{"id":24039,"date":"2019-10-01T23:55:49","date_gmt":"2019-10-02T02:55:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24039"},"modified":"2019-10-01T23:55:49","modified_gmt":"2019-10-02T02:55:49","slug":"bolsonaro-nao-e-novidade-na-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24039","title":{"rendered":"Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 novidade na ONU"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornalggn.com.br\/sites\/default\/files\/2019\/09\/trump-critica-venezuela-china-socialismo-ongs-e-fronteiras-abertas-na-onu-48788335141-0ac6d3f7a7-o.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Andr\u00e9 Ortega | Revista Opera<\/p>\n<p>O discurso de Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas gerou rea\u00e7\u00f5es de indigna\u00e7\u00e3o no mundo todo. Nada menos do que o esperado. Contudo, algumas rea\u00e7\u00f5es chamam aten\u00e7\u00e3o por serem declara\u00e7\u00f5es de que agora o Brasil estaria rompendo com a comunidade internacional, se tornando um p\u00e1ria, desafiando a ONU em plena Assembleia Geral; que agora o Brasil se desgrudou de um universo dominado pelo direito e pela dec\u00eancia, e que tal brutalidade n\u00e3o tem precedentes, pois Bolsonaro seria um maluco excepcional.<\/p>\n<p>Alguns falam que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um absurdo por ter algo de \u201cimposs\u00edvel\u201d, como se Bolsonaro estivesse violando leis da natureza, ficando em um limbo fora da hist\u00f3ria, fora do mundo.<\/p>\n<p>No livro \u201cCarta no Coturno\u201d, atacamos a f\u00e9 ing\u00eanua em uma eterna e let\u00e1rgica normalidade. Essa cren\u00e7a no dom\u00ednio de uma normalidade \u2013 e a narrativa mitol\u00f3gica de que ela vem sendo violada por maldosos infernais \u2013 se repete tamb\u00e9m no plano internacional.<\/p>\n<p>A Assembleia Geral da ONU teve momentos de gl\u00f3ria como um espa\u00e7o de causas progressistas, especialmente nos anos 70, quando servia de plataforma para o Terceiro Mundo, os N\u00e3o Alinhados, al\u00e9m de ter sido um espa\u00e7o de reprodu\u00e7\u00e3o de uma ideologia humanit\u00e1ria em contraposi\u00e7\u00e3o ao imperialismo. Provavelmente era a institui\u00e7\u00e3o internacional mais progressista em propor\u00e7\u00e3o ao seu prest\u00edgio. Ainda assim, \u00e9 um lugar onde todos os estados membros podem fazer ouvir sua voz e afirmar suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. \u00c9 um espa\u00e7o de disputa pol\u00edtica \u2013 o que at\u00e9 \u00e9 condizente com seu car\u00e1ter de assembleia.<\/p>\n<p>De forma alternativa, foram constru\u00eddas estruturas de poder e influ\u00eancia internacionais e transnacionais. Diplomacia, realpolitik e empr\u00e9stimos. E a assembleia n\u00e3o tem for\u00e7a para fazer valer suas delibera\u00e7\u00f5es. O tem o capital financeiro em institui\u00e7\u00f5es transnacionais, tecnocr\u00e1ticas, ligadas a comunidades epist\u00eamicas restritas. O FMI, o Banco Mundial.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria ONU passou a ser uma das bases de constru\u00e7\u00e3o de um projeto internacionalista liberal, globalista, que nasce de uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores que colocam os pa\u00edses centrais \u2013 ocidentais e capitalistas \u2013 \u00e0 frente desse projeto, a come\u00e7ar pela integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtico-militar sob a \u00e9gide dos Estados Unidos. O projeto tem express\u00f5es pol\u00edticas importantes as posi\u00e7\u00f5es internacionalistas liberais de Democratas norte-americanos que seguiam a tradi\u00e7\u00e3o do wilsoniasmo. Concomitante a isso, surgem a Uni\u00e3o Europeia e institui\u00e7\u00f5es integradoras da Gr\u00e3 Bretanha e da Fran\u00e7a com suas ex-col\u00f4nias. E, no mesmo ritmo, bancos e corpora\u00e7\u00f5es se convertem em atores transnacionais na produ\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o discurso de Bolsonaro fortalece uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que a fala foi excepcional nos padr\u00f5es do estadismo brasileiro. O que n\u00e3o \u00e9 certo \u00e9 achar que Brasil comete uma ruptura sem precedentes com a \u201ccomunidade internacional\u201d e que Bolsonaro n\u00e3o possui exemplos, nem ideais para seguir. Tamb\u00e9m n\u00e3o pulamos para fora do mundo.