{"id":23918,"date":"2019-09-10T22:53:01","date_gmt":"2019-09-11T01:53:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23918"},"modified":"2019-09-10T22:53:01","modified_gmt":"2019-09-11T01:53:01","slug":"crise-sociedade-do-espetaculo-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23918","title":{"rendered":"Crise, sociedade do espet\u00e1culo, guerra"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.elviejotopo.com\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/7.D.LOSURDO-bn.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Pref\u00e1cio do \u00faltimo livro de Domenico Losurdo,\u00a0A esquerda ausente.<br \/>\npor Domenico Losurdo\u00a0[*]<\/p>\n<p>N\u00e3o poderiam ser encontrados pormenores chocantes sobre epis\u00f3dios de crueldade?<br \/>\nOtto von Bismarck<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m mente tanto como o indignado.<br \/>\nFriedrich Nietzsche<\/p>\n<p>O historiador do futuro n\u00e3o deixar\u00e1 de se surpreender com um fen\u00f4meno que caracteriza a nossa sociedade e o nosso tempo. Por um lado, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ler em livros, revistas e jornais an\u00e1lises realistas e incisivas sobre a condi\u00e7\u00e3o atual do Ocidente, dos problemas e dramas de nosso presente. Uma crise pol\u00edtica acresce \u00e0 crise econ\u00f4mica: segundo autores de prest\u00edgio, h\u00e1 um esvaziamento da democracia, que regride perante as grandes fortunas e a &#8220;plutocracia&#8221;. Mas existe uma esquerda no Ocidente capaz de fazer essa an\u00e1lise e essa den\u00fancia e, a partir da\u00ed, articular um projeto de luta e transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do existente?<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 pol\u00edtica internacional, mesmo alguns \u00f3rg\u00e3os de imprensa que frequentemente se destacam pela sua coragem evitam admitir o car\u00e1ter neocolonial que tiveram as guerras mais recentes desencadeadas pelos Estados Unidos e pela OTAN no Oriente M\u00e9dio. Est\u00e1 \u00e0 vista de todos o horror de Gaza e a trag\u00e9dia que \u00e9 infligida ao povo palestino pelo dom\u00ednio e o expansionismo colonial de Israel. E n\u00e3o temos outro rem\u00e9dio a n\u00e3o ser perguntar novamente: existe uma esquerda no Ocidente capaz de se opor \u00e0 terr\u00edvel onda que agora semeia morte, destrui\u00e7\u00e3o e desenvolve os germes de uma conflagra\u00e7\u00e3o numa escala muito maior?<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2014, Seymour M. Hersh, jornalista americano premiado com o prestigiado Pr\u00eamio Pulitzer, fez importantes revela\u00e7\u00f5es sobre o uso de armas qu\u00edmicas na S\u00edria em 21 de agosto do ano anterior. N\u00e3o, os respons\u00e1veis por essa inf\u00e2mia n\u00e3o eram os l\u00edderes do pa\u00eds, mas os &#8220;rebeldes&#8221; apoiados pelas monarquias reacion\u00e1rias do Golfo P\u00e9rsico, aliados do Ocidente e pela Turquia, um pa\u00eds membro da OTAN e protagonista da provoca\u00e7\u00e3o e encena\u00e7\u00e3o, visando criar uma onda de indigna\u00e7\u00e3o mundial contra os l\u00edderes s\u00edrios, justificando a a\u00e7\u00e3o devastadora de bombardeiros com os motores j\u00e1 ligados e prontos para entrar em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em agosto de 2013, estadistas, jornalistas, reis e rainhas da sociedade do espet\u00e1culo rivalizavam no modo mais sinistro de pintar o inimigo a se abater. Escusado ser\u00e1 dizer que o desmascaramento da mentira teve nos diferentes \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o um eco muito menor que a propaga\u00e7\u00e3o da mesma mentira. Era melhor n\u00e3o dar muita publicidade ao esc\u00e2ndalo, para n\u00e3o desacreditar ou comprometer a ind\u00fastria das mentiras, pois esta ser\u00e1 sempre \u00fatil na prepara\u00e7\u00e3o de guerras futuras.