{"id":24232,"date":"2019-11-01T23:23:44","date_gmt":"2019-11-02T02:23:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24232"},"modified":"2019-11-01T23:23:44","modified_gmt":"2019-11-02T02:23:44","slug":"a-brutal-gestao-de-moro-para-os-presidios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24232","title":{"rendered":"A brutal gest\u00e3o de Moro para os pres\u00eddios"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/moro-bruno-cecim_00537122_0_.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Denunciada por viol\u00eancia abusiva, interven\u00e7\u00e3o em pres\u00eddios do Par\u00e1 estende-se por prazo indeterminado. Agora, For\u00e7a Tarefa ministra forma\u00e7\u00e3o para agentes penitenci\u00e1rios \u2014 na equipe, h\u00e1 at\u00e9 oficial afastado por violar Direitos Humanos<\/p>\n<p>OutrasM\u00eddias<\/p>\n<p>Por Lucas Silva e Luisa Cytrynowicz, da Pastoral Carcer\u00e1ria, para a Ponte Jornalismo<\/p>\n<p>\u201cA FTIP [For\u00e7a-Tarefa de Interven\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria] n\u00e3o est\u00e1 para tratar de um fato isolado, ela est\u00e1 aqui para exercer um papel determinante que \u00e9 introduzir uma nova cultura dentro do c\u00e1rcere\u201d, declarou Helder Barbalho, Governador do Par\u00e1.<\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo que tomou as manchetes do pa\u00eds h\u00e1 poucas semanas, escancarando a tortura como pr\u00e1tica da FTIP nas unidades prisionais do Par\u00e1, traz o questionamento urgente sobre os mecanismos de gest\u00e3o e disciplina em expans\u00e3o nos c\u00e1rceres pelo pa\u00eds. A Ponte divulgou resultados do relat\u00f3rio do Mecanismo Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate \u00e0 Tortura que detalhava a situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria do sistema no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Antes da cria\u00e7\u00e3o da FTIP, em 2017, pelo ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Alexandre de Moraes, a ocorr\u00eancia de \u201ccrises\u201d em uma unidade prisional poderia ensejar o envio da For\u00e7a Nacional, que atuava somente na parte externa dos pres\u00eddios. A estrutura\u00e7\u00e3o da For\u00e7a de Interven\u00e7\u00e3o autorizou que os governos estaduais \u2013 respons\u00e1veis pela gest\u00e3o dos pres\u00eddios \u2013 solicitassem, em \u201csitua\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias\u201d, apoio do governo federal para a realiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de guarda, vigil\u00e2ncia e cust\u00f3dia de presos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, diversas portarias do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica regulamentaram a forma de atua\u00e7\u00e3o da FTIP, bem como o envio das tropas para os estados do Rio Grande do Norte, Roraima, Cear\u00e1, Amazonas e Par\u00e1.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o constar na lista do site do Depen (Departamento Penitenci\u00e1ria Nacional), a estreia da FTIP se deu no Rio Grande do Norte, em janeiro de 2017, apenas um dia depois da publica\u00e7\u00e3o da Portaria que autorizou a sua forma\u00e7\u00e3o. A FTIP iniciou a interven\u00e7\u00e3o na Penitenci\u00e1ria de Alca\u00e7uz, local em que, dias antes, uma rebeli\u00e3o havia levado \u00e0 morte de ao menos 26 pessoas.<\/p>\n<p>A portaria de envio da For\u00e7a-Tarefa estabeleceu o prazo de 30 dias, mas os agentes foram mantidos no territ\u00f3rio potiguar at\u00e9 agosto de 2018, sendo necess\u00e1ria a edi\u00e7\u00e3o de onze portarias de prorroga\u00e7\u00e3o do prazo de atua\u00e7\u00e3o. A FTIP atuou, assim, por um per\u00edodo 18 vezes maior do que o inicialmente previsto.