<\/p>\n<p>Basta lembrar do hist\u00f3rico de conflito de Israel com a ONU: pegando somente uma quest\u00e3o sens\u00edvel, \u00e9 desde 1968 que a ONU produz resolu\u00e7\u00f5es acerca dos assentamentos judeus ilegais que colonizam terras \u00e1rabes. Em 1969, a Resolu\u00e7\u00e3o 2546 condenou viola\u00e7\u00f5es israelenses de direitos humanos e de conven\u00e7\u00f5es de guerra a respeito do tratamento de civis nos territ\u00f3rios ocupados da Palestina, o que foi refor\u00e7ado em tr\u00eas resolu\u00e7\u00f5es de 1970 (2628, 2727, 2728). E mesmo depois dos desastres de 1948 e 1968, a quest\u00e3o da Palestina s\u00f3 ganhou proemin\u00eancia com a emerg\u00eancia da atua\u00e7\u00e3o de grupos palestinos armados no plano internacional.<\/p>\n<p>Em 1973, a Assembleia Geral passou uma resolu\u00e7\u00e3o sobre apartheid que condenava a \u201calian\u00e7a entre o colonialismo portugu\u00eas, o Apartheid e o sionismo\u201d. Essa afirma\u00e7\u00e3o foi reutilizada no pre\u00e2mbulo da Resolu\u00e7\u00e3o 3379, \u201cElimina\u00e7\u00e3o de todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o racial\u201d\u00b9.<\/p>\n<p>Haveria de transformar esse artigo em um relat\u00f3rio t\u00e9cnico se citasse cada resolu\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra Israel. Desde 1969 s\u00e3o dezenas, sa\u00eddas dos relat\u00f3rios do comit\u00ea especial para investigar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos nos territ\u00f3rios ocupados, e isso ignorando as resolu\u00e7\u00f5es sa\u00eddas do rec\u00e9m criado Comit\u00ea de Direitos Humanos (que s\u00e3o uma outra quest\u00e3o).<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a Assembleia Geral dos membros das Na\u00e7\u00f5es Unidas, mas o Conselho de Seguran\u00e7a, cujas delibera\u00e7\u00f5es possuem for\u00e7a, aprovou por unanimidade (e sem absten\u00e7\u00f5es) a Resolu\u00e7\u00e3o 242 que declara que a aquisi\u00e7\u00e3o de terras por guerra \u00e9 \u201cinadmiss\u00edvel\u201d, exigindo a retirada das for\u00e7as israelenses dos territ\u00f3rios ocupados e reconhecendo o direito dos palestinos a um Estado.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, no entanto, os israelenses n\u00e3o retiraram as tropas de ocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o existe um Estado palestino.<\/p>\n<p>A mesma coisa ocorreu com o status internacional de Jerusal\u00e9m, que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou \u201ccapital de Israel\u201d, movimento agressivo e unilateral que foi reconhecido por Trump e alguns outros pa\u00edses, al\u00e9m de ter tido o gesto de apoio de Jair Bolsonaro. O mesmo vale para a anexa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios s\u00edrios das Colinas do Gol\u00e3.<\/p>\n<p>O sionismo segue desde 1948 a estrat\u00e9gia de impor fatos consumados; assim foi a expuls\u00e3o de vilas inteiras, com as tomadas de territ\u00f3rio; assim foi nos ataques contra os projetos de pesquisa nuclear iraquianos nos anos 80 (o Conselho de Seguran\u00e7a exigiu que os ataques cessassem na resolu\u00e7\u00e3o 487). Netanyahu seguiu com a estrat\u00e9gia, elevando-a para um novo patamar, adequado a um mundo onde a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica j\u00e1 n\u00e3o existe (dentre outras mudan\u00e7as).<\/p>\n<p>A ousadia e as vit\u00f3rias israelenses acabaram guiando at\u00e9 mesmo o discurso internacional que se pretende cr\u00edtico, j\u00e1 que sua inflexibilidade causou a transi\u00e7\u00e3o de um discurso que tratava a quest\u00e3o palestina como uma quest\u00e3o nacional para a predomin\u00e2ncia de um discurso que reduz a quest\u00e3o a abordagem de um problema humanit\u00e1rio. Na redu\u00e7\u00e3o do l\u00e9xico humanit\u00e1rio, o problema passa a ser uma quest\u00e3o israelense.