{"id":24230,"date":"2019-11-01T23:22:08","date_gmt":"2019-11-02T02:22:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24230"},"modified":"2019-11-06T04:19:39","modified_gmt":"2019-11-06T07:19:39","slug":"chile-mulheres-como-butim-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24230","title":{"rendered":"Chile: mulheres como butim de guerra"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/6D6TLhkdjLXW_tCm-px1aLjN95-Ex6pFFO3t8qw2SrYmvkEgu3c_HPLm9QIDvboNDZZOHvWQlcT4JW0U8OTo11MUNUXyZwWeWoFISPwA70gcVcniNqiI2jvZPwiGuRV2pCJEy9mTD1vd67hSPG3ZX4UUvOx07QWr2md7WUCjc8v7geUdgWsl-Y0L9qNZsa2nGfr0zZ_fb88YuthF8z-_45yE7CXdABAPCAPHHO4UnrTzwlMTHvPHwSs3BabCtCCqqkhOszlR_hGVBkHbYY0uNXBBlYRGXZPV0UGgqrTL-6iMxtd8XJ6DNrgOylyPEnuoYGKDVJ6RbGWWfYZruf3lklZM9-9f_m0iOSozHxycTCsc7gZZjmUWo0bCsw6Z92U3--UvTnB714h4qZEG1JMcZQULkxhNNqwB2D2r8lIm_XY1tHtMRGGeojm2vJV70Q22FOc4K6zDdM3inkq7lHCoMizGAgCONIV5X4zvs9ESuRWc2_m__6m3ApZVkoThscVzljpbO0m1tOSdEGrplCeP9PvxMHHw7MX6P1FjEOT9hbkn7kIPwqjltPSB-AF2Terz4luQ3lIjD4ER0CyKtECqiKmsACviglMpW9JzplRj0dJTJNQX3toGYSV6jB-i7IzhofFzd3_llWb4bMo-GETWtKHOM1Bd_LSpJiH-0chsU-aPN5dfJYaaQYA=w553-h332-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>A viol\u00eancia pol\u00edtica sexual<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Ap\u00f3s semanas de mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o Chile, foram denunciados centenas de casos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos por parte do Estado chileno e das for\u00e7as militares e policiais do pa\u00eds. Entre esses tipos de viola\u00e7\u00f5es, h\u00e1 a viol\u00eancia pol\u00edtica sexual praticada contra mulheres e dissid\u00eancias sexuais, com crimes como estupros e abuso sexual, humilha\u00e7\u00e3o, desnudamentos for\u00e7ados, apalpos e amea\u00e7as de estupros.<\/p>\n<p>\u201cMinha colega jornalista e eu nos obrigaram a ficar nuas e agachadas\u201d, diz Estefani Carrasco, jornalista de La Estrella em Arica, logo ap\u00f3s ser presa por Carabineros do Chile. Este \u00e9 um dos testemunhos de mulheres que denunciaram publicamente a viol\u00eancia sexual realizada por agentes do Estado. At\u00e9 agora, 18 s\u00e3o as queixas de viol\u00eancia sexual registradas pelo Instituto de Direitos Humanos (NHRI) no contexto das manifesta\u00e7\u00f5es sociais e da repress\u00e3o promovida pelas for\u00e7as militares e de seguran\u00e7a no Chile nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>Testemunhos como os de Estefani denunciam a viol\u00eancia pol\u00edtica sexual exercida nos corpos das mulheres e dissidentes sexuais nas \u00faltimas semanas. Compreende-se a viol\u00eancia pol\u00edtica sexual como uma viola\u00e7\u00e3o da integridade corporal e sexual, variando de abuso sexual e estupro a toque, desnudamento em deten\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o com base no sexo e \/ ou orienta\u00e7\u00e3o sexual da pessoa, amea\u00e7as de estupro, entre outras formas de viol\u00eancia praticadas por agentes do Estado e que n\u00e3o s\u00e3o tipificadas como um crime espec\u00edfico em nosso pa\u00eds. Segundo a integrante da Associa\u00e7\u00e3o de Advogadas Feministas do Chile (ABOFEM), Ver\u00f3nica del Pozo, as queixas que receberam em grupo s\u00e3o de um total de 35 v\u00edtimas, das quais quatro s\u00e3o homens e cinco pertencem \u00e0 comunidade LGTBIQ +. O restante refere-se a mulheres adultas e adolescentes.<\/p>\n<p>\u201d\u00c9 evidente que essa viol\u00eancia \u00e9 efetivamente exercida sobre as mulheres em termos majorit\u00e1rios. A raz\u00e3o tem a ver com o papel subordinado que as mulheres t\u00eam na sociedade e como os agentes estatais tamb\u00e9m fazem parte dessa cultura patriarcal que subordina as mulheres e as considera objetos sexuais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do prazer dos homens\u201d, afirmou a advogada Ver\u00f3nica del Pozo. Apesar dessas agress\u00f5es por viol\u00eancia sexual que foram relatadas em organiza\u00e7\u00f5es como a NHRI e a ABOFEM, no \u00faltimo s\u00e1bado, Isabel Pl\u00e1, Ministra da Mulher e Igualdade de G\u00eanero, disse que \u201cn\u00e3o recebemos queixas dessa natureza e, se houve alguma, nos marcos do que est\u00e1 acontecendo, cabe \u00e0s outras organiza\u00e7\u00f5es que assumam esses casos\u201d. Por seu lado, a AML Defesa das Mulheres, um estudo jur\u00eddico feminista, indica que Isabel Pl\u00e1 \u201cn\u00e3o est\u00e1 cumprindo seu papel de chefe do Minist\u00e9rio da Mulher e Igualdade de G\u00eanero. Est\u00e1 se colocando contr\u00e1ria as mulheres no Chile, movendo-se entre o sil\u00eancio c\u00famplice e palavras revitimadoras\u201d.