<\/p>\n<p>A primeira experi\u00eancia de opera\u00e7\u00e3o da FTIP explicitou, desde logo, que o \u201ccar\u00e1ter epis\u00f3dico\u201d e \u201cexcepcional\u201d cederia espa\u00e7o para uma atua\u00e7\u00e3o duradoura. N\u00e3o \u00e0 toa, pouco mais de 2 meses depois de deixar o Rio Grande do Norte, a FTIP foi objeto de nova portaria, que criou uma Coordenadoria Institucional, respons\u00e1vel por \u201cplanejamento, articula\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e a\u00e7\u00e3o\u201d, para a qual as secretarias estaduais de administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria poderiam \u201csubdelegar a gest\u00e3o das unidades prisionais\u201d alvo de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A nova regulamenta\u00e7\u00e3o muda radicalmente a proposta inicialmente prevista, ampliando as atribui\u00e7\u00f5es que seriam realizadas em apoio aos governos de Estado, para uma compet\u00eancia de substitui\u00e7\u00e3o do poder de gest\u00e3o do governo estadual \u201cpelo per\u00edodo que perdurar a a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Tr\u00eas semanas depois, em novembro de 2018, a For\u00e7a-Tarefa realizou sua primeira incurs\u00e3o na regi\u00e3o norte do pa\u00eds, sendo chamada a atuar na Penitenci\u00e1ria Agr\u00edcola de Monte Cristo (PAMC), Roraima. Prevista para durar 60 dias, a opera\u00e7\u00e3o foi objeto de tr\u00eas prorroga\u00e7\u00f5es desde ent\u00e3o. Passado quase um ano do in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, a FTIP permanece no local.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da interven\u00e7\u00e3o, foram seis meses at\u00e9 a retomada das visitas familiares. Quando equipe da Pastoral Carcer\u00e1ria Nacional esteve em Boa Vista, em junho deste ano, a presen\u00e7a na FTIP na Penitenci\u00e1ria Agr\u00edcola de Monte Cristo impediu a realiza\u00e7\u00e3o da visita religiosa na unidade. O isolamento dos pres\u00eddios sob interven\u00e7\u00e3o \u00e9 marca da atua\u00e7\u00e3o da For\u00e7a-Tarefa, que tende a restringir ou mesmo bloquear a entrada de fam\u00edlias e entidades religiosas.<\/p>\n<p>Em Boa Vista, em conversa com a m\u00e3e de um preso da PAMC que acabara de fazer a primeira visita do ano, depois de meses impedida de ter contato com seu filho, ela relatou que, entre doen\u00e7as, escassez de comida, dedos quebrados e humilha\u00e7\u00f5es que ele havia sofrido, ela n\u00e3o reconheceu o filho. Depois de meses, ele teve de convencer \u00e0 pr\u00f3pria m\u00e3e que naquele corpo abatido ele ainda resistia em viver.<\/p>\n<p>No dia 25 de janeiro de 2019, no caldo da crise no estado do Cear\u00e1, foram editadas tr\u00eas novas portarias pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e da Seguran\u00e7a P\u00fablica tratando da For\u00e7a Tarefa de Interven\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria. A primeira ampliou as possibilidades de forma\u00e7\u00e3o da For\u00e7a-Tarefa. Se a portaria inaugural, de 2017, previa a autoriza\u00e7\u00e3o para \u201csitua\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias de grave crise no sistema penitenci\u00e1rio\u201d, a nova determina\u00e7\u00e3o incluiu, dentre as op\u00e7\u00f5es, a forma\u00e7\u00e3o da For\u00e7a-Tarefa \u201cpara treinamento e sobreaviso\u201d, distanciando da ocorr\u00eancia de \u201ccrises\u201d ou \u201cdist\u00farbios epis\u00f3dicos\u201d para convocar sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ademais, a portaria ampliou as compet\u00eancias da FTIP, incluindo atividades de \u201cintelig\u00eancia de seguran\u00e7a p\u00fablica que tenham rela\u00e7\u00e3o com o sistema prisional\u201d. Em seguida, outra portaria mobiliza a FTIP para treinamento e sobreaviso por 180 dias. Nesse mesmo dia, por fim, uma terceira portaria determina o envio da For\u00e7a-Tarefa para o Cear\u00e1. A cria\u00e7\u00e3o oficial da FTIP na v\u00e9spera de seu envio ao Rio Grande do Norte e as altera\u00e7\u00f5es na sua estrutura logo antes das miss\u00f5es em Roraima e no Cear\u00e1 parecem indicar que o instrumento foi criado e flexibilizado sob medida para determinadas incurs\u00f5es j\u00e1 previstas.