{"id":24398,"date":"2019-11-26T14:46:03","date_gmt":"2019-11-26T17:46:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24398"},"modified":"2019-11-26T14:46:03","modified_gmt":"2019-11-26T17:46:03","slug":"o-imperialismo-e-os-povos-do-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24398","title":{"rendered":"O imperialismo e os povos do Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cig.gal\/imaxes\/adaptadas\/780\/files\/novas\/2019\/11\/20\/20191121_USA-Oriente.Medio.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Jorge Cadima<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Tr\u00eas d\u00e9cadas ap\u00f3s o in\u00edcio do ciclo de guerras com que o imperialismo quis \u2018celebrar\u2019 o fim da primeira experi\u00eancia hist\u00f3rica de constru\u00e7\u00e3o do socialismo, o Oriente M\u00e9dio \u00e9 testemunho eloquente da barb\u00e1rie do capitalismo, do fato de este n\u00e3o hesitar na escolha dos mais criminosos meios para de novo dominar a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os imperialismos norte-americano e europeus aproveitaram as vit\u00f3rias contrarrevolucion\u00e1rias no Leste da Europa no final do s\u00e9culo XX para lan\u00e7ar uma ofensiva recolonizadora global e, em particular, na regi\u00e3o do planeta mais rica em recursos energ\u00e9ticos. Procuravam fazer voltar para tr\u00e1s a roda da Hist\u00f3ria e voltar a controlar uma regi\u00e3o que colonizaram, abertamente ou na pr\u00e1tica, durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Alvos foram os pa\u00edses que, mesmo que de forma contradit\u00f3ria e hesitante, haviam afirmado vias de desenvolvimento soberanas, n\u00e3o ditadas a partir de Washington, Londres ou Paris, como o Ir\u00e3, S\u00edria, L\u00edbia, I\u00eamen, Iraque, Afeganist\u00e3o, entre outros. Processos soberanos que foram poss\u00edveis numa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mundial onde a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica socialista era um contrapeso real e um obst\u00e1culo \u00e0 agressividade do imperialismo.<\/p>\n<p>A partir da primeira Guerra do Golfo contra o Iraque, desencadeada em 1991 quando a URSS se encontrava j\u00e1 em desagrega\u00e7\u00e3o, assistimos a uma escalada de guerras cada vez mais abertamente predat\u00f3rias. A mentira descarada e uma comunica\u00e7\u00e3o social cada vez mais propagand\u00edstica foram parte integrante da m\u00e1quina de guerra imperialista. Por vezes estas guerras evidenciaram contradi\u00e7\u00f5es entre as pot\u00eancias imperialistas (uma caracter\u00edstica permanente), como na invas\u00e3o do Iraque em 2003. Mas na maioria dos casos prevaleceu a concerta\u00e7\u00e3o entre as pot\u00eancias euro-americanas. Foi de m\u00e3os dadas que se lan\u00e7aram contra os pa\u00edses que mais se destacaram na afirma\u00e7\u00e3o da sua soberania nacional, numa tentativa de desforra pelo desafio hist\u00f3rico das suas antigas col\u00f4nias da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Recoloniza\u00e7\u00e3o e fundamentalismo<\/p>\n<p>A presid\u00eancia Obama prosseguiu a estrat\u00e9gia de agress\u00e3o, sob velhas e novas formas. Aproveitando o surto de descontentamento popular que eclodiu em numerosos pa\u00edses da regi\u00e3o em 2011 (a chamada Primavera \u00e1rabe) no contexto das repercuss\u00f5es econ\u00f4micas da explos\u00e3o de crise de 2007\/8, o imperialismo, em particular atrav\u00e9s dos seus servi\u00e7os de espionagem e opera\u00e7\u00f5es clandestinas, procurou canalizar o descontentamento contra os governos dos pa\u00edses que mais se afirmaram ao longo da Hist\u00f3ria como independentes, ou mesmo anti-imperialistas.