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia sexual como arma de guerra<\/p>\n<p>Essa viola\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos direitos das mulheres n\u00e3o \u00e9 algo novo no Chile, muito menos no mundo. Desde a Antiguidade at\u00e9 o presente, a qualquer momento de crise e guerra, a viol\u00eancia e a tortura sexual de mulheres pela pol\u00edcia e \/ ou for\u00e7as militares se intensificam. No Chile, os casos mais vis\u00edveis de viol\u00eancia pol\u00edtica sexual \u2013 devido ao esfor\u00e7o de mulheres sobreviventes em denunciar esses mesmos eventos \u2013 ocorreram na ditadura de Augusto Pinochet, de 1973 a 1990. Das v\u00edtimas que concederam depoimentos na Comiss\u00e3o Nacional sobre Pris\u00e3o Pol\u00edtica e Tortura, quase todas as mulheres que foram torturadas, tamb\u00e9m foram agredidas sexualmente, enfrentando abortos, estupros e abuso sexual por torturadores e at\u00e9 por c\u00e3es treinados, introdu\u00e7\u00e3o de ratos vivos em seus \u00f3rg\u00e3os genitais, entre outros tipos de estupro e abuso. Na maioria desses casos, ainda h\u00e1 impunidade ou fracas condena\u00e7\u00f5es dos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201cPens\u00e1vamos que n\u00e3o voltar\u00edamos a viver essas situa\u00e7\u00f5es; pens\u00e1vamos que nossos filhos veriam nos livros de hist\u00f3ria e n\u00e3o mais na realidade\u201d, disse a integrante da Ordem dos Advogados, Paulina Vodanovic, quando questionada sobre den\u00fancias de tortura sexual no Chile. No entanto, para Beatriz Bataszew, sobrevivente de viol\u00eancia pol\u00edtica sexual na ditadura e integrante de Mem\u00f3rias de Rebeldes Feministas, esses abusos ocorridos durante o estado de emerg\u00eancia no Chile n\u00e3o s\u00e3o uma exce\u00e7\u00e3o, mas tornam esse problema vis\u00edvel, pois da ditadura \u00e0 democracia, esse tipo de agress\u00e3o a mulheres continua sendo praticado por agentes do Estado. \u201cA viol\u00eancia pol\u00edtica sexual continuou a ser exercida permanentemente sobre os corpos das mulheres e os dissidentes sexuais ap\u00f3s a ditadura. N\u00e3o \u00e9 que [os casos] estejam aumentando, \u00e9 prov\u00e1vel, mas o que sabemos \u00e9 que eles t\u00eam sido uma continuidade.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a maneira de punir e disciplinar as mulheres que lutam. Lembremos que, h\u00e1 tr\u00eas semanas, as mulheres hortaliceiras mapuche foram submetidas a viol\u00eancia pol\u00edtica sexual\u201d, assegurou. \u00c9 por isso que esse grupo de mulheres sobreviventes, alijadas da institucionalidade, decidiu criar uma campanha de acompanhamento feminista para todas aquelas mulheres que podem ser violadas nesse ou em outro contexto. \u201cCriamos um e-mail seguro para que qualquer companheira que queira ou n\u00e3o denunciar possa se relacionar conosco a partir do feminismo. Conseguimos ao menos uma possibilidade de interven\u00e7\u00e3o em crises feministas. Essa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque eu, como sobrevivente, sei o que o Estado fez com as companheiras que foram submetidos \u00e0 viol\u00eancia pol\u00edtica sexual\u201d.<\/p>\n<p>Mulheres desaparecidas<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das redes sociais, uma lista de 13 mulheres desaparecidas come\u00e7ou a viralizar ap\u00f3s as mobiliza\u00e7\u00f5es que abalaram o Chile a partir de 17 de outubro. Organiza\u00e7\u00f5es como Ni una menos Chile e Feministas Autoconvocadas denunciaram essas situa\u00e7\u00f5es. A ABOFEM declarou que algumas dessas mulheres foram encontradas, mas a lista n\u00e3o foi atualizada nas redes sociais. Apesar disso, n\u00e3o se descarta a exist\u00eancia de casos de pessoas que n\u00e3o foram encontradas. \u201cNo momento, n\u00e3o queremos falar sobre desaparecimentos, estamos colocando todas as informa\u00e7\u00f5es que temos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das autoridades pertinentes para investiga\u00e7\u00e3o. Se ouvimos falar de pessoas que n\u00e3o foram encontradas, estamos tentando investigar essas situa\u00e7\u00f5es, mas quem tem de fazer esse trabalho \u00e9 o Minist\u00e9rio P\u00fablico, porque possui poderes de investiga\u00e7\u00e3o para faz\u00ea-lo\u201d, afirmou Ver\u00f3nica del Pozo.<\/p>\n<p>*Fonte: Radio JGM<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"mRxv0YqEng\"><p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/11\/01\/chile-mujeres-como-botin-de-guerra-la-violencia-politica-sexual\/\">Chile. Mujeres como bot\u00edn de guerra: la violencia pol\u00edtica sexual<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#171;Chile. Mujeres como bot\u00edn de guerra: la violencia pol\u00edtica sexual&#187; &#8212; Resumen Latinoamericano\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/11\/01\/chile-mujeres-como-botin-de-guerra-la-violencia-politica-sexual\/embed\/#?secret=mRxv0YqEng\" data-secret=\"mRxv0YqEng\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24230\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[87],"tags":[228],"class_list":["post-24230","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c100-chile","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6iO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24230\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}