{"id":24057,"date":"2019-10-03T21:52:44","date_gmt":"2019-10-04T00:52:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24057"},"modified":"2019-10-04T23:09:15","modified_gmt":"2019-10-05T02:09:15","slug":"cronicamente-inviavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24057","title":{"rendered":"Cronicamente invi\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/criticadaeconomia.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Brasil-Popula%C3%A7%C3%A3o-no-metro.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Jos\u00e9 Martins &#8211; CR\u00cdTICA DA ECONOMIA<\/p>\n<p>Como a pequenina cidade de Bacurau, no sert\u00e3o de Pernambuco, a ind\u00fastria de manufaturas do Brasil est\u00e1 marcada para morrer. Para sumir do mapa. Inevitavelmente. E a totalidade da economia nacional seguir\u00e1 naturalmente essa fatalidade.<\/p>\n<p>Os recentes desdobramentos pol\u00edticos e sociais protagonizados pelo atual governo burgu\u00eas instalado em Bras\u00edlia j\u00e1 refletem nas superestruturas do Estado nacional a acelera\u00e7\u00e3o deste inevit\u00e1vel processo material.<\/p>\n<p>Mais cedo ou mais tarde a economia acaba determinando a pol\u00edtica. Apesar da pasmaceira cr\u00edtica que assola atualmente o pa\u00eds, algu\u00e9m teria que dizer alguma coisa a respeito destas coisas precisas, materiais. Essa tarefa s\u00f3 poderia ser confiada aos economistas, estes bem preparados ide\u00f3logos da propriedade privada e do capital.<\/p>\n<p>Primeira e importante observa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica destes distintos cidad\u00e3os: enquanto a produ\u00e7\u00e3o industrial no resto do mundo cresceu 10% desde 2014, a atividade nas f\u00e1bricas brasileiras caiu 15% no mesmo per\u00edodo \u2013 e n\u00e3o recuperou o patamar em que estava antes da recess\u00e3o. Se nada for feito, dizem eles, a ind\u00fastria brasileira corre o s\u00e9rio risco de n\u00e3o figurar mais no ranking das dez maiores do mundo.<\/p>\n<p>Na zona da degola do darwiniano mercado mundial. A gravidade do problema come\u00e7a a ser ilustrada pela evolu\u00e7\u00e3o recente da classifica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de alguns importantes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina frente \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o dos demais competidores mundiais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/criticadaeconomia.com\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Brasil-ind%C3%BAstria-latino-americana-e-brasileira.jpg\" alt=\"imagem\" \/>De acordo com a economista Laura Karpuska, da BlueLine Asset, que sistematizou os dados acima sobre produ\u00e7\u00e3o industrial no mundo, nos pa\u00edses dominados da periferia do sistema, excluindo a China, a atividade das f\u00e1bricas cresceu 8% desde 2014, enquanto na Am\u00e9rica Latina o desempenho foi de queda de 4% \u2013 e o destaque entre os maiores pa\u00edses da regi\u00e3o foi o Brasil.<\/p>\n<p>Em resumo, desde 2014, enquanto a produ\u00e7\u00e3o industrial mundial cresceu 41,8%, na Am\u00e9rica Latina permaneceu praticamente estagnada. E no Brasil ela desabou 14%! Dentre os motivos que ajudam a explicar o desempenho mais fraco do Brasil em rela\u00e7\u00e3o aos vizinhos, a senhora Karpuska cita primeiro \u201cos diferentes choques que v\u00eam impactando a economia do Pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Quais seriam estes choques? Ela lista a queda nas exporta\u00e7\u00f5es para a Argentina, que afeta os manufaturados, pode ter tirado at\u00e9 0,7 ponto porcentual do PIB em 2017 e 2018. Tamb\u00e9m pesaram para ela a trag\u00e9dia do rompimento da barreira da mineradora Vale do Rio Doce, em Brumadinho (MG) e a greve dos caminhoneiros, em maio do ano passado.<\/p>\n<p>Pura abobrinha! Conversa fiada! A economia vulgar n\u00e3o \u00e9 capaz de comentar nem os n\u00fameros que ela mesma coleta. Afinal, mesmo concedendo grande gentileza \u00e0 simp\u00e1tica economista que esses \u201cchoques\u201d pudessem explicar alguma coisa da derrocada hist\u00f3rica da ind\u00fastria brasileira, eles ocorreram de 2018 para c\u00e1. E os n\u00fameros observados acima se referem aos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros exigem uma an\u00e1lise um pouco mais s\u00e9ria. Como procura fazer o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). \u201c\u00c0 exce\u00e7\u00e3o da Argentina e dos problemas grav\u00edssimos da Venezuela, a crise industrial do Brasil foi uma das mais profundas da Am\u00e9rica Latina, e a recupera\u00e7\u00e3o tem sido das mais frustrantes poss\u00edveis tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Vem dele e do Iedi, tamb\u00e9m, o alerta bastante \u00f3bvio de que o Brasil, que ocupa a nona posi\u00e7\u00e3o entre os maiores pa\u00edses ind\u00fastrias do mundo, pode deixar, em breve, de aparecer entre os dez primeiros desse ranking.