{"id":23755,"date":"2019-08-10T05:36:28","date_gmt":"2019-08-10T08:36:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23755"},"modified":"2019-08-10T05:36:28","modified_gmt":"2019-08-10T08:36:28","slug":"as-origens-e-as-entranhas-da-nova-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23755","title":{"rendered":"As origens e as entranhas da nova direita"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bloglavrapalavra.files.wordpress.com\/2019\/08\/la-edad-de-la-ira.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Jo\u00e3o Miranda<\/p>\n<p>Lavra Palavra<\/p>\n<p>\u201cAtrav\u00e9s da multiplica\u00e7\u00e3o de uma mir\u00edade de aparelhos de difus\u00e3o, gradativamente a ideologia dominante ganha notoriedade e for\u00e7a, adquire resson\u00e2ncia em diferentes espa\u00e7os da vida social e as formas de atua\u00e7\u00e3o da burguesia estabelecem conex\u00f5es nacionais e transnacionais.\u201d<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos temos acompanhado um significativo avan\u00e7o do pensamento conservador, que propaga discurso de \u00f3dio sobre minorias, mulheres, movimentos sociais e sindicatos, exalta o mercado como espa\u00e7o de realiza\u00e7\u00e3o das liberdades, persegue professoras e professores e a liberdade de c\u00e1tedra.<\/p>\n<p>Em tempos dif\u00edceis como o nosso, o livro do jovem pesquisador Fl\u00e1vio Henrique Calheiros Casimiro, intitulado \u201cA nova direita: aparelhos de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica no Brasil contempor\u00e2neo\u201d (Express\u00e3o Popular, 2018), vem se somar aos esfor\u00e7os de pesquisa para que as pessoas interessadas em conhecer os meandros, os dutos e as vias desse \u201crefluxo\u201d reacion\u00e1rio possam encontrar chaves de interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fruto de sua tese de doutorado defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Social da Universidade Federal Fluminense, sob a orienta\u00e7\u00e3o da Profa. Dra. V\u00edrginia Fontes, a obra aponta que, tendo como sustent\u00e1culo uma s\u00e9rie de aparelhos privados de hegemonia (APHs), a burguesia brasileira atualiza as suas estrat\u00e9gias de mobiliza\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o dos mecanismos de domina\u00e7\u00e3o de classe no Brasil a partir do processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como se sabe, na d\u00e9cada de 1980 as ruas do pa\u00eds foram ocupadas por grandes manifesta\u00e7\u00f5es, greves, piquetes, organizados por militantes, artistas, trabalhadores, intelectuais, por diferentes movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Apesar das irrever\u00eancias mil, como lembra a letra da can\u00e7\u00e3o O b\u00eabado e a equilibrista, o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o foi lento, gradual e seguro para as estruturas dominantes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A burguesia brasileira, alicer\u00e7ada por suas liga\u00e7\u00f5es transnacionais com o grande capital internacional, reage em m\u00faltiplos n\u00edveis \u00e0s formas de organiza\u00e7\u00e3o do conjunto da classe trabalhadora, segundo Casimiro. Tendo como recorte temporal o per\u00edodo de 1980 a 2014, o autor defende a tese de que a burguesia busca redefinir suas bases de atua\u00e7\u00e3o, adequando-se \u00e0s novas maneiras de se relacionar com o Estado em um pa\u00eds que, em meados dos anos 1980, n\u00e3o estava mais sob a \u00e9gide da Ditadura Civil-Militar (1964-1985).<\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias de domina\u00e7\u00e3o da classe dominante s\u00e3o, historicamente, das mais variadas. Para Casimiro, a complexifica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica perpetrada a partir da redemocratiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a estrat\u00e9gia de \u201corganiza\u00e7\u00e3o que se materializa por meio dos aparelhos da burguesia, por\u00e9m integra crescentemente o pr\u00f3prio Estado. Isto vem ganhando proje\u00e7\u00e3o tanto de forma deliberada quanto inconsciente\u201d, atrav\u00e9s da instrumentaliza\u00e7\u00e3o, objetiva\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de seus projetos e valores em diversos meios, de forma que os seus interesses tomem amplitude e intensidade. Paulatinamente, v\u00e3o se radicalizando.