{"id":2404,"date":"2012-02-13T18:53:36","date_gmt":"2012-02-13T18:53:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2404"},"modified":"2012-02-13T18:53:36","modified_gmt":"2012-02-13T18:53:36","slug":"mantega-questiona-fundos-sobre-leilao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2404","title":{"rendered":"Mantega questiona fundos sobre leil\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Surpreso com o apetite com que os fundos de pens\u00e3o estatais participaram do leil\u00e3o dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Bras\u00edlia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou os dirigentes da Previ (fundo dos funcion\u00e1rios do Banco do Brasil) e da Funcef (fundo dos funcion\u00e1rios da Caixa) para ouvir explica\u00e7\u00f5es mais detalhadas sobre a decis\u00e3o. Depois da conversa, ele passou um relato \u00e0 presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Assim como boa parte do mercado, que considerou os \u00e1gios pagos pelos aeroportos muito elevados e por isso tem d\u00favidas sobre a sustentabilidade do neg\u00f3cio, setores do governo tamb\u00e9m viram a opera\u00e7\u00e3o com alguma reserva. Se por um lado o valor polpudo arrecadado com a opera\u00e7\u00e3o, R$ 24,5 bilh\u00f5es, foi visto como um sucesso, por outro surgiram preocupa\u00e7\u00f5es quanto \u00e0\u00a0lucratividade do neg\u00f3cio e seus reflexos sobre a sa\u00fade dos fundos de pens\u00e3o.<\/p>\n<p>Mantega fez uma esp\u00e9cie de sabatina com os dirigentes dos fundos. Ouviu que as ofertas foram precedidas de estudos e c\u00e1lculos e que se trata de um bom neg\u00f3cio. Os fundos contam principalmente com receitas hoje n\u00e3o exploradas, com a concess\u00e3o de novas lojas e a constru\u00e7\u00e3o de hot\u00e9is. &#8220;H\u00e1 uma imensa demanda reprimida&#8221;, frisou um auxiliar da presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Uma fonte ligada aos fundos explicou que os investimentos em amplia\u00e7\u00e3o e melhoria na gest\u00e3o dever\u00e3o alavancar as receitas dos aeroportos e, num per\u00edodo de tr\u00eas ou quatro anos, dever\u00e3o gerar o montante necess\u00e1rio ao pagamento da outorga.<\/p>\n<p>Modernas. Por outro lado, h\u00e1\u00a0no Executivo quem lamente que os leil\u00f5es de Guarulhos e Bras\u00edlia tenham sido vencidos por operadores de m\u00e9dio porte de aeroportos internacionais, como a sul-africana Airport Companies South Africa (Acsa)e a argentina Corporaci\u00f3n Am\u00e9rica. A exig\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o de operadores internacionais tinha como meta trazer para o Pa\u00eds tecnologias mais modernas de gest\u00e3o de aeroportos.<\/p>\n<p>Previ e Funcef, al\u00e9m do Petros, fundo de pens\u00e3o dos funcion\u00e1rios da Petrobr\u00e1s, fazem parte do cons\u00f3rcio Invepar, que aceitou pagar R$ 16,2 bilh\u00f5es, um \u00e1gio de 373,5%, para explorar Guarulhos por 20 anos.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o que corre no governo \u00e9\u00a0 que os fundos n\u00e3o foram orientados a entrar pesadamente no leil\u00e3o. Tanto \u00e9\u00a0que Mantega estranhou o volume envolvido e a agressividade com que participaram do leil\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Se tiv\u00e9ssemos sido pautados pelo governo n\u00e3o haveria tanta surpresa&#8221;, afirmou uma fonte ligada aos fundos de pens\u00e3o. Segundo a fonte, o elevado \u00e1gio pago n\u00e3o vai atrapalhar a realiza\u00e7\u00e3o dos investimentos previstos no edital, que ser\u00e3o financiados. Tamb\u00e9m ser\u00e1\u00a0preservado o cumprimento das metas atuariais dos fundos no longo prazo (INPC mais 6% ao ano), mesmo que a taxa de retorno fique pouco abaixo do estimado nos estudos de viabilidade econ\u00f4mica. &#8220;Teremos a rentabilidade adequada&#8221;, destacou a fonte. Oficialmente, Funcef, Previ e Petros n\u00e3o falam sobre o assunto, que \u00e9 de responsabilidade da Invepar.