{"id":23810,"date":"2019-08-21T05:50:19","date_gmt":"2019-08-21T08:50:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23810"},"modified":"2019-08-25T05:44:28","modified_gmt":"2019-08-25T08:44:28","slug":"comuna-amarildo-de-souza-sonhar-lutar-e-criar-o-poder-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23810","title":{"rendered":"Comuna Amarildo de Souza: sonhar, lutar e criar o Poder Popular!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/nDIabc0EtOqH51cCegbftSYhIL3ookZ6n2lhBP7TmQiqigVyrLWOL_MbBzIxoA1CYis4DE5anytlkh1EteZu2tkYNiKoPV5e3KhM9HFBAFd_okUmNGIsAfUGSSx5bOo__xDzPM3X_ml5Dg-pnTb7-VsKCg1oH8vldDH_zC9-daKGiuTadtANEOqv_LFK7li_2-Zet_FjCSUopFzttLhPpAWycPf6IQ4cucoJ2dxFSYSZhLKMNzeA1_NnMvsEmyoBUOI245V_2D_djtnXRfwoSVd198hLR12EC4Qtjlqe_bALlwz2qK2ngW17RWSkMWq7vuNeRqPKlTYGmVUKbaSXPm9BXWoj-S3OdZguH8-xApxYe4cMlu5zCqwHtAKxf86t6grbrVfXDYC13GMhQdIXrqed73iWRBqoWPZyD7lBFtUF1DRe-bEeMNXpVggX0xJDpCOYjmY27R24lPmPRp2UG_TfKx-1ubH7kBu7hhpOAzNjc7EalPragdxq-hEGpDLf9UxbdizcDgRKbyxq_cE96EnTkeCt5LYye-0pQ_vI1oC7MEQQs4-DQg49O8Ub9n_hkYmnTtZRkUzo5RZnlSErTkWfYiL3ygjMYZxWbw0w0ZfSJLlLEo_IqcQL2yLP0nOfWQ6SGzONLtbdg8eY-ElszzVGbiaqBr2H=w561-h421-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Parece que foi ontem quando entramos pela primeira vez naquele territ\u00f3rio desconhecido. O sol j\u00e1 se colocava em retirada e o frio gelava as faces de quem observava atentamente a materializa\u00e7\u00e3o de um sonho conquistado. Cinco longos anos se passaram desde nossa entrada nesta terra intitulada em nossa chegada como Comuna Amarildo de Souza. Apesar da conquista da terra, muitas foram as dificuldades enfrentadas, por\u00e9m, nada que n\u00e3o pudesse ser superado pelos\/as trabalhadores\/as organizados\/as. Dito e feito!<\/p>\n<p>Em 5 de julho de 2019, as e os Amarildos comemoraram cinco anos do assentamento e um ano de consolida\u00e7\u00e3o do nosso projeto de comercializa\u00e7\u00e3o de cestas de alimentos agroecol\u00f3gicos, que vem gerando bons frutos para o conjunto de todos\/as que acreditam em um outro modelo de reforma agr\u00e1ria para o Brasil, tendo como princ\u00edpios o uso coletivo da terra e a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica. Contudo, estes cinco anos de resist\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o significativos apenas para os residentes da Comuna Amarildo. Extrapolam as fronteiras de nossas porteiras para dialogar com cada fam\u00edlia brasileira que sofre na pele as dificuldades de uma sociedade excludente por defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reforma agr\u00e1ria no Brasil ainda \u00e9 uma demanda urgente para nossa sociedade sendo um dever da classe trabalhadora organizada, do campo e da cidade, a luta incessante por uma efetiva reforma agr\u00e1ria que promova a agroecologia e a dignidade no campo, gerando autonomia para os produtores e ferramentas para um real desenvolvimento sustent\u00e1vel do meio rural.<\/p>\n<p>Esta necessidade se expressa n\u00e3o apenas pelo n\u00famero reduzido em que se encontra a classe trabalhadora do campo, mas tamb\u00e9m pelo avan\u00e7o desenfreado de uma pol\u00edtica neoliberal de entreguismo de toda riqueza da na\u00e7\u00e3o brasileira que beneficia apenas os bolsos dos grandes monop\u00f3lios do agroneg\u00f3cio. A luta pela supera\u00e7\u00e3o do capitalismo no Brasil perpassa diretamente pelo enfrentamento ao agroneg\u00f3cio, setor que movimenta bilion\u00e1rias quantias com grande peso na balan\u00e7a comercial do pa\u00eds. E o enfrentamento ao agroneg\u00f3cio perpassa diretamente pela disputa do territ\u00f3rio brasileiro. Sendo assim, como dizem nossos companheiros e companheiras do MST, \u201cOcupar, Resistir e Produzir\u201d \u00e9 t\u00e1tica importante na luta pela constru\u00e7\u00e3o do Socialismo e de nossa soberania pol\u00edtica. Um pa\u00eds incapaz de alimentar sua na\u00e7\u00e3o sempre estar\u00e1 fadada a submiss\u00e3o do capital internacional.<\/p>\n<p>No entanto, antes de levantarmos em unidade nossa bandeira da reforma agr\u00e1ria, precisamos da exata compreens\u00e3o de qual modelo de reforma agr\u00e1ria atende hoje as demandas da classe trabalhadora, quer nos permita trilhar os caminhos da revolu\u00e7\u00e3o. Por isso, compreender a l\u00f3gica perversa do \u201cagronegocinho\u201d \u00e9 crucial para o avan\u00e7o da discuss\u00e3o. Um mecanismo desenhado para frear aquilo que se prop\u00f5e a construir. Uma pol\u00edtica que destina fam\u00edlias a terras isoladas, sem nenhum tipo de recurso financeiro e t\u00e9cnico que promova o desenvolvimento da agroecologia; que incentiva o uso de um pacote tecnol\u00f3gico (sementes h\u00edbridas, OGMs, agrot\u00f3xicos) que atende as demandas da obsolesc\u00eancia programada do capital, endividando e expulsando agricultores do campo com linhas de cr\u00e9dito que, por incapacidade de competir com os grandes investidores, declara fal\u00eancia, vende a terra e torna-se um sem terra novamente.