<\/p>\n<p>Eles entendem que os advogados n\u00e3o fazem as leis, mas s\u00f3 interpretam as leis que s\u00e3o impostas por soldados.<\/p>\n<p>Conscientes disso, \u00e9 absurdo dizer que Bolsonaro n\u00e3o possui precedentes, que Bolsonaro n\u00e3o segue exemplos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve cair na narrativa fant\u00e1stica em que existe uma \u201cnormalidade internacional\u201d marcada pela dec\u00eancia dos burocratas e dos intelectuais, que est\u00e1 sendo violada por brucutus como Bolsonaro.<\/p>\n<p>Alguns at\u00e9 compreendem que Bolsonaro possui seus precedentes, mas o problema \u00e9 que preferem comparar Bolsonaro a \u201cditadores africanos\u201d sem nome, ao inv\u00e9s de declararem que, por sua milit\u00e2ncia anticomunista e seu discurso conservador, ele se parece mais \u00e9 com o tipo de pol\u00edtica isolacionista da \u00c1frica do Sul do apartheid ou de Israel. Talvez para essas pessoas a figura de um homem negro com a cara fechada e uniforme militar pare\u00e7a mais assustadora do que comit\u00eas de brancos de terno ligados a mineradoras transnacionais de um lado e israelenses cabeludos promovendo feiras intelectuais e concertos de m\u00fasica cl\u00e1ssica do outro\u2026 ou talvez sejam pessoas muito iludidas com as imagens de regimes parlamentares desses pa\u00edses.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul do apartheid \u00e9 outro exemplo de pa\u00eds que enfrentou uma campanha internacional coordenada na ONU e reiterada condena\u00e7\u00e3o na \u201copini\u00e3o p\u00fablica mundial\u201d, se agarrando aos Estados Unidos com discurso anticomunista e com apoio israelense (colabora\u00e7\u00e3o condenada nas resolu\u00e7\u00f5es 31\/6-E de 1976, 33\/183-D, 34\/93-P de 1979, 35\/206-H de 1980, 36\/172-M de 1981, 38\/39-F de 1983, 39\/72-C de 1984, dentre outras e assim por diante at\u00e9 o ano de 1988).<\/p>\n<p>No recente 15 de setembro completou-se 36 anos desde o massacre de Sabra e Chatila, perpetrado no L\u00edbano contra refugiados libaneses e palestinos, que foram mortos em uma cifra que varia de 762 pessoas a 3.500 (responsabilidade israelense reconhecida na resolu\u00e7\u00e3o 37\/123 em 1982) \u2013 mil\u00edcias que colaboravam com Israel cometeram uma s\u00e9rie de brutalidades no campo de refugiados sob os olhos das for\u00e7as de Israel. Do ponto de vista hist\u00f3rico, um massacre cometido em 1982 foi cometido h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p>Com o conhecimento que a pol\u00edtica externa sionista possui dos efeitos da campanha de boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es (BDS) contra o regime racista do apartheid, n\u00e3o \u00e9 de se impressionar que o sionismo fa\u00e7a de tudo para desmoralizar a campanha pelo BDS contra Israel chamando sua promo\u00e7\u00e3o de \u201cracista e antissemita\u201d, apesar de ser um pouco impressionante que Israel continue sendo o \u00fanico voto na ONU que acompanha os Estados Unidos na vota\u00e7\u00e3o anual que a Assembleia faz pedindo o fim do bloqueio econ\u00f4mico contra Cuba \u2013 como ocorreu no mais recente 1\u00ba de novembro de 2018, com direito \u00e0 fala de um representante austr\u00edaco em nome da Uni\u00e3o Europeia condenando o bloqueio (vide documento A\/73\/L.3; a Ucr\u00e2nia n\u00e3o votou contra Cuba no documento geral, mas acompanhou Israel e os Estados Unidos nas vota\u00e7\u00f5es de emendas \u2013 o Brasil deve se juntar a esse seleto clube em 2019).<\/p>\n<p>\u00c9 verdade, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Israel. Os Estados Unidos adotaram posi\u00e7\u00f5es muito unilaterais em momentos diversos, inclusive para apoiar o estado sionista (como fez Reagan nos anos 80, ignorando as resolu\u00e7\u00f5es que seu pr\u00f3prio Estado endossou no Conselho de Seguran\u00e7a no passado). Os ide\u00f3logos da Era Bush assumiram certas considera\u00e7\u00f5es dos internacionalistas liberais, como ideias de que a soberania nacional \u00e9 condicional e n\u00e3o absoluta, mas renunciaram ao figurino do multilateralismo e da coopera\u00e7\u00e3o com os parceiros em prol de uma postura ativista unilateral, independente at\u00e9 mesmo do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Trump, por sua vez, tr\u00e1s uma nova modalidade de isolacionismo com pol\u00edtica de for\u00e7a.