{"id":24176,"date":"2019-10-23T00:32:15","date_gmt":"2019-10-23T03:32:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24176"},"modified":"2019-10-24T23:54:12","modified_gmt":"2019-10-25T02:54:12","slug":"tecnologias-e-educacao-uma-reflexao-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24176","title":{"rendered":"Tecnologias e Educa\u00e7\u00e3o: uma reflex\u00e3o cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bloglavrapalavra.files.wordpress.com\/2019\/10\/pic.jpg?w=1400\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->LAVRA PALAVRA<\/p>\n<p>Por Thiago Oliveira*<\/p>\n<p>Quando se fala de educa\u00e7\u00e3o em tempos de sociedade tecnol\u00f3gica deve-se tomar cuidado para n\u00e3o cair em um manique\u00edsmo ou em um negacionismo. N\u00e3o se est\u00e1 criticando a tecnologia em si, mas o uso que se faz dela, o modo como ela \u00e9 produzida e controlada e o modo como se pretende aplica-la na educa\u00e7\u00e3o para reproduzir um conformismo \u00e0 ordem social vigente.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea se alicer\u00e7a na l\u00f3gica capitalista e, consequentemente, na racionalidade tecnol\u00f3gica assumindo o estatuto da centralidade. Segundo M\u00e9sz\u00e1ros, uma das fun\u00e7\u00f5es principais da educa\u00e7\u00e3o formal no sistema capitalista \u00e9 a de produzir entre os educandos uma conformidade ou consenso no mais alto grau poss\u00edvel, e tudo isso dentro e por meio dos pr\u00f3prios limites institucionalizados e legalmente sancionados. (M\u00c9SZ\u00c1ROS, 2009). Nesse modelo de educa\u00e7\u00e3o, a ideia \u00e9 assegurar que cada indiv\u00edduo adote como suas as pr\u00f3prias metas de reprodu\u00e7\u00e3o objetivamente poss\u00edveis do sistema. \u00c9 absurdo pensar educa\u00e7\u00e3o hoje sem integrar essa ao modo de produ\u00e7\u00e3o na qual ela se insere, mais absurdo ainda seria pensar uma educa\u00e7\u00e3o institucionalizada que se proponha de maneira contr\u00e1ria ao que o sistema imp\u00f5e. \u00c9 nesse sentido que podemos dizer como dissemos no in\u00edcio do texto que todo o alicerce da educa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea est\u00e1 assentado na l\u00f3gica capitalista e na sua din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Dentro desse cen\u00e1rio, como pensar a rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e tecnologia sob um ponto de vista cr\u00edtico? Como discutir categorias t\u00e3o fundamentais ao pensamento humano como as categorias de domina\u00e7\u00e3o, democratiza\u00e7\u00e3o e cultura em uma sociedade completamente dominada pela racionalidade tecnol\u00f3gica? \u00c9 poss\u00edvel falar de uma educa\u00e7\u00e3o para a emancipa\u00e7\u00e3o considerando o indiv\u00edduo no tempo da sociedade tecnol\u00f3gica?<\/p>\n<p>Diferente do que faz parecer o texto dos PCNs (Par\u00e2metros Curriculares Nacionais), que afirma claramente que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico resultou diretamente no bem da forma\u00e7\u00e3o e humaniza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, a realidade nos mostra outra coisa. Em resumo, o texto trata, dentre outras coisas, da rela\u00e7\u00e3o entre as ci\u00eancias humanas e a tecnologia. A proposta \u00e9 oferecer um modelo de projeto pedag\u00f3gico renovado em compara\u00e7\u00e3o com os antigos modelos utilizados. Projetos que proporiam uma maior aproxima\u00e7\u00e3o entre as atividades pedag\u00f3gicas e a tecnologia. Ao abordar o tema, o texto come\u00e7a retratando o fato de que quem vive o cotidiano escolar j\u00e1 percebe que os velhos paradigmas educacionais, com seus curr\u00edculos estritamente disciplinares, revelam-se cada vez menos adequados, com reflexos no aprendizado e no pr\u00f3prio conv\u00edvio. Segundo o texto, os n\u00fameros apontam a necessidade de uma revis\u00e3o da escola que era, em suma, preparat\u00f3ria para o ensino superior, o que n\u00e3o ocorre mais. A ideia \u00e9 que ao