<\/p>\n<p>Como amplamente noticiado, o estado do Cear\u00e1 viveu uma onda de ataques nas ruas no in\u00edcio do ano, o que foi acompanhado por uma reformula\u00e7\u00e3o de sua pol\u00edtica prisional, levada a cabo por Luis Mauro Albuquerque, que, do seio da FTIP passou a Secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria do Rio Grande Norte em 2017 e, em 2019, assumiu a pasta no Cear\u00e1.<\/p>\n<p>A equipe da Pastoral Carcer\u00e1ria Nacional realizou visitas nas unidades cearenses em julho e agosto do ano corrente. Observaram uma uniformidade na gest\u00e3o das pris\u00f5es em diferentes partes do estado, marcada por intenso rigor da disciplina na cust\u00f3dia dos presos. Nessas unidades prisionais, reina um sil\u00eancio que atordoa. N\u00e3o \u00e9 permitido conversar ou rezar em voz alta e durante parte consider\u00e1vel do dia os presos s\u00e3o obrigados a ficar em posi\u00e7\u00e3o de \u201cprocedimento\u201d: agachados, enfileirados, com as pernas cruzadas e as m\u00e3os atr\u00e1s da cabe\u00e7a, que deve se manter baixa. Enquanto durar o \u201cprocedimento\u201d, n\u00e3o s\u00e3o permitidos movimentos, barulhos ou olhares para o lado, sob pena de castigo. H\u00e1 um olhar de terror por parte dos presos.<\/p>\n<p>Os c\u00e1rceres s\u00e3o marcados tamb\u00e9m por extrema superlota\u00e7\u00e3o, aus\u00eancia de colch\u00f5es, realiza\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancias em massa de presos sem decis\u00e3o judicial, falta de atividades de estudo, trabalho ou lazer, restri\u00e7\u00e3o ao banho de sol e uso indiscriminado de spray de pimenta. Foram diversos os presos que tiveram os dedos quebrados por agentes integrantes da FTIP \u2013 t\u00e9cnica de tortura abertamente defendida por Luis Mauro Albuquerque, ainda em 2017, em Natal.<\/p>\n<p>Ao passo que a For\u00e7a-Tarefa pode ser encarregada da gest\u00e3o das unidades prisionais por um per\u00edodo de tempo, a FTIP assume parte, tamb\u00e9m, no processo de forma\u00e7\u00e3o dos agentes penitenci\u00e1rios estaduais. O Depen noticiou ocasi\u00f5es em que agentes da For\u00e7a Tarefa realizaram treinamentos em conjunto com for\u00e7as de seguran\u00e7a estaduais, visando a uma padroniza\u00e7\u00e3o na atua\u00e7\u00e3o. No Par\u00e1, inclusive, o coordenador da FTIP, Maycon Rottava, que chegou a ser afastado por decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal por conta das den\u00fancias de tortura, ministrou a aula inaugural para 642 convocados do Curso de Forma\u00e7\u00e3o para agentes penitenci\u00e1rios.<\/p>\n<p>O treinamento garante que a pr\u00e1tica de atua\u00e7\u00e3o e disciplinamento dos presos t\u00edpica da FTIP se mantenha mesmo que o per\u00edodo oficial de atua\u00e7\u00e3o da for\u00e7a seja encerrado, pois j\u00e1 absorvido passa a ser reproduzido pelos agentes prisionais do Estado no cotidiano das unidades prisionais. O Cear\u00e1 \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o clara desta realiza\u00e7\u00e3o: a sa\u00edda das tropas da For\u00e7a de Interven\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio cearense n\u00e3o fez cessar esse modus operandi de atua\u00e7\u00e3o nos pres\u00eddios, detalhadamente descrito em relat\u00f3rio do Mecanismo Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate \u00e0 Tortura e em relatos de outras organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a FTIP foi convocada a atuar nos estados do Amazonas e Par\u00e1, em maio e julho de 2019, respectivamente, ap\u00f3s os massacres ocorridos nas cidades de Manaus e Altamira. Em Manaus, tamb\u00e9m, equipe da Pastoral Carcer\u00e1ria Nacional teve a autoriza\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o de visita vetada durante a interven\u00e7\u00e3o no Instituto Penal Ant\u00f4nio Trindade (IPAT).