<\/p>\n<p>E novamente a esquerda brilhou por sua aus\u00eancia. Ela n\u00e3o teve coragem de fazer perguntas e levantar d\u00favidas no momento em que a manipula\u00e7\u00e3o foi mais intensa, e n\u00e3o considerou necess\u00e1rio chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para o desmascaramento da manipula\u00e7\u00e3o e, em geral, para a ind\u00fastria b\u00e9lica da mentira que, apesar de tudo, continua a florescer. De fato, a esquerda encolhe-se justamente quando deveria reagir com mais energia aos processos de polariza\u00e7\u00e3o social e redistribui\u00e7\u00e3o massiva da renda a favor das grandes fortunas (muitas vezes parasit\u00e1rias), perante o reaparecimento de guerras coloniais ou neocoloniais e a amea\u00e7a de guerras em larga escala; perante a redu\u00e7\u00e3o e distor\u00e7\u00e3o da esfera p\u00fablica provocada pela &#8220;plutocracia&#8221; e por uma ind\u00fastria da mentira mais florescente, poderosa e invasiva do que nunca.<\/p>\n<p>J\u00e1 se v\u00ea com suficiente clareza qual \u00e9 o paradoxo que requer explica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos deixar essa tarefa para o historiador do futuro, porque os dramas e perigos do presente exigem uma consci\u00eancia e uma responsabilidade aqui e agora. Este livro tenta facilitar isso.<\/p>\n<p>Antes de mais, ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer um reconhecimento no terreno. \u00c9 a quest\u00e3o abordada no primeiro cap\u00edtulo. A crise devastadora que estamos sofrendo, embora tenha um alcance planet\u00e1rio, n\u00e3o afeta o planeta inteiro. Os pa\u00edses que, no s\u00e9culo XX, sacudiram o dom\u00ednio colonial e neocolonial lutam hoje para alcan\u00e7ar o desenvolvimento aut\u00f4nomo nos campos econ\u00f4micos e tecnol\u00f3gicos e, no curso dessa luta, eles colhem sucessos importantes. V\u00eamo-lo, acima de tudo, no caso da China e de outros pa\u00edses emergentes. Nada seria entendido do cen\u00e1rio internacional atual se dois processos contradit\u00f3rios n\u00e3o fossem levados em considera\u00e7\u00e3o: a &#8220;grande diverg\u00eancia&#8221; que durante s\u00e9culos colocou o Ocidente na posi\u00e7\u00e3o de superioridade absoluta sobre o resto do mundo tende a ser reduzida at\u00e9 ser cancelada; ao mesmo tempo, nos pa\u00edses capitalistas avan\u00e7ados abre-se um abismo, outra &#8220;grande diverg\u00eancia&#8221; que separa uma minoria opulenta cada vez mais separada do resto da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Compreende-se ent\u00e3o que o Ocidente capitalista reaja a esta situa\u00e7\u00e3o desmantelando o Estado social e aplicando medidas antipopulares de &#8220;austeridade&#8221;, por\u00e9m, tentando ao mesmo tempo salvar a sua preponder\u00e2ncia internacional. Por isso, desencadeia guerras cujo car\u00e1ter neocolonial \u00e9 cada vez mais evidente, o que se reflete inclusive nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Nestas guerras neocoloniais, a UE e os EUA n\u00e3o hesitam em aliar-se \u00e0s for\u00e7as mais reacion\u00e1rios do Oriente M\u00e9dio, que escravizam imigrantes, oprimem mulheres, reintroduzem poligamia, etc.<\/p>\n<p>Tudo isso deveria ter provocado a rea\u00e7\u00e3o da esquerda. Mas, como se observa no segundo cap\u00edtulo, o mundo capitalista-imperialista todavia consegue creditar-se a si pr\u00f3prio como \u00abmundo livre\u00bb. \u00c9 uma pretens\u00e3o que desde h\u00e1 s\u00e9culos faz parte da autoconsci\u00eancia e falsa consci\u00eancia do Ocidente. Embora hoje, mais do que nunca, devesse ter perdido toda a credibilidade. Desde a ofensiva neoliberal, os &#8220;direitos sociais e econ\u00f4micos&#8221; definidos pela ONU n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foram postos em pr\u00e1tica como tamb\u00e9m se deslegitimaram no plano te\u00f3rico. Quanto aos direitos pol\u00edticos, a &#8220;plutocracia&#8221; que gradualmente se imp\u00f5e no Ocidente esvazia-os de conte\u00fado. E como que sorrateiramente e de forma indireta foi