{"id":2384,"date":"2012-02-08T17:18:46","date_gmt":"2012-02-08T17:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2384"},"modified":"2012-02-08T17:18:46","modified_gmt":"2012-02-08T17:18:46","slug":"qo-primeiro-passo-e-levantar-bem-alto-a-bandeira-da-luta-anticapitalistaq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2384","title":{"rendered":"&#8220;O primeiro passo \u00e9 levantar bem alto a bandeira da luta anticapitalista&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Italiano da prov\u00edncia de Lucca, na Toscana, Vito Giannotti foi metal\u00fargico e no in\u00edcio dos anos 1990 colaborou decisivamente na cria\u00e7\u00e3o do N\u00facleo Piratininga de Comunica\u00e7\u00e3o (NPC), entidade que realiza cursos para lutadores sociais e pol\u00edticos sobre comunica\u00e7\u00e3o sindical e popular. Nesta entrevista ao Portal do PCB, Vito avalia como a imprensa utiliza Marx na crise econ\u00f4mica e defende a utiliza\u00e7\u00e3o de todos os canais e ve\u00edculos para informar os trabalhadores.<\/em><\/p>\n<p><strong>PCB &#8211; Como estudioso e militante da comunica\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea v\u00ea os grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o citarem Marx para debater a atual crise econ\u00f4mica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>VITO GIANNOTTI &#8211;<\/strong> \u00c9natural. No s\u00e9culo XIX, Marx fez uma an\u00e1lise do capital que valeu para ontem, vale hoje e continuar\u00e1 v\u00e1lida amanh\u00e3. Sua descri\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capital, sobre os pre\u00e7os, a mais valia, o lucro e a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 completamente atual.<\/p>\n<p>O que ele fala da aliena\u00e7\u00e3o, da ideologia, das classes sociais interessa a qualquer leitor dos jornal\u00f5es comerciais do sistema como a todo militante de esquerda. Por isso a imprensa burguesa, para analisar e explicar a atual crise, cita Marx. N\u00e3o \u00e9 por nenhuma paix\u00e3o, obviamente.<\/p>\n<p><strong>PCB &#8211; Realidades como a dos pa\u00edses europeus e do Oriente M\u00e9dio s\u00e3o fielmente retratadas na m\u00eddia?<\/strong><\/p>\n<p>VG &#8211; Nem todo jornal da imprensa comercial e patronal \u00e9 igual. Voc\u00ea tem jornais e revistas que s\u00e3o verdadeiros panfletos do conservadorismo. \u00c9 o caso de <em>O Globo<\/em> ou do panfleto da extrema direita que \u00e9 a revista <em>Veja<\/em>. Estes s\u00e3o ferramentas da burguesia para moldar a cabe\u00e7a do seu p\u00fablico. S\u00e3o pura propaganda pol\u00edtico-ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Ao lado disso voc\u00ea tem jornais ou revistas que s\u00e3o feitos para informar o mais fielmente poss\u00edvel os donos do mundo, os executivos, os manda-chuvas. Os patr\u00f5es e seu Estado Maior precisam de informa\u00e7\u00f5es fi\u00e9is e seguras para saber onde investir seu dinheiro, onde expandir seus neg\u00f3cios. Para isso eles t\u00eam ve\u00edculos mais s\u00e9rios, cheios de dados e informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caso do jornal <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em> ou da grande revista do capital mundial, <em>The Economist. <\/em>S\u00e3o instrumentos refinados da burguesia local e mundial.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea quiser saber para onde vai a Gr\u00e9cia ou o Egito n\u00e3o adianta procurar no <em>O Globo<\/em> ou nos jornais-esgoto, como o<em> Expresso <\/em>ou <em>Meia Hora.<\/em><\/p>\n<p><strong>PCB &#8211; Como as novas tecnologias podem ser utilizadas pelos grupos revolucion\u00e1rios em sua luta contra-hegem\u00f4nica?<\/strong><\/p>\n<p>VG &#8211; A batalha da hegemonia n\u00e3o come\u00e7ou hoje. H\u00e1 dois s\u00e9culos que nossa classe produz seus jornais oper\u00e1rios, sindicais e populares. O que precisamos \u00e9 continuar esta batalha. No Brasil, os trabalhadores j\u00e1 tiveram dois jornais di\u00e1rios, <em>A Plebe<\/em> e <em>A hora Social<\/em> em 1919.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1946, o PCB possu\u00eda oito jornais di\u00e1rios. Um em cada grande capital do pa\u00eds. No Rio de Janeiro tivemos a <em>Tribuna Popular<\/em> com uma tiragem di\u00e1ria igual a do <em>Correio da Manh\u00e3,<\/em> que na \u00e9poca era o maior jornal do pa\u00eds. E hoje? Estamos longe de fazer nosso dever de casa.