{"id":23845,"date":"2019-08-28T02:58:59","date_gmt":"2019-08-28T05:58:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23845"},"modified":"2019-08-28T02:58:59","modified_gmt":"2019-08-28T05:58:59","slug":"a-devastacao-da-amazonia-e-os-interesses-imperialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23845","title":{"rendered":"A devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e os interesses imperialistas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.esquerdadiario.com.br\/local\/cache-vignettes\/L653xH438\/arton30299-836c1.jpg?1566597674\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Qual o interesse de Macron, Merkel e o G7 diante do fogo bolsonarista na Amaz\u00f4nia?<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Acier<\/p>\n<p>Natal<br \/>\n@AcierAndy<\/p>\n<p>ESQUERDA DI\u00c1RIO<\/p>\n<p>A crise com a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia pela sede predat\u00f3ria de Bolsonaro e dos capitalistas do agroneg\u00f3cio ganhou novas propor\u00e7\u00f5es. O tema ganhou repercuss\u00e3o internacional e agora envolve um choque mais direto entre o governo de extrema direita no Brasil, de um lado, e algumas pot\u00eancias imperialistas, em particular a Fran\u00e7a, de outro.<\/p>\n<p>Emmanuel Macron, presidente de uma mais antigas na\u00e7\u00f5es colonialistas da terra, buscou nestes \u00faltimos dias se apropriar, em fun\u00e7\u00e3o de seus objetivos particulares, da ira mundial desatada diante da destrui\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do mundo pelo agroneg\u00f3cio brasileiro. Na reuni\u00e3o o G7 &#8211; c\u00fapula que abriga os pa\u00edses l\u00edderes da espolia\u00e7\u00e3o mundial &#8211; Macron sugeriu tomar medidas acerca do tema. Jornais alem\u00e3es como o Die Zeit sugerem que chegou o momento de aplicar san\u00e7\u00f5es contra Bolsonaro.<\/p>\n<p>Na fase atual do conflito, Macron acusou Bolsonaro de mentiu ao assumir compromissos em defesa do ambiente na c\u00fapula do G20, em junho, e afirmou que isso inviabilizaria a ratifica\u00e7\u00e3o do acordo comercial entre a Uni\u00e3o Europeia e o Mercosul (a Irlanda seguiu a mesma linha). Esse acordo comercial entre os dois blocos &#8211; um pacto de submiss\u00e3o do Cone Sul aos mandamentos do capitalismo europeu &#8211; prev\u00ea, em 15 anos, zerar as tarifas de importa\u00e7\u00e3o sobre cerca de 90% do com\u00e9rcio bilateral, aprofundando o vi\u00e9s agr\u00e1rio-exportador do Brasil em troca da importa\u00e7\u00e3o da manufatura e alta tecnologia.<\/p>\n<p>Desde a c\u00fapula do G20 Macron (com o benepl\u00e1cito da chanceler alem\u00e3 Angela Merkel) e Bolsonaro vem se engalfinhando em disputas ret\u00f3ricas, e lan\u00e7ando m\u00e3o de uma verdadeira constela\u00e7\u00e3o de hipocrisias: o governo franc\u00eas tenta retratar-se como \u201co maior defensor da biodiversidade e da natureza\u201d, escudado no Acordo de Paris de 2015, enquanto Bolsonaro chegou a c\u00famulo de postar-se como \u201ccombatente pela soberania nacional contra a mentalidade colonial\u201d dos europeus.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel defender a biodiversidade e os recursos naturais amaz\u00f4nicos sem atacar profundamente os interesses dos capitalistas, tanto os nacionais quanto os estrangeiros, que fazem a Amaz\u00f4nia &#8211; fundamental, entre outras quest\u00f5es, para a regula\u00e7\u00e3o da temperatura na terra &#8211; arder em chamas, espremida entre o agroneg\u00f3cio e a voracidade imperialista.