reintroduzida a discrimina\u00e7\u00e3o censit\u00e1ria, que durante s\u00e9culos excluiu as classes subordinadas da participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Permanecem de p\u00e9 pelo menos os direitos civis e o Estado de Direito? Todas as ter\u00e7as-feiras \u2013 informa o\u00a0New York Times\u00a0\u2013 o presidente dos EUA re\u00fane-se com seus colaboradores para preparar a &#8220;lista de mortes&#8221; (lista de assassinatos), a lista dos suspeitos de terrorismo que devem ser &#8220;eliminados&#8221;, como se diz na an\u00f3dina linguagem burocr\u00e1tica, desde que se iniciaram as a\u00e7\u00f5es com drones. Nesta lista pode at\u00e9 haver cidad\u00e3os dos EUA. Para onde foi o Estado de Direito? E acima de tudo: \u00e9 compat\u00edvel a profiss\u00e3o de f\u00e9 democr\u00e1tica do Ocidente com sua pretens\u00e3o de exercer uma ditadura em escala planet\u00e1ria, reservando-se o direito soberano de desencadear guerras, san\u00e7\u00f5es devastadoras com ou sem a autoriza\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU?<\/p>\n<p>A fanfarrice do Ocidente \u00e0s vezes \u00e9 grotesca. Mas continua a exercer uma influ\u00eancia ideol\u00f3gica t\u00e3o forte que muitas vezes \u00e9 capaz de ofuscar a esquerda na Europa e nos EUA. Marx n\u00e3o tinha falta de raz\u00e3o quando observou que o monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o material \u00e9 tamb\u00e9m o monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o intelectual. Hoje a grande burguesia baseia o seu poder no monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o de ideias, isto \u00e9 evidente, mas tamb\u00e9m, e acima de tudo, no monop\u00f3lio das emo\u00e7\u00f5es: tema central do terceiro cap\u00edtulo do livro.<\/p>\n<p>Como \u00e9 atualmente programada e preparada a guerra? Procura-se atrav\u00e9s da imprensa, r\u00e1dio, televis\u00e3o, internet e redes sociais, manipular completamente ou inventar uma imagem que possa demonstrar a crueldade, ferocidade, falta de humanidade do inimigo a derrubar ou matar. Essa imagem \u00e9 difundida, obsessivamente repetida, com ela se bombardeiam, por assim dizer, todos os recantos do planeta. Todos aqueles que n\u00e3o se alinham incondicionalmente com o Ocidente na guerra que est\u00e1 prestes a desencadear-se s\u00e3o acusados de surdos \u00e0s raz\u00f5es da \u00e9tica e de serem c\u00famplices do Mal. \u00c9 o terrorismo da indigna\u00e7\u00e3o, um ultraje que afirma ser moral, mas \u00e9 realmente maquiav\u00e9lico no mau sentido da palavra. \u00c9 assim que a sociedade espet\u00e1culo se torna uma mort\u00edfera t\u00e9cnica de guerra.<\/p>\n<p>O terrorismo da indigna\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m desempenha um papel fundamental nos golpes de Estado, habilmente camuflados de &#8220;revolu\u00e7\u00f5es coloridas&#8221;, que promovem a expans\u00e3o da OTAN e do Ocidente em geral. Tamb\u00e9m nestes casos os dist\u00farbios baseiam-se numa mentira, uma manipula\u00e7\u00e3o ou uma provoca\u00e7\u00e3o capaz de desencadear uma onda de indigna\u00e7\u00e3o moral necess\u00e1ria para derrubar um regime odiado ou considerado um obst\u00e1culo pelos aspirantes a donos do mundo.<\/p>\n<p>O quarto cap\u00edtulo do livro tra\u00e7a um balan\u00e7o hist\u00f3rico dos golpes consumados ou fracassados ao longo dos s\u00e9culos XX e XXI: a primeira onda abrange mais ou menos os anos da Guerra Fria e o segundo come\u00e7a quando se perfila o fim da Guerra Fria. Entre os dois per\u00edodos n\u00e3o faltam elementos de descontinuidade, mas em ambos \u00e9 comum a arrog\u00e2ncia imperial, que continua a manifestar-se. Desencadeiam-se guerras ou golpes, o Ocidente sanciona-os constantemente arvorando a bandeira do universalismo dos valores do livre mercado, um universalismo que n\u00e3o conhece ou tolera fronteiras estatais e nacionais.