{"id":24080,"date":"2019-10-08T00:12:21","date_gmt":"2019-10-08T03:12:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24080"},"modified":"2019-10-08T00:12:21","modified_gmt":"2019-10-08T03:12:21","slug":"liberais-e-anticomunistas-dao-as-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24080","title":{"rendered":"Liberais e anticomunistas d\u00e3o as m\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaopera.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/opera-4.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Pedro Marin<br \/>\nRevista Opera<\/p>\n<p>Liberais e anticomunistas: ningu\u00e9m solta a m\u00e3o de ningu\u00e9m<\/p>\n<p>Agulhas debaixo das unhas, costelas quebradas, tortura. A descri\u00e7\u00e3o caberia a incont\u00e1veis casos de brasileiros nas d\u00e9cadas de 60 e 70; mas este \u00e9 mais recente. Em fevereiro de 2014, Rostislav Vasilko, l\u00edder comunista em Lviv, na Ucr\u00e2nia, sofreu por algum tempo o amargor desses m\u00e9todos. Pego por uma multid\u00e3o no parque Mariinsky, em frente ao Parlamento ucraniano em Kiev, ele foi acusado de ser um atirador que alvejou manifestantes, e teve sua senten\u00e7a paralela aplicada ali mesmo, na hora.<\/p>\n<p>Seria s\u00f3 um caso de uma longa lista no pa\u00eds; dezenas de escrit\u00f3rios de organiza\u00e7\u00f5es comunistas seriam ainda saqueados, militantes seriam presos e assassinados e, por fim, em 15 de maio de 2015, era aprovada a lei da \u201cdescomuniza\u00e7\u00e3o\u201d. O uso e propaga\u00e7\u00e3o de simbologia comunista virava crime, com senten\u00e7as que poderiam levar organiza\u00e7\u00f5es de m\u00eddia a serem banidas ou militantes e organiza\u00e7\u00f5es a cinco anos de pris\u00e3o. Mais de 50 mil ruas tiveram seus nomes trocados, 987 cidades e vilarejos foram rebatizados, e algo em torno de 2 mil monumentos e est\u00e1tuas foram derrubadas. O ovo havia sido aberto: em julho, o Partido Comunista da Ucr\u00e2nia, o Partido Comunista dos Trabalhadores e Camponeses e o Partido Comunista Renovado da Ucr\u00e2nia foram proibidos de participar das elei\u00e7\u00f5es. Em dezembro, por fim, os partidos comunistas foram banidos e colocados na ilegalidade.<\/p>\n<p>O Euromaidan, movimento que derrubara o presidente Viktor Yanukovich no segundo m\u00eas de 2014, e o governo que dele nasceu, procedendo com uma guerra de \u201cpalestiniza\u00e7\u00e3o\u201d contra as popula\u00e7\u00f5es do leste com o apoio de grupos abertamente fascistas e ultranacionalistas, sob motes plenamente racistas e xen\u00f3fobos, ainda assim teve o favor dos liberais e \u201cliberais-progressistas\u201d ao redor do mundo.<\/p>\n<p>O movimento golpista, diziam eles, era a resposta de um povo que se revoltava contra o autoritarismo russo e sua corrup\u00e7\u00e3o, em busca de um futuro liberal, democr\u00e1tico e europeu. No leste, quando rebeldes se levantaram em armas contra o governo golpista, a imprensa dos pa\u00edses centrais tratou-os todos como \u201cagentes russos\u201d, alinhando-se ao discurso oficial de Kiev. Mas esta mesma imprensa, pisando sobre seu juramento como guardi\u00e3 da verdade, n\u00e3o tratou dos \u00f3bvios interesses norte-americanos no Euromaidan \u2013 ainda que o apoio de organiza\u00e7\u00f5es ocidentais ao movimento fosse documentado -, nem apresentou dois lados de um conflito de dimens\u00e3o geopol\u00edtica. O leste vivia uma \u201cocupa\u00e7\u00e3o russa\u201d, o oeste, uma verdadeira liberta\u00e7\u00e3o, puramente nacional, democr\u00e1tica e liberal.