<\/p>\n<p>Em sua obra, Casimiro n\u00e3o tem a pretens\u00e3o de esgotar todos que surgem a partir dos anos 1980. Ele analisa aqueles que possuem estrat\u00e9gias de atua\u00e7\u00e3o diferentes das vistas anteriormente, apontando que essa conjuntura de articula\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da burguesia \u00e9 um processo que n\u00e3o se encerra com a concretiza\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional Constituinte, de 1987 a 1988, mas que se perpetua ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas em um contexto formalmente \u201cdemocr\u00e1tico\u201d. Ou seja, para manter-se dominantes, precisavam se reorganizar. Atrav\u00e9s da multiplica\u00e7\u00e3o de uma mir\u00edade de aparelhos de difus\u00e3o, gradativamente a ideologia dominante ganha notoriedade e for\u00e7a, adquire resson\u00e2ncia em diferentes espa\u00e7os da vida social e as formas de atua\u00e7\u00e3o da burguesia estabelecem conex\u00f5es nacionais e transnacionais.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o se organiza no sentido pragm\u00e1tico, estrutural e doutrin\u00e1rio. Apesar de o estudo sistematizar a s\u00e9rie de aparelhos a partir das suas formas de atua\u00e7\u00e3o, o autor aponta que essa separa\u00e7\u00e3o \u00e9 unicamente de car\u00e1ter anal\u00edtico e did\u00e1tico, haja vista que cada um dos aparelhos desenvolve, em certa medida, um pouco de cada uma dessas estrat\u00e9gias ao mesmo tempo. No entanto, cada aparelho prioriza determinada estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas de a\u00e7\u00e3o e \u00e9 reconhecido e classificado por Casimiro por esse caminho adotado.<\/p>\n<p>No sentido \u201cpragm\u00e1tico\u201d refere-se aos aparelhos da burguesia que agem elaborando diretrizes, intervindo no processo de constitui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, dentre outras maneiras. A principal arena para estas organiza\u00e7\u00f5es foi a Assembleia Nacional Constituinte, para a qual financiaram campanhas, lan\u00e7aram candidatos pr\u00f3prios e mobilizaram quadros de empres\u00e1rios urbanos e rurais. Os APHs de a\u00e7\u00e3o estrutural analisados s\u00e3o: C\u00e2mara de Estudos e Debates Econ\u00f4micos e Sociais (CEDES), Grupo de Mobiliza\u00e7\u00e3o Permanente (GMP), Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es Financeiras (CNF), Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Defesa da Democracia (ABDD), Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Ruralista (UDR), Uni\u00e3o Brasileira de Empres\u00e1rios (UB), Movimento C\u00edvico de Recupera\u00e7\u00e3o Nacional (MCRN), Movimento Democr\u00e1tico Urbano (MDU), Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), Frente Nacional pela Livre Iniciativa (FNLI). Neste \u00ednterim, Casimiro reflete ainda sobre o processo de complexifica\u00e7\u00e3o da sociedade civil brasileira na virada dos anos 1980 para os anos de 1990, destacando a atua\u00e7\u00e3o do Grupo de Institutos, Funda\u00e7\u00f5es e Empresas (GIFE) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.<\/p>\n<p>Os aparelhos de \u201ca\u00e7\u00e3o estrutural\u201d s\u00e3o aqueles que, alicer\u00e7ados em um projeto de poder \u2013 n\u00e3o raro apresentado como se fosse este o interesse de toda a sociedade \u2013, agem no interior do aparelho estatal, dentre os quais Casimiro analisa o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Instituto Atl\u00e2ntico, Grupo de L\u00edderes Empresariais (LIDE) e o Movimento Brasil Competitivo (MBC). Tais aparelhos procuram influenciar a configura\u00e7\u00e3o da ossatura estatal, buscando a naturaliza\u00e7\u00e3o de valores da ideologia de mercado e a aplica\u00e7\u00e3o, no seio do Estado e na sociedade civil, de concep\u00e7\u00f5es \u2013 que variariam ao longo das d\u00e9cadas \u2013, tais como \u201cempoderamento\u201d, \u201cresponsabilidade social\u201d, \u201cempresa cidad\u00e3\u201d, \u201csustentabilidade\u201d, com o intuito de reformular os seus mecanismos para torn\u00e1-lo \u201ceficiente\u201d.<\/p>\n<p>Finalmente, no sentido \u201cdoutrin\u00e1rio\u201d, refere-se aos aparelhos de difus\u00e3o doutrin\u00e1ria liberal conservadora que agem atrav\u00e9s da propaga\u00e7\u00e3o das diferentes matrizes do pensamento liberal, promovendo tamb\u00e9m o recrutamento de intelectuais org\u00e2nicos. Ensejam realizar sua doutrina\u00e7\u00e3o pautados pelos ditames do capital e da economia de mercado. Os APHs de a\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria analisados por Casimiro s\u00e3o o Instituto Liberal (IL), Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Instituto Millenium (IMIL), Instituto Von Mises Brasil (IMB), Estudantes Pela Liberdade (EPL) e o Movimento Brasil Livre (MBL).