{"id":2400,"date":"2012-02-12T15:40:09","date_gmt":"2012-02-12T15:40:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2400"},"modified":"2017-08-25T00:55:35","modified_gmt":"2017-08-25T03:55:35","slug":"funk-mulher-alienacao-e-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2400","title":{"rendered":"Funk, Mulher, Aliena\u00e7\u00e3o e Capitalismo"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje no Brasil se faz muita confus\u00e3o sobre o que \u00e9 funk, muitos ritmos surgem e desaparecem. A ind\u00fastria cultural de acordo com o interesse do mercado muda nomes e f\u00f3rmulas de determinadas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edstico-culturais.<\/p>\n<p>A origem do funk se deu nos Estados Unidos, assim com o blues, gospel, jazz e soul surgiram nas comunidades negras. A palavra funk vem do Ingl\u00eas que quer dizer medo, embara\u00e7o pusil\u00e2nime. James Brown \u00e9 considerado um dos pais do funk; alguns cr\u00edticos musicais consideram Michael Jackson e outros cantores negros estadunidenses como express\u00e3o deste g\u00eanero musical.<\/p>\n<p>Entre n\u00f3s o funk come\u00e7a nos anos 1970 em plena ditadura civil-militar durante o movimento da Black Music. Alguns consideram Tim Maia, Jorge Benjor, Sandra de S\u00e1, Gerson King kombo e outros. Dos precursores do ritmo em terras brasileiras dos anos 1970 ao atual ritmo considerado funk, muita coisa mudou da influ\u00eancia do Soul \u00e0 batida de nossos dias cada vez mais o atual chamado funk demonstra n\u00e3o ter nada haver com a sua origem.<\/p>\n<p>Entre o fim da ditadura civil-militar \u00e0 volta da democracia burguesa durante os anos 1980 este ritmo musical n\u00e3o tinha ainda muita for\u00e7a e espa\u00e7o nos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massas. Vivia-se o auge do chamado rock Brasil, consolidava-se o rock brasileiro como express\u00e3o da juventude que resistiu \u00e0 ditadura civil-militar e denunciava as injusti\u00e7as e os anseios da jovem gera\u00e7\u00e3o, onde r\u00e1dios como a Fluminense FM 94,9 na cidade de Niter\u00f3i, estado do Rio de Janeiro divulgavam, bandas como Legi\u00e3o Urbana, Paralamas do Sucesso, Pleber Rude, Garotos Podres, RPM, Ira, Ultraje a Rigor, Bar\u00e3o Vermelho e outras bandas eram express\u00e3o deste momento hist\u00f3rico da sociedade brasileira, e com o avan\u00e7o do neoliberalismo na passagem dos anos 1980 para 1990 o rock come\u00e7a a perder alguns espa\u00e7os na m\u00eddia e passa a se restringir a um determinado p\u00fablico espec\u00edfico e se consolida como um nicho de mercado.<\/p>\n<p>A partir do neoliberalismo, o per\u00edodo \u00e9 marcado pelo pagode mauricinho, pelo breganejo criticado por Lulu Santos por conta do apoio a Collor nas elei\u00e7\u00f5es de 1989. Enquanto isso, o funk carioca se espalha pelas comunidades pobres de todo o Rio atingindo at\u00e9 as academias de gin\u00e1stica da chamada classe m\u00e9dia da zona sul do Rio.<\/p>\n<p>As primeiras m\u00fasicas falavam em amor, amizade e problemas sociais. Quem n\u00e3o se lembra da m\u00fasica do Silva, hoje este ritmo assim como o cen\u00e1rio da m\u00fasica brasileira apoiada pela grande m\u00eddia mudou para pior. Hoje este ritmo do chamado funk carioca, assim como outros g\u00eaneros musicais como a m\u00fasica baiana, passou a explorar a sexualidade e a pornografia, onde o sexo \u00e9 visto n\u00e3o na forma de prazer respons\u00e1vel e libert\u00e1rio, e sim como objeto a ser consumido de forma irrespons\u00e1vel e vulgar onde o sexo \u00e9 praticado na forma do salve-se quem puder, refletindo uma sociedade alienada nas letras, nos bailes, nas roupas das dan\u00e7arinas e cantoras do funk, do ax\u00e9 etc. A situa\u00e7\u00e3o, todos sabem: meninas gr\u00e1vidas precocemente e abandonadas e os meninos pais sem emprego, forma\u00e7\u00e3o ou v\u00edtimas da viol\u00eancia urbana onde crian\u00e7as crescem sem uma estrutura familiar com todas as possibilidades de reproduzir o eterno ciclo de aliena\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria em que vegetam.