{"id":24103,"date":"2019-10-10T23:26:47","date_gmt":"2019-10-11T02:26:47","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24103"},"modified":"2019-10-10T23:36:02","modified_gmt":"2019-10-11T02:36:02","slug":"a-moratoria-de-macri-e-a-inflacao-descontrolada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24103","title":{"rendered":"A &#8220;morat\u00f3ria&#8221; de Macri e a infla\u00e7\u00e3o descontrolada"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/i.pinimg.com\/474x\/5d\/26\/cf\/5d26cfdcfc55d871203c11207c76fa66.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Achille Lollo<\/p>\n<p>Em 23 de agosto, apenas dois meses ap\u00f3s o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, o ministro das Finan\u00e7as, Hern\u00e1n Lacunza e o presidente do Banco Central da Argentina, Guido Sandleris, informaram ao FMI e aos bancos credores que o presidente Macri havia solicitado uma morat\u00f3ria, cancelando todos os pagamentos, com vencimento nos pr\u00f3ximos seis meses. Mais tarde, em 5 de setembro, o andaime pol\u00edtico do liberalismo argentino come\u00e7ou a desmoronar quando o IPC (\u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor) revelou que nos \u00faltimos 12 meses a infla\u00e7\u00e3o havia subido at\u00e9 54,4%!<\/p>\n<p>Consequentemente, &#8220;El Patapum Neoliberal&#8221; (Deslize Neoliberal) do presidente Mauricio Macri ocorreu em 25 de setembro, quando o INDEC (Instituto Nacional de Estat\u00edstica e Censos) declarou que nos quatro anos de governo neoliberal &#8211; ou seja, de 10 de dezembro de 2015 at\u00e9 15 de setembro de 2019 -, a infla\u00e7\u00e3o sempre esteve fora de controle, adicionando uma assustadora taxa de crescimento de 230% nestes \u00faltimos quatro anos. Quer dizer uma m\u00e9dia inflacion\u00e1ria anual de 73%!<\/p>\n<p>Uma revela\u00e7\u00e3o que deixou at\u00f4nitos a maioria dos argentinos, que s\u00f3 agora se deram conta de que o &#8220;maravilhoso programa econ\u00f4mico liberal do governo Macri, elogiado por Donald Trump e pelas excel\u00eancias de Wall Street&#8221;, na verdade, era &#8220;una trampa&#8221;, isto \u00e9, um programa de reformas desastrosas que causaram o crescimento desproporcional do desinvestimento industrial, do desemprego e, acima de tudo da infla\u00e7\u00e3o. De fato, o agravamento da crise econ\u00f4mica na Argentina causou um r\u00e1pido rebaixamento da qualidade de vida e, acima de tudo, quebrou a reconhecida efici\u00eancia dos servi\u00e7os p\u00fablicos argentinos. Por essas raz\u00f5es, a gest\u00e3o negativa das pol\u00edticas sociais por parte do governo Macri e a incapacidade de corrigir os efeitos da crise econ\u00f4mica, tornaram cada vez mais evidente o que no popular bairro \u201cPalermo\u201d de Buenos Aires chamam de &#8220;El Patapum Neoliberal&#8221;. Uma situa\u00e7\u00e3o totalmente diferente do contexto socioecon\u00f4mico do governo de Cristina Fernandez Kirchner que, em 2015, segundo o INDEC e o Banco Mundial, registrou um \u00edndice de desemprego muito baixo (4,4%) e infla\u00e7\u00e3o na \u00f3rbita do 20%.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a declara\u00e7\u00e3o da morat\u00f3ria, a explos\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e tamb\u00e9m da maioria da classe m\u00e9dia, deveriam p\u00f4r fim ao sonho eleitoral de Mauricio Macri. Por\u00e9m, usei a forma verbal no condicional, porque a contradit\u00f3ria hist\u00f3ria eleitoral argentina pode ter amargas surpresas, assim como aconteceu em 2015, quando Sergio Massa &#8211; um importante aliado da &#8220;Frente de Todos&#8221; &#8211; abandonou a coaliz\u00e3o criada por Cristina Fernandez Kirchner para competir como independente. Uma decis\u00e3o que, na verdade, facilitou a vit\u00f3ria de Macri!<\/p>\n<p>A segunda surpresa pode advir da defini\u00e7\u00e3o dos comportamentos de uma parte do proletariado e, principalmente dos diferentes setores da classe m\u00e9dia, totalmente despolitizados e sempre prontos a seguir as orienta\u00e7\u00f5es eleitorais da m\u00eddia. Em particular, me refiro \u00e1 classe m\u00e9dia da capital Buenos Aires, que sempre acreditou nas manipula\u00e7\u00f5es do grupo \u201cClarin\u201d (jornais, revistas, r\u00e1dio e TV Canal Trece) e das duas TV concorrentes, a &#8220;Telefe&#8221; da multinacional Viacom e a &#8220;Time Warner \u201ddo grupo americano Turner-HBO. De fato, apesar da dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social, a maioria da m\u00eddia continua justificando o trabalho de Macri e do seu governo, os conceitos contradit\u00f3rios da economia neoliberal e a rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com os Estados Unidos. Por isso, no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, grande parte da classe m\u00e9dia ouviu a &#8220;voz da m\u00eddia&#8221;, e votou em Mauricio Macri, que recebeu 32,5% das prefer\u00eancias.