{"id":23969,"date":"2019-09-20T22:53:52","date_gmt":"2019-09-21T01:53:52","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=23969"},"modified":"2019-09-20T22:53:52","modified_gmt":"2019-09-21T01:53:52","slug":"movimentos-convocam-greve-ambiental-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23969","title":{"rendered":"Movimentos convocam Greve Ambiental Mundial"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/333-clima-1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->OLHAR COMUNISTA<\/p>\n<p>Sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, movimentos sociais e personalidades internacionais como Noam Chomsky est\u00e3o convocando a popula\u00e7\u00e3o mundial para uma greve geral, de 20 a 27 de setembro, voltada para a den\u00fancia da degrada\u00e7\u00e3o ambiental e a mobiliza\u00e7\u00e3o para o enfrentamento da crise clim\u00e1tica. No mesmo dia 20 de setembro, o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, convocou os pa\u00edses para a C\u00fapula do Clima, cujo objetivo \u00e9 incentivar o aumento do comprometimento dos governos com as metas acordadas em 2015, em Paris, para a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00f5es de gases do efeito estufa \u2013 e at\u00e9 para super\u00e1-las.<\/p>\n<p>A continuidade da vida no planeta est\u00e1 seriamente amea\u00e7ada, uma vez que os sistemas naturais v\u00eam sendo submetidos a uma imensa e crescente press\u00e3o nos n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o do ar e das \u00e1guas, no desmatamento, no consumo de \u00e1gua, na utiliza\u00e7\u00e3o de recursos n\u00e3o renov\u00e1veis em grande escala, como nos casos do petr\u00f3leo e do carv\u00e3o, principalmente para a gera\u00e7\u00e3o de energia, precipitando o seu esgotamento. Os estoques de alguns metais j\u00e1 s\u00e3o muito baixos: 10 anos para o chumbo, por exemplo; o petr\u00f3leo, se nada mudar, tem reservas para um per\u00edodo entre 40 e 70 anos, ou seja, um futuro bastante pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>O aquecimento global \u00e9 um fato e vem gerando efeitos muito graves como o derretimento de geleiras, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos mares, as secas, os furac\u00f5es, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em geral, com consequ\u00eancias desastrosas para popula\u00e7\u00f5es numerosas, principalmente aquelas dos pa\u00edses e regi\u00f5es mais pobres. A temperatura m\u00e9dia da Terra, que em 2018 foi a quarta mais alta registrada at\u00e9 hoje (0,79 graus acima da m\u00e9dia do s\u00e9culo XX), pode aumentar mais do que 2 graus, um limite definido na Confer\u00eancia de Paris, em 2015 (sem os Estados Unidos&#8230;). Vale lembrar que, na \u00faltima era glacial (h\u00e1 60 milh\u00f5es de anos), a queda da temperatura m\u00e9dia do planeta foi de apenas 5 graus. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave: a concentra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico e outros gases causadores do efeito estufa na atmosfera, como o metano, j\u00e1 passou do limite que o sistema Terra \u00e9 capaz de suportar. O mesmo se pode dizer da perda da biodiversidade, da acidifica\u00e7\u00e3o dos mares e outros fatores. Cabe lembrar que os fatores de impacto ambiental s\u00e3o cumulativos e apresentam, em geral, crescimento exponencial.<\/p>\n<p>A press\u00e3o sobre o meio ambiente vem se acelerando mais e mais desde o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o industrial. Empresas privadas cada vez maiores produzem bens de consumo em massa, consumem \u00e1gua, madeira, ferro, carv\u00e3o, geram res\u00edduos s\u00f3lidos e polui\u00e7\u00e3o do ar e das \u00e1guas em grande volume. Os oceanos s\u00e3o invadidos por milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1sticos e outros res\u00edduos em volume maior do que podem absorver. A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em grande volume, mecanizada, em regime de monocultura, \u00e9 sustentada com elevadas doses de agrot\u00f3xicos, sendo diretamente respons\u00e1vel pela ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas florestais e pelo esgotamento e contamina\u00e7\u00e3o dos solos. No Brasil, a pecu\u00e1ria extensiva e a explora\u00e7\u00e3o ilegal e descontrolada da madeira em florestas nativas, como na Amaz\u00f4nia, s\u00e3o as causas principais do fen\u00f4meno das queimadas que se sucedem ao desmatamento, aliadas \u00e0 especula\u00e7\u00e3o para a poss\u00edvel apropria\u00e7\u00e3o privada das \u00e1reas desmatadas.