{"id":24240,"date":"2019-11-04T22:58:59","date_gmt":"2019-11-05T01:58:59","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24240"},"modified":"2019-11-04T22:58:59","modified_gmt":"2019-11-05T01:58:59","slug":"trabalho-escravo-na-producao-de-cafe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24240","title":{"rendered":"Trabalho escravo na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ponoticias.com.br\/po\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/fiscalizacao-resgata-59-trabalhadores-em-campos-altos-e-santa-rosa-da-serra-por-trabalho-escravo_49201985560.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Conectas e ADERE-MG denunciaram o sabor amargo do caf\u00e9 brasileiro, com base em relatos de trabalho an\u00e1logo ao escravo Cr\u00e9ditos \/ Conectas<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 respons\u00e1vel por 1\/3 da produ\u00e7\u00e3o global de caf\u00e9, mas nem tudo \u00e9 \u00abaroma, sabor, intensidade e prazer\u00bb. H\u00e1 viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, que incluem formas contempor\u00e2neas de escravid\u00e3o, denuncia a Conectas.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es Sul e Sudoeste de Minas Gerais respondem pela metade da produ\u00e7\u00e3o brasileira, fazendo deste estado o maior produtor nacional do gr\u00e3o. No entanto, uma \u00abparte dessa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita \u00e0s custas de viola\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, que incluem formas contempor\u00e2neas de escravid\u00e3o [\u2026], identificadas em 17 fazendas que passaram por fiscaliza\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos quatro anos\u00bb, alertava a Conectas Direitos Humanos em 2018.<\/p>\n<p>Com base nos relatos de 37 trabalhadores resgatados, corroboradas por autos de infra\u00e7\u00e3o e relat\u00f3rios de inspe\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio brasileiro do Trabalho, a 21 de agosto do ano passado, a Conectas e a Articula\u00e7\u00e3o dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (ADERE-MG) apresentaram uma den\u00fancia junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<p>Numa reportagem publicada no portal Brasil de Fato, Marques Casares, especialista em comunica\u00e7\u00e3o e semi\u00f3tica e diretor da ag\u00eancia Papel Social, centrada na investiga\u00e7\u00e3o em cadeias produtivas, lembra que \u00abseis multinacionais foram denunciadas por financiar trabalho escravo em fazendas de caf\u00e9 no Brasil\u00bb: Nestl\u00e9, Jacobs Douwe Egberts, McDonald\u2019s, Dunkin\u2019 Donuts, Starbucks e Illy.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de \u00abaroma, sabor, intensidade e prazer\u00bb, a bebida \u00abtem tamb\u00e9m algo que voc\u00ea paga, mas n\u00e3o gostaria de consumir: trabalho escravo, viol\u00eancia, descaso com seres humanos\u00bb, critica.<\/p>\n<p>Mais de um ano decorrido ap\u00f3s a den\u00fancia, Casares conversou com um dos coordenadores da ADERE-MG, Jorge Ferreira dos Santos, tendo-lhe perguntado o que mudou desde ent\u00e3o, \u00abo que as empresas fizeram para evitar que o trabalho escravo continuasse contaminando os seus neg\u00f3cios\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abA situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 pior a cada dia. As empresas n\u00e3o fizeram nada\u00bb, denunciou Ferreira dos Santos, que apontou, inclusive, uma degrada\u00e7\u00e3o, sobretudo no que respeita \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de governo. \u00abSem fiscaliza\u00e7\u00e3o, nada vai mudar\u00bb, alertou.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio e outras hipocrisias do setor<br \/>\nO autor defende que as empresas precisam dar uma resposta, mas lembra que as multinacionais \u00abt\u00eam por h\u00e1bito fazer de conta que n\u00e3o \u00e9 com elas quando o assunto \u00e9 viola\u00e7\u00e3o de direitos\u00bb. N\u00e3o deixa de se surpreender, al\u00e9m disso, com \u00aba hipocrisia de organiza\u00e7\u00f5es que deveriam enfrentar o problema e ajudar a denunciar, mas que fazem cara de paisagem, em troca do cheque que chega todos os meses, a t\u00edtulo de &#8220;apoio&#8221; para enfrentar o trabalho escravo e outras viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos\u00bb.<\/p>\n<p>Marques Casares alerta ainda para o fato de \u00abas empresas que mais violam os direitos humanos s[erem] as que mais injetam dinheiro em organiza\u00e7\u00f5es que poderiam denunci\u00e1-las\u00bb. No setor do caf\u00e9, a \u00faltima jogada de marketing chama-se Pacto Setorial para a Sustentabilidade Social do Caf\u00e9.<\/p>\n<p>O nome \u00e9 \u00abbel\u00edssimo\u00bb, mas \u00abem nada avan\u00e7a para conter as viola\u00e7\u00f5es na cadeia produtiva do caf\u00e9\u00bb, que que afetam principalmente as mulheres trabalhadoras, que envelhecem e morrem nas lavouras, sem nenhum tipo de garantia social\u00bb, afirma.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de exemplo, refere que a ADERE-MG, que fez a maior parte das den\u00fancias de trabalho escravo no caf\u00e9, nem sequer foi convidada para participar do pacto referido. \u00abEsse pacto foi criado para nos calar, para calar a voz dos trabalhadores do caf\u00e9. \u00c9 uma jogada de marketing para favorecer as empresas. Nunca fomos chamados para o debate. \u00c9 um pacto &#8220;para ingl\u00eas ver&#8221;, puro marketing\u00bb, diz Jorge Ferreira dos Santos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24240\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[225],"class_list":["post-24240","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6iY","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24240","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24240"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24240\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}