<\/p>\n<p>Para todos os efeitos, sim, Bolsonaro quer ser um ap\u00eandice dos Estados Unidos e aplicar um programa pol\u00edtico violento, ultrarreacion\u00e1rio, a partir dessa submiss\u00e3o, como forma de garantia.<\/p>\n<p>Alguns temem san\u00e7\u00f5es dirigidas contra o Brasil, especialmente ao agroneg\u00f3cio, em face das irresponsabilidades e arroubos de Bolsonaro, sua cren\u00e7a fan\u00e1tica no extrativismo prim\u00e1rio e na acumula\u00e7\u00e3o violenta. Outros, mais s\u00e1bios ainda, temem que os Estados Unidos, famosos pelo protecionismo agr\u00edcola, se aproveitem disso para tomar fatias do mercado ocupadas por interesses brasileiros. A maioria desses, no entanto, deposita sua f\u00e9 na razoabilidade da tal \u201cala militar\u201d, confusos pelo fato de que quase tudo \u00e9 mais razo\u00e1vel do que o radicalismo de Bolsonaro. Pois saibam que o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, em um arroubo de pensador estrat\u00e9gico, acredita que a condi\u00e7\u00e3o de \u201cceleiro do mundo\u201d faz com que o Brasil seja indispens\u00e1vel para os chineses, \u201cse n\u00e3o eles morrem de fome\u201d, como se fosse vantajoso para n\u00f3s se posicionar no atual conflito entre Estados Unidos e China com uma atitude que lembra chantagem perante os chineses (isso ficou exposto em um discurso que ele fez na universidade adventista de Engenheiro Coelho, no interior paulista).<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Bolsonaro e a leni\u00eancia do governo com grupos como os madeireiros, por exemplo, \u00e9 reminiscente das rela\u00e7\u00f5es do governo israelense com os militantes que colonizam terras ocupadas. A pol\u00edtica do sionismo nas \u00faltimas d\u00e9cadas foi a seguinte: alguns colonizadores podem ser punidos, at\u00e9 mesmo alguns assentamentos desfeitos, mas no fim das contas a coloniza\u00e7\u00e3o deve continuar e ser maior do que nos \u00faltimos anos. \u00c9 assim pelo menos desde os anos 80, mas Netanyahu iniciou um novo ciclo de radicaliza\u00e7\u00e3o e reconhecimento.<\/p>\n<p>Assim, Bolsonaro intercala a leni\u00eancia radical ou at\u00e9 o apoio com a\u00e7\u00f5es de queimadas, extra\u00e7\u00e3o, expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola e viol\u00eancia contra ind\u00edgenas com pequenos recuos e at\u00e9 pequenas concess\u00f5es. O governador carioca Wilson Witzel n\u00e3o precisou que fosse feito um ritual de suspens\u00e3o da ordem constitucional para que ele aplicasse uma pol\u00edtica de escalada violenta em seu estado.<\/p>\n<p>Horrorizam-se quando Witzel diz que gostaria de bombardear, \u201cusar m\u00edssil\u201d, contra favelas. Rebelar-se \u00e9 justo, mas alguns prosseguem achando que a barb\u00e1rie n\u00e3o possui precedentes. Bombardear favelas: era isso que Israel fazia em Beirute, no L\u00edbano. Bombardearam com m\u00edsseis, avi\u00f5es e fizeram ataques com helic\u00f3pteros. Tudo ao gosto Witzelano.<\/p>\n<p>A guerra do L\u00edbano mostrou a capacidade de sucessivos governos sionistas de resistir \u00e0 comunidade internacional e a cr\u00edticas de sua pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>No dia 18 de abril de 1996, as For\u00e7as de Defesa de Israel (IDF) bombardearam um complexo da ONU que abrigava 800 refugiados libaneses (106 mortos, 116 feridos \u2013 conhecido como Massacre de Qana). Uma investiga\u00e7\u00e3o da ONU, conduzida pelo Major-General holand\u00eas Frank Van Kappen, que cumpria a fun\u00e7\u00e3o de assessor militar da secretaria-geral, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que era improv\u00e1vel que as for\u00e7as israelenses tivessem cometido algum erro t\u00e9cnico ou de procedimento\u00b2, apontando especialmente para o fato de que elas haviam feito um reconhecimento com um drone logo antes do ataque. A posi\u00e7\u00e3o foi assumida pela secretaria geral em uma carta para o Conselho de Seguran\u00e7a, que tamb\u00e9m exp\u00f5e a posi\u00e7\u00e3o dos israelenses (que atrav\u00e9s dos meios dispon\u00edveis negaram as acusa\u00e7\u00f5es). Van Kappen poucos anos depois foi para a carreira pol\u00edtica, atuando at\u00e9 hoje como pol\u00edtico conservador e atlantista (em geral favor\u00e1vel \u00e0s interven\u00e7\u00f5es da OTAN na \u00c1sia e no Oriente M\u00e9dio).