<\/p>\n<p>O risco de desastre ambiental e social foi levantado pelo Clube de Roma, uma reuni\u00e3o de estudiosos do tema que, em 1968, ap\u00f3s projetar para o futuro os n\u00fameros referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial e agr\u00edcola, consumo de recursos naturais, popula\u00e7\u00e3o e polui\u00e7\u00e3o \u2013 todos crescentes \u2013, concluiu que, se nada fosse feito para alterar aquelas tend\u00eancias, haveria um colapso na sociedade, causado pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental e pela escassez de recursos, levando \u00e0 queda na produ\u00e7\u00e3o industrial e agr\u00edcola e, consequentemente, \u00e0 fome generalizada e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. A proposta que adveio do Clube de Roma, debatida na I Confer\u00eancia da ONU sobre Meio Ambiente, em Estocolmo, 1972, foi a do crescimento zero de todas as economias, para que tudo continuasse como estava \u2013 os pa\u00edses ricos seguiriam ricos e os pa\u00edses pobres seguiriam pobres \u2013, ou seja, a opul\u00eancia de poucos estaria garantida \u00e0 custa da pobreza e da mis\u00e9ria de muitos. A proposta foi rejeitada tanto pelos governos dos pa\u00edses ricos \u2013 que queriam ser mais ricos \u2013 quanto pelos dos pa\u00edses pobres \u2013 que queriam sair da linha da pobreza.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o de fundo da crise ambiental \u00e9 a l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o capitalista, a l\u00f3gica da expans\u00e3o eterna dos mercados, da produ\u00e7\u00e3o em massa, do lan\u00e7amento sistem\u00e1tico de novos produtos, como se os recursos naturais fossem infinitos, uma l\u00f3gica diretamente associada \u00e0 tend\u00eancia de concentra\u00e7\u00e3o de renda, que deixa cada vez mais pessoas fora do mercado de trabalho. No Brasil, s\u00e3o poucos os que se beneficiam do agroneg\u00f3cio, s\u00e3o poucos os bilion\u00e1rios que controlam as grandes empresas industriais; no plano internacional, um exemplo da explora\u00e7\u00e3o de classes est\u00e1 nos n\u00fameros dos Estados Unidos, que possuem 6% da popula\u00e7\u00e3o e mais de 30% da riqueza produzida no mundo.<\/p>\n<p>Assim, os recursos da natureza, transformados em mercadorias, s\u00e3o apropriados de forma diversa pelas diferentes classes sociais, para o benef\u00edcio dos propriet\u00e1rios de f\u00e1bricas e fazendas, para o sacrif\u00edcio e a mis\u00e9ria dos que s\u00f3 disp\u00f5em de sua capacidade de trabalho para viver. Nos dias de hoje, para compensar a tend\u00eancia de queda nas taxas de lucro das empresas, no longo prazo, o capitalismo assume formas cada vez mais truculentas e selvagens de explora\u00e7\u00e3o da natureza, com o uso de agrot\u00f3xicos mais nocivos ao solo e \u00e0 sa\u00fade humana, a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em regi\u00f5es onde h\u00e1 elevado risco de contamina\u00e7\u00e3o ambiental, como no Alasca, na extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leo incrustado em rochas, por fracking, na devasta\u00e7\u00e3o de florestas para venda da madeira e cria\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n<p>Os governos representativos dos interesses burgueses, dos grandes capitalistas e bilion\u00e1rios que dominam a economia e o mundo das finan\u00e7as, a exemplo dos Estados Unidos e seus aliados, n\u00e3o hesitam em realizar, sistematicamente, a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares de inger\u00eancia, agress\u00e3o e mesmo de invas\u00e3o em pa\u00edses detentores de reservas de petr\u00f3leo e outros recursos estrat\u00e9gicos, para que o elevado padr\u00e3o de consumo interno de suas \u201celites\u201d econ\u00f4micas e camadas sociais associadas n\u00e3o se reduza, levando \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico atual. N\u00e3o \u00e9 por acaso que as mais recentes interven\u00e7\u00f5es militares dos Estados Unidos e seus aliados tenham se dado na L\u00edbia, no Iraque, na S\u00edria. Pela mesma raz\u00e3o, al\u00e9m do combate ideol\u00f3gico a qualquer governo que enfrente o imperialismo estadunidense, se afaste do liberalismo ou implemente a\u00e7\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o de renda e de promo\u00e7\u00e3o de direitos sociais, buscam demonizar os regimes do Ir\u00e3 e da Venezuela.