<\/p>\n<p>As narrativas trazidas por presos que receberam o alvar\u00e1 de soltura ainda na vig\u00eancia da interven\u00e7\u00e3o em Manaus foram grav\u00edssimas. Relatos apontaram que os presos foram for\u00e7ados a raspar o cabelo, que ficaram dias sem banho de sol, com falta de comida e aus\u00eancia de \u00e1gua, obrigados a ficar constantemente em posi\u00e7\u00e3o de procedimento, \u201cigual um feto no ch\u00e3o, acocorado, com as pernas encolhidas, a m\u00e3o no pesco\u00e7o e a cabe\u00e7a abaixada\u201d.<\/p>\n<p>Um integrante da Pastoral ingressou na unidade acompanhando comitiva da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Minorias da C\u00e2mara Federal (CDHM). O relat\u00f3rio produzido pelo grupo apontou que, mesmo em visita com os parlamentares, \u201ca Pastoral Carcer\u00e1ria foi impedida de conversar com os internos de forma reservada e com registro fotogr\u00e1fico \u2013 o que, somado ao fato de que a Defensoria P\u00fablica e o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o visitaram os presos reservadamente ap\u00f3s os massacres \u2013 agrava a suspeita de tortura. Em resposta ao questionamento da Pastoral Carcer\u00e1ria, a SEAP informou que a FTIP impossibilita esse tipo de fiscaliza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Quanto ao Par\u00e1, curioso notar que apesar da atua\u00e7\u00e3o da For\u00e7a-Tarefa ter sido legitimada por conta da ocorr\u00eancia do massacre, os agentes n\u00e3o foram enviados \u00e0 cidade de Altamira, onde o conflito foi deflagrado, e sim ao Complexo Santa Izabel, a centenas de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. E os relatos de tortura, que ensejaram a recomenda\u00e7\u00e3o de apura\u00e7\u00e3o de tortura por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal s\u00e3o de extrema gravidade.<\/p>\n<p>Na Centro de Reeduca\u00e7\u00e3o Feminino de Ananindeua, de acordo com documento elaborado pela OAB-PA (Ordem dos Advogados do Brasil \u2013 Par\u00e1) ap\u00f3s vistoria na unidade, os agentes da FTIP foram acusados de obrigar as mulheres a ficarem apenas com suas roupas \u00edntimas, algumas completamente nuas, atiraram bombas dentro das celas e spray de pimenta.<\/p>\n<p>Todas foram for\u00e7adas a ficar em posi\u00e7\u00e3o de \u201cprocedimento\u201d por horas, sendo que algumas foram colocadas sentadas em um formigueiro apenas de calcinha e suti\u00e3. Consta que foram sete dias sem fazer higiene pessoal, com a comida vindo azeda ou estragada e \u00e1gua para beber somente da torneira.Ainda houve relatos de presas que menstruavam nos uniformes, pois a FTIP n\u00e3o permitia a entrada de absorvente na unidade.<\/p>\n<p>A FTIP \u00e9 composta por agentes penitenci\u00e1rios federais, estaduais e do Distrito Federal, enviados pelos estados por conta de acordos firmados com a For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Nas palavras de Mauro Albuquerque, ao tratar do envio de agentes penitenci\u00e1rios cearenses \u00e0 for\u00e7a de atua\u00e7\u00e3o no Par\u00e1: \u201cEles v\u00e3o intervir, reestruturar o sistema, treinar os agentes de l\u00e1, implantar procedimentos e contribuir com os irm\u00e3os paraenses. Na nossa crise de janeiro tivemos ajuda de v\u00e1rios entes da federa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o nada mais justo agora do que mandar nossos agentes cearenses treinados e capacitados na nova doutrina para auxiliar nas reconstru\u00e7\u00f5es de outros sistemas\u201d.<\/p>\n<p>A forma de atua\u00e7\u00e3o da For\u00e7a-Tarefa de Interven\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria tende a se espalhar, exportando as condi\u00e7\u00f5es torturantes observadas nos pres\u00eddios do Cear\u00e1 e do Par\u00e1 para outros cantos do pa\u00eds. As transfer\u00eancias de presos sem determina\u00e7\u00e3o judicial, as restri\u00e7\u00f5es ao banho de sol \u2013 que em diversos locais n\u00e3o alcan\u00e7a nem as duas horas di\u00e1rias garantidas at\u00e9 no regime mais gravoso de cumprimento de pena -, a utiliza\u00e7\u00e3o rotineira de spray de pimenta e a pr\u00e1tica degradante do \u201cprocedimento\u201d impregnaram o dia a dia de pres\u00eddios em tantos outros estados.