<\/p>\n<p>O quinto cap\u00edtulo chama a aten\u00e7\u00e3o para as colossais mudan\u00e7as produzidas em rela\u00e7\u00e3o ao passado. Aquele que hoje \u00e9 o pa\u00eds guia do Ocidente, na segunda metade do s\u00e9culo XIX foi o campe\u00e3o mundial do protecionismo aduaneiro. E o protecionismo tamb\u00e9m afetava as ideias, ainda nos anos da Guerra Fria, os comunistas sofreram persegui\u00e7\u00f5es nos EUA por espalharem uma vis\u00e3o que faz um apelo universalista aos prolet\u00e1rios e povos oprimidos de todo o mundo. Apesar da sua extraordin\u00e1ria capacidade de atra\u00e7\u00e3o em todos cantos do planeta, as autoridades dos EUA proibiram-no qualificando-o de alheio ao aut\u00eantico esp\u00edrito &#8220;americano&#8221; e ao &#8220;americanismo&#8221;.<\/p>\n<p>Isto deveria fazer-nos desconfiar da ideologia que se imp\u00f5e hoje no Ocidente. Na verdade, quando uma cultura ou uma civiliza\u00e7\u00e3o determinada pretende ser a personifica\u00e7\u00e3o permanente dos valores universais, n\u00e3o est\u00e1 exibindo universalismo, mas, ao contr\u00e1rio, um etnocentrismo exaltado que sempre serviu para desencadear guerras coloniais ou neocoloniais em nome da Civiliza\u00e7\u00e3o, uma no\u00e7\u00e3o monopolizada pelo agressor.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, podem realmente ser consideradas neocoloniais as guerras entre o final do s\u00e9culo XX e o princ\u00edpio do s\u00e9culo XXI que devastaram o Panam\u00e1, a Iugosl\u00e1via, o Iraque e a L\u00edbia, e continuam a devastar a S\u00edria? A esta pergunta responde o sexto cap\u00edtulo do livro, que reflete sobre a hist\u00f3ria secular da luta entre colonialismo e anticolonialismo e sobre os elementos de continuidade entre o antigo e o novo colonialismo.<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XIX, as canhoneiras brit\u00e2nicas subjugaram a China, que n\u00e3o tinha possibilidade de responder ao fogo inimigo. Esta situa\u00e7\u00e3o foi repetida recentemente (a favor dos EUA e da OTAN) no Panam\u00e1, nos B\u00e1lc\u00e3s e no Oriente M\u00e9dio. Os derrotados, embora ocupem o cargo de chefes de Estado, s\u00e3o entregues ao Tribunal Penal Internacional, que em compensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode investigar sequer um vulgar soldado americano ou mercen\u00e1rio. A dupla jurisdi\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento essencial da tradi\u00e7\u00e3o colonial.<\/p>\n<p>Hoje, a agress\u00e3o \u00e9 praticada em nome dos &#8220;valores&#8221; e &#8220;interesses&#8221; ocidentais. \u00c9 a mesma ideologia que sustentou as guerras coloniais cl\u00e1ssicas. Da sua prepara\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica se encarregavam no passado, os mission\u00e1rios crist\u00e3os, que hoje transmitiram o testemunho para as ONG, frequentemente controladas por Washington e por Bruxelas. A continuidade entre o colonialismo e o neocolonialismo \u00e9 impressionante, ainda que por este motivo a envergadura das altera\u00e7\u00f5es existentes n\u00e3o deva ser subestimada. Algo que foi suficiente para desorientar e silenciar a esquerda ocidental.<\/p>\n<p>Os EUA, contando com os seus aliados europeus para consolidar as posi\u00e7\u00f5es do Ocidente no Oriente M\u00e9dio ou noutras partes do mundo est\u00e1 deslocando para a \u00c1sia e o Pac\u00edfico a maior parte de seu gigantesco aparelho militar. Come\u00e7ou a conten\u00e7\u00e3o e cerco da China. \u00c9 uma nova Guerra Fria, que por defini\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre a um passo de se tornar uma guerra quente ou mesmo num holocausto nuclear.