{"id":24319,"date":"2019-11-13T11:18:18","date_gmt":"2019-11-13T14:18:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24319"},"modified":"2019-11-13T11:18:18","modified_gmt":"2019-11-13T14:18:18","slug":"sobre-a-bolivia-e-o-que-nos-resta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24319","title":{"rendered":"Sobre a Bol\u00edvia e o que nos resta"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cdn.cnn.com\/cnnnext\/dam\/assets\/191028172024-bolivia-bloqueos-evo-morales-paz-elecciones-voto-perspectivas-mexico-cnnee-00005509-large-169.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Renato Prata Biar &#8211; Historiador e Cineasta<\/p>\n<p>O Golpe na Bol\u00edvia n\u00e3o \u00e9 fundamentalista neopentecostal, embora os evang\u00e9licos tenham atuado e apoiado o Golpe. Assim como a Igreja Cat\u00f3lica apoiou e atuou nos golpes das d\u00e9cadas de 60 e 70 na Am\u00e9rica Latina, e, nem por isso, chamamos esses golpes de fundamentalistas cat\u00f3licos. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um golpe racista, embora tenha, sim, um conte\u00fado racista pelo fato de o Presidente Evo Morales ser \u00edndio e representar a enorme popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da Bol\u00edvia. Mas se o Evo fosse um entreguista e capacho dos interesses estadunidenses, o golpe n\u00e3o se daria. \u00c9 importante mapear os operadores dos golpes, mas n\u00e3o podemos nos enganar sobre quem realmente planeja tais a\u00e7\u00f5es, p\u00f5e em pr\u00e1tica e realmente ganha com tudo isso. E, nesse ponto, as pautas identit\u00e1rias s\u00e3o muitas vezes utilizadas pela pr\u00f3pria classe dominante para confundir e obscurecer os verdadeiros motivos. \u00c9 urgente que resgatemos a centralidade da luta de classes.<\/p>\n<p>O Golpe \u00e9 Imperialista. Com interesses capitalistas claros e inequ\u00edvocos. Isso \u00e9 o que move essas a\u00e7\u00f5es. A Bol\u00edvia possui, segundo estudos, a maior reserva de l\u00edtio do planeta. Especula-se que metade do l\u00edtio mundial encontra-se na Bol\u00edvia. Alguns especialistas j\u00e1 chamam a Bol\u00edvia de a Ar\u00e1bia Saudita do l\u00edtio.<\/p>\n<p>Diante de tamanho potencial, Evo Morales n\u00e3o queria que o pa\u00eds fosse apenas um mero exportador dessa mat\u00e9ria-prima. Para ele a Bol\u00edvia deveria centralizar toda uma cadeia de atividades de valor agregado envolvendo o metal. Isso incluiria, por exemplo, a constru\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de baterias e de carros no pa\u00eds, com a esperan\u00e7a de gerar empregos, desenvolvimento tecnol\u00f3gico e riqueza para a popula\u00e7\u00e3o boliviana.<\/p>\n<p>Atualmente, empresas como a alem\u00e3 K-UTEC Ag Salt Technologies e a chinesa China&#8217;s Linyi Dake Trade extraem l\u00edtio na Bol\u00edvia. Em setembro de 2016, o pa\u00eds tamb\u00e9m enviou 15 toneladas de carbonato de l\u00edtio para a China. Foi a primeira exporta\u00e7\u00e3o do metal boliviano. E, \u00e9 important\u00edssimo frisar isso, a China j\u00e1 estava acenando com a inten\u00e7\u00e3o de ajudar a Bol\u00edvia a possuir tais instala\u00e7\u00f5es, que a possibilitariam deixar de ser meros exportadores de commodities.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os avan\u00e7os do governo de Evo Morales do ponto de vista social desde que que ele assumiu a presid\u00eancia. O \u00edndice de miser\u00e1veis na Bol\u00edvia caiu de 63% da popula\u00e7\u00e3o para 35%. Ele tamb\u00e9m conseguiu manter uma taxa de crescimento econ\u00f4mico no pa\u00eds em torno dos 5% ao ano. Mas, mesmo com esses \u00edndices, Evo Morales mantinha um governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes, com v\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas que beneficiavam a elite financeira do pa\u00eds e n\u00e3o tencionavam para o enfrentamento ao grande capital. Por que estou frisando isso? Porque o Golpe na Bol\u00edvia parece encerrar esse longo ciclo na Am\u00e9rica Latina de pol\u00edticas de concilia\u00e7\u00e3o de classes. Acabou a ilus\u00e3o de um governo em que todos podem ganhar: trabalhadores e empres\u00e1rios. E o fim dessa pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo determinada n\u00e3o pela esquerda, mas pela pr\u00f3pria direita, que vem orquestrando golpes, interven\u00e7\u00f5es, assassinatos, pris\u00f5es ilegais, etc. contra governos de esquerda ou progressistas por toda a Am\u00e9rica Latina. O crescente desemprego, a baixa no pre\u00e7o da m\u00e3o de obra (redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios), a retirada de direitos individuais e coletivos e a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o a regra nesse projeto neoliberal. Fecharam as portas para a concilia\u00e7\u00e3o e abriram as portas para o fechamento dos regimes sob a batuta do Judici\u00e1rio e das For\u00e7as Armadas. Golpes jur\u00eddicos\/parlamentares, no estilo Lavajatista, que tiveram seu laborat\u00f3rio em 2009, em Honduras, contra o governo de Manuel Zelaya. Depois vieram o Paraguai de Fernando Lugo, a Argentina de C. Kirchner, Lula e Dilma no Brasil e agora a Bol\u00edvia de Evo.<\/p>\n<p>Que isso sirva de li\u00e7\u00e3o para quem ainda alimenta esperan\u00e7as, aqui no Brasil, de uma volta do Lula como solu\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora. Lula foi ainda menos radical do que Evo Morales e, mesmo assim, acabou preso e sofre amea\u00e7as e persegui\u00e7\u00f5es at\u00e9 hoje. A pol\u00edtica institucional est\u00e1 falida e perdeu a capacidade de sequer melhorar nossas vidas. Estamos num momento de radicalizar nossos programas, projetos e a\u00e7\u00f5es. Estamos sob uma conjuntura em que apenas uma estrat\u00e9gia socialista pela via revolucion\u00e1ria ser\u00e1 capaz de salvar nossas cabe\u00e7as. \u00c9 isso ou a viol\u00eancia extrema contra a classe trabalhadora, seguida da falta total de liberdade e a explora\u00e7\u00e3o absoluta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24319\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[44],"tags":[228],"class_list":["post-24319","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c55-bolivia","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6kf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24319\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}