<\/p>\n<p>Diante deste cen\u00e1rio, a Pastoral Carcer\u00e1ria, a Associa\u00e7\u00e3o para a Preven\u00e7\u00e3o da Tortura (APT) o Mecanismo Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate \u00e0 Tortura, o Mecanismo Estadual de Preven\u00e7\u00e3o e Combate \u00e0 Tortura do Rio de Janeiro e outras organiza\u00e7\u00f5es alertaram, em audi\u00eancia frente a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, para a necessidade de extin\u00e7\u00e3o da For\u00e7a-Tarefa de Interven\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucas semanas, S\u00e9rgio Moro, ministro da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, externou o desejo de aprofundar a utiliza\u00e7\u00e3o da For\u00e7a de Interven\u00e7\u00e3o, empregando-a \u201cpara uma atua\u00e7\u00e3o at\u00e9 mais preventiva\u201d. Sob responsabilidade direta do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, mais do que uma for\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o, a FTIP se mostra cada vez mais como linha de frente de um novo modelo de gest\u00e3o dos pres\u00eddios brasileiros marcado de ponta a ponta por viola\u00e7\u00f5es \u00e0 integridade f\u00edsica e ps\u00edquica da popula\u00e7\u00e3o encarcerada.<\/p>\n<p>Outro lado<br \/>\nA Ponte procurou o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica para comentar os itens criticados pela Pastoral Carcer\u00e1ria e, em nota, a pasta reiterou o discurso oficial de que a FTIP \u2013 que \u00e9 chamada de for\u00e7a de coopera\u00e7\u00e3o \u2013 tem car\u00e1ter epis\u00f3dico, planejado para exercer coordena\u00e7\u00e3o de atividades de guarda, vigil\u00e2ncia, cust\u00f3dia de presos, com \u201cobjetivo principal de humanizar a pena, garantindo o cumprimento da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, bem como atuar na redu\u00e7\u00e3o brusca da criminalidade extramuros\u201d.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia da nota, o \u00f3rg\u00e3o cita exemplos da atua\u00e7\u00e3o da FTIP. \u201cNo Par\u00e1, ap\u00f3s 90 dias de atua\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da garantia da seguran\u00e7a para mais de 53 mil atendimentos de sa\u00fade, 17 mil atendimentos jur\u00eddicos, aplica\u00e7\u00e3o de provas do Exame Nacional para Certifica\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancias de Jovens e Adultos (Encceja), cursos profissionalizantes, houve redu\u00e7\u00e3o de 54,86% e 66,31% dos \u00edndices da criminalidade nos meses de agosto e setembro, respectivamente. Houve tamb\u00e9m impacto nos \u00edndices de agentes p\u00fablicos assassinados. Nenhum homic\u00eddio de policial foi registrado de agosto at\u00e9 hoje, em Bel\u00e9m e regi\u00e3o Metropolitana, segundo a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Segup)\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica informa que, \u201cnos casos que haja suspeitas de poss\u00edveis irregularidades na atua\u00e7\u00e3o da FTIP, s\u00e3o instauradas sindic\u00e2ncias a fim de apurar as supostas den\u00fancias. Caso sejam comprovados eventuais desvios de conduta, os agentes ser\u00e3o devidamente afastados de suas fun\u00e7\u00f5es e responder\u00e3o na forma da lei\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24232\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[244],"tags":[223],"class_list":["post-24232","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-violencia","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6iQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24232\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}