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 preciso esclarecer, como se ainda restassem d\u00favidas: Bolsonaro (assim como a c\u00fapula das For\u00e7as Armadas, estruturalmente vinculadas aos EUA desde a II Guerra Mundial) n\u00e3o tem nenhum vi\u00e9s de defesa soberana dos recursos naturais brasileiros. \u00c9 um capacho que ajoelha no altar de Trump e dos Estados Unidos; um literal lambe-botas que entrega tudo o que pode, desde a base de Alc\u00e2ntara no Maranh\u00e3o, passando pela privatiza\u00e7\u00e3o de in\u00fameras empresas estatais com o objetivo de entreg\u00e1-las aos Estados Unidos (com a ajuda inestim\u00e1vel da pr\u00f3-imperialista Lava Jato), at\u00e9 a permiss\u00e3o para que uma empresa privada dos EUA monitore a Amaz\u00f4nia no lugar do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). As medidas reacion\u00e1rias de Bolsonaro s\u00e3o ataques diretos aos povos ind\u00edgenas e quilombolas, e aos meios de exist\u00eancia de toda a popula\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do agroneg\u00f3cio, dos bancos e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Prova de seu capachismo desenvolto \u00e9 a pr\u00f3pria assinatura do acordo comercial Mercosul-UE. Como dissemos, Bolsonaro e seu governo firmaram um pacto de escraviza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores brasileiros \u00e0 vol\u00fapia dos conglomerados econ\u00f4micos da Alemanha, da Holanda, da B\u00e9lgica e da mesma Fran\u00e7a cuja mentalidade colonialista julga combater.<\/p>\n<p>Entretanto, as frases feitas de Macron, Merkel, Boris Johnson e outros governos imperialistas sobre a \u201cdefesa da Amaz\u00f4nia\u201d n\u00e3o passam disso: frases demag\u00f3gicas, c\u00ednicas e mentirosas. Fran\u00e7a, Alemanha, Inglaterra, Estado Espanhol, Holanda, B\u00e9lgica n\u00e3o nutrem qualquer interesse pela preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas grandes eixos de conflito que atravessam a crise amaz\u00f4nica, que revelam que a brutalidade de Bolsonaro n\u00e3o nos pode levar a cair na armadilha dos interesses vorazes do imperialismo e seus monop\u00f3lios, ex\u00edmios destruidores das riquezas naturais no mundo todo:<\/p>\n<p>1. Guerra comercial Estados Unidos e China<\/p>\n<p>Um dos principais fatores materiais que movem a crise ambiental brasileira \u00e9 a postura do Brasil em meio a guerra comercial entre Donald Trump e Xi Jinping.<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro quer aproveitar a janela de oportunidade que se abriu para a exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os para a China. Isso porque este pa\u00eds aplicou tarifas \u00e0 soja dos EUA, prejudicando o pre\u00e7o desse produto norte-americano em repres\u00e1lia \u00e0s tarifas que Trump aplicou contra a China. As novas tarifas chinesas atingem o valor de U$S75 bilh\u00f5es sobre a soja estadunidense. Como o gr\u00e3o norte-americano ficou mais caro, a China substituiu as compras dos EUA pelo produto do Brasil. Com isso, o Brasil se tornou o maior exportador de soja para China \u2013 e do mundo. Em 2018, o primeiro ano da guerra comercial, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a China cresceram 35% na compara\u00e7\u00e3o com 2017, gerando uma balan\u00e7a comercial positiva para o Brasil em US$ 30 bilh\u00f5es. A soja foi a maior beneficiada, com uma exporta\u00e7\u00e3o adicional de US$ 7 bilh\u00f5es para a China, na compara\u00e7\u00e3o com 2017.<\/p>\n<p>As queimadas criminosas promovidas pelo agroneg\u00f3cio amigo de Bolsonaro seguem a trilha da expans\u00e3o da fronteira sojeira, especialmente no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, cujo aumento exponencial, feito em base \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, busca atender \u00e0 sede de lucro dos capitalistas do agroneg\u00f3cio com as exporta\u00e7\u00f5es \u00e0 China.