{"id":2394,"date":"2012-02-10T18:38:50","date_gmt":"2012-02-10T18:38:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2394"},"modified":"2012-02-10T18:38:50","modified_gmt":"2012-02-10T18:38:50","slug":"dilma-no-haiti-mais-uma-visita-das-aves-de-rapina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2394","title":{"rendered":"Dilma no Haiti: mais uma visita das aves de rapina"},"content":{"rendered":"\n<p>Na quarta-feira 1\u00ba de fevereiro, a presidente Dilma Roussef pousou em Porto Pr\u00edncipe, capital do Haiti, sob o argumento oficial de \u201cintensificar a colabora\u00e7\u00e3o\u201d com o pa\u00eds caribenho. A visita, ap\u00f3s o governo federal restringir a entrada de haitianos no Brasil, desmascara que tipo de colabora\u00e7\u00e3o o Brasil pretende estabelecer com aquele pa\u00eds: sob o falso argumento da \u201ccoopera\u00e7\u00e3o regional\u201d que enfrenta os interesses \u201cianques\u201d na Am\u00e9rica Latina, o que interessa para nossa pol\u00edtica externa \u00e9 elevar a participa\u00e7\u00e3o da burguesia brasileira no capitalismo internacional \u2013 fundamentalmente na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o que confirma documento vazado\u00a0pelo <a href=\"http:\/\/wikileaks.ch\/cable\/2009\/06\/09BRASILIA836.html\" target=\"_blank\">WikiLeaks<\/a> em 14 de janeiro. Atrav\u00e9s dele, ficamos sabendo que empres\u00e1rios brasileiros pressionaram o governo norte-americano para entrar na iniciativa Hope II &#8211; que criou \u201czonas francas\u201d para a produ\u00e7\u00e3o de produtos no Haiti que s\u00e3o exportados aos EUA livre de impostos.<\/p>\n<p>Quando tal solicita\u00e7\u00e3o foi feita, vigorava o governo Lula. E a empresa Coteminas, do ent\u00e3o vice-presidente Jos\u00e9 Alencar, foi quem liderou o pedido revelado pelo Wikileaks.<\/p>\n<p>Para facilitar a libera\u00e7\u00e3o, e a servi\u00e7o da burguesia brasileira, em 17 de setembro de 2009 o Brasil ratificou com Washington um plano para o estabelecimento de f\u00e1bricas brasileiras no Haiti sob os termos da Hope.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de servir como entreposto para exporta\u00e7\u00e3o aos EUA, o Haiti garante outro \u201cbenef\u00edcio\u201d aos \u201ccolaboradores\u201d empres\u00e1rios do Brasil. \u00c9 o que podemos ler nesta mat\u00e9ria do Valor Econ\u00f4mico de 15\/08\/2008:<\/p>\n<p><em>\u201cApesar da confus\u00e3o institucional, o Haiti tem vantagens importantes para oferecer para uma empresa t\u00eaxtil: proximidade e acesso diferenciado ao maior mercado do mundo, os EUA, e m\u00e3o-de-obra barata. Uma costureira na capital Porto Pr\u00edncipe recebe US$ 0,50 por hora. \u00c9 uma remunera\u00e7\u00e3o inferior aos US$ 3,27 pagos no Brasil e muito abaixo dos US$ 16,92 dos EUA, conforme a consultoria Werner. O valor \u00e9 inferior at\u00e9 aos US$ 0,85 pagos no litoral da China e perde apenas para os US$ 0,46 do Vietn\u00e3 e os US$ 0,28 de Bangladesh\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se trata apenas de m\u00e3o-de-obra barata e uma plataforma de exporta\u00e7\u00e3o livre de impostos. Os empres\u00e1rios brasileiros tamb\u00e9m ganham com os poucos investimentos necess\u00e1rios e a \u201cboa vontade\u201d das grandes redes varejistas. Vejamos em outra mat\u00e9ria do Valor, de 06\/04\/2011:<\/p>\n<p><em>\u201cOs haitianos e os assessores internacionais apontam como vantagem, al\u00e9m do ingresso privilegiado ao mercado dos EUA, o baixo custo de m\u00e3o de obra no Haiti, onde o sal\u00e1rio m\u00e9dio \u00e9 de US$ 75 ao m\u00eas, o baixo custo das terras (US$ 2 a US$ 5 o metro quadrado, em compara\u00e7\u00e3o com pelo menos US$ 20 em S\u00e3o Paulo) e o baixo custo log\u00edstico, pela proximidade com o porto de Miami. Grandes compradores, como a GAP, apoiam a miss\u00e3o e mostram interesse em aumentar as compras de produtos fabricados no Haiti, e, segundo t\u00e9cnicos que acompanham o assunto, t\u00eam incentivado fornecedores a instalar f\u00e1bricas no pa\u00eds\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Para garantir tamanha explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, o imperialismo precisa manter aquele povo sob controle. E o faz atrav\u00e9s da manuten\u00e7\u00e3o de tropas militares no pa\u00eds, com o Brasil a frente, ap\u00f3s sequestro pelos EUA do ent\u00e3o presidente legitimo. A Miss\u00e3o de Estabiliza\u00e7\u00e3o da ONU no Haiti (Minustah) custa US$ 900 milh\u00f5es por ano. Tal soma permitiria, por exemplo, a constru\u00e7\u00e3o de casas para 400 mil pessoas \u2013 lembremos que o pa\u00eds foi devastado por um furac\u00e3o em 12 de janeiro de 2010 \u2013 se o interesse fosse realmente ajudar o pa\u00eds a se recuperar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o o fazermos, o governo brasileiro decidiu dificultar ainda mais a vida dos haitianos \u2013 cuja entrada aqui foi recentemente alvo de desastrada interven\u00e7\u00e3o federal. \u00c9 dever do Brasil acolher estes refugiados, que saem de seu pa\u00eds de origem devido ao inequ\u00edvoco fracasso da Minustah em seu \u201cintento oficial\u201d. A vergonha \u00e9 ainda maior ao observarmos a solidariedade de Cuba para com os haitianos, atrav\u00e9s do envio de profissionais de sa\u00fade ao pa\u00eds. Os projetos de combate \u00e0 fome e erradica\u00e7\u00e3o da pobreza executados no Brasil, por exemplo, s\u00e3o apenas &#8211; e de longe &#8211; citados quando se fala em Haiti e a &#8220;solidariedade&#8221; brasileira.