<\/p>\n<p>Esta engrenagem malevolamente elaborada promove uma esperan\u00e7a aos \u201cbeneficiados\u201d, mas fortalece continuamente a concentra\u00e7\u00e3o de terra no Brasil.<\/p>\n<p>Em nosso assentamento, compreendemos a terra como um patrim\u00f4nio da humanidade e n\u00e3o como uma mercadoria: terra pra quem nela trabalha. Por isso fazemos o uso coletivo da mesma. Sem loteamento, buscamos reduzir a influ\u00eancia da propriedade privada em nossas rela\u00e7\u00f5es, mas garantindo a cada assentado sua propriedade pessoal.<\/p>\n<p>A liberdade do cultivo individual respeita as particularidades de cada fam\u00edlia, mas a possibilidade de ali haver trabalho coletivo tamb\u00e9m permite visualizar a pratica que \u201csozinho posso ir mais r\u00e1pido, mas juntos, vamos muito mais longe\u201d. No que se refere a nossa produ\u00e7\u00e3o, trabalhamos de forma irrestrita a agroecologia, seja ela em suas dimens\u00f5es t\u00e9cnica, ambiental, econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m \u00e9tica, cultural e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A agroecologia \u00e9 arma contra as fal\u00e1cias do capitalismo verde, pois permite o maior aproveitamento do solo, redu\u00e7\u00e3o no custo de produ\u00e7\u00e3o, relativa autonomia frente ao mercado, um produto final de alta qualidade aliado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental e rela\u00e7\u00f5es livres de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso afirmamos que n\u00e3o basta levantar a bandeira da reforma agr\u00e1ria, \u00e9 preciso erguer um novo projeto de reforma agr\u00e1ria, que acabe com a l\u00f3gica do loteamento, que possua condi\u00e7\u00f5es de promover a agroecologia via aparato estatal de extens\u00e3o rural e que tenha como base estrat\u00e9gica a planifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira de acordo com nossa capacidade produtiva e demanda, garantindo o abastecimento interno e a soberania alimentar do Brasil.<\/p>\n<p>Contudo, a reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda brasileira e sua efetiva inser\u00e7\u00e3o nas massas \u00e9 elemento chave para a materializa\u00e7\u00e3o de um novo projeto de reforma agr\u00e1ria e \u00e9 na fonte da solidariedade entre os\/as trabalhadores\/as que devemos beber todos os dias de nossas vidas. Atrav\u00e9s da pr\u00e1xis desta solidariedade, por meio da unidade na a\u00e7\u00e3o, que esta reorganiza\u00e7\u00e3o poder\u00e1 se insurgir.<\/p>\n<p>Pela agroecologia tamb\u00e9m perpassa a reorganiza\u00e7\u00e3o social do trabalho. N\u00e3o uma meritocracia produtivista, mas uma divis\u00e3o igualit\u00e1ria de tempo de trabalho, cada qual de acordo com sua capacidade. Decis\u00f5es tomadas coletivamente em reuni\u00f5es peri\u00f3dicas, distribui\u00e7\u00e3o de renda n\u00e3o por fam\u00edlia, mas sim por cada trabalhador e trabalhadora que ali contribui com seu suor \u2026 Enfim, ainda h\u00e1 muito a ser feito na busca pela supera\u00e7\u00e3o dos valores burgueses impregnados em nossos pensamentos e a\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 poss\u00edvel afirmar que, aqui na Comuna Amarildo de Souza, encontra-se em constru\u00e7\u00e3o o que entendemos por Poder Popular.<\/p>\n<p>LUTAR, CRIAR, PODER POPULAR<\/p>\n<p>Fabio Ferraz<br \/>\nPCB Florian\u00f3polis<br \/>\nAssentado da reforma agr\u00e1ria no Assentamento Comuna Amarildo de Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23810\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,20],"tags":[219],"class_list":["post-23810","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s6-movimentos","category-c1-popular","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6c2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23810","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23810"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23810\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23810"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23810"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23810"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}