<\/p>\n<p>A suspeita de que a atua\u00e7\u00e3o pudesse ter sido orquestrada foi baseada no ocorrido no setor el\u00e9trico. Em 2010, o governo recorreu aos fundos de pens\u00e3o para salvar o leil\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Belo Monte.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o, Odebrecht e Camargo Corr\u00eaa se retiraram da disputa, gerando a desconfian\u00e7a no Executivo de que a manobra teria sido combinada para favorecer um \u00fanico participante, que depois recompensaria os demais. Diante desse quadro, os fundos foram chamados para entrar na disputa.<\/p>\n<p>Por outro lado, os investimentos em infraestrutura s\u00e3o t\u00edpicas aplica\u00e7\u00f5es dos fundos de pens\u00e3o, que precisam de investimentos de longo prazo. Analistas dizem que n\u00e3o d\u00e1 para apostar apenas em aumento das taxas de juros e em investimentos em a\u00e7\u00f5es para cumprir as metas de rentabilidade. Dados preliminares dos fundos j\u00e1 mostravam que dificilmente eles conseguiriam atingir metas em 2011. Nesse cen\u00e1rio, investimentos em infraestrutura ganham atratividade.<\/p>\n<p>Para o economista Mansueto Almeida, a participa\u00e7\u00e3o dos fundos de pens\u00e3o, por si s\u00f3, \u00e9 normal. &#8220;Eles tamb\u00e9m participaram das privatiza\u00e7\u00f5es dos anos 1990&#8221;, lembrou. A diferen\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual, observou, \u00e9 que nos anos 1990 os sindicalistas que faziam parte dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o dos fundos eram de oposi\u00e7\u00e3o. Hoje, eles apoiam o governo. &#8220;O sistema de freios e balan\u00e7os era melhor no passado&#8221;, comentou o economista.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>Corte de juro quase mina dire\u00e7\u00e3o do BC<\/strong><\/p>\n<p><em>Correio Braziliense<\/em><\/p>\n<p>A quarta-feira 31 de agosto de 2011 entrou para a hist\u00f3ria do Banco Central. Ainda que o motivo principal seja de conhecimento de pouqu\u00edssimos funcion\u00e1rios da autoridade monet\u00e1ria, por pouco n\u00e3o houve uma implos\u00e3o da diretoria comandada por Alexandre Tombini. T\u00e3o logo o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) anunciou um inesperado corte de 0,5 ponto percentual da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 12,50% para 12% ao ano, o diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica da institui\u00e7\u00e3o, Carlos Hamilton, gritou: &#8220;Eu n\u00e3o sou pol\u00edtico. N\u00e3o compartilho dessa decis\u00e3o&#8221;. E deixou a sala de reuni\u00f5es do 20\u00ba andar batendo a porta.<\/p>\n<p>Ele e Altamir Lopes, diretor de Administra\u00e7\u00e3o, foram votos vencidos \u2014 cinco foram a favor da baixa dos juros. Os dois n\u00e3o viam raz\u00e3o, n\u00e3o naquele momento em que a infla\u00e7\u00e3o estava acima de 7% no acumulado de 12 meses, para que o BC cedesse \u00e0s press\u00f5es do Pal\u00e1cio do Planalto e do Minist\u00e9rio da Fazenda para reduzir os juros. Dias antes da decis\u00e3o do Copom, a presidente Dilma havia enfatizado que os juros cairiam e o ministro Guido Mantega fez quest\u00e3o de anunciar um arrocho adicional de R$ 10 bilh\u00f5es nos gastos p\u00fablicos para for\u00e7ar o afrouxamento monet\u00e1rio.<\/p>\n<p>A irrita\u00e7\u00e3o de Hamilton, funcion\u00e1rio de carreira do BC, provocou espanto e, sobretudo, temor de que o racha dentro da institui\u00e7\u00e3o se tornasse p\u00fablico. A preocupa\u00e7\u00e3o aumentou porque Hamilton se recusou a atender pelo menos tr\u00eas telefonemas de Tombini. Segundo relataram t\u00e9cnicos do BC ao Correio, o diretor bateu v\u00e1rias vezes o telefone no gancho. Os dias que se seguiram foram de muito nervosismo. Mas o presidente do BC acabou contornando a situa\u00e7\u00e3o depois que os indicadores passaram a mostrar uma forte desacelera\u00e7\u00e3o da economia brasileira e o agravamento da crise europeia.