{"id":23881,"date":"2019-09-05T16:08:51","date_gmt":"2019-09-05T19:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23881"},"modified":"2019-09-10T22:53:39","modified_gmt":"2019-09-11T01:53:39","slug":"basta-de-massacre-aos-povos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23881","title":{"rendered":"Basta de massacre aos povos ind\u00edgenas!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/consumare.org\/activeapp\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/bellezaindigena56.1-1-768x511.jpg\"\/><!--more-->QUEST\u00c3O IND\u00cdGENA: MAIS DO QUE NUNCA, UM ASSUNTO DE TODA CLASSE TRABALHADORA<\/p>\n<p>Gustavo Velloso &#8211; militante do PCB de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira passada (27\/08), um jornalista espanhol publicou em um peri\u00f3dico de grande circula\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds (o jornal ABC) um artigo intitulado \u201cH\u00e1 canibais\u201d. Nesse texto, o autor comemora os recentes inc\u00eandios ocorridos na Amaz\u00f4nia brasileira, argumentando que essa poderia ser a oportunidade para levar de uma vez por todas a modernidade para uma regi\u00e3o que, em suas palavras \u201cesconde a maior concentra\u00e7\u00e3o de atraso da Terra\u201d.<\/p>\n<p>O articulista (cujo nome n\u00e3o vale a pena mencionar, pois isso o ajudaria a conquistar a aten\u00e7\u00e3o desejada) justifica que o \u201catraso\u201d da regi\u00e3o amaz\u00f4nica consiste na exist\u00eancia dentro dela de \u201cfeiticeiros\u201d e \u201ctribos de canibais\u201d. Ele prop\u00f5e uma invas\u00e3o militar da floresta, a condu\u00e7\u00e3o para a cadeia de todos os l\u00edderes espirituais que fossem encontrados e a exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica das \u201cpr\u00e1ticas sat\u00e2nicas\u201d realizadas pelos \u00edndios como forma de desmascarar a \u201cesquerda\u201d que os apoia.<\/p>\n<p>Esse discurso (embora extremo, de t\u00e3o absurdo) j\u00e1 \u00e9 um velho conhecido nosso. Desde o per\u00edodo colonial brasileiro, os grupos sociais hegem\u00f4nicos elaboram argumentos desse tipo para justificar e legitimar a submiss\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas aos poderes dominantes. Inicialmente, a estrutura de explora\u00e7\u00e3o colonial subordinada \u00e0s monarquias portuguesa e espanhola (s\u00e9culos XVI-XVIII). Depois, o Estado nacional brasileiro atrelado \u00e0 economia mundial capitalista em suas diferentes fases (s\u00e9culos XIX-XXI).<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia ideol\u00f3gica desses grupos hegem\u00f4nicos, embora tenha sofrido algumas transforma\u00e7\u00f5es ao longo dos s\u00e9culos, possui uma l\u00f3gica fundamental que se mant\u00e9m: associar as popula\u00e7\u00f5es tradicionais ao \u201cmau\u201d (1), \u00e0 \u201cvadiagem\u201d (2) e ao \u201catraso\u201d (3) seria para eles o caminho mais f\u00e1cil para justificar o uso da viol\u00eancia para impor aos ind\u00edgenas o \u201cbem\u201d (1), o \u201ctrabalho\u201d (2) e a \u201cmodernidade\u201d (3).<\/p>\n<p>Quem conhece a hist\u00f3ria do capitalismo mundial sabe bem para onde leva e o que significa o uso dessa viol\u00eancia: a desorganiza\u00e7\u00e3o das comunidades tradicionais, a desapropria\u00e7\u00e3o de suas popula\u00e7\u00f5es, a convers\u00e3o das coletividades em uma simples soma de indiv\u00edduos isolados, a propriedade privada da terra, a imposi\u00e7\u00e3o do trabalho estranhado, proletariza\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que Karl Marx classificou como \u201cA assim chamada acumula\u00e7\u00e3o primitiva\u201d. Nesse processo, a hist\u00f3ria dos povos ind\u00edgenas americanos encontra-se com a dos camponeses europeus, dos cultivadores africanos e asi\u00e1ticos etc.