<\/p>\n<p>A Assembleia Geral votou por uma puni\u00e7\u00e3o contra Israel: 1,7 milh\u00f5es de d\u00f3lares do conserto das instala\u00e7\u00f5es deveriam ser pagos por Israel. A proposta venceu por 66 votos a 2, com 59 absten\u00e7\u00f5es \u2013 os \u00fanicos votos contr\u00e1rios foram dos Estados Unidos e de Israel. Os Estados Unidos, membro permanente do Conselho de Seguran\u00e7a, argumentaram que resolu\u00e7\u00f5es financeiras deveriam ser adotadas por consenso e Israel se recusou a pagar em qualquer circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, no 27\u00ba governo israelense, o primeiro-ministro, chefe de governo pela primeira vez, era Benjamin Netanyahu.<\/p>\n<p>Ele, que acaba de vencer mais uma batalha pelo governo, pelo 35\u00ba governo \u2013 talvez a mais importante de todas, tanto pelo cen\u00e1rio internacional como pelo fato dele estar em uma linha de fogo jur\u00eddica por investiga\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 o \u201cquerido amigo\u201d de Bolsonaro.<\/p>\n<p>A m\u00eddia brasileira deu um pouco de aten\u00e7\u00e3o para um poss\u00edvel esc\u00e2ndalo em Itaipu envolvendo a fam\u00edlia Bolsonaro, mas deixou passar den\u00fancias de jornais israelenses sobre os v\u00ednculos da Watergen (empresa promovida por Bolsonaro) com Netanyahu em um esquema de lobby.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental pensar se Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 um pol\u00edtico de par\u00f3quia, daquele que troca favores at\u00e9 quando sua par\u00f3quia \u00e9 o Brasil inteiro. E n\u00f3s vamos achar que Bolsonaro \u00e9 professor para o mundo, quando o mundo oferece uma escola como essa?<\/p>\n<p>\u00c9 o mesmo Bolsonaro que quer tocar em palavras como \u201ccolonialismo\u201d, enquanto se ajoelha aos Estados Unidos e se faz de extens\u00e3o de um assentamento gigante comandado pela extrema-direita israelense.<\/p>\n<p>Um dos problemas da hipocrisia \u00e9 que ela recorre a motivos justos. \u00c9 dessa forma que alguns militares, Mour\u00e3o e Bolsonaro foram de uma posi\u00e7\u00e3o abertamente entreguista sobre a Amaz\u00f4nia para uma \u201cpatri\u00f3tica\u201d, que inclusive se informa da avalia\u00e7\u00e3o correta dos militares de que a bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 um dos motivos para considerar a Amaz\u00f4nia uma prioridade estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es que explicam o discurso de Bolsonaro, podemos escutar no r\u00e1dio, \u00e9 o seu \u201cpopulismo\u201d. Mais uma vez o populismo e, segundo o senhor do r\u00e1dio, vivemos uma amea\u00e7a populista global!<\/p>\n<p>O populismo foi de uma categoria que descreve uma ampla alian\u00e7a das classes populares com setores da burguesia, um governante majorit\u00e1rio que vai contra um sistema olig\u00e1rquico e para falar de momentos de transi\u00e7\u00e3o em sociedades com o capitalismo menos desenvolvido, para ser usado como alcunha de alguma forma adequada para um faccionalista que logo no in\u00edcio do governo se entrincheirou numa minoria ideol\u00f3gica para servir de tropa de choque das elites econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria do Brasil, Bolsonaro deve mais ao antipopulismo do que ao populismo. Sua candidatura \u2013 e o apoio dos capitalistas a essa candidatura \u2013 \u00e9 uma candidatura \u201ccontra o populismo\u201d. Uma candidatura defensora do neoliberalismo econ\u00f4mico, contr\u00e1ria \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular, em nome da ordem e defensora das desigualdades.