{"id":24238,"date":"2019-11-04T22:50:20","date_gmt":"2019-11-05T01:50:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24238"},"modified":"2019-11-04T22:50:20","modified_gmt":"2019-11-05T01:50:20","slug":"o-despertar-dos-povos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24238","title":{"rendered":"O despertar dos povos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrilabril.pt\/sites\/default\/files\/styles\/node_aberto_vp768\/public\/assets\/img\/10776.jpg?itok=omSwUvBf\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Depois de aprovada no Senado a conquista hist\u00f3rica da redu\u00e7\u00e3o da semana de trabalho para 40 horas, os trabalhadores e o povo chileno n\u00e3o desarmam e continuam na rua exigindo direitos e o fim o afastamento da c\u00fapula ultraliberal. 25 de Outubro de 2019, Santiago, ChileCr\u00e9ditos<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>Parece ineg\u00e1vel que em pontos muito diferentes do globo h\u00e1 povos que despertam contra a ditadura econ\u00f4mica globalizante do neoliberalismo e as suas tr\u00e1gicas consequ\u00eancias sociais.<\/p>\n<p>A paz podre do neoliberalismo globalizante e o conformismo social que lhe corresponde est\u00e3o sendo sacudidos atrav\u00e9s do mundo. Nas urnas e nas ruas \u2013 as duas frentes s\u00e3o espa\u00e7os leg\u00edtimos e complementares da luta pol\u00edtica \u2013 os povos d\u00e3o sinais de que a sonol\u00eancia hipn\u00f3tica induzida pelo entertainment midi\u00e1tico em que se transformou tudo o que tem a ver com a vida das pessoas \u00e9 uma arma que tamb\u00e9m se desgasta, desmascara e vai perdendo efic\u00e1cia. Uma fagulha representada por um aumento de pre\u00e7os, um corte de subs\u00eddios sociais, o lan\u00e7amento de mais um imposto tornaram-se agora suscept\u00edveis de provocar grandes e vibrantes explos\u00f5es sociais. A arbitrariedade e a impunidade do sistema dominante come\u00e7am a encontrar barreiras humanas.<\/p>\n<p>Multiplicam-se os focos de contesta\u00e7\u00e3o popular em zonas diversificadas do mundo. Mas ser\u00e1 um erro avali\u00e1-los segundo uma bitola \u00fanica, al\u00e9m de ser profundamente desaconselh\u00e1vel deixar-nos conduzir pelos conte\u00fados e sistematiza\u00e7\u00f5es que brotam da comunica\u00e7\u00e3o social dominante. Esta recorre a m\u00e9todos padronizados com alguns objetivos principais: diluir a import\u00e2ncia e a legitimidade de a\u00e7\u00f5es c\u00edvicas atrav\u00e9s do crescimento dos fen\u00f4menos de viol\u00eancia e que, em \u00faltima an\u00e1lise, funcionam em benef\u00edcio do opressor; misturar raz\u00f5es e motivos para confundir e esconder, deste modo, a mensagem essencial enviada pelos comportamentos de massas; associar situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o liminarmente antag\u00f4nicas; ou ent\u00e3o evitar ligar circunst\u00e2ncias e consequ\u00eancias que, sendo diferentes, t\u00eam, obviamente, objetivos convergentes. Por exemplo, tratar as manifesta\u00e7\u00f5es no Chile contra o neoliberalismo como irm\u00e3s g\u00eameas dos desacatos na Bol\u00edvia a favor do neoliberalismo \u00e9 t\u00e3o perverso do ponto de vista informativo como esconder que os movimentos populares chilenos t\u00eam exatamente a mesma motiva\u00e7\u00e3o que os resultados das elei\u00e7\u00f5es na Argentina dando guia de marcha a Macri, o homem do FMI.<\/p>\n<p>A \u00fanica maneira de compreender o que est\u00e1 se passando do ponto de vista global atrav\u00e9s das grandes movimenta\u00e7\u00f5es populares em curso \u00e9 partir da observa\u00e7\u00e3o isolada de cada caso para chegar ao que t\u00eam em comum \u2013 como indicadores de uma tend\u00eancia.<\/p>\n<p>Do Chile \u00e0 Catalunha<br \/>\nEmbora em diferentes fases de matura\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel comparar, sem misturar alhos com bugalhos como capricha em fazer a informa\u00e7\u00e3o mainstream, v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es em diferentes continentes: Chile, Bol\u00edvia (e Venezuela), L\u00edbano, Catalunha, Argentina, Equador, Hong Kong, Honduras, Iraque, Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 se passando no Chile tem caracter\u00edsticas objetivas e simb\u00f3licas important\u00edssimas, das quais ressalta-se uma rejei\u00e7\u00e3o absoluta da ditadura econ\u00f4mica neoliberal. O Chile \u00e9 o pa\u00eds onde foi aplicada pela primeira vez, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o 46 anos, a ortodoxia econ\u00f4mica neoliberal, a cargo dos agentes da sua escola te\u00f3rica em Chicago, sob cobertura da ditadura pol\u00edtica fascista do general Augusto Pinochet.