{"id":23783,"date":"2019-08-14T18:39:25","date_gmt":"2019-08-14T21:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23783"},"modified":"2019-08-14T18:39:25","modified_gmt":"2019-08-14T21:39:25","slug":"o-mundo-do-trabalho-e-as-relacoes-sociais-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23783","title":{"rendered":"O mundo do trabalho e as rela\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/XDZMRMzsaT0nmGrRZnIOH8X6ngVBPCbObOSZzLpasi8V-zzap-J7-BIJCEjoD608JIDwzin3_b9cm5Ez4u07s03YgQPZ0q-NKFsHJTV64xpf_YiL-LfrFXQZ5hQ9WkSSygU5-ZQZ-4FFmslrGLf5K5VYgdepP3ePC-LAGcZuQlWvAqdTm4qXJcTPjarzbn1DQzaLiU2cirQ1oUOTKLPwLwcwqGCX1EF6QuhxFv-TrT1xosekGaWdlre-0r4wLeIevYslnWdv-DnIafiZLPxwWp7De3hjcmiWzHee4vA3ylDxBsvTshngI9H4rriqyK73-yKnjjex_mFeY0vuEV3ZqwF60okg5SjqmsS_jyRIxVe5j69V1NaZF0s8WqmEAzjz4FLiK8YndIDpq8BV0w6EK5WBvVq2KvInL1Rf7gAJ5kUz7k0ldAj31dinK0ei2a7StE5_PtbEymLK_jTAP4ti9jeKEbPVjjXhpy9B5vh_05_EbUnYwfKoY45JZxq9E9E8FRSrA6JvcGT39bir_ALKnPCtRlC8AWXkt-AYUiEcRFj_BA6VybdFUz7OMCECH6NyF-CYs7ZI-KtGJqj3rRYAN4iFFShjtZ5OAmXlnoKf5nSbooqBa2m9m9-3Ba-oof4fZZOhqnnS6lTMYZjHntaeFWQGJp3wcYTv=s921-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->\u2013 A Quem serve a opress\u00e3o feminina?<br \/>\nA classe trabalhadora tem dois sexos!<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/p>\n<p>\u00c9 preciso destacar que as rela\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero s\u00e3o por n\u00f3s entendidas como rela\u00e7\u00f5es que se estabeleceram antes da sociedade industrial capitalista, ou seja, j\u00e1 se presenciavam dicotomias que estabeleciam rela\u00e7\u00f5es desiguais entre homens e mulheres no patriarcado, mas \u00e9 com o advento da sociedade capitalista burguesa que tais fen\u00f4menos ganham robustez, vigor e for\u00e7a, conforme demonstram as discrimina\u00e7\u00f5es, opress\u00f5es e a subordina\u00e7\u00e3o do g\u00eanero feminino ao masculino.<\/p>\n<p>\u00c9, pois, com o fortalecimento da sociedade capitalista em sua fase monopolista que estes dois sistemas se articulam e se consubstanciam. No contexto do capitalismo mundializado, se intensificam as transforma\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho, cujos processos de flexibiliza\u00e7\u00e3o engendram novas formas de gest\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do processo produtivo e de mobiliza\u00e7\u00e3o das\/os trabalhadoras\/es. Neste sentido, sofismando a participa\u00e7\u00e3o da mulher.<\/p>\n<p>Quando se articula essa reestrutura\u00e7\u00e3o com forma\u00e7\u00f5es de economias perif\u00e9ricas, como no caso do Brasil, \u00e9 poss\u00edvel verificar que a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva que insere a mulher no mercado de trabalho tamb\u00e9m a insere na \u201cprivatiza\u00e7\u00e3o\u201d das responsabilidades dom\u00e9sticas, pois, de acordo com a PNAD ( 2018), somos n\u00f3s quem mais chefiamos as fam\u00edlias monoparentais. Refor\u00e7a-se a presen\u00e7a no mercado de trabalho com a acumula\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico \u2013 n\u00e3o remunerado e o trabalho assalariado, quando n\u00e3o combinando as duas formas, de modo ainda mais prec\u00e1rio e desregulamentado.