<\/p>\n<p>Na \u00e2nsia de fazer um argumento esperto e chamar Bolsonaro de hip\u00f3crita, os nossos \u201cpensadores\u201d apontam os dedos para a Venezuela e ignoram o exemplo que Bolsonaro louva, cultua e reivindica: Israel.<\/p>\n<p>Para Witzel e Bolsonaro, Israel \u00e9 mais do que um modelo t\u00e9cnico na repress\u00e3o, mas \u00e9 um modelo ideol\u00f3gico onde vislumbram o casamento da viol\u00eancia com o messianismo conservador. \u00c9 um ideal de mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O presidente reivindica o golpe de 1964 e a ditadura de Pinochet. Essas ditaduras nasceram para combater o populismo, com um discurso de \u201cdefesa da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental\u201d enquanto defendiam as muralhas da desigualdade econ\u00f4mica com seus fuzis. S\u00e3o parte da ideia ainda viva de que \u00e9 necess\u00e1rio um \u201cgoverno forte\u201d para defender a ordem e a propriedade, e uma \u201cpol\u00edtica econ\u00f4mica racional\u201d da \u201ctenta\u00e7\u00e3o populista\u201d que vigora nos povos latinos, tenta\u00e7\u00e3o que traz riscos para as classes dominantes, por suas transforma\u00e7\u00f5es sociais e \u201creformas perigosas\u201d.<\/p>\n<p>Bolsonaro n\u00e3o grita neoliberalismo em seu discurso na Assembleia Geral? Vejamos:<\/p>\n<p>\u201cEm busca de prosperidade, estamos adotando pol\u00edticas que nos aproximem de pa\u00edses outros que se desenvolveram e consolidaram suas democracias. N\u00e3o pode haver liberdade pol\u00edtica sem que haja tamb\u00e9m liberdade econ\u00f4mica. E vice-versa. O livre mercado, as concess\u00f5es e as privatiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 se fazem presentes hoje no Brasil. (\u2026) Estamos abrindo a economia e nos integrando \u00e0s cadeias globais de valor. (\u2026) Pretendemos seguir adiante com v\u00e1rios outros acordos nos pr\u00f3ximos meses.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, certos cr\u00edticos se esfor\u00e7am por associar Bolsonaro \u00e0 palavra populismo, sem sequer situar compara\u00e7\u00f5es dentro de um \u201cpopulismo de direita\u201d (conservadores demag\u00f3gicos e histri\u00f4nicos), mas como contraposi\u00e7\u00e3o a uma forma liberal. Assim, \u00e9 realizada a opera\u00e7\u00e3o absurda em que Bolsonaro \u00e9 equiparado a qualquer um que desafie as conven\u00e7\u00f5es e aos que procuram realizar transforma\u00e7\u00f5es sociais atrav\u00e9s da mobiliza\u00e7\u00e3o popular, populistas ou n\u00e3o. Mais estritamente, Bolsonaro \u00e9 equiparado a populistas hist\u00f3ricos que mobilizaram energias populares contra oligarquias, como Per\u00f3n, Jango, Brizola, C\u00e1rdenas e Gait\u00e1n.<\/p>\n<p>A expectativa desse discurso \u00e9 que Bolsonaro atue segundo essa r\u00e9gua. Quando ele \u00e9 chamado de populista em meios como a Folha ou o Estad\u00e3o, a impress\u00e3o que fica \u00e9 que ele est\u00e1 sendo acusado de n\u00e3o corresponder \u00e0s exig\u00eancias da \u201ccausa sagrada\u201d da luta contra o populismo. Na verdade, Bolsonaro \u00e9 filho dessa cruzada tanto quanto \u00e9 filho dos liberais: os pais, nas manchetes, o renegam.<\/p>\n<p>Quando esse discurso de \u201ccr\u00edtica ao populismo\u201d se mistura com a quest\u00e3o do discurso de Bolsonaro na ONU, encontramos o perigo.<\/p>\n<p>\u00c9 por esse caminho \u2013 por essa estrutura de pensamento \u2013 que a ingenuidade sobre a ordem internacional se transforma em apologia de um projeto globalista de exerc\u00edcio de poder, em que domina o capital financeiro atrav\u00e9s de um \u201cclero\u201d transnacional composto por tecnocratas e alguns ide\u00f3logos respons\u00e1veis por sustentar os valores dessa ordem. \u00c9 a ideologia de um \u201ctipo ideal\u201d de uma classe m\u00e9dia \u201cde esquerda\u201d cosmopolita, marcada por um complexo de inferioridade devido ao atraso brasileiro, comparando o \u201cnosso\u201d barbarismo ao que seriam as elites esclarecidas expostas em revistas, almanaques e filmes estrangeiros. A turma que n\u00e3o compreendeu a soma de fatores que sustentaram o bem-estar social europeu na segunda metade do s\u00e9culo XX, que acreditava na Europa e, hoje, acredita tamb\u00e9m no globalismo.