<\/p>\n<p>O autor busca, ent\u00e3o, elucidar a atua\u00e7\u00e3o de dezenas de grupos, refletindo sobre o processo hist\u00f3rico de constitui\u00e7\u00e3o desses APHs, as suas formas de atua\u00e7\u00e3o, seus principais intelectuais org\u00e2nicos, dentre outras caracter\u00edsticas. O elenco de aparelhos analisados nos permite ter uma vis\u00e3o panor\u00e2mica do conjunto desses grupos, al\u00e9m de elucidar, dentre outras coisas, as suas interrela\u00e7\u00f5es e as tens\u00f5es entre as diversas fra\u00e7\u00f5es da burguesia \u2013 tens\u00f5es estas n\u00e3o raro deslocadas dos espa\u00e7os p\u00fablicos para o interior do Estado, justamente porque o seu referencial te\u00f3rico de base gramsciana, sobre o qual trataremos em seguida, abarca a amplia\u00e7\u00e3o seletiva do Estado. Trata-se, neste sentido, de um estudo monumental. Tal panorama da nova direita trazido por Casimiro aponta a necessidade de que as historiadoras e os historiadores se debrucem cada vez mais sobre o tema \u2013 e nesse sentido o livro aponta muitos caminhos.<\/p>\n<p>Um dos principais referenciais de Casimiro \u00e9 o intelectual sardo Antonio Gramsci, em especial, a acep\u00e7\u00e3o de Estado ampliado gramsciana, segundo a qual o Estado possui, al\u00e9m da sua dimens\u00e3o coercitiva, uma outra, a da constru\u00e7\u00e3o do consenso, a cultura. A cultura \u00e9 entendida em sentido amplo, integrando as concep\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es de mundo, valores, cren\u00e7as, autopercep\u00e7\u00f5es de seu lugar na sociedade \u2013 desenvolvidas a partir da organiza\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o dos seus aparelhos privados de hegemonia ou de contra-hegemonia. Neste sentido, o Estado poderia ser interpretado como a condensa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais presentes na sociedade civil, que \u00e9 o conjunto dos indiv\u00edduos organizados nos chamados aparelhos privados de hegemonia ou de contra-hegemonia e cerne da a\u00e7\u00e3o\/press\u00e3o pol\u00edtica consciente, dirigidas a certos objetivos; e presentes na sociedade pol\u00edtica, identificado pelo conjunto de aparelhos e ag\u00eancias do poder p\u00fablico, entendido como o \u201cEstado em sentido restrito\u201d. Em linhas gerais, ent\u00e3o, trata-se de um conceito de Estado que engloba tanto a sociedade civil quanto a sociedade pol\u00edtica denominado de Estado ampliado ou integral.<\/p>\n<p>Partindo da concep\u00e7\u00e3o de Estado ampliado de Gramsci, Casimiro reflete a respeito da nova estrat\u00e9gia de organiza\u00e7\u00e3o da burguesia brasileira, mais especificamente dos APHs. Esse apontamento remete o autor \u00e0 outra quest\u00e3o de ordem te\u00f3rica: o conceito gramsciano de aparelho privado de hegemonia (exemplos disso s\u00e3o os partidos, sindicatos, igrejas, jornais, escolas, entidades ou associa\u00e7\u00f5es de distintas origens e objetivos, p\u00e1ginas nas redes sociais etc.). Trata-se de um conjunto de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que possuem, dentre outros objetivos, difundir a ideologia dominante e organizar intelectuais org\u00e2nicos. Nesse sentido, n\u00e3o h\u00e1 ideologia dominante sem a atua\u00e7\u00e3o dessas organiza\u00e7\u00f5es, as quais podem deter autonomia, para a qual o ingresso \u00e9 volunt\u00e1rio, pressupondo identidade de classe, e t\u00eam como objetivo manifestar e constituir base material pr\u00f3pria, desde que seja na perspectiva de legitimar os interesses da classe dominante, articulados a esta, dialeticamente.<\/p>\n<p>Casimiro aponta que o papel dos intelectuais org\u00e2nicos \u00e9 fundamental na busca pela legitima\u00e7\u00e3o de um determinado projeto de poder no sentido de al\u00e7ar uma condi\u00e7\u00e3o de hegemonia. Esse processo se d\u00e1 tanto sob a forma de produ\u00e7\u00e3o de consenso, quanto pelo recurso da coer\u00e7\u00e3o. O estudo do habitus desses intelectuais org\u00e2nicos, assim, tem grande import\u00e2ncia para a an\u00e1lise, pois, a partir de Bourdieu, o autor p\u00f4de refletir a respeito dos elementos de distin\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o estabelecidos, os quais criam la\u00e7os de vincula\u00e7\u00e3o e pertencimento, acomodando representa\u00e7\u00f5es desse espa\u00e7o social.