discutir novas tecnologias na escola, o aluno n\u00e3o seja exclusivamente preparado para o ensino superior, mas tamb\u00e9m tenha uma prepara\u00e7\u00e3o para a vida profissional e o mundo do trabalho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o texto defende que as disciplinas devem ser capazes de promover um conjunto de compet\u00eancias como complemento \u00e0 forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica dos estudantes. Essas compet\u00eancias seriam: 1) comunicar e representar; 2) investigar e compreender; 3) contextualizar social ou historicamente os conhecimentos. A pr\u00e1tica docente estaria voltada, ent\u00e3o, para o desenvolvimento dessas compet\u00eancias e habilidades, bem como na realiza\u00e7\u00e3o de atividades escolares significativas e contextualizadas ao momento hist\u00f3rico e cen\u00e1rio tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O que h\u00e1 na realidade \u00e9 uma glamuriza\u00e7\u00e3o e uma fetichiza\u00e7\u00e3o das tecnologias no universo educacional. A reforma educacional nos moldes mercadol\u00f3gicos associa a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo aos crit\u00e9rios de compet\u00eancia, tal como defende o texto dos PCN, com vistas ao dom\u00ednio de novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, mas que no fundo esconde um processo de embrutecimento na forma\u00e7\u00e3o dos estudantes e um condicionamento para o universo mercadol\u00f3gico do trabalho, que exige cada vez mais o conhecimento de tecnologias ao mesmo tempo que exige conformismo com a realidade. Que fique claro, nosso texto n\u00e3o nega a necessidade de desenvolvimento de compet\u00eancias nem de novas tecnologias que possam vir a favorecer o processo formativo, mas a cr\u00edtica incide sobre o alicerce dessas ideias, que est\u00e1 totalmente fundado na racionalidade tecnol\u00f3gica t\u00edpica do capitalismo avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Ademais, o texto transmite uma ideia um tanto quanto falsa de que em conjunto com o progresso tecnol\u00f3gico se deu, tamb\u00e9m, o progresso human\u00edstico. Essa contradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica j\u00e1 havia sido apontada por Marx quando este, juntamente com Engels, anuncia que se de um lado temos o avan\u00e7o t\u00e9cnico, como aumento do poder do homem sobre a natureza, como enriquecimento e como progresso, por outro temos a escravid\u00e3o (servilismo) da classe oper\u00e1ria cada vez mais empobrecida e alienada (MARX, 2010).<\/p>\n<p>Ao pensarmos criticamente a rela\u00e7\u00e3o entre a educa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea e aquilo que se acostumou chamar de novas TCIs (tecnologias de informa\u00e7\u00e3o), lembramos de Adorno e a ideia da pseudoforma\u00e7\u00e3o. A ideia de que a submiss\u00e3o completa da educa\u00e7\u00e3o aos instrumentos tecnol\u00f3gicos atuais poderia trazer um ganho maior ao educando pode ser uma ideia falaciosa e tendenciosa. Disfar\u00e7ada de democratiza\u00e7\u00e3o da cultura, a defesa intransigente das tecnologias pode ser, na verdade, um instrumento para a manuten\u00e7\u00e3o da ordem social vigente.<\/p>\n<p>Quando se fala de educa\u00e7\u00e3o em tempos de sociedade tecnol\u00f3gica deve-se tomar cuidado para n\u00e3o cair em um manique\u00edsmo ou em um negacionismo. N\u00e3o se est\u00e1 criticando a tecnologia em si, mas o uso que se faz dela, o modo como ela \u00e9 produzida e controlada e o modo como se pretende aplica-la na educa\u00e7\u00e3o para reproduzir um conformismo \u00e0 ordem social vigente.<\/p>\n<p>Antes de mais nada, \u00e9 preciso entender que a incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias na educa\u00e7\u00e3o segue a passos cada vez mais largos e j\u00e1 se tornou algo muito comum. De acordo com o que dissemos acima, n\u00e3o \u00e9 a presen\u00e7a ou a tecnologia em si que deve ser vista com olhos cr\u00edticos, mas o uso que se faz dela. Cabe diferenciar tamb\u00e9m o uso inevit\u00e1vel da tecnologia na educa\u00e7\u00e3o, quando falamos do uso de multim\u00eddia na sala de aula e at\u00e9 em pautas de pesquisas acad\u00eamicas, daquele uso enviesado que reproduz o modelo vigente.