<\/p>\n<p>As respostas \u00e0 crise ambiental que v\u00eam da classe burguesa se circunscrevem na chamada Economia Verde, que tem por base a economia de livre mercado, onde todos os bens ambientais s\u00e3o de propriedade privada e se convertem em mercadorias, com pre\u00e7os ditados pelas for\u00e7as de mercado. Terras, rios, peixes, ar, tudo est\u00e1 \u00e0 venda. Nesse pensamento, s\u00e3o propostas a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o de danos ambientais a partir de iniciativas individuais ou de empresas \u2013 que teriam de ter mais \u201cconsci\u00eancia ambiental\u201d \u2013 criando e fortalecendo a ilus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel mudar os rumos ambientais a partir de iniciativas individuais, e pondo nas pessoas a culpa pela degrada\u00e7\u00e3o. O crescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial, hoje em torno dos 7 bilh\u00f5es, concentrado, principalmente, nos pa\u00edses mais pobres, \u00e9 apontado tamb\u00e9m como culpado. Ou seja, os pobres s\u00e3o os culpados pela pobreza.<\/p>\n<p>Mesmo quando s\u00e3o propostas interven\u00e7\u00f5es governamentais, como na cobran\u00e7a de impostos sobre a polui\u00e7\u00e3o gerada, ou na regulamenta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e do consumo, como na recente proibi\u00e7\u00e3o da fabrica\u00e7\u00e3o de l\u00e2mpadas incandescentes e sua substitui\u00e7\u00e3o por outras que consomem menos energia, n\u00e3o \u00e9 feito qualquer questionamento \u00e0 l\u00f3gica perversa do mercado e do capitalismo, em suas imensas escalas de utiliza\u00e7\u00e3o de recursos naturais.<\/p>\n<p>Fala-se em desenvolvimento e em sustentabilidade \u2013 duas preocupa\u00e7\u00f5es sem d\u00favida fundamentais \u2013 sem qualquer questionamento ao padr\u00e3o de desenvolvimento predominante, hoje, no mundo, o desenvolvimento capitalista, em si mesmo insustent\u00e1vel e gerador de imensas desigualdades sociais, um desenvolvimento que coloca em risco a pr\u00f3pria humanidade.<\/p>\n<p>Lutar por um outro padr\u00e3o desenvolvimento \u00e9 mais do que necess\u00e1rio e urgente. Esse novo padr\u00e3o a ser buscado dever\u00e1 enquadrar-se nos limites f\u00edsicos do planeta, na sustentabilidade, mas dever\u00e1 tamb\u00e9m opor-se aos resultados do padr\u00e3o atual, o padr\u00e3o capitalista, cujos resultados s\u00e3o a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, a opul\u00eancia de poucos e a pobreza e mis\u00e9ria de muitos, em todo o mundo. Ser\u00e1 um desenvolvimento lastreado em outra concep\u00e7\u00e3o de sociedade, justa, fundada em valores como o altru\u00edsmo e a solidariedade, onde o poder ser\u00e1 exercido diretamente por todos os que constroem a riqueza, por todos os trabalhadores, onde todos ter\u00e3o suas necessidades b\u00e1sicas atendidas, todos ter\u00e3o sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura.<\/p>\n<p>As lutas ambientais s\u00e3o de todos os que desejam construir essa nova sociedade. S\u00e3o lutas claramente anticapitalistas, que devem ter papel e lugar de destaque nas agendas pol\u00edticas de partidos, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais comprometidos com a justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>O Partido Comunista Brasileiro se soma \u00e0s lutas contra a destrui\u00e7\u00e3o ambiental promovida para favorecer os interesses capitalistas e se prop\u00f5e a participar diretamente de uma agenda comum de mobiliza\u00e7\u00e3o para canalizar den\u00fancias de agress\u00f5es \u00e0 natureza e avan\u00e7ar com vistas \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do quadro atual, pavimentando o caminho necess\u00e1rio para a ruptura com o atual padr\u00e3o de desenvolvimento e a constru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da nova sociedade, a sociedade socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/23969\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[100],"tags":[225],"class_list":["post-23969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c113-a-semana-no-olhar-comunista","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6eB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}