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o demonstrou que o neoliberalismo \u00e9, de fato, o fascismo econ\u00f4mico; desenvolvimentos posteriores revelaram \u2013 como ali\u00e1s constatou a senhora Thatcher, inspiradora do \u00abnovo\u00bb partido parlamentar Iniciativa Liberal \u2013 que pode ser compat\u00edvel com formas muito controladas e manipuladas de democracia pol\u00edtica, desde que sustentadas pela transforma\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social dominante num aparelho feroz de propaganda. O que se mant\u00e9m, em qualquer das situa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o os mecanismos de ditadura econ\u00f4mica atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o da ortodoxia do \u00absistema de mercado\u00bb.<\/p>\n<p>No Chile n\u00e3o houve uma transi\u00e7\u00e3o para a democracia com a sa\u00edda de Pinochet, mas sim o prolongamento do pinochetismo travestido de democracia, regime em que se comprometeu \u2013 traindo inexoravelmente a mem\u00f3ria do sacrificado Salvador Allende \u2013 o Partido Socialista do Chile, atrav\u00e9s da ex-presidente Michelle Bachelet.<\/p>\n<p>\u00c9 contra essa eterniza\u00e7\u00e3o da escravatura neoliberal que se levantam agora as massas chilenas, enquanto a propaganda disfar\u00e7ada de informa\u00e7\u00e3o prefere destacar os comportamentos violentos para esconder, por exemplo, a gigantesca manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de um milh\u00e3o e 200 mil pessoas em Santiago no dia 25 de outubro, que s\u00f3 tem paralelo com as da Unidade Popular nos anos setenta do s\u00e9culo passado. O aumento dos pre\u00e7os das passagens de metr\u00f4 foi o detonador, a gota d&#8217;\u00e1gua que p\u00f4s fim \u00e0 paci\u00eancia dos chilenos, que os ricos mais ricos de um dos pa\u00edses mais desiguais do mundo julgavam eterna.<\/p>\n<p>Na Catalunha n\u00e3o \u00e9 o neoliberalismo que est\u00e1 diretamente em causa. Mas a incapacidade para se dar conta da exist\u00eancia de um movimento de milh\u00f5es de pessoas pela autodetermina\u00e7\u00e3o catal\u00e3 \u00e9 comportamento pr\u00f3prio de um Estado centralista e avesso ao di\u00e1logo \u2013 como s\u00e3o as estruturas de poder neoliberais.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a prop\u00f3sito da Catalunha, a regi\u00e3o mais rica de Espanha, existem raz\u00f5es econ\u00f4micas escondidas em invoca\u00e7\u00f5es \u00abconstitucionalistas\u00bb baratas e em \u00abunidades nacionais\u00bb de \u00edndole feudal. Um Estado verdadeiramente democr\u00e1tico n\u00e3o teria dificuldades em dar a palavra aos catal\u00e3es \u2013 e a outros povos de Espanha \u2013 para decidirem sobre o seu futuro. Mas o Estado que emana de Madri o seu neofranquismo latente, agora como sustent\u00e1culo da ortodoxia neoliberal, n\u00e3o \u00e9 capaz de viver com isso. No entanto, tal como no Chile, h\u00e1 novas realidades que tornam imposs\u00edvel que tudo continue como at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s do autoritarismo do Estado espanhol est\u00e1 a Uni\u00e3o Europeia, esse pante\u00e3o neoliberal que se recusa a conhecer o que pretendem os catal\u00e3es, mas foi l\u00e9pido em acolher entidades secessionistas como a Est\u00f4nia, Let\u00f4nia, Litu\u00e2nia, Eslov\u00e1quia, Cro\u00e1cia, Eslov\u00eania; e que inventou outras por sua conta, risco, fraudes e guerras, como o Kosovo e a Maced\u00f4nia do Norte.<\/p>\n<p>Do Equador a Hong Kong<br \/>\nQuem seguir os acontecimentos no Equador e em Hong Kong comodamente instalado em frente do televisor, ainda que v\u00e1 manejando o controle remoto para ir variando de espa\u00e7os noticiosos, fica sabendo que os energ\u00famenos latino-americanos s\u00e3o incapazes de aceitar um corte de subs\u00eddios de combust\u00edvel recomendado pelo FMI e que o corajoso povo asi\u00e1tico enfrenta destemidamente os sinistros ocupantes chineses.<\/p>\n<p>S\u00e3o bons exemplos de como funciona a propaganda neoliberal.