<\/p>\n<p>As tecnologias est\u00e3o relacionadas a uma determinada cultura, contextualizada em um momento hist\u00f3rico, social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico. N\u00e3o se trata apenas de equipamentos ou instrumentos f\u00edsicos, mas sim de uma organiza\u00e7\u00e3o do processo produtivo. Por isso que temos que ter bem claro que n\u00e3o se trata de falar e defender o uso de instrumentos de trabalho em sala de aula, coisa que acontece como que automaticamente durante os processos de mudan\u00e7a nos modelos de ensino. Discutir tecnologia e educa\u00e7\u00e3o de maneira cr\u00edtica \u00e9 discutir como aquela pode se tornar um instrumento para a manuten\u00e7\u00e3o da ordem vigente se utilizando da educa\u00e7\u00e3o. Como diria Marcuse (1999, p73), \u201c\u2026a tecnologia \u00e9 uma forma de organizar e perpetrar (ou modificar) as rela\u00e7\u00f5es sociais, uma manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento e dos padr\u00f5es de comportamento dominantes, um instrumento de controle e domina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O uso da tecnologia se tornou mecanismo de domina\u00e7\u00e3o do homem sobre a natureza e sobre ele mesmo. Junto com o esclarecimento e o dom\u00ednio das mais variadas t\u00e9cnicas na contemporaneidade, veio a elimina\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de humano e sua autoconsci\u00eancia. Quando o texto dos PCNs defende a ades\u00e3o por completo ao discurso da racionalidade tecnol\u00f3gica, eles condicionam a forma\u00e7\u00e3o de professores e toda a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de acordo com essa racionalidade tecnol\u00f3gica. Na \u00e2nsia de estar inovando no processo de forma\u00e7\u00e3o, o texto defende de maneira acr\u00edtica a utiliza\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, incorporadas ao processo formativo pela educa\u00e7\u00e3o, mas esquecem que isso n\u00e3o torna o processo pedag\u00f3gico imune ao ciclo vicioso de aliena\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo que a racionalidade tecnol\u00f3gica pode gerar. A forma\u00e7\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o fundamentada no dom\u00ednio da t\u00e9cnica e da tecnologia segue os ditames do capital, caracterizando uma pseudoforma\u00e7\u00e3o, ou aquilo que Adorno chama de deforma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. Essa pseudoforma\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a aliena\u00e7\u00e3o e cria uma casta de estudantes totalmente voltados \u00fanica e exclusivamente para a satisfa\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica mercadol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O projeto cultural no contexto da sociedade tecnol\u00f3gica \u00e9 perpetuar o comportamento padronizado instaurado pela sociedade burguesa. O desafio de uma educa\u00e7\u00e3o que pense criticamente o uso das tecnologias e vise a emancipa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos \u00e9 o de romper com a consci\u00eancia coisificada, propiciada pelas rela\u00e7\u00f5es unilaterais entre tecnologia e usu\u00e1rio. Essa consci\u00eancia coisificada \u00e9 um estado de indiferen\u00e7a, de efemeridade e absoluta aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa leitura do car\u00e1ter alienante das tecnologias n\u00e3o pode ser t\u00e3o radical a ponto de negar por completo o seu uso. \u00c9 poss\u00edvel pensar um uso cr\u00edtico desse aparato tecnol\u00f3gico a fim de romper com a consci\u00eancia coisificada, uma vez que estamos todos presos \u00e0 sociedade tecnol\u00f3gica. Basta fazer da pr\u00f3pria sala de aula um espa\u00e7o de cr\u00edtica a esse modelo de sociedade e de