{"id":24145,"date":"2019-10-17T10:52:16","date_gmt":"2019-10-17T13:52:16","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24145"},"modified":"2019-10-17T10:52:16","modified_gmt":"2019-10-17T13:52:16","slug":"um-outubro-que-foi-fevereiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24145","title":{"rendered":"Um Outubro que foi Fevereiro"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/atilioboron.com.ar\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/WhatsApp-Image-2019-10-15-at-14.53.45-1-295x300.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Atilio Boron: no Equador se consumou uma derrota da insurg\u00eancia popular<\/p>\n<p>ENSARTAOS<\/p>\n<p>\u201c\u2026 o que realmente ocorreu foi a consuma\u00e7\u00e3o de uma derrota da insurg\u00eancia popular, cujo enorme sacrif\u00edcio foi oferecido sem nada concreto em troca e ainda por cima numa falsa mesa de negocia\u00e7\u00f5es\u2026.\u201d<\/p>\n<p>Conclu\u00edda a suposta negocia\u00e7\u00e3o entre a c\u00fapula dirigente da CONAIE e Lenin Moreno em 14 de outubro, foi sentenciada a derrota do levante popular. A mobiliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, de acordo com um tweet oficial da CONAIE, para p\u00f4r um fim \u00e0s \u201cpol\u00edticas econ\u00f4micas de morte e mis\u00e9ria geradas pelo FMI e \u00e0s pol\u00edticas extrativistas que afetam nossos territ\u00f3rios\u201d. Na muito completa e detalhada \u201cDeclara\u00e7\u00e3o da Agenda de Luta para as Organiza\u00e7\u00f5es dos Povos, Nacionalidades e Comunidades Ind\u00edgenas e Amaz\u00f4nicas em Apoio \u00e0 Mobiliza\u00e7\u00e3o Nacional e ao Exerc\u00edcio de Nossa Autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d, aprovada em Puyo (Pastaza), em 7 de outubro de 2019, destacavam-se como alguns de seus conte\u00fados mais sobressalientes a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas econ\u00f4micas denominadas &#8216;pacota\u00e7o&#8217; e agregava que \u201cexigimos a revers\u00e3o total da carta de inten\u00e7\u00f5es assinada com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, cujo conte\u00fado n\u00e3o foi tornado p\u00fablico, violando a obriga\u00e7\u00e3o de transpar\u00eancia dos atos do executivo; bem como o fim das tentativas de privatizar empresas p\u00fablicas encobertas sob o nome de &#8216;concess\u00e3o'&#8221;.<\/p>\n<p>A Agenda e outras declara\u00e7\u00f5es da CONAIE tamb\u00e9m denunciaram \u201cos enormes benef\u00edcios que a burguesia continua a receber por meio de m\u00faltiplas pol\u00edticas de reativa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u201d e dizendo que o &#8220;momento de uma a\u00e7\u00e3o para conquistar as demandas populares e impedir que o rolo compressor das reformas aconte\u00e7a na economia das fam\u00edlias pobres&#8221; havia chegado. Isso se traduziu, de acordo com os l\u00edderes do movimento, em medidas escandalosas em favor dos bancos e grandes empresas que estavam isentas do pagamento de US $ 4,295 milh\u00f5es em impostos, bem como a &#8220;coloniza\u00e7\u00e3o&#8221; por seus representantes dos principais cargos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, bem como a desregulamenta\u00e7\u00e3o e a inseguran\u00e7a no emprego exigidas no &#8220;pacote&#8221; do FMI. Lembre-se de que as medidas anunciadas por Moreno em 1\u00ba de outubro estipulavam que os funcion\u00e1rios de empresas p\u00fablicas \u201cdeveriam contribuir mensalmente com um dia de sal\u00e1rio\u201d e que, para \u201creduzir a massa de sal\u00e1rios, contratos ocasionais seriam renovados com 20% menos de remunera\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que o per\u00edodo de suas f\u00e9rias seria reduzido de 30 para 15 dias\u201d. A isso h\u00e1 que adicionar o enorme aumento no pre\u00e7o dos combust\u00edveis causado pela elimina\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios estabelecidos h\u00e1 quarenta anos, o que encareceriam quase todos os bens de consumo populares, gerando um forte corte na renda da popula\u00e7\u00e3o. [1]<\/p>\n<p>\u00c9 surpreendente que essa frondosa agenda estivesse completamente fora da discuss\u00e3o entre a lideran\u00e7a dos povos originais