<\/p>\n<p>No Equador, as popula\u00e7\u00f5es levantam-se contra o ressurgimento neoliberal proporcionado pela trai\u00e7\u00e3o de Lenin Moreno \u00e0 pol\u00edtica de uma d\u00e9cada de avan\u00e7os sociais e soberanos conduzida por Rafael Corr\u00eaa, de quem foi vice-presidente. Os equatorianos recusam-se, deste modo, a regressar a um passado de submiss\u00e3o ainda recente.<\/p>\n<p>Em Hong Kong, os \u00abninjas\u00bb teleguiados de Washington e recorrendo a uma estrat\u00e9gia generalizada de intimida\u00e7\u00e3o atuam para que se mantenha o colonialismo ocidental, que fez do territ\u00f3rio um basti\u00e3o do capitalismo na sua vers\u00e3o neoliberal mais ortodoxa.<\/p>\n<p>Uma vez que o regresso do territ\u00f3rio \u00e0 soberania chinesa \u00e9 interpretado como uma tentativa de perturbar a ortodoxia colonialista reinante torna-se f\u00e1cil entender o que est\u00e1 acontecendo, sobretudo enquadrando a situa\u00e7\u00e3o na fase de ataque cerrado contra os avan\u00e7os econ\u00f4micos e comerciais chineses conduzido pela administra\u00e7\u00e3o Trump. Em Hong Kong, o ativismo a soldo de Washington e Londres nada tem a ver com uma popula\u00e7\u00e3o que, quando chamada a pronunciar-se sobre a administra\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, vota em massa nas organiza\u00e7\u00f5es sintonizadas com a soberania chinesa.<\/p>\n<p>Nas urnas como nas ruas<br \/>\nNa Argentina e na Bol\u00edvia os cidad\u00e3os disseram nas urnas o mesmo que os chilenos, equatorianos, hondurenhos e libaneses expressam nas ruas: a rejei\u00e7\u00e3o do neoliberalismo.<\/p>\n<p>A realidade \u00e9 mais complexa, naturalmente, mas essa \u00e9 a mensagem essencial.<\/p>\n<p>\u00abcome\u00e7a a desenhar-se uma tend\u00eancia popular para abandonar o conformismo e enfrentar Estados tornados autorit\u00e1rios para poderem impor as solu\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u00fanicas, as toleradas pelo \u00abmercado\u00bb.<br \/>\nEssas a\u00e7\u00f5es populares n\u00e3o se confundem, a n\u00e3o ser no \u00e2mbito da estrat\u00e9gia manipuladora da pr\u00f3pria propaganda neoliberal, com arrua\u00e7as, tumultos e comportamentos terroristas como os que acontecem na Bol\u00edvia, na Venezuela, Hong Kong e Nicar\u00e1gua, por exemplo\u00bb<\/p>\n<p>Os argentinos n\u00e3o deixaram margem para d\u00favidas: aproveitaram a primeira oportunidade eleitoral que lhes surgiu e puseram fim ao terrorismo neoliberal implantado pela ditadura de Mauricio Macri, a servi\u00e7o do FMI, que em quatro anos arrasou a economia do pa\u00eds ampliando fen\u00f4menos como a pobreza, a submiss\u00e3o, a desigualdade, a delinqu\u00eancia.<\/p>\n<p>A afinidade entre chilenos e argentinos \u00e9 total; o mesmo acontece com os equatorianos e os hondurenhos. Estes enfrentam corajosamente um regime terrorista nascido de um golpe patrocinado por Barack Obama e Hillary Clinton e sustentado por sucessivas elei\u00e7\u00f5es fraudulentas as quais, n\u00e3o obstante, t\u00eam recebido a chancela de legitimidade democr\u00e1tica outorgada por delega\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, o triunfo de Evo Morales e a nova rejei\u00e7\u00e3o do neoliberalismo foram dif\u00edceis num ambiente de manipula\u00e7\u00e3o norte-americana \u2013 a embaixada em La Paz foi apanhada comprando votos, principalmente em Santa Cruz, tal como j\u00e1 o fizera com deputados da Maced\u00f4nia do Norte \u2013 que continua ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O candidato oficial do neoliberalismo, o antigo presidente Carlos Mesa, deu o tiro de partida para a contesta\u00e7\u00e3o levantando a acusa\u00e7\u00e3o de \u00abfraude\u00bb quando a contagem de votos estava no in\u00edcio. Dessa suposta fraude nenhuma prova apresentou, porque n\u00e3o houve. Mas as consequentes arrua\u00e7as servem para a propaganda midi\u00e1tica disseminar o mote como uma verdade absoluta, sancionada por \u00aborganiza\u00e7\u00f5es internacionais\u00bb, as que se consideram portadoras dos mecanismos de avalia\u00e7\u00e3o de legitimidades.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber a inten\u00e7\u00e3o manipuladora da comunica\u00e7\u00e3o social dominante quando associa os protestos na Bol\u00edvia aos do Chile. No fundo \u00e9 o mesmo estilo de propaganda que transforma em grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares pela democracia as arrua\u00e7as terroristas do usurpador Juan Guaid\u00f3 na Venezuela.