{"id":24134,"date":"2019-10-14T23:54:42","date_gmt":"2019-10-15T02:54:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24134"},"modified":"2019-10-14T23:54:42","modified_gmt":"2019-10-15T02:54:42","slug":"a-luta-revolucionaria-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24134","title":{"rendered":"A luta revolucion\u00e1ria na Venezuela"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.telesurenglish.net\/__export\/1494714417210\/sites\/telesur\/img\/news\/2017\/05\/13\/pcv_2.png_1718483346.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Oscar Figuera \u00e9 secret\u00e1rio geral do Partido Comunista da Venezuela. Quando era um jovem metal\u00fargico de 17 anos no estado de Aragua, ele come\u00e7ou a atuar no movimento sindical, atrav\u00e9s da Central \u00danica dos Trabalhadores Venezuelanos (CUTV, a central do PCV). Em 1986, tornou-se Secret\u00e1rio Geral da CUTV. Figuera foi eleito para a Assembleia Nacional da Venezuela, para o per\u00edodo de 2016 a 2020. Nesta entrevista exclusiva ao Venezuelanalysis.com, Figuera apresenta a proposta de seu partido de como a Venezuela deve fazer para sair da crise econ\u00f4mica e social.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea analisa a situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora venezuelana e do povoado em geral? Na sua opini\u00e3o, quais s\u00e3o as ra\u00edzes da crise?<\/p>\n<p>Oscar: Para n\u00f3s, \u00e9 importante come\u00e7ar caracterizando a sociedade venezuelana. Para o Partido Comunista, o que entrou em uma grave crise na Venezuela \u00e9 o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e dependente, caracterizado por um modelo rent\u00e1vel de acumula\u00e7\u00e3o: encontramos as ra\u00edzes da crise catastr\u00f3fica que estamos enfrentando nesse modelo.<\/p>\n<p>Devemos acrescentar que estamos pagando as consequ\u00eancias de erros recentes: o modelo de acumula\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi transformado durante o Processo Bolivariano. N\u00e3o foi transformado com o presidente Ch\u00e1vez e muito menos agora, durante a presid\u00eancia de Nicolas Maduro. Isso, por sua vez, nos leva a outra quest\u00e3o: por que o PCV considera que a Venezuela, desde a chegada de Ch\u00e1vez ao poder, est\u00e1 em processo de liberta\u00e7\u00e3o nacional? Para isso, dir\u00edamos que consideramos que o programa de Ch\u00e1vez trouxe um dos elementos-chave para romper com a depend\u00eancia e construir um novo sistema latino-americano e caribenho: um esfor\u00e7o organizado para construir um bloco unido dos povos de nosso continente.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma linha de trabalho que historicamente promovemos e que \u00e9, na nossa perspectiva, fundamental, se quisermos avan\u00e7ar para romper com o dom\u00ednio imperialista e a longa depend\u00eancia de nossa regi\u00e3o. Adotamos o projeto apresentado pelo presidente Ch\u00e1vez de uma perspectiva t\u00e1tica e estrat\u00e9gica. Na verdade, chegamos ao ponto de dizer que, do nosso ponto de vista (e dissemos isso quando o presidente Ch\u00e1vez fez a proposta), o desenvolvimento [econ\u00f4mico] da Venezuela n\u00e3o \u00e9 maduro o suficiente para avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo.<\/p>\n<p>Entendemos que, quando Ch\u00e1vez come\u00e7ou a falar em socialismo, seu chamado se encaixava em um cen\u00e1rio pol\u00edtico espec\u00edfico, mas n\u00e3o correspondia ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas do pa\u00eds (o que geralmente chamamos de condi\u00e7\u00f5es objetivas), nem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es subjetivas do povo venezuelano. Ent\u00e3o, novamente, estamos onde estamos, porque existe uma profunda crise do modelo rentista capitalista e dependente que n\u00e3o foi transformado nos mais de vinte anos do Processo Bolivariano.<\/p>\n<p>Outra chave para entender nosso apoio a Hugo Ch\u00e1vez \u00e9 a quest\u00e3o de soberania do petr\u00f3leo. Com Ch\u00e1vez, o Estado venezuelano conseguiu controlar a principal fonte de riqueza do pa\u00eds: o petr\u00f3leo. Antes de Ch\u00e1vez, noventa por cento dos lucros do petr\u00f3leo eram expropriados por grandes transnacionais. Com Ch\u00e1vez, parte da receita do petr\u00f3leo, que tem sido a espinha dorsal da economia da Venezuela nos \u00faltimos cem anos, foi colocada a servi\u00e7o de atender \u00e0s necessidades sociais, culturais e pol\u00edticas do povo.