<\/p>\n<p>Um resultado que reabre a discuss\u00e3o sobre a complexidade pol\u00edtica da sociedade argentina e sobre o posicionamento pol\u00edtico dos diferentes setores da classe m\u00e9dia. De fato, nos \u00faltimos quatro anos, os desajeitados projetos de reforma econ\u00f4mica e monetarista do ministro Hern\u00e1n Lacunza fizeram sofrer bastante a classe m\u00e9dia. Por\u00e9m, na hora de votar prevaleceu a hist\u00f3rica posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do obtuso antiperonismo, apenas porque a \u201cFrente de Todos &#8220;, de Cristina Fernand\u00e9z Kirchner, est\u00e1 muito pr\u00f3xima dos trabalhadores e dos sindicatos, representando o novo centro-esquerda argentino, progressista e disposto a dialogar com a esquerda. Elementos que os meios de comunica\u00e7\u00e3o exploraram &#8220;ad hoc&#8221;, promovendo um aut\u00eantico &#8220;\u00f3dio de classe&#8221;, que nos \u00faltimos anos teve um crescimento consider\u00e1vel n\u00e3o apenas na Argentina, mas tamb\u00e9m no Brasil e na Venezuela.<\/p>\n<p>Os motivos do &#8220;Patapum&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, os cr\u00edticos do programa econ\u00f4mico do governo Macri n\u00e3o relacionados \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o peronista ou \u00e0 esquerda, admitem que os erros cometidos por Macri e seu governo n\u00e3o seriam erros pol\u00edticos, mas, \u201capenas\u201d erros t\u00e9cnicos, cometidos na esfera financeira pelos ministros que foram substitu\u00eddos em 2018. Uma justificativa que se tornou o cavalo de batalha dos colunistas do jornal &#8220;Clarim&#8221;, e das TVs &#8220;Canal Trece&#8221; e &#8220;Telefe&#8221;. Em resposta a oposi\u00e7\u00e3o lembra que Macri havia feito sonhar o eleitorado prometendo baixar a infla\u00e7\u00e3o de 20% para 8% e at\u00e9 erradicar a pobreza!<\/p>\n<p>No entanto, o principal elemento do &#8220;Patapum Politico&#8221; de Macri foram os cont\u00ednuos aumentos dos pre\u00e7os, de todos os alimentos, especialmente os mais populares, como leite, legumes, p\u00e3o, etc. Produtos que nos meses de junho, julho e agosto adicionaram aumentos de 58,6%! Por isso, o peronista Alberto Fernandez, candidato da coaliz\u00e3o &#8220;Frente de Todos&#8221; venceu o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais com 47,66% das prefer\u00eancias.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria no primeiro turno de Alberto Fernandez e, portanto, o retorno de Cristina Fernandez Kirchner na Casa Rosada como vice-presidente, enlouqueceu a burguesia e as oligarquias, cujos candidatos foram vencidos ao n\u00edvel nacional, comprometendo tamb\u00e9m a elei\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios governadores. No entanto \u00e9 oportuno lembrar que a vit\u00f3ria da \u201cFrente de Todos\u201d foi significativa, especialmente no Distrito Aut\u00f4nomo da capital Buenos Aires, que durante oito anos foi governado por Macri, representando a f\u00f3rmula vencedora do programa neoliberal.<\/p>\n<p>Neste contexto, \u00e9 imperativo sublinhar que a imagem pol\u00edtica do presidente Macri e sua credibilidade degeneraram sobretudo quando ele solicitou a morat\u00f3ria, anunciando o &#8220;n\u00e3o pagamento&#8221; durante os pr\u00f3ximos seis meses. Uma morat\u00f3ria que, para os argentinos, ricos e pobres, faz lembrar os dram\u00e1ticos meses de 2001, quando eram vis\u00edveis os primeiros sinais do iminente \u201cdefault\u201d, a saber a fal\u00eancia do Estado argentino. Por isso, em setembro, esta correla\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es fez explodir o valor do d\u00f3lar paralelo e logicamente seu &#8220;envio&#8221; para os bancos &#8220;off-shore&#8221; do Uruguai e do Paraguai!