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie de aparelhos privados analisados por Casimiro evidencia a amplia\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro, demonstrando que n\u00e3o podemos reduzi-lo a seus \u00f3rg\u00e3os, aparelhos e ag\u00eancias administrativas. Ao mesmo tempo que criticam o Estado, os aparelhos analisados ampliam-no imbricando-se a ele, promovendo assim uma esp\u00e9cie de reprivatiza\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o-oficial\u201d do mesmo, inscrevendo nele os seus objetivos como projetos de interesse \u201cnacional\u201d, mas que na realidade s\u00e3o de classe. Assim, a nova direita reconfigura a estrutural estatal \u201cdialeticamente como ve\u00edculo e resultado do processo de atualiza\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o burguesa em sua express\u00e3o capital-imperialista\u201d (CASIMIRO, 2018, p. 465).<\/p>\n<p>A obra de Casimiro contribui tamb\u00e9m para elucidar quem \u00e9 e como atua a nova direita, como tamb\u00e9m faz cair por terra interpreta\u00e7\u00f5es acerca do neoliberalismo que adotam o pressuposto de que se trata de uma defesa e pr\u00e1tica de nega\u00e7\u00e3o do Estado, pautado pelo capitalismo laissez-faire, express\u00e3o s\u00edmbolo do liberalismo, segundo o qual o mercado deve funcionar livremente sob a \u00e9gide da m\u00e3o-invis\u00edvel. Ainda que os ide\u00f3logos se arvorem como defensores do \u201cEstado m\u00ednimo\u201d, a teia de atua\u00e7\u00f5es dos aparelhos privados analisada por Casimiro evidencia que as suas estrat\u00e9gias t\u00eam como sustent\u00e1culo a inter-rela\u00e7\u00e3o com o Estado, que \u00e9 acionado de diferentes maneiras, seja para exercer a coer\u00e7\u00e3o, seja para \u201ceducar\u201d, propiciando a intensifica\u00e7\u00e3o e o aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o do conjunto da classe trabalhadora e rifando recursos naturais e direitos sociais hist\u00f3rica e arduamente conquistados.<\/p>\n<p>Por fim, cabe destacar que o trabalho de Casimiro permite evidenciar que a nova direita n\u00e3o \u00e9 uma absoluta novidade, a sua edifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi repentina, muito menos surge nas Jornadas de Junho de 2013, como defendem alguns setores da esquerda. Ap\u00f3s mais de cinco anos do maior ciclo de manifesta\u00e7\u00f5es de rua no Brasil dos \u00faltimos 30 anos, os sentidos desse acontecimento ainda permanecem em disputa \u2013 em especial, entre as for\u00e7as do campo progressista. Dentre as diferentes teses sobre esse processo, h\u00e1 uma chave interpretativa, comumente presente nas formula\u00e7\u00f5es de intelectuais do Partido dos Trabalhadores, que imputa a Junho unicamente um car\u00e1ter de direita, reacion\u00e1rio, segundo o qual essas manifesta\u00e7\u00f5es foram respons\u00e1veis pela derrocada do governo Dilma e, acima de tudo, pelo \u201cdespertar\u201d da nova direita. O trabalho de Casimiro tem o trunfo de nos apresentar a historicidade do processo que gestou a nova direita, evidenciando que se trata de algo que vem ocorrendo nas \u00faltimas d\u00e9cadas, desenvolvendo-se, adquirindo musculatura e ampliando-se no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro ao longo dos anos, tendo como pre\u00e2mbulo na redemocratiza\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>Por tudo isso diria que a obra de Casimiro \u00e9, no \u00e2mbito da luta de classes, uma importante muni\u00e7\u00e3o que contribui para que as trabalhadoras e os trabalhadores, munidos com as armas da cr\u00edtica, possam, sem paladinos, mas na luta, erguer de baixo para cima, juntos, um admir\u00e1vel mundo que opere noutra l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>CASEMIRO, F. H. C. A nova direita: aparelhos de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica no Brasil contempor\u00e2neo. Niter\u00f3i. Editora Express\u00e3o Popular 1. Ed, 2018.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>Imagem em destaque: La Edad de la Ira- Oswald Guayasamin<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/lavrapalavra.com\/2019\/08\/09\/novo-livro-revela-as-origens-e-as-entranhas-da-nova-direita\/#more-11145\">Novo livro revela as origens e as entranhas da nova&nbsp;direita<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23755\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[225],"class_list":["post-23755","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6b9","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23755\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}