<\/p>\n<p>Quando essa narrativa foi corro\u00edda pelos fatos, o n\u00edvel de sandice foi tal que Alexander Motyl chegou a fazer compara\u00e7\u00f5es no progressista Huffpost entre o l\u00edder do partido Svoboda, Oleh Tyahnybok, e Malcolm X, e entre o neonazista Batalh\u00e3o Azov e o Partido dos Panteras Negras.<\/p>\n<p>Anticomunismo global<br \/>\nA Ucr\u00e2nia apenas se juntava a um crescente grupo de pa\u00edses no mundo que fizeram da propaganda ou da milit\u00e2ncia comunista um crime. Na Est\u00f4nia, desde 2007, o uso e propaganda de s\u00edmbolos comunistas \u00e9 criminalizado. Na Litu\u00e2nia, manifesta\u00e7\u00f5es com s\u00edmbolos comunistas tamb\u00e9m est\u00e3o fora da lei. O mesmo \u00e9 v\u00e1lido na Let\u00f4nia e Bulg\u00e1ria. Na Rom\u00eania, \u201ciniciar, organizar, cometer ou apoiar\u201d qualquer ato comunista \u00e9 considerado um perigo \u00e0 unidade e integridade territorial. Na Pol\u00f4nia, onde j\u00e1 h\u00e1 leis anticomunistas, houve uma tentativa recente de expandir seu escopo, proibindo por completo o Partido Comunista do pa\u00eds. As leis anticomunistas de todos estes pa\u00edses t\u00eam algo em comum: a equipara\u00e7\u00e3o do comunismo ao nazismo, sob a alega\u00e7\u00e3o de que ambos s\u00e3o \u201cregimes totalit\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>As mais duras leis anticomunistas, no entanto, s\u00e3o as da Indon\u00e9sia. No pa\u00eds, propagar intencionalmente ideias comunistas ou marxistas-leninistas \u00e9 um crime que pode ser punido com at\u00e9 20 anos de pris\u00e3o. Em 2017, um turista malaio foi detido no pa\u00eds por usar uma camiseta com a foice e o martelo estampados. As leis s\u00e3o fruto direto dos acontecimentos de 1965, quando, em resposta a um levante de oficiais militares, um grupo de generais derrubou o governo de Sukarno e, culpando o Partido Comunista da Indon\u00e9sia \u2013 \u00e0 \u00e9poca o terceiro maior do mundo -, levou a cabo o exterm\u00ednio de ao menos 500 mil supostos comunistas.<\/p>\n<p>Na Cro\u00e1cia, a criminaliza\u00e7\u00e3o do uso de simbologia est\u00e1 em discuss\u00e3o. Outras medidas nesse sentido foram tentadas na Georgia, Rep\u00fablica Tcheca e Alb\u00e2nia.<\/p>\n<p>Na Alemanha, o uso da bandeira da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica da Alemanha (RDA) ficou proibido at\u00e9 o final dos anos 1960, e nos Estados Unidos, durante os anos 20, diversos estados proibiram o uso p\u00fablico de bandeiras vermelhas. A proibi\u00e7\u00e3o s\u00f3 acabou em 1931, mas a persegui\u00e7\u00e3o anticomunista voltou com for\u00e7a durante o Macartismo dos anos 1950.<\/p>\n<p>No Brasil, o Projeto de Lei (PL) 5358\/2016, de autoria de Eduardo Bolsonaro, busca \u201ccriminalizar a apologia ao comunismo\u201d.<\/p>\n<p>Anticomunismo avan\u00e7a na Europa<br \/>\nNo passado 19 de setembro, foi aprovado no Parlamento Europeu a resolu\u00e7\u00e3o \u201cSobre a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria europeia para o futuro da Europa.\u201d A resolu\u00e7\u00e3o, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses com leis anticomunistas, equipara o comunismo ao nazismo, chegando a dizer que o pacto de n\u00e3o-agress\u00e3o entre URSS e Alemanha, de 1939, \u201cpreparou o caminho para o in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial.\u201d<\/p>\n<p>O texto sugere ainda um tribunal anticomunista, ao dizer que \u201capesar de os crimes do regime nazi terem sido julgados e punidos nos julgamentos de Nuremberga, continua a ser urgente refor\u00e7ar a sensibiliza\u00e7\u00e3o para os crimes cometidos pelo estalinismo e por outras ditaduras\u201d. Al\u00e9m disso, sugere em diversos trechos a proibi\u00e7\u00e3o de simbologia comunista, \u00e0 luz dos pa\u00edses que j\u00e1 o fizeram.<\/p>\n<p>O Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP) emitiu uma nota em que declara que a resolu\u00e7\u00e3o aprovada \u201cpela direita e pela social-democracia\u201d, promove \u201cas mais reacion\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es e falsifica\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, numa deplor\u00e1vel tentativa de equiparar fascismo e comunismo, minimizando e justificando os crimes do nazifascismo.\u201d De acordo com o partido, \u201cesta resolu\u00e7\u00e3o omite importantes comportamentos de toler\u00e2ncia, cumplicidade e alinhamento das principais pot\u00eancias capitalistas com o ascenso do fascismo em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, motivados pelo combate ao ideal comunista.\u201d<\/p>\n<p>Para o Partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE), a resolu\u00e7\u00e3o \u201cassinada por grupos pol\u00edticos do Partido Popular, dos Social-Democratas, dos Liberais, dos Verdes e dos Reformistas Conservadores\u201d tem como prop\u00f3sito \u201clegalizar o banimento de partidos comunistas e s\u00edmbolos imposto em uma s\u00e9rie de pa\u00edses-membro da Uni\u00e3o Europeia [\u2026] e generalizar a criminaliza\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o da ideologia comunista e a a\u00e7\u00e3o das for\u00e7as populares que lutam ao lado dos comunistas para resistir \u00e0 barb\u00e1rie antipopular.\u201d<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Espanha (PCE) lembra que, ao contr\u00e1rio do que diz a resolu\u00e7\u00e3o, \u201cforam as grandes pot\u00eancias capitalistas da Fran\u00e7a e do Reino Unido [\u2026] que pactuaram em Munique com o regime nazista o desmembramento de um estado soberano como a Checoslov\u00e1quia\u201d com o fim de fazer avan\u00e7ar a Alemanha nazista contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Em um texto publicado no site do italiano Partido Comunista da Refunda\u00e7\u00e3o, o ex-membro do Parlamento Europeu Roberto Musacchio compara uma resolu\u00e7\u00e3o aprovada em 2005, que marcou os 60 anos da Segunda Guerra Mundial, \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o aprovada neste ano. \u201cO texto de 2005 \u00e9 aberto com um agradecimento aos pa\u00edses que pararam o nazifascismo com sua luta e suas v\u00edtimas. Entre eles, explicitamente, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. O \u2018novo\u2019 texto coloca as coisas ao contr\u00e1rio, e atribui o pacto Molotov-Ribbentrop como causa do nascimento do conflito.