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 quest\u00e3o do pseudojornalista espanhol, o seu discurso n\u00e3o expressa apenas um profundo desconhecimento antropol\u00f3gico e etnogr\u00e1fico a respeito das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia (o \u00faltimo registro seguro de pr\u00e1ticas antropof\u00e1gicas na regi\u00e3o data da \u00e9poca colonial). Ele expressa tamb\u00e9m uma vis\u00e3o de mundo e um projeto de sociedade que s\u00e3o compartilhados pelos setores mais reacion\u00e1rios e obscurantistas do planeta. Entre eles \u2013 sem d\u00favida o principal e mais interessado exemplo \u2013, o atual (des)governo brasileiro de Jair Bolsonaro e sua turma. Uma vis\u00e3o de mundo que interpreta tudo e todos (incluindo a natureza e a for\u00e7a de trabalho humana) como mercadorias dotadas de valor e pass\u00edveis de apropria\u00e7\u00e3o para a finalidade exclusiva da acumula\u00e7\u00e3o de capitais. Um projeto de barb\u00e1rie que pretende levar ao limite extremo a submiss\u00e3o completa da humanidade e dos recursos naturais aos interesses econ\u00f4micos das classes hegem\u00f4nicas do capitalismo.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do mandato, Bolsonaro adotou como advers\u00e1rios \u201cprivilegiados\u201d dois setores da classe trabalhadora e declarou guerra aberta contra eles: os intelectuais (incluindo professores, artistas, cientistas e produtores de cultura e conhecimento em geral) e as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Os motivos dessa escolha n\u00e3o s\u00e3o nada casuais, muito menos de ordem cultural ou identit\u00e1ria. Os intelectuais s\u00e3o aqueles cujo of\u00edcio envolve mais diretamente a compreens\u00e3o do real, das diferentes forma\u00e7\u00f5es sociais e de sua historicidade, condi\u00e7\u00e3o essencial para o vislumbre de uma possibilidade de organiza\u00e7\u00e3o alternativa \u00e0 ordem a mando do capital. Os povos ind\u00edgenas, por sua vez, s\u00e3o aqueles que efetivamente vivenciam de diferentes formas outras dessas l\u00f3gicas, demonstrando (a par com as experi\u00eancias socialistas exitosas que historicamente conhecemos) que o mundo organizado em torno da propriedade privada n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica realidade social poss\u00edvel. Muito menos a mais justa e desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Um governo orientado a realizar a todo custo os interesses do lucro e do capital, utilizando para isso os mais b\u00e1rbaros meios de viol\u00eancia e coer\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode aceitar a exist\u00eancia de agrupamentos humanos organizados em torno da propriedade coletiva dos recursos naturais em rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com o meio natural. Para combat\u00ea-los, compactua com queimadas de \u00e1rea florestal, com o assassinato de lideran\u00e7as, extingue demarca\u00e7\u00f5es de terras, realiza amea\u00e7as de genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca, a quest\u00e3o ind\u00edgena entre n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 um assunto secund\u00e1rio. \u00c9 um problema de toda esquerda e de toda classe trabalhadora. A defesa dos grupos amer\u00edndios \u00e9 a defesa de outras vias poss\u00edveis e n\u00e3o capitalistas para o futuro da humanidade. \u00c9 a defesa da propriedade coletiva, do trabalho n\u00e3o estranhado, da amplia\u00e7\u00e3o das nossas capacidades e possibilidades de realiza\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 tamb\u00e9m, por isso, parte indispens\u00e1vel da nossa defesa do socialismo.<\/p>\n<p>Foto: Mayke Toscano\/ GEMT (14\/11\/2013)<\/p>\n<p>https:\/\/fotospublicas.com\/ensaio-fotografico-mostra-cores-etnias-xii-jogos-povos-indigenas-mato-grosso-feito-fotografo-mayke-toscano\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23881\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163,20],"tags":[225],"class_list":["post-23881","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena","category-c1-popular","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6db","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23881\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}