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de pertencer a um pa\u00eds de economia perif\u00e9rica e dependente, com aus\u00eancia do Estado social, pesa sobremaneira na nossa vida e organiza\u00e7\u00e3o, em nossas lutas e conquistas. A precariedade, a informalidade e a instabilidade sempre reafirmam um padr\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o do sistema produtivo que refor\u00e7a econ\u00f4mica e historicamente o patriarcado, que nos subordina, inferioriza e domina. As pr\u00f3prias estruturais legislativas, sociais, pol\u00edticas e sindicais t\u00eam comprovado a \u201cmarginaliza\u00e7\u00e3o\u201d a que estamos submetidas no mundo do trabalho. A reforma trabalhista, ao expor as mulheres gr\u00e1vidas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de mais precariedade, insalubridade e periculosidade evidencia mais ainda isso.<\/p>\n<p>Assim, transformar o pessoal em pol\u00edtico \u00e9 um dos pressupostos da emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da relativa autonomia econ\u00f4mica das mulheres. Entretanto, \u00e9 preciso que as institui\u00e7\u00f5es compreendam e apliquem pr\u00e1ticas sociais que superem as hierarquias entre homens e mulheres, pois os conflitos, tens\u00f5es, oposi\u00e7\u00f5es e assimetrias das rela\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero s\u00f3 ser\u00e3o superadas com a supera\u00e7\u00e3o do modelo vigente de divis\u00e3o sexual do trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que a classe trabalhadora compreenda que este modelo n\u00e3o nos representa, pois, embora os homens possam se identificar imediatamente com os pseudoprivil\u00e9gios de ser macho, s\u00e3o rapidamente apanhados pela realidade de sua condi\u00e7\u00e3o de explorado e tamb\u00e9m muitas vezes de oprimido.<\/p>\n<p>Considerando que, apenas por meio da luta anticapitalista e anti-imperialista, mulheres e homens ter\u00e3o maior autonomia e relativa emancipa\u00e7\u00e3o, \u00e9 que, n\u00f3s do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro (CFCAM) saudamos a Marcha das Margaridas* e a 1\u00b0 Marcha de Mulheres Ind\u00edgenas, compreendendo que a luta das mulheres trabalhadoras, ind\u00edgenas, quilombolas, camponesas, assentadas e acampadas, participantes da luta pela reforma agr\u00e1ria, pelo desenvolvimento sustent\u00e1vel, pela agricultura familiar, corroboram para o fortalecimento da luta pela supera\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista.<\/p>\n<p>Em face do modelo anticivilizat\u00f3rio implementado pelo governo de Jair Bolsonaro, que gerencia a viol\u00eancia, a militariza\u00e7\u00e3o da vida e a mercantiliza\u00e7\u00e3o dos direitos como a previd\u00eancia social e a gan\u00e2ncia sobre educa\u00e7\u00e3o, defendemos a luta unit\u00e1ria como forma de enfrentamento \u00e0 barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>* &#8220;\u00c9 melhor morrer na luta do que morrer de fome!&#8221;<\/p>\n<p>Em 12 de agosto de 1983 era brutalmente assassinada Margarida Maria Alves. Sindicalista rural e defensora dos direitos humanos, foi assassinada na porta de casa, diante do filho e do marido. O assassinato foi considerado um crime pol\u00edtico, o executor, um assassino de aluguel.<\/p>\n<p>Margarida Maria Alves foi presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Alagoa Grande na Para\u00edba, onde defendeu e lutou pelos direitos trabalhistas de trabalhadores rurais, o que gerou um conflito direto com latifundi\u00e1rios e usineiros.<\/p>\n<p>Margarida Maria Alves, presente!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23783\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[180],"tags":[222],"class_list":["post-23783","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-feminista","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6bB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23783"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23783\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}