<\/p>\n<p><strong>Peso nos votos<\/strong><\/p>\n<p>Quem acompanha o dia a dia do Banco Central sabe da import\u00e2ncia das palavras do diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica. \u00c9\u00a0ele quem re\u00fane todos os indicadores das economias brasileira e internacional e os apresenta a seus pares nas reuni\u00f5es do Copom. Por ter uma vis\u00e3o consistente de tudo o que est\u00e1\u00a0acontecendo, acaba tendo peso nos votos dos colegas. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o ficou feia no BC por v\u00e1rios dias. Ningu\u00e9m esperava uma rea\u00e7\u00e3o t\u00e3o dura de Hamilton, um t\u00e9cnico muito competente. Mas o importante \u00e9\u00a0que a crise interna foi contornada e tudo voltou ao normal&#8221;, disse um dos funcion\u00e1rios do BC ouvidos pelo Correio. Tanto voltou ao normal que, nas decis\u00f5es seguintes, houve unanimidade nos votos do Copom. E melhor: Tombini n\u00e3o foi obrigado a divulgar uma carta ao pa\u00eds explicando o porqu\u00ea de a infla\u00e7\u00e3o ter estourado o teto da meta. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2011 exatamente no limite: 6,5%<\/p>\n<p>Os conflitos no BC s\u00e3o motivos de burburinhos no mercado. E voltaram a ganhar corpo nos \u00faltimos dias diante do compromisso assumido pela autoridade monet\u00e1ria de levar a taxa b\u00e1sica de juros para algo em torno de 9%, alvo definido pela presidente Dilma. Motivo: a infla\u00e7\u00e3o continua resistente e pouqu\u00edssimos s\u00e3o os analistas que a veem pr\u00f3xima do centro da meta definida pelo governo para 2012, de 4,5%. Para a economista Zeina Latif, o importante \u00e9 que as diverg\u00eancias dentro do BC ficaram para tr\u00e1s. No entender do economista-chefe do Ita\u00fa Unibanco, Ilan Goldfajn, \u00e9 perfeitamente fact\u00edvel o pa\u00eds fechar este ano com uma Selic de 9%. Ele, inclusive, aposta em um IPCA mais fraco em fevereiro: 0,45%. Se confirmando, a infla\u00e7\u00e3o em 12 meses cair\u00e1 de 6,22% para 5,85%.<\/p>\n<p>Procurado pelo Correio, o BC negou, por meio de sua assessoria de imprensa, qualquer &#8220;diverg\u00eancia de car\u00e1ter pessoal&#8221; entre os membros da diretoria colegiada na reuni\u00e3o de 31 de agosto.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>Parlamento grego aprova plano de cortes<\/strong><\/p>\n<p><em>O Estado de S. Paulo<\/em><\/p>\n<p>Mesmo sob a press\u00e3o de at\u00e9\u00a080 mil manifestantes em Atenas, o Parlamento da Gr\u00e9cia aprovou na noite de ontem o quinto plano de austeridade desde setembro de 2009. O corte, de \u20ac\u00a0325 milh\u00f5es, prev\u00ea\u00a0a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo em 22% e a acelera\u00e7\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es, exig\u00eancias da Uni\u00e3o\u00a0 Europeia e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) para liberar o novo pacote de socorro de \u20ac 130 bilh\u00f5es. O pr\u00f3ximo desafio \u00e9 sacramentar o acordo para o corte da d\u00edvida privada.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o legislativa que analisaria o novo plano de rigor foi aberta no fim da tarde de ontem e se prolongou por boa parte da noite. Do lado de fora, cerca de 25 mil pessoas, segundo dados da pol\u00edcia, e 80 mil, de acordo com as centrais sindicais, se reuniram na Pra\u00e7a\u00a0Syntagma, a principal da capital, para protestar contra as medidas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dois dias de greve geral, nos quais os transportes p\u00fablicos e parte do com\u00e9rcio foram paralisados, os manifestantes voltaram a entrar em confronto com as tropas de choque, com pedras e coquet\u00e9is molotov de um lado e golpes de cassetete e bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, de outro. V\u00e1rios pr\u00e9dios, alguns hist\u00f3ricos, foram incendiados por manifestantes mascarados.