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o empresariado brasileiro \u2013 sob o escudo do governo federal \u2013 vislumbra novas possibilidades de explora\u00e7\u00e3o no Haiti. Em visita ao site do Itamaraty, n\u00e3o foi poss\u00edvel obter os nomes da comitiva brasileira que pousou em Porto Pr\u00edncipe. Mas estava l\u00e1, na agenda oficial da presidente, que \u00e0s 15h do dia 1\u00ba houve um convescote com o pomposo nome de &#8221; Encontro com representantes empresariais e da sociedade civil brasileiros que atuam no Haiti&#8221;.<\/p>\n<p>Mas para al\u00e9m dos fantoches, o que importa s\u00e3o os interesses que ter\u00e3o na presidente brasileira uma perfeita ventr\u00edloqua \u2013 bem como foi a sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol em visita que fez lembrar a pol\u00edtica de \u201cp\u00e3o e circo\u201d t\u00e3o ao gosto dos poderosos desde Roma.<\/p>\n<p>S\u00e3o eles, por exemplo, que garantiram a constru\u00e7\u00e3o de uma usina hidrel\u00e9trica ao custo de US$ 350, dos quais US$ 45 milh\u00f5es s\u00e3o financiados pelo Brasil e o restante pela comunidade internacional. Que a empreiteira OAS construa uma estrada no sul do pa\u00eds num projeto de US$ 100 milh\u00f5es financiado pelo governo do Canad\u00e1 e pelo BID. Que a Odebrecht tenha feito as obras do Aeroporto Internacional de Toussaint Louverture, em Porto Pr\u00edncipe, ap\u00f3s o terremoto. Que ap\u00f3s visita ao Haiti do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ele tenha defendido que o BNDES entre como s\u00f3cios nos projetos no pa\u00eds \u2013 desmascarando por completo as reais inten\u00e7\u00f5es do governo brasileiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0\u00e0\u00a0toa. A burguesia brasileira n\u00e3o tem do que reclamar e uma r\u00e1pida pesquisa ao site da Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior do Minist\u00e9rio do Planejamento n\u00e3o deixa margem para d\u00favidas: desde que passou a comandar a Minustah, o Brasil (ou melhor, a burguesia brasileira) vem ganhando cada vez mais dinheiro junto \u00e0quele pa\u00eds. Se houver apoio do governo ent\u00e3o, melhor ainda. Confira no gr\u00e1fico abaixo como manter este tipo de &#8220;solidariedade&#8221; com aquele pa\u00eds na verdade configura um \u00f3timo neg\u00f3cio:<\/p>\n<p><a href=\"images\/stories\/comercio-brasil-haiti.jpg\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/comercio-brasil-haiti.jpg\" border=\"0\" width=\"100%\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um dia antes, em passagem por Cuba, a presidente Dilma Roussef citou a base norte-americana de Guant\u00e1namo e que &#8220;viola\u00e7\u00f5es de diretos humanos ocorrem em todos os pa\u00edses&#8221; como resposta a quem questiona o sistema pol\u00edtico socialista cubano.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o, que pode ter sido encarada como um alento para quem ainda acredita em boas inten\u00e7\u00f5es &#8211; \u00e0\u00a0 esquerda &#8211; na pol\u00edtica externa brasileira, entretanto, n\u00e3o pode turvar nosso olhar: Dilma n\u00e3o fez mais do que uma demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que est\u00e1 muito atenta aos neg\u00f3cios brasileiros na aguerrida ilha socialista.<\/p>\n<p>Por isso, tamb\u00e9m deixou claro que sua visita a Havana tinha como principal objetivo &#8220;impulsionar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e a coopera\u00e7\u00e3o entre Brasil e Cuba&#8221;. Segundo o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, o interc\u00e2mbio comercial entre os dois pa\u00edses atingiu o valor recorde de US$ 642 milh\u00f5es no ano passado, um crescimento de 31% em rela\u00e7\u00e3o a 2010 e com saldo amplamente favor\u00e1vel ao Brasil (super\u00e1vit de US$ 458 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>E sobre a quest\u00e3o dos direitos humanos, cabe um \u00faltimo registro: diferentemente do que a presidente afirmou, em Cuba, se existirem, n\u00e3o s\u00e3o fruto de uma pol\u00edtica de estado, ao contr\u00e1rio de &#8220;todos os pa\u00edses&#8221;. A realidade l\u00e1\u00a0\u00e9\u00a0 bem diferente da do Brasil, Dilma, como o recente caso do Pinheirinho, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP) n\u00e3o deixa negar.<\/p>\n<p><strong><em>* Membros do Comit\u00ea Central do PCB<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: BP\n\n\n\n\n\n\n\n\nPor Paulo Schueler e Heitor Oliveira*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2394\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-2394","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-CC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2394"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2394\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2394"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}