e o presidente equatoriano. N\u00e3o se entende, portanto, o triunfalismo que alguns protagonistas e observadores do conflito demonstram ao falar da \u201cnegocia\u00e7\u00e3o\u201d que encerrou a revolta. Exceto pela quest\u00e3o do pre\u00e7o da gasolina &#8211; sem d\u00favida importante &#8211; todo o resto permanece intacto, como se a enorme mobiliza\u00e7\u00e3o popular contra as imposi\u00e7\u00f5es do FMI n\u00e3o tivesse acontecido. Surpreendentemente, as quest\u00f5es que formaram o &#8220;pacota\u00e7o&#8221; foram deixadas de fora da discuss\u00e3o, bem como a alega\u00e7\u00e3o, anteriormente expressa pela lideran\u00e7a ind\u00edgena, de reverter a carta de inten\u00e7\u00f5es assinada com o FMI &#8220;sem consulta alguma&#8221;. N\u00e3o apenas isso: tamb\u00e9m foram sepultados no esquecimento, pelo menos por enquanto, o fato de Moreno ter chegado ao governo com o programa da Revolu\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 do ex-presidente Rafael Correa, que pensou em continuar aplicando as medidas de corte p\u00f3s-neoliberal que haviam sido ferozmente combatidas pelas elites econ\u00f4micas do Equador, com uma agenda que reposicionou esse pa\u00eds em linha com os governos progressistas da regi\u00e3o, esfor\u00e7ando-se para emancipar-se da pesada tutela que Washington exerce tradicionalmente sobre as na\u00e7\u00f5es localizadas no que &#8211; com todo respeito pelos nossos povos &#8211; chamam de &#8220;quintal&#8221; dos Estados Unidos. Por meio de uma espetacular cambalhota pol\u00edtica, Moreno desviou esse mandato com rapidez e radicalidade raramente vistas, ao passo que converteu Rafael Correa &#8211; de quem at\u00e9 o dia da posse n\u00e3o se cansava de dizer que tinha sido uma das figuras mais famosas do Equador, superado apenas por Eloy Alfaro &#8211; em um nefasto personagem, causador dos maiores infort\u00fanios j\u00e1 sofridos pelo Equador e a quem perseguiu &#8211; e persegue &#8211; com crueldade doentia e sem tr\u00e9gua.<\/p>\n<p>Moreno n\u00e3o apenas reverteu o camuinho trilhado por Correa, mas o fez sujeitando-se \u00e0s ordens de Washington: abandonou a ALBA; entregou uma base militar em Gal\u00e1pagos (um dos \u00faltimos abrigos n\u00e3o contaminados da humanidade); desalojou as autoridades e funcion\u00e1rios da UNASUL do pr\u00e9dio constru\u00eddo nos arredores de Quito, precisamente sobre a linha do Equador; ajoelhou-se diante de Donald Trump para satisfazer com inigual\u00e1vel ignom\u00ednia (em um continente pr\u00f3digo de lambe-botas do imp\u00e9rio) os menores caprichos do imperador. Para come\u00e7ar, tentou destruir a Unasul e promover o desastroso Grupo de Lima para atacar a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana. Em suma, o Equador passou da autodetermina\u00e7\u00e3o nacional conquistada pelo governo de Correa para ser um \u201cproxy\u201d: um Estado de penhor que se limita a obedecer as ordens emanadas de Washington e as oligarquias dominantes corruptas do Equador. Nada, absolutamente nada disso, apareceu nas &#8220;negocia\u00e7\u00f5es&#8221; que a lideran\u00e7a da CONAIE teve com Moreno e que terminou com o conflito. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve nessa &#8220;negocia\u00e7\u00e3o&#8221; peculiar uma condena\u00e7\u00e3o da brutalidade da repress\u00e3o policial e militar, dos mortos (m\u00ednimo de dez), quase 100 desaparecidos, centenas de feridos e presos, estes \u00faltimos aos milhares, e nada foi dito sobre o pedido de ren\u00fancia dos ministros ultrarreacion\u00e1rios do Interior e da Defesa e sobre os ataques aos direitos humanos. Foi toda a como\u00e7\u00e3o que abalou o Equador pelo pre\u00e7o da gasolina? E o &#8220;pacote&#8221; do FMI? Pelo visto, a montanha pariu um rato.