\u201d<\/p>\n<p>O totalitarismo do anti-totalitarismo: liberais e anticomunistas d\u00e3o as m\u00e3os<br \/>\nTudo isso n\u00e3o \u00e9 muito diferente do que liberais e liberais progressistas fazem agora no Brasil. No final do ano passado, escrevi sobre compara\u00e7\u00f5es esdr\u00faxulas entre Bolsonaro e l\u00edderes comunistas que come\u00e7avam a surgir. A primeira foi feita pela intelectual Rosana Pinheiro-Machado, que no The Intercept escrevia que \u201cO bolsonarismo repete a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural da China\u201c. Depois, o comediante Greg\u00f3rio Duvivier estendeu a compara\u00e7\u00e3o a L\u00eanin. A Revista F\u00f3rum, por sua vez, tentava associar Bolsonaro \u00e0 Rep\u00fablica Popular Democr\u00e1tica da Coreia, ou Coreia do Norte.<\/p>\n<p>Agora, o The Intercept mais uma vez solta a m\u00e3o da corrente humanista dos liberais-progressistas para desferir socos contra os vermelhos. Lucas Berti escreve em \u201cA pior direita: Bolsonaro quer ser Pi\u00f1era, mas \u00e9 um Hugo Ch\u00e1vez de sinal trocado\u201c:<\/p>\n<p>\u201cGovernos liberais de direita est\u00e3o na moda na Am\u00e9rica Latina. Mesmo com a onda conservadora, Jair Bolsonaro ocupa uma posi\u00e7\u00e3o singular. O fator de espanto \u00e9 o radicalismo do governo Bolsonaro, \u00fanico polo de extrema direita da regi\u00e3o desde o final do ciclo de ditaduras militares, na d\u00e9cada de 1980. [\u2026] Hoje [\u2026] a maioria dos governos se encaixa no espa\u00e7o que ocupa o novo PSDB \u2013 bem mais para Jo\u00e3o Doria do que para Fernando Henrique Cardoso. No entanto, o partido do atual presidente, o PSL, n\u00e3o tem nada dessa centro-direita, que at\u00e9 virou exemplo de modera\u00e7\u00e3o no Brasil diante dos meses de barb\u00e1rie em 2019. [\u2026] Mas, ainda que jamais v\u00e1 admitir, Bolsonaro \u00e9 uma c\u00f3pia desajeitada, liberalesca e \u00e0 direita de uma figura de esquerda: Hugo Ch\u00e1vez. S\u00e3o militares, ex-paraquedistas, anti-imprensa, antici\u00eancia, autorit\u00e1rios, homof\u00f3bicos, mis\u00f3ginos, populistas, nacionalistas. Apresentaram-se como alternativas antissistema, s\u00e3o contra o multilateralismo, devotos de causas religiosas, pautados por conspira\u00e7\u00f5es, apelam a um \u201cperigo estrangeiro\u201d, invocam pautas ideol\u00f3gicas e referem-se aos EUA o tempo todo.\u201c<\/p>\n<p>Que bela pe\u00e7a nos d\u00e1 Lucas Berti. Primeiro, demonstra que nossos liberais-progressistas nada sabem de Am\u00e9rica Latina \u2013 \u00e9 que est\u00e3o com a cabe\u00e7a na Fran\u00e7a. O governo Bolsonaro \u00e9 o \u201c\u00fanico polo de extrema direita\u201d na regi\u00e3o desde 1980? Ent\u00e3o o Uribismo colombiano \u00e9, como D\u00f3ria, \u201cexemplo de modera\u00e7\u00e3o\u201d? O mesmo vale para o Fujimorismo peruano?<\/p>\n<p>Segundo, demonstra claramente como pensam os liberais-progressistas inspirados em Hannah Arendt: moralizam a estrat\u00e9gia e a forma, estrategizam a moral, para, por fim, defender a continuidade liberal-democr\u00e1tica como a \u00fanica experi\u00eancia vi\u00e1vel e balanceada. Afinal, aqueles que \u201cse apresentam como alternativas antissistema\u201d no fim ser\u00e3o comparados a Bolsonaro \u2013 assim como a URSS, que efetivamente deu 50 milh\u00f5es de vidas contra a besta nazista \u00e9, no fim, igual \u00e0 fera que buscou combater.