{"id":23967,"date":"2019-09-19T21:19:35","date_gmt":"2019-09-20T00:19:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23967"},"modified":"2019-09-19T21:19:35","modified_gmt":"2019-09-20T00:19:35","slug":"a-ameaca-da-venezuela-e-a-hipocrisia-paramilitar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23967","title":{"rendered":"A \u201camea\u00e7a\u201d da Venezuela e a hipocrisia paramilitar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaopera.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/opera-12-696x464.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Pedro Marin | Revista Opera<\/p>\n<p>Na \u00faltima quarta-feira (11\/09) foi aprovada na OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos) uma resolu\u00e7\u00e3o convocando uma reuni\u00e3o entre os pa\u00edses signat\u00e1rios do TIAR (Tratado Interamericano de Assist\u00eancia Rec\u00edproca) no sentido de ativar o pacto contra a Venezuela.<\/p>\n<p>O tratado, que tem como princ\u00edpio que um ataque contra um dos pa\u00edses membros ser\u00e1 considerado um ataque contra todos, foi oficializado em 1947, entrando em vigor no ano seguinte. Inspirado na chamada Doutrina Monroe, segundo a qual os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe constitu\u00edam um grande protetorado norte-americano, o acordo foi formalizado e assegurado durante a Guerra Fria, alongando no tempo a alian\u00e7a dos EUA com os pa\u00edses do continente, assegurada para impedir a influ\u00eancia do Eixo no hemisf\u00e9rio durante a Segunda Guerra.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o desta quarta-feira, 12 dos 18 pa\u00edses membros do TIAR votaram favoravelmente \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o, que argumenta que a crise na Venezuela \u201ctem um impacto desestabilizador, representando uma clara amea\u00e7a \u00e0 paz e \u00e0 seguran\u00e7a do hemisf\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<p>Proposta pela Costa Rica, foi recha\u00e7ada pelo Brasil uma emenda que, apesar de favor\u00e1vel \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do TIAR, proibia expressamente medidas \u201cque impliquem no emprego de for\u00e7a armada\u201d e falava em uma \u201crestaura\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d na Venezuela.<\/p>\n<p>O chanceler Ernesto Ara\u00fajo, no entanto, disse que a convoca\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o significa a\u00e7\u00e3o militar, de forma nenhuma, n\u00e3o \u00e9 isso que n\u00f3s queremos, o TIAR n\u00e3o \u00e9 simplesmente um acordo de a\u00e7\u00e3o militar; \u00e9 um acordo para a\u00e7\u00e3o coletiva diante de amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a, como claramente \u00e9. O chanceler da Col\u00f4mbia, se n\u00e3o me engano, fez uma apresenta\u00e7\u00e3o muito clara nesse sentido, com o fato de o regime Maduro estar abrigando terroristas\u201d, se referindo \u00e0s FARC (For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia).<\/p>\n<p>S\u00f3 faltou combinar direito com o autoproclamado Juan Guaid\u00f3, que representa a Venezuela na OEA \u2013 apesar de n\u00e3o ser presidente de nada, a n\u00e3o ser da alcateia internacional que tenta mudar o governo do pa\u00eds por via golpista. De acordo com o que reporta a Folha de S\u00e3o Paulo, membros da comitiva de Guaid\u00f3 confirmaram que a resolu\u00e7\u00e3o pode sim levar a um cen\u00e1rio de interven\u00e7\u00e3o militar contra a Venezuela.<\/p>\n<p>Naturalmente, a argumenta\u00e7\u00e3o dos chanceleres da Col\u00f4mbia e Brasil representa nada sen\u00e3o propaganda odienta, que suplica por ouvidos mal informados. Se a presen\u00e7a de membros ou ex-guerrilheiros das FARC na Venezuela representa uma amea\u00e7a continental, o que dizer de organiza\u00e7\u00f5es criminosas brasileiras que v\u00e3o ganhando for\u00e7a em territ\u00f3rio paraguaio? Seria vi\u00e1vel aplicar o TIAR contra o Brasil, ou ainda contra o Paraguai, abrigo do Ex\u00e9rcito do Povo Paraguaio (EPP), que tamb\u00e9m j\u00e1 agiu para al\u00e9m da fronteira, no Brasil? Que dizer ent\u00e3o da paramilitaresca Col\u00f4mbia, que exporta seus paracos para o territ\u00f3rio venezuelano? A prop\u00f3sito, o autoproclamado presidente Juan Guaid\u00f3, que como foi revelado recentemente se encontrou com narcotraficantes colombianos, representa tamb\u00e9m uma amea\u00e7a a todo o continente?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaopera.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/opera-11.jpg\" alt=\"imagem\" \/>E se a alcateia n\u00e3o considerasse como risco \u00e0 seguran\u00e7a continental o conto sobre perigosos guerrilheiros em territ\u00f3rio venezuelano, e sim a crise \u2013 como diz a resolu\u00e7\u00e3o -, o caminho da paz e da seguran\u00e7a por excel\u00eancia n\u00e3o poderia estar na aplica\u00e7\u00e3o de mais san\u00e7\u00f5es e bloqueios contra a Venezuela, mas na sua anula\u00e7\u00e3o e na coleta de ajuda para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Pesassem todos estes fatos na balan\u00e7a torta que querem fazer alguns pa\u00edses do TIAR, o que haveria no continente n\u00e3o seria a \u201cdefesa m\u00fatua\u201d das Na\u00e7\u00f5es, sen\u00e3o a guerra m\u00fatua, total e continental. E, se a busca destes fosse a seguran\u00e7a do continente, sem d\u00favidas seria contra Bolsonaros, Guaid\u00f3s, Abdos, Duques e, acima de tudo, Trumps, que o TIAR seria solicitado. Afinal, s\u00e3o estes os sobrenomes \u2013 n\u00e3o \u201cMaduro\u201d \u2013 de quem tenta colocar o continente numa espiral ca\u00f3tica, em busca de mesquinhos ganhos pol\u00edticos e econ\u00f4micos, que n\u00e3o beneficiariam povo nenhum, mas sem d\u00favidas agradariam a muitos empres\u00e1rios e banqueiros.<\/p>\n<p>Pedro Marin<\/p>\n<p>23 anos, \u00e9 editor-chefe e fundador da Revista Opera. Foi correspondente na Venezuela pela mesma publica\u00e7\u00e3o, e articulista e correspondente internacional no Brasil pelo site Global Independent Analytics. Tem artigos publicados em sites como Truthout, Russia Insider, New Cold War, OffGuardian, Latin America Bureau, Konkret Media e Periferia Prensa. \u00c9 autor de &#8220;Golpe \u00e9 Guerra &#8211; Teses para enterrar 2016&#8221;.<\/p>\n<p><em>Primeira ilustra\u00e7\u00e3o: Militares venezuelanos. (Foto: PrensaFANB)<\/em><\/p>\n<p><em>Segunda ilustra\u00e7\u00e3o: Juan Guaid\u00f3 posa ao lado de Jhon Jairo Dur\u00e1n Contreras (\u201cel Menor\u201d), e Albeiro Lobo Quintero, conhecido como \u201cel Brother\u201d, membros do grupo \u201cLos Rastrojos\u201d. (Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/revistaopera.com.br\/2019\/09\/14\/<wbr \/>a-ameaca-da-venezuela-e-a-hipocrisia-paramilitar\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23967\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[233],"class_list":["post-23967","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6ez","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23967"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23967\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}