<\/p>\n<p>Hoje o atual funk carioca nada mais \u00e9 do que aliena\u00e7\u00e3o e fuga da realidade em que vive a maioria dos jovens das camadas mais pobres da nossa sociedade. Este tipo de m\u00fasica n\u00e3o tem nada de contestador, fazem apologia \u00e0s drogas, ao papel submisso da mulher, aos grupos milicianos e dos grupos dos soldados do com\u00e9rcio varejista de drogas. Sem falso moralismo ou hipocrisia, este tipo de m\u00fasica n\u00e3o contribui em nada para elevar a consci\u00eancia das massas exploradas pelo capital.<\/p>\n<p>Estes ritmos s\u00e3o apoiados e incentivados at\u00e9 por lideran\u00e7as pol\u00edticas ligadas a burguesia para incentivar a vulgaridade das mulheres que atrav\u00e9s da exposi\u00e7\u00e3o de seus corpos como mercadoria, sonhando como as dan\u00e7arinas do funk acender socialmente, talvez casar ou engravidar de algum artista, jogador de futebol ou conseguir algum contrato para alguma revista masculina. Na pr\u00e1tica, \u00e9 muito dif\u00edcil\u00a0 isso ocorrer porque nem todas poder\u00e3o ter as mesmas chances como ocorre na sociedade capitalista, nem todas v\u00e3o poder dar o golpe do ba\u00fa e se tornar marias chuteiras ou amantes de empres\u00e1rios, artistas e etc.<\/p>\n<p>A grande maioria vai se tornar amante de policiais corruptos ou mulher de gerentes do com\u00e9rcio varejista de drogas, e gozar de um poder ilus\u00f3rio at\u00e9 quando a burguesia n\u00e3o precisar mais e estas mulheres v\u00e3o amargar as pris\u00f5es ou encontrar a morte.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma pol\u00edtica cultural voltada para os filhos das classes trabalhadoras, assistir um bom show de m\u00fasica \u00e9 muito caro e alguns ritmos musicais antes considerados populares se elitizaram tornando-se inacess\u00edveis \u00e0s grandes massas, e o poder p\u00fablico por outro lado n\u00e3o procura criar condi\u00e7\u00f5es para tornar acess\u00edvel nem democratiza para as grandes massas bens culturais criados pela humanidade. Qual a sa\u00edda para esses jovens? Ir \u00e0s casas de shows baratas com seguran\u00e7as autorit\u00e1rios em sua maioria policiais, ser vitima da viol\u00eancia, ir ao baile funk e l\u00e1 saudar os Mc\u2019s totalmente manipulados pelos soldadinhos do com\u00e9rcio varejista de drogas at\u00e9 porque o grande traficante n\u00e3o estar\u00e1 l\u00e1, mas mora nos bairros elegantes da burguesia; com isto causam a aliena\u00e7\u00e3o nos nossos jovens tornando-os domesticados e adaptados ao status quo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso fazer uma distin\u00e7\u00e3o, popular n\u00e3o \u00e9 popularesco ou lixo. Se fosse assim n\u00e3o teria surgido o chorinho, o samba, o maracatu, o bumba meu boi, o Blues, o jazz, o rock, o sertanejo e etc. S\u00e3o incont\u00e1veis os artistas populares como Cartola, Nelson Cavaquinho, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, Djavan, Jovelina P\u00e9rola Negra, Beatles, Elvis Presley, Black Sabbath, Chuck Berry, Jerry Lewis, The Who, Sex Pistols e tantos outros. At\u00e9 um palavr\u00e3o em uma m\u00fasica deve ter um sentido como faziam os Tit\u00e3s, Legi\u00e3o Urbana, Ultraje a Rigor. Hoje o palavr\u00e3o nas m\u00fasicas do funk carioca n\u00e3o contesta nada, apenas contribui para a aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio resgatar a aut\u00eantica cultura popular ligada \u00e0s massas trabalhadoras, cultura n\u00e3o s\u00f3 para entreter e sim levar \u00e0 reflex\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das artes. Devemos buscar uma cultura popular que promova a contra-hegemonia e que coloque as massas em movimento e aponte a necessidade hist\u00f3rica da revolu\u00e7\u00e3o socialista como a \u00fanica sa\u00edda capaz de libertar a popula\u00e7\u00e3o e quebrar esse c\u00edrculo vicioso em que vivem as massas exploradas pelo capital .<\/p>\n<p><em>(*) Jos\u00e9 Renato Andr\u00e9 Rodrigues \u2013 Professor de Filosofia; membro do Comit\u00ea Central do PCB <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\n(*) Jos\u00e9\u00a0Renato Andr\u00e9\u00a0Rodrigues \u2013 Professor de Filosofia\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2400\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-2400","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-CI","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2400","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2400"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2400\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}