<\/p>\n<p>Comentando a rebeli\u00e3o em Atenas, o primeiro-ministro, Lucas Papademos, assegurou que a aprova\u00e7\u00e3o do pacote era a &#8220;\u00fanica solu\u00e7\u00e3o realista&#8221; para o impasse. &#8220;Os atos de viol\u00eancia e a destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam lugar numa democracia&#8221;, disse Papademos.<\/p>\n<p>No Parlamento, a press\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica se refletiu na atmosfera tensa, mas a maioria dos deputados mais uma vez deu resposta positiva ao ultimato dos t\u00e9cnicos da troica, grupo formado pela UE, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo FMI.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o era esperada porque o governo tinha maioria na Casa: cerca de 236 votos, entre 300. Por\u00e9m, houve dissid\u00eancias: 23 socialistas e 21 integrantes do Nova Democracia votaram contra os cortes e foram expulsos de seus partidos. O pacote foi aprovado com 199 votos a favor, 74 contra e 27 absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A principal medida, o rebaixamento do sal\u00e1rio m\u00ednimo &#8211; que passa a \u20ac\u00a0586 (R$ 1.330) &#8211; chega a significar um corte de 32% para jovens com menos de 25 anos. O objetivo \u00e9\u00a0 combater o desemprego, hoje em 20%, e recuperar a competitividade do pa\u00eds por meio da redu\u00e7\u00e3o do custo do trabalho em 15% at\u00e9\u00a02015.<\/p>\n<p>Os deputados aprovaram ainda a acelera\u00e7\u00e3o do programa de privatiza\u00e7\u00f5es, que dever\u00e1\u00a0arrecadar neste primeiro semestre \u20ac\u00a04,5 bilh\u00f5es com a venda de estatais de fornecimento de g\u00e1s e \u00e1gua, explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e de jogos de azar. A venda \u00e9\u00a0uma das maiores exig\u00eancias da UE e do FMI, que reclamam do atraso do programa. Em 2011, os leil\u00f5es deveriam arrecadar \u20ac\u00a0 5 bilh\u00f5es, mas se limitaram a \u20ac\u00a01,3 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0s medidas se somam a redu\u00e7\u00e3o de \u20ac 300 milh\u00f5es do or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Defesa, a extin\u00e7\u00e3o de 500 prefeituras e a contrata\u00e7\u00e3o de inspetores fiscais para combater a evas\u00e3o de impostos. Os novos cortes s\u00e3o o quinto plano de austeridade do pa\u00eds, e juntos somam \u20ac 169 bilh\u00f5es. Na negocia\u00e7\u00e3o com os deputados, o ministro de Finan\u00e7as, Evangelos Venizelos, chegou a dizer que, se a lei n\u00e3o fosse adotada, &#8220;o pa\u00eds iria \u00e0 bancarrota&#8221;.<\/p>\n<p>Credores. Com o novo plano, o governo de Lucas Papademos, chefe do Partido Socialista (Pasok), ganha sobrevida at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es legislativas previstas para o fim deste semestre. Com os recursos da UE e do FMI, a Gr\u00e9cia deve honrar o reembolso dos t\u00edtulos da d\u00edvida soberana com vencimento em mar\u00e7o, cujo total chega a \u20ac 14,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois de mais uma semana de alta tens\u00e3o pol\u00edtica, o governo grego agora volta as aten\u00e7\u00f5es ao acordo com os credores privados para o corte de cerca de \u20ac\u00a0100 bilh\u00f5es em d\u00edvidas, que vem sendo negociado h\u00e1\u00a0v\u00e1rias semanas. Segundo Venizelos, o documento deve ser submetido ao Parlamento at\u00e9 17 de fevereiro &#8211; com dez dias de atraso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00faltimas previs\u00f5es.