00fastria, especulam e operam dentro de circuitos financeiros fechados. Os EUA gastam trilh\u00f5es em guerras, golpes, san\u00e7\u00f5es e outras atividades parasit\u00e1rias que nada t\u00eam a ver com competitividade econ\u00f4mica. Os \u201caliados\u201d do regime de Trump no Oriente M\u00e9dio, a Ar\u00e1bia Saudita e Israel, s\u00e3o parasitas que compram prote\u00e7\u00e3o e provocam guerras caras.<\/p>\n<p>A Europa se queixa do crescimento chin\u00eas nas exporta\u00e7\u00f5es industriais e ignora as importa\u00e7\u00f5es de bens de consumo. No entanto, a Uni\u00e3o Europeia planeja resistir \u00e0s san\u00e7\u00f5es de Trump, que a levam a um beco sem sa\u00edda de estagna\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<br \/>\nO per\u00edodo mais recente do pico do poder global dos EUA, a d\u00e9cada entre 1989-1999, continha as sementes de seu decl\u00ednio e o atual recurso para guerras comerciais, san\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as nucleares.<\/p>\n<p>A estrutura do poder global dos EUA mudou nas \u00faltimas sete d\u00e9cadas. O Imp\u00e9rio mundial dos EUA come\u00e7ou com o comando americano sobre a reconstru\u00e7\u00e3o das economias da Europa Ocidental e a destitui\u00e7\u00e3o da Inglaterra, Fran\u00e7a, Portugal e B\u00e9lgica na \u00c1sia e da \u00c1frica.<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio norte-americano se espalhou e penetrou na Am\u00e9rica do Sul por meio de corpora\u00e7\u00f5es multinacionais dos EUA. Todavia, a constru\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio n\u00e3o foi um processo linear, como pode ser visto em seu confronto fracassado com os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional na Coreia, Indochina, Sudeste da \u00c1frica (Angola, Congo etc.) e Caribe (Cuba). No in\u00edcio dos anos 1960, os EUA haviam substitu\u00eddo seus rivais europeus e os incorporado com sucesso como aliados subordinados.<\/p>\n<p>Os principais rivais de Washington para esferas de influ\u00eancia foram a China comunista e a URSS, com seus aliados entre os Estados-clientes e os revolucion\u00e1rios mundo afora. Os sucessos dos construtores do Imp\u00e9rio dos EUA levaram \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de seus rivais comunistas e nacionalistas em concorrentes capitalistas emergentes. Em uma palavra, o dom\u00ednio dos EUA levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de rivais, especialmente a China e a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Posteriormente, ap\u00f3s derrotas militares dos EUA e guerras prolongadas, os poderes regionais proliferaram no Oriente M\u00e9dio, Norte da \u00c1frica, Sul da \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina. Blocos regionais competiram com clientes dos EUA por poder. A diversifica\u00e7\u00e3o dos centros de poder levou a novas e dispendiosas guerras. Washington perdeu o controle exclusivo de mercados, recursos e alian\u00e7as, e a competi\u00e7\u00e3o reduziu as esferas do poder americano.<\/p>\n<p>Diante desses constrangimentos, o regime Trump imaginou uma estrat\u00e9gia para recuperar o dom\u00ednio dos EUA \u2013 ignorando a capacidade e estrutura limitadas das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e de classe dos EUA. A China absorveu a tecnologia americana e passou a criar novos avan\u00e7os sem seguir cada etapa anterior.<\/p>\n<p>A R\u00fassia se recuperou de suas perdas e san\u00e7\u00f5es e assegurou rela\u00e7\u00f5es comerciais alternativas para enfrentar os novos desafios do Imp\u00e9rio global dos EUA. O regime de Trump lan\u00e7ou uma \u201cguerra comercial permanente\u201d sem aliados est\u00e1veis. Al\u00e9m disso, ele n\u00e3o conseguiu minar a rede de infraestrutura global chinesa; a Europa exigiu e garantiu autonomia para firmar acordos comerciais com a China, Ir\u00e3 e R\u00fassia. Trump pressionou muitas pot\u00eancias regionais que ignoraram suas amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Os EUA ainda continuam sendo uma pot\u00eancia global, mas, ao contr\u00e1rio do passado, os americanos n\u00e3o t\u00eam a base industrial para \u201ctornar a Am\u00e9rica forte\u201d. A ind\u00fastria est\u00e1 subordinada \u00e0s finan\u00e7as; as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas n\u00e3o est\u00e3o ligadas \u00e0 m\u00e3o de obra qualificada para aumentar a produtividade.<\/p>\n<p>Trump depende de san\u00e7\u00f5es, e elas n\u00e3o conseguiram prejudicar pot\u00eancias regionais influentes. As san\u00e7\u00f5es podem reduzir temporariamente o acesso aos mercados americanos, mas observamos que novos parceiros comerciais tomam o seu lugar. Trump ganhou regimes-clientes na Am\u00e9rica Latina, mas os ganhos s\u00e3o prec\u00e1rios e sujeitos \u00e0 revers\u00e3o.<\/p>\n<p>Sob o regime Trump, grandes empresas e banqueiros t\u00eam aumentado os pre\u00e7os no mercado de a\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo a taxa de crescimento do PIB, mas o presidente enfrenta uma grave instabilidade pol\u00edtica dom\u00e9stica e os altos n\u00edveis de turbul\u00eancia entre as alas de seu governo. Em busca de lealdade sobre compet\u00eancia, as nomea\u00e7\u00f5es de Trump levaram \u00e0 supremacia dos funcion\u00e1rios de gabinete que buscam exercer um poder unilateral que os EUA n\u00e3o mais possuem.<\/p>\n<p>Elliot Abrams p\u00f4de massacrar 1\/4 de milh\u00e3o de centro-americanos impunemente, mas ele n\u00e3o conseguiu impor o poder americano sobre a Venezuela e Cuba. Pompeo pode amea\u00e7ar a Coreia do Norte, Ir\u00e3 e China, mas esses pa\u00edses fortalecem alian\u00e7as com rivais e concorrentes dos EUA. Bolton pode promover os interesses de Israel, mas suas conversas acontecem em uma cabine telef\u00f4nica \u2013 falta resson\u00e2ncia com quaisquer grandes pot\u00eancias.<\/p>\n<p>Trump ganhou uma elei\u00e7\u00e3o presidencial, garantiu concess\u00f5es de alguns pa\u00edses, mas alienou aliados regionais e diplom\u00e1ticos. Alega que est\u00e1 fortalecendo a Am\u00e9rica, mas prejudicou lucrativos acordos comerciais multilaterais estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>O \u201cpoder global\u201d americano n\u00e3o prospera com t\u00e1ticas de intimida\u00e7\u00e3o. Proje\u00e7\u00f5es de poder individual tem fracassado \u2013 elas exigem o reconhecimento realista das limita\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e as perdas das guerras regionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23730\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[227],"class_list":["post-23730","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6aK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23730\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}