<\/p>\n<p>Se algum religioso passar \u00e0 pol\u00edtica, ou se algum pol\u00edtico evocar sua religiosidade \u2013 talvez como o padre guerrilheiro Camilo Torres \u2013 tamb\u00e9m poder\u00e1 ser comparado a Bolsonaro. Os que tratam de \u201cperigos estrangeiros\u201d e fazem do debate ideol\u00f3gico algo p\u00fablico tamb\u00e9m ser\u00e3o, na verdade, um \u201cBolsonaro com sinal trocado\u201d \u2013 Cuba, a qual o bolsonarismo sempre se volta como poss\u00edvel campo de refugiados de \u201cesquerdistas\u201d brasileiros, \u00e9 um exemplo. As acusa\u00e7\u00f5es caberiam at\u00e9 ao ex-presidente Lula: seria ele tamb\u00e9m um \u201cpopulista\u201d, como nossa direita \u201cmoderada\u201d acusava pelos programas sociais? Talvez fosse ainda \u201canti-imprensa\u201d, por tanto denunciar as persegui\u00e7\u00f5es contra si e seu partido nas manchetes.<\/p>\n<p>Essas interpreta\u00e7\u00f5es absurdas, da Ucr\u00e2nia ao Brasil, sobre a Segunda Guerra ou sobre pol\u00edtica latino-americana hoje, t\u00eam muito em comum:<\/p>\n<p>1 \u2013 Elas rejeitam a moral como fator do poder; os objetivos s\u00e3o s\u00f3 um detalhe, de forma que o Imp\u00e9rio Romano, com sua agressividade, \u00e9 compar\u00e1vel ao Jesus que espanca mercadores.*<\/p>\n<p>2 \u2013 Elas tamb\u00e9m rejeitam as bases como fator do poder; n\u00e3o bastando as raz\u00f5es pelas quais se movem, as for\u00e7as que buscam as raz\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m todas iguais, n\u00e3o importando sua classe, sua cor ou sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>3 \u2013 Elas ignoram a \u201cviol\u00eancia cotidiana\u201d, imbecil e sem sentido, \u00e0 qual est\u00e3o submetidos os povos que vivem sob o liberalismo democr\u00e1tico; uma Rep\u00fablica que hoje faz fuzis policiais a extens\u00e3o da chibata contra a pele escravizada de ontem \u00e9 no m\u00e1ximo uma Rep\u00fablica \u201ccom falhas\u201d. As mortes no campo s\u00e3o \u201cviola\u00e7\u00f5es\u201d. A superlota\u00e7\u00e3o do sistema prisional \u00e9 \u201cum problema\u201d. Quando se regride nos direitos trabalhistas conquistados com sangue, ou quando a corrup\u00e7\u00e3o movida por grandes empresas e pol\u00edticos se revela end\u00eamica, s\u00e3o quest\u00f5es de \u201cretrocessos\u201d e \u201cdesvios\u201d. Ainda que todos essas quest\u00f5es sejam seculares, nossos liberais-progressistas v\u00eaem nelas apenas erros, v\u00edrgulas, detalhes, crases. N\u00e3o percebem: isso \u00e9 o alicerce do sistema que hoje defendem; e a depender de como est\u00e1 o sol ou as nuvens, a estrutura odienta se revela mais moderada, alegre, brilhante, ou mais sombria, opaca, f\u00fanebre.<\/p>\n<p>4 \u2013 Elas s\u00e3o, na verdade, absolutamente totalit\u00e1rias; ao medir o mundo, a moral, a estrat\u00e9gia, os povos e a pol\u00edtica pela r\u00e9gua democr\u00e1tico-liberal ideal, estabelecem logo que tudo o que n\u00e3o se adequar \u00e0s medidas \u00e9 igualmente funesto. N\u00e3o podem haver alternativas antissistema: s\u00f3 o sistema, com toda a sua viol\u00eancia aceit\u00e1vel, que, enquanto mant\u00e9m a carapu\u00e7a, n\u00e3o escandaliza a Vila Madalena e a Pra\u00e7a S\u00e3o Salvador.<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>* \u2013 Falei de Jesus e, assim, tornei-me tamb\u00e9m Bolsonaro.<\/p>\n<p>(Imagem: Est\u00fadio Gauche)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24080\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[227],"class_list":["post-24080","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6go","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24080\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}