<\/p>\n<p>Entretanto, a Venezuela n\u00e3o avan\u00e7ou em outros aspectos essenciais para a constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o soberana, como o desenvolvimento de for\u00e7as produtivas. Ch\u00e1vez iniciou uma politiza\u00e7\u00e3o das camadas populares, que se engajaram ativamente. A era de Ch\u00e1vez politizou o povo venezuelano e essa \u00e9, em parte, uma das chaves para a resili\u00eancia de nosso povo hoje. Com Ch\u00e1vez, houve um salto importante no entendimento de que o imperialismo dos EUA, seus aliados europeus e as for\u00e7as olig\u00e1rquicas nacionais alinhadas ao capital internacional s\u00e3o nossos inimigos fundamentais.<\/p>\n<p>Como o PCV analisa a dire\u00e7\u00e3o do governo bolivariano nos \u00faltimos anos? Alguns comemoram a lideran\u00e7a de Nicolas Maduro &#8211; ele derrotou golpes de Estado, venceu elei\u00e7\u00f5es e resistiu ao ataque do imperialismo -, enquanto outros criticam suas solu\u00e7\u00f5es pr\u00f3-capitalistas para a crise: privatiza\u00e7\u00f5es, cortes nos gastos sociais, elimina\u00e7\u00e3o dos direitos dos trabalhadores etc.<\/p>\n<p>Oscar: Desde o in\u00edcio de 2019, como resultado da XII Plen\u00e1ria do PCV, nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 de que as pol\u00edticas adotadas pelo governo de Maduro s\u00e3o liberais, e isso significa que o peso da crise \u00e9 suportado pelos mais pobres. Isso foi ratificado em nossa XIV Plen\u00e1ria h\u00e1 apenas alguns meses. Como mencionei antes, na raiz da crise est\u00e1 o modelo de acumula\u00e7\u00e3o &#8211; combinado com a agress\u00e3o imperialista. Mas acreditamos que as pol\u00edticas [econ\u00f4micas] liberais n\u00e3o v\u00e3o nos tirar da crise.<\/p>\n<p>Dentro do partido, h\u00e1 um debate em andamento sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o precisa da tend\u00eancia econ\u00f4mica do governo. \u00c9 neoliberal? A resposta ainda est\u00e1 pendente, mas acreditamos que as medidas implementadas privilegiam o investimento capitalista, nacional e particularmente estrangeiro. Nesse sentido, testemunhamos uma desregulariza\u00e7\u00e3o na esfera do trabalho e uma queda espetacular no pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho, demiss\u00f5es em larga escala, reformas, etc.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 feito, como mencionei, com um objetivo: incentivar investimento. Isso, no entanto, n\u00e3o acontecer\u00e1 por uma raz\u00e3o muito simples: o investimento estrangeiro s\u00f3 chega \u00e0 Venezuela quando o pre\u00e7o do petr\u00f3leo \u00e9 alto e vem aqui com o \u00fanico objetivo de lucrar diretamente com a riqueza gerada pelas vendas de petr\u00f3leo. Os capitalistas nunca desenvolveram este pa\u00eds, nunca investiram um centavo. E agora que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo est\u00e3o baixos, tudo o que podemos esperar \u00e9 que venham aqui para lucrar com nosso ouro, coltan e outros minerais estrat\u00e9gicos encontrados em nosso territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em vez de liberalizar [a economia] e na busca de investimento estrangeiro, que n\u00e3o acontecer\u00e1, o governo de Maduro deve se concentrar em atender \u00e0s necessidades das pessoas com programas sociais, enquanto procura uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria para a crise do modelo rentista capitalista. Estamos contra a rota da concilia\u00e7\u00e3o de classes, que privilegia e d\u00e1 vantagens ao investimento estrangeiro.