<\/p>\n<p>Permitam-me oferecer algumas conjecturas para tentar desvendar o que aconteceu e suas raz\u00f5es. Primeiro, o que caracterizou essa revolta foi sua tremenda fraqueza ideol\u00f3gica e pol\u00edtica, que mal podia se esconder sob a sua multifacetada convocat\u00f3ria. Faltava uma lideran\u00e7a pol\u00edtica motivada por um desejo genu\u00edno de mudan\u00e7a e deposi\u00e7\u00e3o do regime dominante. De fato, vistas as coisas com a vantagem que outorga o tempo que passa, pode-se dizer com certo exagero que se tratava de uma disputa dentro do projeto morenista e nada mais, e que a espontaneidade do protesto desencadeada pelo decreto de 1\u00ba de outubro foi vista com benepl\u00e1cito de seus condutores, nem um pouco interessados no aumento do n\u00edvel de consci\u00eancia das massas insurgentes. O resto era uma l\u00e2mina ret\u00f3rica que pretendia mais confundir as massas do que esclarecer sua consci\u00eancia e o significado de sua luta. Segundo, a trai\u00e7\u00e3o de Moreno encontra seu espelho no de alguns l\u00edderes mais not\u00e1veis da CONAIE, especialmente Jaime Vargas, que jogou fora seus pr\u00f3prios mortos e desapareceu para obter em troca a promessa &#8211; entenda bem, &#8220;la promesa&#8221; &#8211; de um um novo decreto que somente um ilusionista, ou um c\u00famplice perverso, pode acreditar que isso significar\u00e1 refazer o caminho da submiss\u00e3o total ao FMI.<\/p>\n<p>Pode-se esperar uma discuss\u00e3o profunda na CONAIE, porque h\u00e1 ind\u00edcios de que um setor de sua dire\u00e7\u00e3o e n\u00e3o poucos em suas bases discordam do que foi negociado com o regime de Moreno. N\u00e3o apenas com o que foi acordado por Vargas, mas tamb\u00e9m com o papel de Salvador Quishpe, ex-prefeito de Morona e um inimigo feroz de Correa e cuja animosidade em rela\u00e7\u00e3o a ele o levou a forjar um obsceno concubinato com Moreno. N\u00e3o \u00e9 de todo arriscado prever que esse conflito latente n\u00e3o demore muito para explodir. Terceiro, o presidente se moveu com ast\u00facia, bem aconselhado por Enrique Ayala Mora, presidente do Partido Socialista do Equador e alguns outros mercen\u00e1rios da pol\u00edtica equatoriana (unidos pelo ressentimento que t\u00eam com o ex-presidente Correa), como Pablo Celi, Juan Sebasti\u00e1n Rold\u00e1n e Gustavo Larrea, frequentes visitantes e leva-e-traz da \u201cembaixada\u201d (para n\u00e3o descrev\u00ea-los como \u201cagentes\u201d) que lhes disseram como ele tinha que negociar com os ind\u00edgenas: promessas, gestos de simpatia, fotos, televis\u00e3o, exalta\u00e7\u00e3o de falsa unidade tipo \u201csomos todos equatorianos\u201d, uma fraternidade de opereta a cargo do maior camale\u00e3o da pol\u00edtica latino-americana, Len\u00edn Moreno, para fazer com que os rebeldes retornem \u00e0s suas comunidades, deixando o campo limpo para que o governo possa continuar sem problemas com seu projeto.<\/p>\n<p>Quarto, o sucesso da estrat\u00e9gia do governo tamb\u00e9m se baseia em um fato t\u00e3o certo quanto lament\u00e1vel: a profunda penetra\u00e7\u00e3o das ideias de &#8220;antipol\u00edtica&#8221; na sociedade civil do Equador, que concebe os partidos como ninhos incur\u00e1veis de corrup\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos virulentos e sustentados ataques contra o corre\u00edsmo e tudo o que se assemelha a ele, a cumplicidade do Judici\u00e1rio em validar a viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do Estado de Direito durante a administra\u00e7\u00e3o de Moreno e o papel manipulador da m\u00eddia olig\u00e1rquica que n\u00e3o deixou de (mal) informar e desinformar durante todo o conflito. Quinto, que embora a insurg\u00eancia ind\u00edgena tivesse o apoio de grandes setores da popula\u00e7\u00e3o, estes eram apenas um coro que acompanhou passivamente as iniciativas da lideran\u00e7a da CONAIE. De nenhuma outra maneira pode ser interpretado o fato an\u00f4malo de que apenas a lideran\u00e7a dessa organiza\u00e7\u00e3o (muito influenciada, sabe-se, por algumas ONGs que atuam no Equador e que s\u00e3o os tent\u00e1culos invis\u00edveis do Imp\u00e9rio e at\u00e9 mesmo por algumas ag\u00eancias federais do governo dos Estados Unidos) estava sentada na mesa de negocia\u00e7\u00e3o. E os outros setores do campo popular? Nada. De golpe e porrada se esfumaram todos os outros componentes e todo aquele s\u00f3lido &#8220;se dissolveram no ar&#8221;, sem deixar vest\u00edgios no conflito. O enfraquecimento de partidos e sindicatos facilitou bastante as coisas para o governo e a lideran\u00e7a conservadora da CONAIE. N\u00e3o deixa