<\/p>\n<p>O desempenho fraco da ind\u00fastria, na avalia\u00e7\u00e3o de Cagnin, reflete tanto a demanda fraca quanto problemas estruturais de competitividade e produtividade, como a complexa estrutura tribut\u00e1ria, o baixo investimento e o parque produtivo obsoleto. O economista refor\u00e7a que \u00e9 cada vez maior o risco de a atividade fechar 2019 com queda na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise de Cagnin coincide no principal com a do economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em economia industrial, David Kupfer.<\/p>\n<p>O distinto especialista em economia industrial avalia que n\u00e3o h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o de curto prazo para reverter o quadro atual, que classifica como \u201canemia industrial\u201d. E completa. \u201cH\u00e1 uma quest\u00e3o estrutural, de falta de competitividade, e conjuntural, de falta de dinamismo na economia, que impede a ind\u00fastria de crescer<\/p>\n<p>Diagn\u00f3stico razo\u00e1vel. Falta apenas esclarecer melhor a g\u00eanese desta \u201cfalta de competitividade\u201d. Aqui encontramos os limites dos economistas. \u00c9 uma pena que o distinto professor n\u00e3o passe de um vago diagn\u00f3stico e n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00f5es, enquanto economista, de tirar todas as consequ\u00eancias da situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que ora explode com toda a for\u00e7a: a cronicamente invi\u00e1vel ind\u00fastria da economia do imperialismo na maior economia do mundo ao sul do equador.<\/p>\n<p>Ele ainda tenta alguma coisa. Para o nosso bem intencionado David Kupfer, \u201cas pol\u00edticas usadas por governos anteriores [leia-se Guido Mantega], como o fomento aos chamados campe\u00f5es nacionais e a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento de diferentes setores produtivos, n\u00e3o serviram para fortalecer a ind\u00fastria, mas para tentar melhorar o ambiente macroecon\u00f4mico. Ainda assim, esses instrumentos n\u00e3o devem ser demonizados, apenas n\u00e3o foram bem utilizados \u00e0 \u00e9poca.\u201d<\/p>\n<p>Um Guido Mantega mais esclarecido? Dif\u00edcil. Pelo menos a inten\u00e7\u00e3o do professor \u00e9 boa. Mas, como j\u00e1 se sabe a tanto tempo, o caminho do inferno \u00e9 pavimentado de boas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E a roda da Hist\u00f3ria n\u00e3o gira para tr\u00e1s. Agora, neste exato m\u00eas de outubro de 2019, a quest\u00e3o mais importante e que n\u00e3o pode ser equacionada pelos economistas (e muito menos pelo governo dos capitalistas) \u00e9 saber se a fal\u00eancia da ind\u00fastria e da economia do imperialismo na tr\u00f4pega economia brasileira ainda suporta mais prorroga\u00e7\u00f5es e mais paliativos, como aqueles \u00faltimos tentados ao limite do poss\u00edvel (e do imposs\u00edvel) por Guido Mantega.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o mesmo Mantega que agora anda amea\u00e7ado de ser julgado e trancafiado pela justi\u00e7a e pela pol\u00edcia dos mesmos capitalistas que ele tanto incentivou e procurou salvar enquanto esteve no comando da economia nacional.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"WkFynBbuhQ\"><p><a href=\"https:\/\/criticadaeconomia.com\/2019\/10\/cronicamente-inviavel\/\">Cronicamente invi\u00e1vel<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#8220;Cronicamente invi\u00e1vel&#8221; &#8212; \" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/criticadaeconomia.com\/2019\/10\/cronicamente-inviavel\/embed\/#?secret=WkFynBbuhQ\" data-secret=\"WkFynBbuhQ\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24057\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[223],"class_list":["post-24057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6g1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24057"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24057\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}