<\/p>\n<p>Desperta tamb\u00e9m o povo do L\u00edbano. Nova sobrecarga de impostos num pa\u00eds avassalado por uma crise econ\u00f4mica e afogado em corrup\u00e7\u00e3o e privil\u00e9gios dos titulares e ex-titulares do poder foi a gota que fez transbordar a paci\u00eancia. \u00c9 um protesto massivo contra um sistema pol\u00edtico que pode ser assimilado a outros como os do Chile, Equador e Honduras, mas que que combina a ortodoxia neoliberal com um confessionalismo herdado do dom\u00ednio colonial \u2013 sempre presente. Por isso, as reivindica\u00e7\u00f5es populares v\u00e3o al\u00e9m da convoca\u00e7\u00e3o de novas elei\u00e7\u00f5es gerais; exigem uma lei eleitoral que deixe de estar subordinada a quotas de eleitos distribu\u00eddas pelas comunidades \u00e9tnico-religiosas e estabele\u00e7a um sufr\u00e1gio universal direto e proporcional. \u00c9 a\u00ed que se fixa o n\u00f3 do problema, porque nenhum dos protetores coloniais do L\u00edbano, da Fran\u00e7a aos Estados Unidos, passando por Israel e Ar\u00e1bia Saudita, est\u00e1 disposto a aceitar uma transpar\u00eancia democr\u00e1tica que possa traduzir-se, por exemplo, numa vit\u00f3ria do Hezbollah, como chega a ser vaticinada ainda que a comunidade xiita n\u00e3o seja maiorit\u00e1ria no pa\u00eds. As manifesta\u00e7\u00f5es de massas fizeram j\u00e1 cair o presidente, mas a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es segundo a metodologia em vigor produzir\u00e1 um pouco de mais do mesmo. E, para j\u00e1, de uma maneira perversa, a Ar\u00e1bia Saudita marcou pontos, porque estava interessada na queda do atual chefe de Estado.<\/p>\n<p>Os tumultos no Iraque t\u00eam motiva\u00e7\u00f5es bastante mais amb\u00edguas e enviesadas. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil arrastar as massas para as ruas numa situa\u00e7\u00e3o de crise econ\u00f4mica grave decorrente da invas\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o e desmantelamento do pa\u00eds pelas tropas norte-americanas, a que se seguiram guerras ainda por resolver. Por\u00e9m, a concretiza\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias do setor mais radical e contundente dos manifestantes, a demiss\u00e3o do primeiro-ministro, seria um favor \u00e0s pretens\u00f5es atuais dos Estados Unidos, que veem no atual governo um advers\u00e1rio aos seus objetivos de isolamento e fragiliza\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Povos em a\u00e7\u00e3o<br \/>\nParece ineg\u00e1vel que em pontos muito diferentes do globo h\u00e1 povos que despertam contra a ditadura econ\u00f4mica globalizante do neoliberalismo e as suas tr\u00e1gicas consequ\u00eancias sociais. Independente de quest\u00f5es espec\u00edficas de cada caso, come\u00e7a a desenhar-se uma tend\u00eancia popular para abandonar o conformismo e enfrentar Estados tornados autorit\u00e1rios para poderem impor as solu\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u00fanicas, as toleradas pelo \u00abmercado\u00bb.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es populares n\u00e3o se confundem, a n\u00e3o ser no \u00e2mbito da estrat\u00e9gia manipuladora da pr\u00f3pria propaganda neoliberal, com arrua\u00e7as, tumultos e comportamentos terroristas como os que acontecem na Bol\u00edvia, na Venezuela, Hong Kong e Nicar\u00e1gua, por exemplo, onde se colocam barreiras aos mecanismos predadores do \u00abmercado\u00bb.<\/p>\n<p>O despertar dos povos, nas urnas ou nas ruas, vem p\u00f4r em causa os pilares em que assenta a democracia corrompida que serve de cobertura \u00e0 ditadura do \u00abmercado\u00bb. Quer isto dizer que os povos n\u00e3o s\u00f3 querem ter voz como come\u00e7am a exigir que esta seja ouvida e respeitada.<\/p>\n<p>O que nos dizem estes levantamentos? Que ficar \u00e0 espera de um neoliberalismo democr\u00e1tico \u00e9 o mesmo que aceitar passivamente a canga da submiss\u00e3o perante a selvageria capitalista. Realidade que \u00e9 v\u00e1lida tanto no exterior como no interior da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24238\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[226],"class_list":["post-24238","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6iW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24238"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24238\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}