<\/p>\n<p>\u00c9 um gerencialismo liberal que acredita que essas institui\u00e7\u00f5es transnacionais e a \u201cdec\u00eancia liberal\u201d, o bom mocismo \u00e0 Macron, v\u00e3o resolver os problemas do mundo de maneira evolutiva e sem rupturas. \u00c9 uma utopia tecnocr\u00e1tica pseudoinclusiva, acima da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o existe um gerenciamento transnacional, neutro, t\u00e9cnico e cient\u00edfico acima das divis\u00f5es pol\u00edticas do mundo \u2013 incluindo as contradi\u00e7\u00f5es e antagonismos de classe.\u00b3<\/p>\n<p>O intelectual do terceiro mundo Samir Amin descreveu essa globaliza\u00e7\u00e3o como unifica\u00e7\u00e3o de um bloco imperialista, um projeto pol\u00edtico \u00fanico e global para o capital igualmente globalizado, acertando tamb\u00e9m quando disse que exig\u00eancias nacionais das pot\u00eancias causariam rachaduras nesse processo, que \u00e9 o que estamos vendo com clareza na ascens\u00e3o de Donald Trump.<\/p>\n<p>Tanto Bolsonaro como esses liberais reconhecem e fortalecem a supremacia das mesmas institui\u00e7\u00f5es transnacionais. A diferen\u00e7a \u00e9 que a marcha hist\u00f3rica do neoliberalismo, que exige sacrif\u00edcios no mundo todo \u2013 lembrando o que Karl Marx disse sobre a internacionaliza\u00e7\u00e3o do capital j\u00e1 no s\u00e9culo XIX, os povos sendo sacrificados no altar de Mammon \u2013 generaliza o fen\u00f4meno do transformismo nos pol\u00edticos nacionais, isto \u00e9, diferentes fac\u00e7\u00f5es e projetos de poder local tentam negociar sua posi\u00e7\u00e3o perante esse processo, aplicando o programa global enquanto preservam certas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim como os socialdemocratas tentam reduzir o amargor dos rem\u00e9dios da austeridade e das exig\u00eancias do financismo, os conservadores querem aplicar a doutrina de choque capitalista enquanto tentam estancar a sangria cultural da acelera\u00e7\u00e3o que eles promovem da dissolu\u00e7\u00e3o social, preservando a apar\u00eancia de alguns valores e principalmente certas posi\u00e7\u00f5es de privil\u00e9gio social. Os militares, por sua vez, tentam se tornar profetas desse apocalipse que de outra maneira pode devorar a pr\u00f3pria exist\u00eancia de uma institui\u00e7\u00e3o militar (tornada \u201cobsoleta\u201d na vis\u00e3o globalista).<\/p>\n<p>Bolsonaro ou a dec\u00eancia liberal s\u00e3o duas formas de amarrar a nossa independ\u00eancia e declarar a supremacia do capital. S\u00e3o duas etiquetas de veneno com consequ\u00eancias parecidas. Os dois querem impor a todos n\u00f3s uma inevitabilidade, um fato consumado. Imposi\u00e7\u00f5es independentes de nossos valores, nossas escolhas e nossa verdadeira autonomia nacional.<\/p>\n<p>Nossa infelicidade \u00e9 que os figur\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o, os porta-vozes que chamam Bolsonaro de jumento ou o que for por sua postura no palco internacional, s\u00e3o eles mesmos inconsequentes e cegos para o papel geopol\u00edtico do Brasil do mundo, acreditam no gerencialismo liberal. Para os pol\u00edticos s\u00f3 faz sentido aquilo que diz respeito a um mundo de neg\u00f3cios, trocas, o que eles confundem com \u201cconcreto\u201d \u2013 eles n\u00e3o compreendem e n\u00e3o querem entender o significado concreto do Brasil ser uma massa de terra que se projeta no atl\u00e2ntico sul e penetra na floresta amaz\u00f4nica e num planalto central sul-americano. N\u00e3o compreendendo isso, s\u00e3o incapazes de compreender nossa rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos e portanto incapazes de compreender o fen\u00f4meno Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>E depois de tudo, feitos os discursos e babadas as irritabilidades liberais, os tiros e as bombas seguem voando e caindo dos helic\u00f3pteros, na Palestina ou na Mar\u00e9.