<\/p>\n<p>Desde 1850, quando o chefe do Observat\u00f3rio Naval dos Estados Unidos, Matthew Fontaine Maury, sugeriu que seu pa\u00eds evitasse a Guerra Civil e continuasse expandindo sua produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o com m\u00e3o de obra escrava levando toda a estrutura, incluindo os escravos africanos, para a regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira (como conta Gerald Home, no livro \u201cO Sul mais distante\u201d), os Estados Unidos tem interesses materiais diretos na Floresta Amaz\u00f4nica, e n\u00e3o tem nada a ver com sua preserva\u00e7\u00e3o. S\u00e3o dezenas de monopolios e fundos de investimento norte-americanos cuja cadeia produtiva est\u00e1 ligada ao desmatamento, incluindo a BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, e a Capital Group, traders de gr\u00e3os como Cargill e ADM, al\u00e9m de empresas farmac\u00eauticas (Johnson&amp;Johnson e Pfizer), de engenharia gen\u00e9tica e de cosm\u00e9ticos que exploram as riquezas da regi\u00e3o. Lucram com a destrui\u00e7\u00e3o da Amazonia, muito bem monitorada pelo Pent\u00e1gono e pelo Ex\u00e9rcito ianque.<\/p>\n<p>Diante disso, n\u00e3o espanta que institui\u00e7\u00f5es como a NASA divulguem informa\u00e7\u00f5es \u201cpreocupantes\u201d sobre o avan\u00e7o do desmatamento. N\u00e3o est\u00e3o preocupados com a Amazonia ou o meio ambiente, e sim com os interesses norte-americanos na maior floresta tropical do mundo, e tamb\u00e9m com a efic\u00e1cia da guerra comercial de Trump.<\/p>\n<p>2. Conflito entre os interesses do imperialismo europeu e o agroneg\u00f3cio brasileiro<\/p>\n<p>Macron, assim como Trump, n\u00e3o tem mais interesse na Amaz\u00f4nia do que proteger os neg\u00f3cios de seus monop\u00f3lios nacionais. Algumas das empresas que mais desmatam a floresta amaz\u00f4nica s\u00e3o francesas: os bancos Cr\u00e9dit Agricole (maior banco varejista da Fran\u00e7a) e o BNP Paribas, institui\u00e7\u00e3o financeira mais rica da Fran\u00e7a, est\u00e3o vinculados ao desmatamento, segundo relat\u00f3rio da Amazon Watch. Empresas como Guillemette &amp; Cie e Groupe Rougier recebem regularmente toneladas de madeira da empresa brasileira Benevides Madeiras, segundo o mesmo relat\u00f3rio. A francesa Dreyfuss tamb\u00e9m tem altos neg\u00f3cios na Amaz\u00f4nia. Consideram-na seu quintal de explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Assim como os Estados Unidos, a Fran\u00e7a e a Alemanha n\u00e3o desejam ver seu terreno de explora\u00e7\u00e3o eliminado em fun\u00e7\u00e3o do agrobusiness tupiniquim.<\/p>\n<p>Como velha pot\u00eancia colonial, que submetia os pa\u00edses oprimidos a uma selvagem explora\u00e7\u00e3o, a Fran\u00e7a tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pela liquida\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e ambientais nos quatro cantos do mundo. Basta como exemplo citar a hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o sangrenta da \u00c1frica pela Fran\u00e7a nos s\u00e9culos XIX e XX. Os processos de descoloniza\u00e7\u00e3o entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1970 representaram uma nova fase da extra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria das riquezas nacionais africanas, junto ao brutal processo de exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como o Congo, Guin\u00e9, Togo, Mali, N\u00edger, Chade, Maurit\u00e2nia, e especialmente a Arg\u00e9lia, que vivenciou massacres sucessivos de sua popula\u00e7\u00e3o entre 1954 e 1962.