<\/p>\n<p>Atenas espera que a aprova\u00e7\u00e3o permita ao f\u00f3rum de ministros da zona do euro (Eurogrupo) determinar a libera\u00e7\u00e3o de novos recursos. &#8220;Queremos que a Gr\u00e9cia receba o sinal verde at\u00e9 a pr\u00f3xima reuni\u00e3o&#8221;, disse Venizelos. &#8220;Se (a aprova\u00e7\u00e3o) n\u00e3o ocorrer at\u00e9 17 de fevereiro, n\u00e3o poderemos lan\u00e7ar oficialmente a opera\u00e7\u00e3o de troca de t\u00edtulos.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com o ministro, esse mesmo prazo \u00e9\u00a0o limite para a libera\u00e7\u00e3o dos recursos da UE e do FMI. Caso contr\u00e1rio, o reembolso das d\u00edvidas que vencem em 14 e 20 de mar\u00e7o pode atrasar, levando o pa\u00eds\u00a0\u00e0\u00a0amea\u00e7a de morat\u00f3ria. &#8220;Se n\u00e3o acontecer, o pa\u00eds entrar\u00e1\u00a0em fal\u00eancia. E isso significar\u00e1\u00a0 um pa\u00eds sem sistema banc\u00e1rio&#8221;, advertiu.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p><strong>&#8216;N\u00e3o h\u00e1\u00a0 espa\u00e7o para redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos im\u00f3veis&#8217;<\/strong><\/p>\n<p><em>O Estado de S. Paulo<\/em><\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Claudio Bernardes toma posse hoje como novo presidente do Sindicato da Habita\u00e7\u00e3o (Secovi), em substitui\u00e7\u00e3o a Jo\u00e3o Crestana, no cargo desde 2008. O Secovi, que representa as empresas do setor imobili\u00e1rio, escolheu para represent\u00e1-lo um empres\u00e1rio focado em urbanismo.<\/p>\n<p>A grande meta de Bernardes \u00e0\u00a0frente do sindicato \u00e9\u00a0colocar na pauta de discuss\u00f5es uma mudan\u00e7a no modelo de ocupa\u00e7\u00e3o de grandes cidades e metr\u00f3poles. Ele tamb\u00e9m falou sobre as perspectivas de pre\u00e7os para o mercado brasileiro de im\u00f3veis, e de como a tend\u00eancia atual \u00e9\u00a0de ajuste ao ritmo de crescimento da economia.<\/p>\n<p>A seguir, os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p><strong>As vendas de im\u00f3veis em 2011 ca\u00edram cerca de 20% em S\u00e3o Paulo e os lan\u00e7amentos subiram um pouco, algo como 1%, segundo o Secovi. O que aconteceu?<\/strong><\/p>\n<p>Existe uma acomoda\u00e7\u00e3o natural. As vendas ca\u00edram em rela\u00e7\u00e3o a 2011, mas desde 2006 t\u00eam crescido. N\u00e3o quer dizer que haja uma bolha. S\u00f3\u00a0que h\u00e1\u00a0uma acomoda\u00e7\u00e3o no mercado. A diferen\u00e7a do mercado imobili\u00e1rio de uma ind\u00fastria \u00e9\u00a0 que eles detectam uma altera\u00e7\u00e3o na demanda, mandam desligar uma m\u00e1quina e no outro dia a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1\u00a0est\u00e1\u00a0menor. No mercado imobili\u00e1rio, \u00e9\u00a0um processo mais lento. N\u00e3o vamos crescer no mesmo ritmo dos \u00faltimos anos. Vamos crescer em m\u00e9dia no ritmo da economia. Vai ser 4,5% ou 3,5%. Mas, em alguns bairros ou cidades, o crescimento ser\u00e1\u00a0 maior ou menor.<\/p>\n<p><strong>Mas o Brasil possui um d\u00e9ficit habitacional. Como a demanda por im\u00f3veis caiu?<\/strong><\/p>\n<p>Muitas pessoas querem comprar um apartamento, mas isso nem sempre se caracteriza em demanda. Para ter demanda, as pessoas precisam ter condi\u00e7\u00e3o de compra. Ou seja, elas precisam ter dinheiro ou acesso a financiamento. Com o aumento da renda da popula\u00e7\u00e3o e a melhoria nas condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, muitas pessoas se tornaram potenciais compradores de im\u00f3veis nos \u00faltimos anos. E o mercado correu para tentar ofertar mais. Mas n\u00e3o conseguiu produzir na medida necess\u00e1ria para equilibrar o pre\u00e7o. Porque n\u00e3o tem terreno, tem problema de estoque de outorga onerosa e uma s\u00e9rie de problemas. E, se o pre\u00e7o sobe muito, o n\u00famero de potenciais compradores cai. Ent\u00e3o, gera um excesso de oferta.