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 particularmente problem\u00e1tico quando esse caminho \u00e9 envolvido em um discurso socialista que n\u00e3o tem conex\u00e3o com a realidade &#8230; Acreditamos que esse discurso socialista confunde as massas porque distorce nossa realidade. Tragicamente, muitos est\u00e3o rejeitando o socialismo porque identificam o que est\u00e1 acontecendo agora com o projeto, e outros entendem que o socialismo exige um grande n\u00edvel de sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>Certamente, \u00e9 verdade que o socialismo exige sacrif\u00edcio. O socialismo exige muito sacrif\u00edcio porque confronta as for\u00e7as do capital, mas o socialismo n\u00e3o \u00e9 apenas isso, \u00e9 tamb\u00e9m e sobretudo a constru\u00e7\u00e3o de algo novo, e essa perspectiva n\u00e3o \u00e9 encontrada em nenhum lugar no presente. Al\u00e9m de atender \u00e0s necessidades urgentes das pessoas, algo que o governo deve fazer, tamb\u00e9m defendemos a centralidade da classe trabalhadora e o papel dos camponeses e das comunas na solu\u00e7\u00e3o da crise. Devemos tentar sair da crise atual junto com o capital transnacional? Devemos deixar a perspectiva burocr\u00e1tica prevalecer? Ou o caminho da crise atual est\u00e1 nas m\u00e3os de quem produz com suas m\u00e3os?<\/p>\n<p>Agora, poder\u00edamos perguntar, dadas as nossas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio buscar alian\u00e7as com setores de capital? Sim. N\u00f3s n\u00e3o somos inflex\u00edveis. Entendemos que o Estado n\u00e3o tem recursos para alavancar a produ\u00e7\u00e3o, portanto, algumas concess\u00f5es devem ser feitas. A Venezuela precisa procurar aliados, mas buscar alian\u00e7as com transnacionais n\u00e3o \u00e9 o caminho a seguir. Elas n\u00e3o trar\u00e3o investimentos e buscar\u00e3o atender interesses estrangeiros. Em vez disso, a Venezuela deve buscar investimentos de setores que aceitam que temos um processo de liberta\u00e7\u00e3o nacional e que a constru\u00e7\u00e3o de um modelo aut\u00f4nomo e independente \u00e9 um dos nossos principais objetivos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o papel da classe trabalhadora, o papel dos camponeses, o papel das comunidades populares deve ser posto em pr\u00e1tica, n\u00e3o apenas em termos discursivos, mas com participa\u00e7\u00e3o real no processo de recupera\u00e7\u00e3o do aparato produtivo. \u00c9 por isso que temos que construir uma ampla alian\u00e7a anti-imperialista, com todos os setores, incluindo o governo do presidente Nicolas Maduro. Todos aqueles comprometidos com a mudan\u00e7a social devem ser integrados, incluindo o setor capitalista patri\u00f3tico.<\/p>\n<p>Afinal, estamos no meio de uma disputa inter-imperialista entre pot\u00eancias mundiais. Esse confronto est\u00e1, na verdade, no centro da agress\u00e3o contra a Venezuela. As pot\u00eancias mundiais n\u00e3o querem que fa\u00e7amos alian\u00e7as com a China, R\u00fassia e \u00cdndia, porque essas alian\u00e7as s\u00e3o fundamentais para romper com a nossa situa\u00e7\u00e3o dependente.Temos de nos mover na dire\u00e7\u00e3o dessas alian\u00e7as e, em paralelo, construir a unidade dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, que \u00e9 o \u00fanico meio de enfraquecer as correntes do imperialismo.<\/p>\n<p>Recentemente, houve um di\u00e1logo entre o governo e alguns setores da oposi\u00e7\u00e3o. Essas conversas ocorreram sem a participa\u00e7\u00e3o de nenhuma organiza\u00e7\u00e3o chavista, exceto o PSUV. Al\u00e9m disso, e de acordo com as declara\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio partido, o PSUV violou o Acordo de Unidade PSUV-PCV para enfrentar a crise do capitalismo venezuelano (26 de fevereiro de 2018), que serviu de base para o apoio do PCV \u00e0 candidatura de Nicolas Maduro em 2018. Voc\u00ea considera que o PSUV \u00e9 capaz de ouvir o movimento popular e a esquerda chavista?<\/p>\n<p>Oscar: O PSUV n\u00e3o est\u00e1 ouvindo as diversas vozes, que incluem outras for\u00e7as patri\u00f3ticas e revolucion\u00e1rias. H\u00e1 uma raz\u00e3o simples para isso: para n\u00f3s da esquerda, \u00e9 muito dif\u00edcil nos separar da alian\u00e7a com o governo e o PSUV, porque temos um inimigo em comum &#8211; nosso principal inimigo &#8211; que \u00e9 o imperialismo dos EUA, aliados europeus e a direita interna. Dado esse fato, o governo e o PSUV acham que n\u00e3o precisam discutir nada conosco. Eles agem unilateralmente. \u00c9 um erro grave, pois a constru\u00e7\u00e3o se beneficia da participa\u00e7\u00e3o coletiva. A classe trabalhadora, os camponeses e as comunas populares, todos temos an\u00e1lises e propostas que podem ajudar a tirar a Venezuela da crise.