<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos da esquerda &#8211; ou seja, aqueles que os colunistas da \u201cgrande m\u00eddia\u201d etiquetam como esquerdistas \u2013 agora levantam a quest\u00e3o do empr\u00e9stimo do FMI de 57 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, que o governo Macri recebeu e usou para financiar os interesses e a gan\u00e2ncia da &#8220;ra\u00e7a-patroa&#8221;. Exatamente o mesmo que aconteceu no passado durante os governos ditatoriais e depois com os neoliberais. Uma tese que encontra indiretamente confirma\u00e7\u00e3o nas palavras do presidente do Banco Central da Argentina, Guido Sandleris, que questiona o governo Macri lembrando: &#8220;&#8230; a pouca compet\u00eancia e, portanto, o uso imprudente das reservas monet\u00e1rias internacionais !&#8230;&#8221;. Isto significa que a turma do \u201cCambiemos\u201d de Mauricio Magri, na realidade, se apropriou da maior parte dos 57 bilh\u00f5es de d\u00f3lares emprestados pelo FMI, como fizeram no passado Menem, Galtieri, Viola, Videla, Ongania, Lanusse, sem esquecer &#8220;El Brujo&#8221; (O Bruxo), ou seja, Jos\u00e9 L\u00f3pez Rega &#8211; o fiel secret\u00e1rio de Per\u00f3n e ministro de Isabelita -, que com o dinheiro do Tesouro argentino financiou a &#8220;Triple A&#8221;, para iniciar o drama da &#8220;guerra suja\u201de dos \u201cdesaparecidos \u201d.<\/p>\n<p>Frente de Todos<\/p>\n<p>Poucos se lembram, e os \u201cgurus da grande imprensa&#8221; evitam falar do que aconteceu em 2015 na Argentina e tamb\u00e9m no Brasil, quando o Departamento de Estado e a CIA do democrata Barak Obama obtiveram nestes pa\u00edses duas importantes vit\u00f3rias pol\u00edticas, gra\u00e7as as manipula\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. De fato, no Brasil, houve o falso Impeachment para depor a presidente Dilma Roussef, acabar com o governo do PT e levar Lula \u00e0 pris\u00e3o com uma condena\u00e7\u00e3o escandalosa por corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em vez disso, na Argentina, os homens do Departamento de Estado e as antenas da CIA &#8220;aconselharam&#8221; o juiz federal Claudio Bonadio a instruir 6 julgamentos contra a ent\u00e3o presidente Cristina Fern\u00e1ndez Kirchner, apenas nos \u00faltimos seis meses do mandato. Dessa maneira, foi f\u00e1cil para a m\u00eddia desestabilizar a campanha eleitoral, atacando a imagem pol\u00edtica de Cristina Fern\u00e1ndez Kirchner, fundadora da \u201cFrente de Todos\u201d, e assim conseguir dividir o eleitorado popular. Uma manipula\u00e7\u00e3o muito bem orquestrada pela m\u00eddia, lembrando que os \u00f3rg\u00e3os do grupo editorial &#8220;Clarim&#8221; e em particular o canal de TV \u201cCanal Trece\u201d tiveram um papel decisivo na vit\u00f3ria de Mauricio Macri.<\/p>\n<p>Hoje, a &#8220;Frente de Todos&#8221; \u2013 depois de ter avaliado os erros cometidos na campanha eleitoral de 2015 e as manipula\u00e7\u00f5es da m\u00eddia \u2013 cresce bastante, tornando-se uma coaliz\u00e3o muito mais organizada e pragm\u00e1tica, que re\u00fane todas as correntes peronistas do \u201cPartido Justicialista\u201d, a \u201cFrente Renovador&#8221;, de Sergio Massa, os setores radicais que levaram Leopoldo Moreau a formar o &#8220;Movimento Nacional Alfonsinista &#8220;, e depois o &#8220;Partido de la Concertacion &#8220;de Gustavo Lopez, o &#8220;Proyeto Sur&#8221; de Pino Solanas, o &#8220;Partido Socialista de Buenos Aires&#8221;, dirigido por Jorge Rivas, o &#8220;Partido Solid\u00e1rio&#8221; de Carlos Helles, o &#8220;Nuevo Encontro&#8221; criado por Martin Sabbatella e outros grupos menores ligados ao movimento popular.<\/p>\n<p>As duas grandes centrais sindicais, a &#8220;CGT&#8221; (Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho) e a &#8220;CTA&#8221; (Central de Trabalhadores da Argentina), que representam 70% do movimento sindical argentino, s\u00e3o os grandes aliados da \u201cFrente de Todos\u201d, que se apresenta aos eleitores como o novo centro-esquerda argentino. Assim, se esta coaliz\u00e3o permanecer\u00e1 unida e se n\u00e3o repetir\u00e1 os erros de 2015, a vit\u00f3ria de Alberto Fernand\u00e9z e de Cristina Kirchner ser\u00e1 a nova realidade que contribuir\u00e1 para afrouxar o cabresto geoestrat\u00e9gico que os Estados Unidos, ou melhor o imperialismo estadunidense, conseguiu impor \u00e0 soberania da Argentina e de muitos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24103\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[57],"tags":[228],"class_list":["post-24103","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c68-argentina","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6gL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24103\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}