<\/p>\n<p>A demagogia de Macron n\u00e3o pode esconder que a Fran\u00e7a n\u00e3o tem nenhuma voca\u00e7\u00e3o de \u201crespeito a biodiversidade\u201d: \u00e9, sim, um dos pa\u00edses que mais devastam a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>3. Disputa entre Fran\u00e7a e Alemanha no acordo com o Mercosul<\/p>\n<p>Outro conflito inscrito na crise amaz\u00f4nica ocorre entre a Fran\u00e7a e a Alemanha acerca do acordo pactuado entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia. Berlim e Paris comungam do objetivo de sujeitar a classe trabalhadora latinoamericana a uma explora\u00e7\u00e3o superior. Este acordo de submiss\u00e3o do Cone Sul da Am\u00e9rica Latina pelas pot\u00eancias europ\u00e9ias, entretanto, n\u00e3o as favorece por igual. Os principais ganhadores seriam os exportadores de ve\u00edculos alem\u00e3es, que teriam tarifas zeradas para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o automotriz. J\u00e1 a Fran\u00e7a seria consideravelmente prejudicada em seu setor agr\u00edcola, que veria a entrada sem tarifas dos produtos agr\u00edcolas brasileiros aos mercados europeus que ora domina.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica agr\u00edcola \u00e9 um dos pilares da integra\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia e \u00e9 fundamental para a Fran\u00e7a. S\u00e3o os franceses que conduzem a agricultura para o restante do continente. Al\u00e9m da Fran\u00e7a, a Irlanda tamb\u00e9m exigiu insistentemente no \u00faltimo per\u00edodo para que a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o fosse t\u00e3o generosa no setor agr\u00edcola, especialmente o de carnes, nesse acordo. O acordo vai na contram\u00e3o dessas exig\u00eancias: inclui uma cota anual de 99 mil toneladas de carne com tarifas reduzidas.<\/p>\n<p>Por isso o presidente franc\u00eas amea\u00e7a o cancelamento do acordo, usando a crise amaz\u00f4nica provocada pela sede capitalista de Bolsonaro como \u00e1libi. Macron busca atender os interesses do agroneg\u00f3cio franc\u00eas, que n\u00e3o deseja a entrada de produtos brasileiros com maior facilidade na Europa, sem com isso diminuir os acordos de explora\u00e7\u00e3o do Cone Sul. Assim tamb\u00e9m o primeiro ministro da Irlanda, Leo Varadkar, anunciou que \u201cdiante dos acontecimentos\u201d vai bloquear a implanta\u00e7\u00e3o do acordo.<\/p>\n<p>A Alemanha, por sua vez, defende a manuten\u00e7\u00e3o do acordo comercial, em vista do cen\u00e1rio ca\u00f3tico de sua economia, que apresenta fortes sinais recessivos devido \u00e0 retra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio mundial (efeito do atrito entre EUA e China), que deprime sua produ\u00e7\u00e3o industrial, altamente dependente das exporta\u00e7\u00f5es. O capital alem\u00e3o precisa de novas zonas de escoamento de sua produ\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode depender tanto da China e da UE em crise.<\/p>\n<p>Este conflito ainda est\u00e1 em curso e n\u00e3o tem um final estabelecido.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas elementos se imbricam na catastr\u00f3fica crise ambiental do Brasil. O certo \u00e9 que a sanha dos latifundi\u00e1rios sojeiros no Brasil por incrementar seus neg\u00f3cios chineses se choca com a necessidade dos distintos imperialismos de preservar seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios na Amaz\u00f4nia, o que pode levar a que a crise saia do controle nos marcos dos perigosos ind\u00edcios de uma nova recess\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos perder de vista a antipatia entre Trump e os governos da Fran\u00e7a e da Alemanha. Golpear Bolsonaro \u00e9 um movimento que sugere indiretamente um ataque a Trump, que o tem como aliado central na Am\u00e9rica Latina. Tanto assim que Trump anunciou ter falado por telefone com Bolsonaro nesta sexta-feira (23), indicando que a rela\u00e7\u00e3o entre EUA e Brasil &#8220;nunca esteve melhor&#8221;.