<\/p>\n<p>Pode ser que o governo ou o PSUV n\u00e3o compartilhe as opini\u00f5es ou propostas que v\u00eam do campo popular. Dentro do PSUV existem diferentes correntes ideol\u00f3gicas, incluindo social-democratas, social-crist\u00e3os e at\u00e9 liberais. No entanto, a lideran\u00e7a pol\u00edtica deve entender que estamos em uma alian\u00e7a diversa (\u201cunidade dentro da diversidade\u201d), e isso requer espa\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o coletiva. Al\u00e9m disso, as contradi\u00e7\u00f5es que surgem n\u00e3o devem ser entendidas como um problema. Muito pelo contr\u00e1rio, a contradi\u00e7\u00e3o pode ser construtiva. O problema n\u00e3o \u00e9 que possa haver contradi\u00e7\u00f5es dentro do movimento; o problema \u00e9 como lidamos com elas! Se as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mal tratadas podem produzir rupturas e, em um momento como o nosso, as fraturas enfraquecem nosso projeto coletivo. Como o PSUV sabe que n\u00f3s n\u00e3o nos aliaremos \u00e0 direita e ao imperialismo, fecha espa\u00e7os para a constru\u00e7\u00e3o comum. Age de maneira arrogante que (mesmo que n\u00e3o leve \u00e0 ruptura) produz confrontos. \u00c9 o que est\u00e1 acontecendo agora.<\/p>\n<p>Em nossa mais recente sess\u00e3o plen\u00e1ria, desenvolvemos o slogan \u201cconfrontar, separar e acumular for\u00e7as para avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da for\u00e7a da classe trabalhadora, camponesa, comunal e popular\u201d. A ideia \u00e9 avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a uma ampla alian\u00e7a anti-imperialista para enfrentar e derrotar a agress\u00e3o externa e, ao mesmo tempo, confrontar correntes reformistas e submissas internas que, com um falso discurso revolucion\u00e1rio, est\u00e3o desenvolvendo alian\u00e7as que v\u00e3o contra o processo de liberta\u00e7\u00e3o nacional e cuja perspectiva \u00e9 o oposto da socialista.<\/p>\n<p>E qual \u00e9 a abordagem do PCV para os di\u00e1logos recentes?<\/p>\n<p>Oscar: Os di\u00e1logos mais recentes levaram a um acordo com um setor da oposi\u00e7\u00e3o. Acreditamos que [a ideia de dialogar] estava correta, e esses di\u00e1logos s\u00e3o importantes porque mostram ao mundo que a oposi\u00e7\u00e3o de extrema direita n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica em nosso pa\u00eds. No entanto, esse acordo foi constru\u00eddo sem a participa\u00e7\u00e3o de outros setores [do Chavismo]. Isso levou a uma situa\u00e7\u00e3o na qual n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de navegar.<\/p>\n<p>Um dos acordos foi de que representantes do Polo Patri\u00f3tico seriam incorporados \u00e0 Assembleia Nacional. No entanto, o Partido Comunista decidiu n\u00e3o se incorporar a esse \u00f3rg\u00e3o. [Nossas raz\u00f5es s\u00e3o:] primeiro, que n\u00e3o nos foi dada uma explica\u00e7\u00e3o sobre qual seria a t\u00e1tica naquele espa\u00e7o e, segundo, que a Assembleia Nacional continua desprezando [a lei] e \u00e9 a ferramenta chave da agress\u00e3o imperialista em nosso pa\u00eds. A Assembleia Nacional \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que n\u00e3o reconhece outros poderes p\u00fablicos, incluindo a presid\u00eancia de Maduro, e nossa participa\u00e7\u00e3o ali levaria a criar mais confus\u00e3o no meio do povo. Nossa presen\u00e7a legitimaria uma ferramenta que est\u00e1 a servi\u00e7o da conspira\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Diante desse dilema, decidimos n\u00e3o nos incorporar \u00e0 Assembleia Nacional, embora isto ainda esteja em discuss\u00e3o e ser\u00e1 debatido em breve na XV Plen\u00e1ria [sess\u00e3o do nosso partido]. Francamente, entendemos que a Assembleia Nacional Constituinte deveria ter tomado uma a\u00e7\u00e3o contundente quando Juan Guaid\u00f3, que \u00e9 o presidente da Assembleia Nacional, se proclamou presidente. A Assembleia Nacional faz parte de uma conspira\u00e7\u00e3o e deve ser dissolvida. Agora, se o PSUV nos explicar que existe um caminho para superar o car\u00e1ter conspirador da Assembleia Nacional, podemos reincorporar-nos ao espa\u00e7o, seguindo um debate interno.