<\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca, a luta pela paz \u00e9 urgente, mas a esquerda que deveria promov\u00ea-la est\u00e1 silenciosa porque, entre outras coisas, n\u00e3o entende que \u00e9 uma nova fase do choque entre colonialismo e anticolonialismo. O pa\u00eds que encarna a causa do anticolonialismo s\u00f3 pode ser a Rep\u00fablica Popular da China, que nasceu da maior revolu\u00e7\u00e3o anticolonial da hist\u00f3ria e continua dando uma contribui\u00e7\u00e3o essencial ao movimento anticolonial. Com a teoria da &#8220;guerra de aldeia&#8221;, Mao Zedong explicou como um povo oprimido pode desafiar e derrotar um grande poder. Deng Xiaoping explicou que a luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o est\u00e1 completa se \u00e0 independ\u00eancia pol\u00edtica n\u00e3o sucede a independ\u00eancia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Depois de analisar os problemas e contradi\u00e7\u00f5es da atualidade e dar provas da fraqueza e das aus\u00eancias da esquerda, devemos avan\u00e7ar para uma reflex\u00e3o mais sistem\u00e1tica sobre as raz\u00f5es dessa fraqueza e dessas aus\u00eancias.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo final do livro (o oitavo) \u00e9 dedicado a esta tarefa e \u00e0 conclus\u00e3o. \u00c9 evidente que mudan\u00e7as radicais como as produzidas em todo o mundo entre 1989 e 1991 n\u00e3o podem deixar de causar desorienta\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o. Sim, no Ocidente, a esquerda, moderada ou &#8220;radical&#8221;, n\u00e3o poucas vezes foi a reboque da ideologia dominante. O terrorismo de indigna\u00e7\u00e3o que prepara o desencadeamento de guerras neocoloniais intimidou principalmente a esquerda. O papel desempenhado no s\u00e9culo XIX pelo &#8220;cristianismo imperial&#8221;, que abriu caminho para a expans\u00e3o colonial com seus mission\u00e1rios bem intencionados, corresponde hoje \u00e0 &#8220;esquerda imperial&#8221;.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 luta s\u00f3cio-econ\u00f4mica dentro de cada pa\u00eds, acontece que a esquerda, embora saia em defesa do Estado social, promove ao mesmo tempo a difus\u00e3o de filosofias e ideologias extremamente \u00fateis ao neoliberalismo. A crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica e a deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o internacional exigem que a esquerda saia deste estado de desorienta\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o. Com isso pretende contribuir este livro de hist\u00f3ria e cr\u00edtica do decl\u00ednio da esquerda e das situa\u00e7\u00f5es objetivas nos planos internos e internacionais que favoreceram esse decl\u00ednio.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises evidenciadas nas p\u00e1ginas deste livro encontraram uma confirma\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica: enquanto estava sendo impresso, o Oriente M\u00e9dio estava sendo balcanizado e devastado por implac\u00e1veis guerras de grupos isl\u00e2micos, usados pelo Ocidente para atacar regimes de inspira\u00e7\u00e3o anticolonialista e laica; o golpe na Ucr\u00e2nia e o avan\u00e7o amea\u00e7ador da OTAN na Europa Oriental provocou a rea\u00e7\u00e3o russa; o deslocamento dos EUA para a \u00c1sia est\u00e1 a transformando num barril de p\u00f3lvora. Agravam-se os perigos de guerra sobre os quais este livro insiste. Saber\u00e1 a esquerda mostrar sinais de vida?<\/p>\n<p>[*]\u00a0Pref\u00e1cio do \u00faltimo livro de Domenico Losurdo (14\/Nov\/1941\u201328\/Jun\/2018),\u00a0La izquierda ausente. Crisis, sociedad del espect\u00e1culo, guerra\u00a0(ISBN 9788416288434). O livro pode ser encomendado\u00a0aqui\u00a0.<\/p>\n<p>O original encontra-se em\u00a0https:\/\/www.elviejotopo.com\/topoexpress\/la-izquierda-ausente\/<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em\u00a0http:\/\/resistir.info\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23918\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[233],"class_list":["post-23918","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6dM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23918","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23918"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23918\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}