reflex\u00e3o sobre os usos da tecnologia na forma\u00e7\u00e3o do docente e na condu\u00e7\u00e3o dos processos pedag\u00f3gicos. \u00c9 preciso repensar as pol\u00edticas p\u00fablicas que, por in\u00fameras vezes, promovem o empobrecimento da experi\u00eancia cr\u00edtica na trajet\u00f3ria dos professores por uma forma\u00e7\u00e3o que mais contempla a instrumentaliza\u00e7\u00e3o e a especializa\u00e7\u00e3o com car\u00e1ter reducionista e fragmentado, reproduzindo a racionalidade tecnol\u00f3gica. Uma sa\u00edda \u00e9 a resist\u00eancia a esse aligeiramento e \u00e0 instrumenta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma pr\u00e1xis educativa. Essa pr\u00e1xis oportunizaria experi\u00eancias entre os indiv\u00edduos e a cultura.<\/p>\n<p>As tecnologias por si s\u00f3 s\u00e3o incapazes de promover a forma\u00e7\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o com vistas \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o e ao livre pensar. \u00c9 necess\u00e1ria uma forma\u00e7\u00e3o docente pol\u00edtica e cultural para se contrapor \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de superficialidade e fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento. A racionalidade tecnol\u00f3gica controla a possibilidade de experi\u00eancias e faz com que a ordem social se sobreponha sobre a experi\u00eancia formativa pela educa\u00e7\u00e3o. A pr\u00e1xis educativa deve romper com essa l\u00f3gica e garantir ao processo formativo autonomia e capacidade cr\u00edtica, inclusive no uso dos instrumentos e da tecnologia em favor dessa forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. A educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o burguesa, determinada pela racionalidade tecnol\u00f3gica e que se legitima no mercado e no mundo administrado (tal como queria Taylor), resulta em processos de massifica\u00e7\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. A tecnologia, nesse universo, deixa de ser instrumento de emancipa\u00e7\u00e3o e passa a ser instrumento de domina\u00e7\u00e3o irrestrita e inconsequente da natureza e do pr\u00f3prio homem. Essa \u00e9 uma cr\u00edtica, como j\u00e1 dissemos, n\u00e3o ao uso das tecnologias em si, mas uma cr\u00edtica \u00e0s estruturas da sociedade tecnol\u00f3gica baseada na raz\u00e3o instrumental e na racionalidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Contr\u00e1ria \u00e0 essa din\u00e2mica de forma\u00e7\u00e3o alienante, uma pr\u00e1xis educativa pode e deve ser resultante de um permanente exerc\u00edcio intelectual cr\u00edtico. Portanto, \u00e9 preciso opor-se \u00e0 barb\u00e1rie que se cristalizou nas escolas, completamente dominadas pelo modo tecnicista de pensamento. O mesmo se d\u00e1 nas universidades quando se trata da forma\u00e7\u00e3o docente, completamente tomada pela ideia de mera transmiss\u00e3o em larga escala e em maior quantidade poss\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o em detrimento do conhecimento.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o das escolas e universidades deve ser, dentre outras coisas, a de conscientiza\u00e7\u00e3o, por isso \u00e9 fundamental que as experi\u00eancias formativas constituam uma possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o dos professores que ser\u00e3o futuros agentes de emancipa\u00e7\u00e3o nessas institui\u00e7\u00f5es. Romper com a racionalidade tecnol\u00f3gica e com a coisifica\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia \u00e9 fundamental nesse sentido. Que fique claro mais uma vez, a proposta aqui \u00e9 uma cr\u00edtica ao tecnicismo, \u00e0 racionalidade tecnol\u00f3gica, \u00e0 l\u00f3gica mercadol\u00f3gica que instrumentaliza a forma\u00e7\u00e3o e o conhecimento, em nenhum momento a cr\u00edtica se volta para o uso de tecnologias como instrumento para o desenvolvimento human\u00edstico e cient\u00edfico. A tecnologia n\u00e3o pode ser vista como fim, mas meio. A escola atual, aliada ao car\u00e1ter tecnol\u00f3gico da sociedade, visa produzir m\u00e1quinas a serem integradas ao sistema e promoverem ainda mais a radicaliza\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica nos processos de forma\u00e7\u00e3o e nas rela\u00e7\u00f5es sociais. \u00c9 no mercado que esse modelo se legitima e \u00e9 para ele que essa escola trabalha. N\u00e3o h\u00e1 sentido em falar de escola se esta n\u00e3o for capaz de criar consci\u00eancia cr\u00edtica e romper com essa racionalidade. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o estamos falando de escola, mas de controle e reprodu\u00e7\u00e3o. Uma ind\u00fastria que renova, constantemente, as engrenagens do status quo.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o forem bem utilizadas e concebidas de maneira cr\u00edtica, as tecnologias podem se tornar instrumento de controle do tempo e do espa\u00e7o em detrimento da dimens\u00e3o humana por parte daqueles que dominam a ordem social vigente. \u00c9 not\u00f3rio que a tecnologia poderia libertar a sociedade da mis\u00e9ria e da explora\u00e7\u00e3o, e isso est\u00e1 para al\u00e9m de seu uso na sociedade do capital, um uso mercadol\u00f3gico e fetichizado. Ademais, as tecnologias deveriam ser meios e n\u00e3o fins. Na sociedade contempor\u00e2nea a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 banalizada e reduzida \u00e0 mera instrumentaliza\u00e7\u00e3o e uso das tecnologias. Enquanto f\u00e1brica de m\u00e1quinas, a escola simplesmente reproduz a l\u00f3gica do mercado formando indiv\u00edduos acr\u00edticos, mas preparados para se integrarem como engrenagem ao sistema. Alicer\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o nos moldes da racionalidade tecnol\u00f3gica \u00e9 correr o risco de legitimar e manter a realidade tal como se apresenta e reproduzir continuamente seus valores. Qualquer possibilidade de mudan\u00e7a ou mesmo de cr\u00edtica fica completamente reduzida. Ou se pensa criticamente o uso das tecnologias na educa\u00e7\u00e3o, ou esse uso ser\u00e1 sempre aquele enviesado e proposto pelos grupos que dominam a tecnologia. No final, ela ser\u00e1 instrumento para a manuten\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1fico:<\/p>\n<p>ADORNO, T. W. Educa\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.<\/p>\n<p>______________. Textos escolhidos. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1999.<\/p>\n<p>ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dial\u00e9tica do Esclarecimento. Tradu\u00e7\u00e3o Guido Ant\u00f4nio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<\/p>\n<p>BRASIL. Par\u00e2metros Curriculares Nacionais. Linguagens, c\u00f3digos e suas tecnologias. Bras\u00edlia: MEC, 2000.<\/p>\n<p>FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa. 25. ed. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1996.<\/p>\n<p>_____________. Pedagogia do oprimido. 8. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980<\/p>\n<p>MARX, K. ENGELS, F. Manifesto comunista. Org. de Osvaldo Coggiola. 4a reimpress\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2005.<\/p>\n<p>____________________. Manuscritos econ\u00f4mico -filos\u00f3ficos. Trad. Jesus Raniere. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2004.<\/p>\n<p>M\u00c9SZ\u00c1ROS, I. Educa\u00e7\u00e3o para Al\u00e9m do Capital. 2\u00aa Ed. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008.<\/p>\n<p>* Thiago Oliveira \u00e9 professor de filosofia no Col\u00e9gio Progresso (Campinas) e recentemente aprovado em concurso para professor efetivo na Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24176\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60],"tags":[222,247],"class_list":["post-24176","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","tag-2b","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6hW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24176\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}