<\/p>\n<p>Houve novas formas de protesto nos \u00faltimos anos: protestos que n\u00e3o buscam mudan\u00e7as de regime, mas solu\u00e7\u00f5es para demandas concretas diante de s\u00e9rios problemas. Eles variam de pessoas que protestam por g\u00e1s e \u00e1gua a camponeses que exigem justi\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o frente aos propriet\u00e1rios de terras. Como voc\u00ea entende esse novo fen\u00f4meno?<\/p>\n<p>Oscar: Emanando do movimento popular e patri\u00f3tico e dos setores comprometidos com a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade venezuelana, h\u00e1 uma tend\u00eancia crescente de organizar protestos leg\u00edtimos. Esses protestos n\u00e3o v\u00eam mais da direita, mas do movimento revolucion\u00e1rio popular, da for\u00e7a que passou a ser conhecida como Chavismo. Eles apresentam demandas, mas tamb\u00e9m propostas que t\u00eam a ver com pol\u00edticas trabalhistas, pol\u00edticas agr\u00e1rias e camponesas, e assim por diante. Esses protestos compartilham uma preocupa\u00e7\u00e3o: o curso do processo bolivariano e as condi\u00e7\u00f5es de vida do povo.<\/p>\n<p>O Partido Comunista acredita que \u00e9 importante reunir queixas leg\u00edtimas, criar uma frente nacional que se mantenha firme diante do imperialismo, mas tamb\u00e9m enfrentar\u00e1 a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas liberais pelo governo. Esse \u00e9 o nosso objetivo na promo\u00e7\u00e3o da Frente Nacional de Luta da Classe Trabalhadora. Esta frente n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice do Partido Comunista. N\u00f3s somos apenas um fator dentro dele. Existem setores trotskistas l\u00e1, e existem setores das bases do PSUV. Na verdade, s\u00e3o a maioria. Tamb\u00e9m estamos promovendo o trabalho da Corrente Campesina Classista Nicomedes Abreu, tentando trabalhar com diversos atores comunit\u00e1rios, entre eles a Comuna El Maizal e outras comunas que t\u00eam um trabalho verdadeiramente importante, mas que n\u00e3o est\u00e3o sob a lideran\u00e7a do PCV. Acreditamos que precisamos nos unir em um bloco com essas organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, porque s\u00e3o inst\u00e2ncias de governo aut\u00f4nomo que questionam a concep\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica do poder.<\/p>\n<p>Finalmente, diante das agress\u00f5es imperialistas e do desvio do governo em dire\u00e7\u00e3o ao &#8220;reformismo&#8221; ou mesmo \u00e0 posi\u00e7\u00e3o &#8220;liberal&#8221;, qual \u00e9 o papel da solidariedade internacionalista com o Processo Bolivariano?<\/p>\n<p>Oscar: O Partido Comunista tem uma linha de trabalho para promover a solidariedade e fazemos isso com uma apresenta\u00e7\u00e3o completa do que est\u00e1 acontecendo aqui quando viajamos para o exterior. \u00c0s for\u00e7as de esquerda, aos partidos comunistas e outras organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o escondemos as contradi\u00e7\u00f5es que estamos enfrentando &#8211; as complexidades do processo e as tend\u00eancias que se confrontam -, mas sempre deixamos claro que nosso principal inimigo \u00e9 o imperialismo. Lutamos dentro do processo, mas, quando confrontados com o imperialismo, somos unificados e disciplinados.<\/p>\n<p>Assim, explicamos [as complexidades do que est\u00e1 acontecendo l\u00e1 dentro], mas tamb\u00e9m exigimos solidariedade. Se o imperialismo dos EUA, seus aliados europeus e a direita continental colocarem suas m\u00e3os na Venezuela, a situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 semelhante \u00e0 do final da d\u00e9cada de 1980, com a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do Bloco do Leste Europeu. Este foi um duro golpe para as for\u00e7as revolucion\u00e1rias em todo o mundo. Embora os problemas que enfrentamos aqui sejam enormes, a Venezuela continua a ser um carro-chefe na luta anti-imperialista. Precisamos de uma Venezuela que possa se firmar enquanto lutamos internamente.<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Uma conversa com Oscar Figuera<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/venezuelanalysis.com\/analysis\/14687<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24134\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[233],"class_list":["post-24134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6hg","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24134\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}