<\/p>\n<p>Bolsonaro, agroneg\u00f3cio e G7: tirem suas m\u00e3os da Amaz\u00f4nia<br \/>\nSe \u00e9 evidente que a expans\u00e3o da soja e os interesses do agroneg\u00f3cio brasileiro &#8211; intimamente vinculados ao capital financeiro e aos bancos &#8211; s\u00e3o uma amea\u00e7a direta ao meio ambiente, \u00e9 certo que a voracidade dos governos imperialistas e colonialistas estrangeiros n\u00e3o representa perigo menor. Falam da Amaz\u00f4nia porque a querem integralmente para seus interesses monop\u00f3licos. Ao lutar contra Bolsonaro, n\u00e3o podemos esquecer de exigir que as grandes pot\u00eancias capitalistas tirem suas m\u00e3os de nossos recursos naturais.<\/p>\n<p>Em diversas partes do mundo os jovens protagonizam in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas fruto da devasta\u00e7\u00e3o ambiental, como as &#8220;sextas-feiras pelo futuro na Europa&#8221;. No Brasil tamb\u00e9m s\u00e3o os jovens a linha de frente dos questionamentos \u00e0s pol\u00edticas devastadoras de Bolsonaro. \u00c9 preciso um programa e uma estrat\u00e9gia anticapitalista ao lado da classe trabalhadora para que essa jovem gera\u00e7\u00e3o possa lutar pelo seu futuro.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio impor a imediata suspens\u00e3o de todos repasses financeiros bilion\u00e1rios do plano Safra aos latifundi\u00e1rios e sua imediata aplica\u00e7\u00e3o em planos de combate ao inc\u00eandio, reflorestamento e gest\u00e3o das florestas. Frente aos bilh\u00f5es de d\u00f3lares exportados anualmente em soja, milho e carne \u00e0s custas de devasta\u00e7\u00e3o ambiental e humana, \u00e9 preciso levantar uma campanha pela estatiza\u00e7\u00e3o sem indeniza\u00e7\u00e3o de todas as traders e seus bilion\u00e1rios recursos financeiros, log\u00edsticos e tecnol\u00f3gicos. A posse dessas empresas implicaria em um monop\u00f3lio estatal do com\u00e9rcio da soja, permitindo que essas riquezas n\u00e3o sirvam apenas a um punhado de imperialistas e latifundi\u00e1rios. Uma empresa estatal, controlada pelos trabalhadores, permitiria o uso das mais modernas tecnologias, hoje empregadas para o lucro e a devasta\u00e7\u00e3o, para o desenvolvimento humano e de outro metabolismo, org\u00e2nico com a natureza e todos povos tradicionais e origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>Uma reforma agr\u00e1ria radical, abolindo o latif\u00fandio depredador, \u00e9 uma tarefa democr\u00e1tica que no Brasil est\u00e1 indissociavelmente vinculada com a perspectiva de um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo. Os governos do PT, de concilia\u00e7\u00e3o com a direita e o agroneg\u00f3cio, apenas incrementaram os milh\u00f5es de hectares em latif\u00fandios, que passaram a representar quase 25% do PIB em 2015. O projeto de pa\u00eds petista, apoiado naqueles que hoje s\u00e3o base do bolsonarismo, n\u00e3o \u00e9 nenhuma alternativa ao cataclismo da extrema direita.<\/p>\n<p>Elementos de um programa como este, oper\u00e1rio e anticapitalista, seriam uma poderosa alavanca na luta para os trabalhadores de todo pa\u00eds tomarem em suas m\u00e3os a luta junto dos camponeses, quilombolas e povos origin\u00e1rios para abolir essa heran\u00e7a colonial e escravocrata do latif\u00fandio, e oferecer terra, cr\u00e9dito e tecnologias a todos que queiram trabalhar nela.<\/p>\n<p>Impulsionemos com todas as for\u00e7as os atos em todo o pa\u00eds contra a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente pelos capitalistas, inclusive aqueles que se revestem com peles de cordeiro para melhor explorar os recursos mundiais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23845\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[224],"class_list":["post-23845","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6cB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23845"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23845\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}