{"id":23870,"date":"2019-09-03T06:36:01","date_gmt":"2019-09-03T09:36:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23870"},"modified":"2019-09-03T06:36:01","modified_gmt":"2019-09-03T09:36:01","slug":"internacionalismo-nao-e-terrorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23870","title":{"rendered":"Internacionalismo n\u00e3o \u00e9 terrorismo!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/kaosenlared.net\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Nines-Maestro-300x225.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Prossegue na Espanha o processo contra Angeles Maestro e duas outras camaradas. Respondendo ao incitamento de organiza\u00e7\u00f5es sionistas, a Audi\u00eancia Nacional considera existirem \u201cind\u00edcios de criminalidade\u201d na solidariedade prestada ao martirizado povo palestino. O que est\u00e1 efetivamente sendo processado n\u00e3o \u00e9 apenas a solidariedade com o povo palestino, mas a solidariedade internacionalista em geral. Toda a solidariedade a Angeles Maestro e companheiras! Um dia vir\u00e1 em que Israel e toda a agress\u00e3o imperialista se sentar\u00e3o no banco dos r\u00e9us e responder\u00e3o pelos seus crimes.<\/p>\n<p>Angeles Maestro<\/p>\n<p>Recentemente, a Audi\u00eancia Nacional acusou do crime de financiar o terrorismo a duas companheiras e a mim. Os acontecimentos ocorreram em 2014 e 2015 quando, por ocasi\u00e3o de brutais invas\u00f5es de Gaza pelo ex\u00e9rcito israelense, com terr\u00edveis consequ\u00eancias de morte e destrui\u00e7\u00e3o, a Red Roja decidiu solicitar contribui\u00e7\u00f5es financeiras para ajudar o povo palestino, atrav\u00e9s de uma conta corrente instalada na sua p\u00e1gina web. Os fatos s\u00e3o os mesmos que relata o document\u00e1rio &#8220;Gaza&#8221;, que recebeu o pr\u00eamio Goya em janeiro passado\u00b9. Em junho passado, o tribunal n\u00famero 6 da referida Audi\u00eancia negou o arquivamento da acusa\u00e7\u00e3o contra n\u00f3s e foram iniciados procedimentos ordin\u00e1rios, uma vez que encontrou \u201csuficientes ind\u00edcios de criminalidade\u201d. O seu pronunciamento ocorreu ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o por parte da nossa defesa de um documento que credenciava o destino final dos fundos: a reconstru\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias destru\u00eddas nos ataques.<\/p>\n<p>O argumento da acusa\u00e7\u00e3o exercida pela organiza\u00e7\u00e3o israelita sediada em Nova York, o Lawfare Project, e aceite pela Audi\u00eancia Nacional como ind\u00edcio de criminalidade, foi a entrega da primeira quantia \u00e0 dirigente palestina Leila Khaled, por sua vez membro da Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP). O fundamento \u00e9 que essa organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 desde 2003 inclu\u00edda numa lista europeia de organiza\u00e7\u00f5es terroristas, elaborada pelos EUA ap\u00f3s os atentados contra as Torres G\u00eameas em 2001. A lista acima mencionada n\u00e3o foi transposta para as leis de cada Estado, pelo que n\u00e3o h\u00e1 qualquer impedimento para que representantes dessa organiza\u00e7\u00e3o atuem livremente na UE. Isso foi reconhecido em 2017 pela mesma Audi\u00eancia Nacional, que atrav\u00e9s da ju\u00edza Carmen Lamela, negou provimento \u00e0s den\u00fancias de organiza\u00e7\u00f5es israelenses contra a mesma Leila Khaled e permitiu a sua livre entrada na Espanha. Essas organiza\u00e7\u00f5es acusavam tamb\u00e9m o munic\u00edpio de Barcelona, patrocinador da Feira Literal em que a dirigente palestina finalmente interveio, dos crimes de \u201cintegra\u00e7\u00e3o em organiza\u00e7\u00e3o terrorista, colabora\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00e3o terrorista, apologia e exalta\u00e7\u00e3o do terrorismo, financiamento de atividades terroristas, descaminho de fundos p\u00fablicos e prevarica\u00e7\u00e3o\u201d. Tudo isso, com base na natureza &#8220;terrorista&#8221; da FPLP.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a PFLP \u00e9 membro fundador e parte destacada da Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP), reconhecida desde 1974 pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas como &#8220;\u00fanico representante leg\u00edtimo do povo palestino&#8221;\u00b2. Para al\u00e9m dos pormenores espec\u00edficos do processo aberto contra n\u00f3s, a quest\u00e3o central subjacente a toda este assunto \u00e9 a dificuldade insuper\u00e1vel de encontrar uma defini\u00e7\u00e3o de terrorismo que cumpra o requisito jur\u00eddico fundamental de ser aplic\u00e1vel em termos gerais. In\u00fameras perguntas v\u00eam \u00e0 mente. Pode ser considerada terrorista a resist\u00eancia contra a ocupa\u00e7\u00e3o nazista na Segunda Guerra Mundial? Foi terrorista a luta do povo vietnamita contra o invasor norte-americano? Ou a do Congresso Nacional Africano contra o regime do apartheid na \u00c1frica do Sul? Ou a do povo argelino contra a ocupa\u00e7\u00e3o francesa? Os exemplos hist\u00f3ricos s\u00e3o quase infinitos e a tentativa de outorgar ao vencedor ou ao mais forte o direito de decidir quem \u00e9 terrorista, como pretende o Estado de Israel, contraria os pr\u00f3prios fundamentos do Direito Internacional. Isso foi reconhecido em centenas de resolu\u00e7\u00f5es pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que sempre afirmou a legitimidade da luta do povo palestino.