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>\u00b9 \u2013 No texto da resolu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cRelembrando que na resolu\u00e7\u00e3o 3151 G (XXVIII) de 14 de dezembro de 1973, a Assembleia Geral condenou, inter alia, a alian\u00e7a profana entre o racismo sul-africano e o sionismo.<\/p>\n<p>Levando em considera\u00e7\u00e3o a Declara\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico sobre a Igualdade das Mulheres e sua Contribui\u00e7\u00e3o ao Desenvolvimento e a Paz, proclamada pelo Confer\u00eancia Mundial do Dia Internacional das Mulheres, realizado na Cidade do M\u00e9xico de 19 de junho a 2 de julho de 1975, que promulgou o princ\u00edpio de que \u2018coopera\u00e7\u00e3o internacional e paz requerem a realiza\u00e7\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o nacional e independ\u00eancia, a elimina\u00e7\u00e3o do colonialismo e neo colonialismo, ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira, sionismo, apartheid e discrimina\u00e7\u00e3o racial em todas suas formas, assim como o reconhecimento da dignidade dos povos e o seu direito a autodetermina\u00e7\u00e3o\u2019. \u201d<\/p>\n<p>Em seguida a resolu\u00e7\u00e3o da ONU relembra a resolu\u00e7\u00e3o 77 (XII) adotada pela assembleia dos chefes de estado e governo da Organiza\u00e7\u00e3o de Unidade Africana em sua 12\u00aa sess\u00e3o ordin\u00e1ria, que condenou em termos iguais o \u201cregime racista da Palestina ocupada e os regimes racistas do Zimbabwe e \u00c1frica do Sul\u201d, que compartilhavam \u201cda mesma estrutura racista\u201d, \u201ccom uma origem imperialista em comum\u201d e uma pol\u00edtica de repress\u00e3o da \u201cdignidade e integridade do ser humano\u201d. Tamb\u00e9m fez refer\u00eancia a Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica adotada pela Confer\u00eancia de Ministros do Exterior dos Pa\u00edses N\u00e3o Alinhados realizada em Lima em agosto 1975, que condenou o sionismo com uma \u201camea\u00e7a a paz e seguran\u00e7a mundial\u201d, chamando todos os pa\u00edses a se opor a essa \u201cideologia racista e imperialista\u201d. Com isso, a resolu\u00e7\u00e3o adotada com voto majorit\u00e1rio determinava o sionismo como uma forma de racismo.<\/p>\n<p>\u00b2 \u2013 Em maio de 1996, Kol Ha\u2019ir, um jornal semanal israelense, publicou os relatos de soldados envolvidos \u2013 an\u00f4nimos \u2013 e eles confirmavam que o ataque foi proposital e que os comandantes encorajaram os soldados. Um dos entrevistados at\u00e9 disse que \u201cfizemos nosso trabalho, ningu\u00e9m via como um erro, estamos em paz com isso, era s\u00f3 um monte de \u00e1rabes\u201d.<\/p>\n<p>\u00b3 \u2013 Para recuperar mais um exemplo, a \u00eanfase no suposto car\u00e1ter positivo e na emerg\u00eancia da interven\u00e7\u00e3o internacional em Rwanda no ano de 1994 mascara o papel das pot\u00eancias ocidentais na prepara\u00e7\u00e3o do desastres (de v\u00e1rias maneiras: o Acordo Internacional do Caf\u00e9, as press\u00f5es da Comunidade Econ\u00f4mica Europeia, as reformas do FMI, a democratiza\u00e7\u00e3o feita sob encomenda pelos ocidentais que liberou as amarras das contradi\u00e7\u00f5es sociais e do nacionalismo hutu) e mascara os desastres que seguiram (em Rwanda e no Congo).<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Ortega \u00e9 fundador do site Realismo Pol\u00edtico e coapresentador do programa Posto Sul. Leitor \u00e1vido, foi correspondente da Revista Opera junto aos rebeldes no leste da Ucr\u00e2nia em 2015 e escreve na &#8220;Coluna do Ortega.&#8221;<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, Donald Trump. cumprimenta o presidente da Rep\u00fablica, Jair Bolsonaro, durante encontro na sede da ONU. (Foto: Alan Santos\/PR)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24039\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[226],"class_list":["post-24039","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6fJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24039\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}