<\/p>\n<p><strong>O volume de lan\u00e7amentos vai continuar a crescer?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Ele tende a se adequar \u00e0\u00a0 demanda. Se a demanda se mantiver nesse n\u00edvel, a oferta ter\u00e1\u00a0 de cair um pouquinho. Se o mercado produzir muito mais, existe uma tend\u00eancia de que os pre\u00e7os comecem a cair. E, se ca\u00edrem, as empresas perdem a margem de lucro. Ent\u00e3o, param de produzir. A\u00ed\u00a0recome\u00e7a o ciclo.<\/p>\n<p><strong>Os pre\u00e7os de im\u00f3veis dispararam nos \u00faltimos anos. Eles v\u00e3o continuar a subir?<\/strong><\/p>\n<p>Os pre\u00e7os v\u00e3o subir, na m\u00e9dia, no mesmo n\u00edvel do crescimento da economia. N\u00e3o acredito que exista espa\u00e7o para redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. Assim como n\u00e3o tem espa\u00e7o para subir muito mais do que a economia. Mas \u00e9\u00a0uma m\u00e9dia, ent\u00e3o essa rela\u00e7\u00e3o ser\u00e1\u00a0diferente em algumas regi\u00f5es onde h\u00e1\u00a0mais ou menos oferta.<\/p>\n<p><strong>De quanto \u00e9\u00a0o d\u00e9ficit habitacional no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Depende da m\u00e9trica para calcular. Mas a verdade \u00e9\u00a0que temos um d\u00e9ficit talvez entre 6 milh\u00f5es e 10 milh\u00f5es. \u00c9\u00a0enorme.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel acabar com esse d\u00e9ficit?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Outros pa\u00edses j\u00e1\u00a0conseguiram. No ano passado, conversei com o ministro de Habita\u00e7\u00e3o da China e soube que eles est\u00e3o produzindo 10 milh\u00f5es de unidades. Mas, para isso, \u00e9\u00a0preciso ter condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura e desenvolvimento de projetos.<\/p>\n<p><strong>Como o governo pode ajudar?<\/strong><\/p>\n<p>Temos duas quest\u00f5es principais. A principal delas \u00e9\u00a0a do terreno. O governo tem de ter uma cabe\u00e7a voltada para solu\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas que viabilizem a constru\u00e7\u00e3o em mais terrenos, para aumentar a oferta e reduzir o pre\u00e7o. Mas n\u00e3o adianta s\u00f3\u00a0isso. Temos um problema de infraestrutura. Se quis\u00e9ssemos construir 10 milh\u00f5es de moradias faltaria cimento, m\u00e3o de obra e equipamentos. N\u00e3o ter\u00edamos condi\u00e7\u00f5es, mesmo que tiv\u00e9ssemos terrenos.<\/p>\n<p><strong>O governo pretende aumentar a meta do Minha Casa, Minha Vida at\u00e9\u00a0 2014. \u00c9\u00a0fact\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma boa decis\u00e3o e \u00e9 fact\u00edvel. Mas precisa de estrutura de base. Se n\u00e3o tiver terreno em condi\u00e7\u00e3o e pre\u00e7o, n\u00e3o vamos conseguir fazer.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00eas precisam para viabilizar o programa?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos precisar de espa\u00e7o urbano adequado. Para isso, vamos ter de criar um novo modelo de ocupa\u00e7\u00e3o para viabilizar o adensamento das cidades em algumas \u00e1reas sem criar impactos negativos para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como?<\/strong><\/p>\n<p>Existem espa\u00e7os nas cidades onde \u00e9\u00a0 poss\u00edvel fazer novas centralidades. Em S\u00e3o Paulo, h\u00e1\u00a0locais como Mooca, Pari, Santo Amaro, que s\u00e3o antigas \u00e1reas industriais, onde o pre\u00e7o n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0t\u00e3o alto, mas h\u00e1\u00a0espa\u00e7os grandes. \u00c9\u00a0poss\u00edvel fazer uma reurbaniza\u00e7\u00e3o, criando locais de lazer, escola, com\u00e9rcio e resid\u00eancias para todos os padr\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O mercado imobili\u00e1rio depende do que para criar esses polos?