<\/p>\n<p>O processo que continua contra n\u00f3s, tal como os procedimentos judiciais abertos contra representantes do movimento Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es (BDS), tem como objetivo a criminaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade internacionalista com o povo palestino e que os crimes di\u00e1rios que o sionismo perpetra contra ele sejam silenciados e impunes. O que est\u00e1 sendo processado n\u00e3o \u00e9 apenas a solidariedade para com o povo palestino, mas a solidariedade internacionalista em geral, como refletem os Autos emitidos pelo Tribunal que leva a cabo a nossa acusa\u00e7\u00e3o. Os &#8220;ind\u00edcios de criminalidade&#8221; que estima em n\u00f3s baseiam-se na solidariedade internacionalista exercida pela Red Roja para com Cuba, com a Venezuela, coma Bol\u00edvia, com o Saara &#8230; etc. O imperialismo euro-norte-americano, na busca desesperada de mat\u00e9rias-primas baratas, multiplica as extors\u00f5es e agress\u00f5es, tentando disfar\u00e7\u00e1-las como interven\u00e7\u00f5es em defesa dos direitos humanos. A ajuda humanit\u00e1ria, as esmolas destinadas a encobrir os horrores criados por eles mesmos ou o apoio a refugiados que fogem de guerras causadas pelo &#8220;Ocidente&#8221; devem chegar atrav\u00e9s de ONGs financiadas pelos seus governos, os seus banqueiros e as suas multinacionais.<\/p>\n<p>O que eles tentam remover \u00e9 a solidariedade pol\u00edtica, o tomar partido. E isso significa sempre posicionar-se contra a agress\u00e3o do imperialismo e do sionismo, independentemente da qualidade pol\u00edtica do governo do pa\u00eds atacado. A solidariedade internacionalista est\u00e1 nos ant\u00edpodas da caridade, uma vez que considera como sua a luta contra a opress\u00e3o e a injusti\u00e7a em qualquer lugar do mundo. E isso \u00e9 especialmente da responsabilidade dos povos do Estado espanhol que tiveram o privil\u00e9gio de viver em sua pr\u00f3pria carne o maior exemplo de solidariedade internacionalista e estritamente pol\u00edtica que a humanidade viveu: as Brigadas Internacionais. Com elas vieram milhares de jovens, homens e mulheres, de todos os pa\u00edses do mundo, dispostos a dar a vida contra o fascismo. Vieram tamb\u00e9m \u00e1rabes e, especificamente, palestinos e muitos judeus que fugiam da persegui\u00e7\u00e3o nazista nos seus pa\u00edses. A coisa mais importante que eles e elas trouxeram \u00e0 luta da Rep\u00fablica Espanhola contra o fascismo n\u00e3o foi o apoio militar, tal como o essencial da ajuda econ\u00f4mica que chegou ao povo palestino atrav\u00e9s da Red Roja n\u00e3o foi o seu valor. Foi a constata\u00e7\u00e3o de que, na luta desigual contra a tirania, aqueles que legitimamente lutam contra ela n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. A chegada das Brigadas Internacionais foi a que arrancou ao povo de Madri, arrasado pelos bombardeios e esmagado pelo sentimento de derrota perante o avan\u00e7o das tropas fascistas, a vontade inalien\u00e1vel de lutar expressa no grito de &#8220;N\u00e3o passar\u00e3o&#8221;. Algo desse alento deve continuar a chegar todos os dias com mais for\u00e7a ao povo palestino e a todos os povos do mundo que resistem ao imperialismo e ao sionismo.<\/p>\n<p>Mar\u00eda \u00c1ngeles Maestro Mart\u00edn (conhecida como Nines Maestro), m\u00e9dica cirurgi\u00e3, \u00e9 militante do Partido Comunista da Espanha (PCE) desde 1974. Fez parte da Secretaria de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, do Comit\u00ea Central e do Comit\u00ea Executivodo PCE. \u00c9 uma das fundadoras da frente pol\u00edtica Esquerda Unida, dentro da qual se situa em sua ala esquerda, como dirigente de tend\u00eancias como Plataforma de Izquierdas o Corriente Roja.<\/p>\n<p>1. A corajosa dedicat\u00f3ria de um de seus realizadores, Julio P\u00e9rez del Amo, ao povo palestino ao receber o pr\u00eamio Goya pode ser vista em: https:\/\/www.lavanguardia.com\/vida\/20170511\/422503605320\/denuncian-al-ayuntamiento-de-barcelona-por-la-conferencia-de-una-terrorista-palestina.html<\/p>\n<p>2. https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Declaraci%C3%B3n_de_independencia_de_Palestina<\/p>\n<p>Fonte:https:\/\/www.lahaine.org\/est_espanol.php\/el-internacionalismo-ies-terrorismo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23870\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[233],"class_list":["post-23870","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6d0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23870","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23870"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23870\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}