<\/p>\n<p>As novas m\u00eddias s\u00e3o importantes, s\u00e3o algumas das v\u00e1rias ferramentas, ao lado do velho jornal, das revistas, dos livros, do r\u00e1dio e da quase \u201ctoda-poderosa\u201d TV. Qual \u00e9 o melhor instrumento?<\/p>\n<p>Para quem quer disputar a hegemonia na sociedade, s\u00e3o todos. N\u00e3o se trata de \u2018ou isso ou aquilo\u2019. Trata-se de isso mais aquilo. Claro, vamos usar p\u00e1ginas na Internet<em>, blogs, Twitter, Facebook,<\/em> mas sem ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>Com as estat\u00edsticas do analfabetismo absoluto e funcional que persistem no nosso pa\u00eds, ainda estamos longe de dispensar livros e jornais. Estamos longe de pensar que grandes massas da popula\u00e7\u00e3o estar\u00e3o familiarizadas com <em>blogs<\/em>, <em>facebook<\/em> e <em>twitter<\/em> e milagrosamente lendo seus <em>e-books<\/em>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, com quem usa a m\u00eddia eletr\u00f4nica, blogs nele! Para os outros? Vamos continuar com r\u00e1dio, jornal, revistas, livros e, sobretudo, lutar para ter redes de televis\u00e3o democr\u00e1ticas e n\u00e3o capitanias heredit\u00e1rias como s\u00e3o hoje.<\/p>\n<p><strong>PCB &#8211; Ent\u00e3o os materiais impressos ainda s\u00e3o insubstitu\u00edveis numa porta de f\u00e1brica ou sala de aula?<\/strong><\/p>\n<p>VG &#8211; S\u00e3o muito necess\u00e1rios. N\u00e3o s\u00f3 nas portas de f\u00e1brica ou salas de aula, mas nas m\u00e3os e bolsos de cada cidad\u00e3o, cada morador da cidade. \u00c9 a batalha di\u00e1ria com a nossa m\u00eddia contra a m\u00eddia deles, dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>PCB &#8211; Que avalia\u00e7\u00e3o voc\u00ea faz da trajet\u00f3ria do N\u00facleo Piratininga de Comunica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>VG &#8211; J\u00e1 s\u00e3o quase 20 anos durante os quais falamos e ensinamos as mesmas coisas: a necessidade de os trabalhadores constru\u00edrem suas ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o para fazerem a disputa de hegemonia na sociedade.<\/p>\n<p>Uma comunica\u00e7\u00e3o feita pelos trabalhadores, de acordo com seus interesses de classe. Que seja bem feita, bonita, atrativa, frequent\u00edssima, isto \u00e9, di\u00e1ria. E que transmita toda nossa pol\u00edtica de classe. Nosso projeto de uma nova sociedade, uma sociedade socialista.<\/p>\n<p><a name=\"_GoBack\"><\/a> Nisso, como nos ensina Gramsci, um dos dois componentes da hegemonia \u00e9 o convencimento. O outro \u00e9 a for\u00e7a. For\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o sindical, pol\u00edtica, partid\u00e1ria e que acaba em leis, institui\u00e7\u00f5es, que ir\u00e3o do Ex\u00e9rcito ao Judici\u00e1rio. Mas o primeiro passo, para o NPC, \u00e9 o convencimento. Ou seja, a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>PCB &#8211; Por fim, em seu XIV Congresso, o PCB aprovou a proposta de cria\u00e7\u00e3o de uma Frente Anticapitalista e Antiimperialista. Qual sua avalia\u00e7\u00e3o sobre a proposta?<\/strong><\/p>\n<p>VG &#8211; Acho muito boa a formula\u00e7\u00e3o da luta anticapitalista e anti-imperialista. O problema \u00e9 como convencer, dezenas, centenas, milhares e milh\u00f5es disso. Esse \u00e9 o papel da comunica\u00e7\u00e3o. Hoje o primeiro passo \u00e9 levantar bem alto a bandeira da luta anticapitalista, isto \u00e9, do socialismo. O socialismo como proposta concreta de organiza\u00e7\u00e3o de outra sociedade completamente diferente da desgraceira que a\u00ed est\u00e1. Pouco se fala disso. Mas sem isso, nossa comunica\u00e7\u00e3o acaba sendo o conto da carochinha.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Imprensa Popular. Edi\u00e7\u00e3o Fevereiro de 2012.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: IP\n\n\n\n\n\n\n\n\nPara Vito Giannotti, todas as ferramentas s\u00e3o v\u00e1lidas para quem disputa a hegemonia na sociedade\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2384\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[96],"tags":[],"class_list":["post-2384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c109-imprensa-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Cs","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2384\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}