de ser um fato vergonhoso e extravagante que o principal alvo de ataque fosse Rafael Correa e n\u00e3o o carrasco que estava matando seus seguidores nas ruas de Quito. Isso revela a profundidade de um conflito entre o ex-presidente e a organiza\u00e7\u00e3o que nesse momento serviu para impedir que o corre\u00edsmo, assim como outras for\u00e7as pol\u00edticas e sociais, possam convergir na condu\u00e7\u00e3o da revolta. Al\u00e9m disso, o governo aprisionou os l\u00edderes mais importantes do corre\u00edsmo, come\u00e7ando com nada menos que o prefeito de Pichincha, Paola Pab\u00f3n, sem o menor protesto da lideran\u00e7a da CONAIE diante de tal arbitrariedade.<\/p>\n<p>Para concluir: longe de ter sido um triunfo, o que realmente aconteceu foi a consuma\u00e7\u00e3o de uma derrota da insurg\u00eancia popular, cujo enorme sacrif\u00edcio foi oferecido sem nada de concreto em troca e ainda por cima em uma falsa mesa de negocia\u00e7\u00f5es. Uma lideran\u00e7a ind\u00edgena que ou bem \u00e9 ing\u00eanua ou sen\u00e3o corrupta porque, parafraseando o que Che disse sobre o imperialismo, &#8220;em Moreno n\u00e3o se pode crer nem um tantinho assim, nada!&#8221;. E essa lideran\u00e7a acreditou no &#8220;chefe&#8221; de um regime francamente ditatorial e corrupto at\u00e9 as v\u00edsceras. Acreditou em um personagem como Moreno, um traidor em s\u00e9rie que, se n\u00e3o cumprir suas promessas cem vezes, far\u00e1 o mesmo cento e uma vezes, sem escr\u00fapulo algum e morrendo de rir dos negociadores ind\u00edgenas! \u00c9 claro que o presidente tamb\u00e9m emergiu enfraquecido do conflito: teve que fugir de Quito e estabelecer uma negocia\u00e7\u00e3o fraudulenta, mas vistosa e eficaz diante das c\u00e2meras de televis\u00e3o. O FMI o censurar\u00e1 por sua atitude e retornar\u00e1 \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, for\u00e7ando-o a cumprir o que acordou anteriormente, apesar das promessas que fez \u00e0 CONAIE.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorar\u00e1 muito para que as massas populares do Equador, n\u00e3o apenas os povos ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m as camadas pobres da cidade e do campo, os setores m\u00e9dios empobrecidos e sem poder, enfim, a maioria da popula\u00e7\u00e3o do Equador percebam o grande golpe perpetrado por Moreno e seus conselheiros obstinados, com a imperdo\u00e1vel cumplicidade da lideran\u00e7a da CONAIE, e decidam tomar as ruas novamente. \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o vener\u00e1vel do povo equatoriano que derrubou v\u00e1rios presidentes reacion\u00e1rios e, se desta vez, quando fizeram um esfor\u00e7o incr\u00edvel, as coisas deram errado, \u00e9 prov\u00e1vel que, em seu ressurgimento seguro, os resultados sejam muito diferentes. Tra\u00e7ando um paralelo com a hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, o que vimos no Equador parecia ser um Outubro que acabou sendo um Fevereiro. \u00c9 por isso que o &#8220;Kerenski&#8221; equatoriano ainda est\u00e1 no poder, como se manteve o russo at\u00e9 a chegada de Outubro. Mais cedo ou mais tarde, ao equatoriano tamb\u00e9m chegar\u00e1 seu Outubro. Se as massas populares aprenderem algo com esta li\u00e7\u00e3o no futuro, n\u00e3o mais se enganar\u00e3o e, quando se rebelarem, se livrar\u00e3o de sua lideran\u00e7a entreguista e por\u00e3o fim ao regime capacho, imoral e retr\u00f3grado como poucos houve na hist\u00f3ria de Nossa Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>[1] Cf. https:\/\/www.culturalsurvival.org\/news\/declaratoria-de-agenda-de-lucha-de-organizaciones-pueblos-nacionalidades-y-comunidades<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.ensartaos.com.ve\/atilio-boron-en-ecuador-se-consumo-una-derrota-a-la-insurgencia-popular\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24145\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[39],"tags":[234],"class_list":["post-24145","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c76-equador","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6hr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24145\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}