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de tudo, o poder p\u00fablico precisa planejar a cidade dessa forma. O mercado imobili\u00e1rio seria coadjuvante. O que estamos tentando fazer \u00e9\u00a0apresentar um modelo \u00e0\u00a0sociedade. Temos um grupo de estudos, fizemos um plano para S\u00e3o Paulo e j\u00e1\u00a0 encaminhamos \u00e0\u00a0Prefeitura.<\/p>\n<p><strong>Por que voc\u00eas come\u00e7aram por S\u00e3o Paulo?<\/strong><\/p>\n<p>Porque est\u00e1\u00a0prevista uma reestrutura\u00e7\u00e3o do plano diretor em 2012. Fizemos essa contribui\u00e7\u00e3o para ser um subs\u00eddio para a Prefeitura definir um novo plano diretor. E, se der certo em S\u00e3o Paulo, pode ser aplicado em outras cidades.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o o que podemos esperar? O mercado vai lan\u00e7ar projetos do Minha Casa, Minha Vida com im\u00f3veis residenciais e comerciais, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p>O Minha Casa Minha Vida \u00e9\u00a0muito importante para ajudar o Pa\u00eds a reduzir o d\u00e9ficit habitacional. Esse modelo \u00e9\u00a0vencedor e ter\u00e1\u00a0de continuar at\u00e9\u00a0acabar com o d\u00e9ficit. Se tivermos um novo modelo de ocupa\u00e7\u00e3o urbana, surgir\u00e3o alternativas para novos empreendimentos. Podemos ter projetos no Minha Casa, Minha Vida um pouco mais longe do centro da cidade, se ficarem pr\u00f3ximos de uma linha de trem, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Mas para isso voc\u00eas dependem da aprova\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico. N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0 solu\u00e7\u00e3o de curto prazo.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0\u00e9, entre aspas. Se houvesse vontade pol\u00edtica, poderia ser viabilizado em um ano e meio.<\/p>\n<p><strong>Mas o prazo para lan\u00e7ar 2 milh\u00f5es de moradias no Minha Casa Minha Vida est\u00e1\u00a0 correndo..<\/strong><\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, precisaremos de ajustes. Os terrenos v\u00e3o escassear mais e ficar mais caros. Precisaremos de mais subs\u00eddios, principalmente para a primeira faixa do programa, para fam\u00edlias com renda de at\u00e9\u00a0tr\u00eas m\u00ednimos. Em S\u00e3o Paulo, o governo do Estado criou o programa Casa Paulista, que adicionou R$ 25 mil no limite de pre\u00e7o do Minha Casa, Minha Vida para metr\u00f3poles do Estado.<\/p>\n<p><strong>O governo ter\u00e1\u00a0 de aumentar novamente o teto do programa?<\/strong><\/p>\n<p>Provavelmente. At\u00e9\u00a0que se encontre uma solu\u00e7\u00e3o mais duradoura para viabilizar uma oferta maior, que passa por um novo modelo de urbanismo. (Hoje, o Minha Casa, Minha Vida financia im\u00f3veis at\u00e9\u00a0R$ 170 mil.)<\/p>\n<p><strong>Qual a sua principal meta como presidente do Secovi?<\/strong><\/p>\n<p>Temos de procurar novos modelos de ocupa\u00e7\u00e3o para as cidades. E \u00e9\u00a0a\u00ed\u00a0que eu acho que o Secovi, espero que na minha gest\u00e3o, pode dar uma contribui\u00e7\u00e3o grande. N\u00f3s desenvolvemos o mercado imobili\u00e1rio com as regras de ocupa\u00e7\u00e3o definidas pelas cidades. A\u00ed lan\u00e7amos empreendimentos e somos acusados de provocar problemas de superlota\u00e7\u00e3o. O mercado imobili\u00e1rio \u00e9 visto como o vil\u00e3o que cria problemas de tr\u00e2nsito. Mas s\u00f3 estamos tentando equilibrar oferta e demanda obedecendo \u00e0s regras existentes. Se a gente n\u00e3o planejar a cidade, ela vai crescer de forma ca\u00f3tica. Isso \u00e9 ruim para todos, n\u00e3o s\u00f3 para quem mora numa regi\u00e3o, mas para o mercado tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Estado de S. 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