<\/p>\n<p>Na L\u00edbia e na S\u00edria o imperialismo mobilizou todos os meios para derrubar os governos: a guerra aberta da OTAN no caso da L\u00edbia, a guerra por interpostos bandos terroristas armados, financiados e a servi\u00e7o do imperialismo, no caso da S\u00edria. Em ambos os casos com a coniv\u00eancia, ou mesmo apoio aberto, de for\u00e7as que se proclamam \u00abde esquerda\u00bb ou \u00abprogressistas\u00bb. O fundamentalismo isl\u00e2mico, oficialmente culpado pelos ataques de 11 de Setembro e invocado como pretexto da invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o pelos EUA em 2001, tornou-se aliado aberto do imperialismo.<\/p>\n<p>J\u00e1 havia sido assim nos anos 80, no combate ao governo popular e revolucion\u00e1rio do Afeganist\u00e3o que durante alguns anos trouxera justi\u00e7a social, direitos das mulheres e progresso \u00e0quele martirizado pa\u00eds. Outros pesos e medidas foram usados face \u00e0s revoltas populares contra as piores ditaduras da regi\u00e3o, enfeudadas ao imperialismo, como a Ar\u00e1bia Saudita ou o Bahrain (onde tem sede a V Esquadra Naval dos EUA).<\/p>\n<p>A\u00ed os protestos e a repress\u00e3o subsequente foram escondidas na comunica\u00e7\u00e3o social e poupadas \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de subvers\u00e3o. Tamb\u00e9m calada ou hostilizada foi a resist\u00eancia do martirizado povo palestino, v\u00edtima desde h\u00e1 sete d\u00e9cadas do carrasco israelense, como ficou patente nos \u00faltimos dias com as dezenas de palestinos mortos pelos bombardeios israelenses na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>A tentativa de recoloniza\u00e7\u00e3o do M\u00e9dio Oriente saldou-se por uma imensa trag\u00e9dia humana. Pa\u00edses inteiros destru\u00eddos, milh\u00f5es de mortos e feridos, milh\u00f5es de desalojados e refugiados. Em alguns pa\u00edses, o imperialismo restabeleceu um tempor\u00e1rio controle. Mas o saldo global \u00e9 uma desilus\u00e3o para o imperialismo, cujos planos t\u00eam sido gorados pela resist\u00eancia popular \u00e0 invas\u00e3o do Iraque; pela resist\u00eancia do povo e governo s\u00edrios, com a ajuda dos seus aliados iranianos, libaneses e russos; pela resist\u00eancia do povo iemenita \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds pela Ar\u00e1bia Saudita, em conluio com os EUA, Reino Unido e Fran\u00e7a; pela permanente e heroica resist\u00eancia do povo palestino.<\/p>\n<p>Rearruma\u00e7\u00e3o de for\u00e7as<\/p>\n<p>\u00c9 hoje evidente a perda de influ\u00eancia dos EUA e a crescente import\u00e2ncia da R\u00fassia e do Ir\u00e3 na regi\u00e3o. Os aliados dos EUA foram derrotados nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es no Iraque, que manifesta hoje uma maior independ\u00eancia face aos EUA. Os enormes custos econ\u00f4micos das guerras ajudaram a agravar ainda mais a desastrosa situa\u00e7\u00e3o financeira dos EUA, a bra\u00e7os com uma d\u00edvida nacional na ordem dos 23 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (\u00abtrilh\u00f5es\u00bb na terminologia dos EUA)1.<\/p>\n<p>Num processo contradit\u00f3rio e incerto, um dos maiores aliados hist\u00f3ricos dos EUA na regi\u00e3o, e destacado pa\u00eds da OTAN, a Turquia, parece afastar-se dos EUA e UE. O grande aliado do imperialismo na regi\u00e3o, o Estado de Israel sionista, vive uma profunda crise pol\u00edtica, que \u00e9 tamb\u00e9m em parte consequ\u00eancia do fracasso das suas pol\u00edticas de permanente agress\u00e3o e belicismo, patente desde a derrota da invas\u00e3o do L\u00edbano em 2006.<\/p>\n<p>Esta perda de influ\u00eancia das pot\u00eancias imperialistas est\u00e1 a fazer soar campainhas de alarme nos c\u00edrculos mais belicistas. S\u00e3o frequentes os artigos alegando que a \u00aba S\u00edria foi perdida\u00bb e os gritos de alarme sobre \u00aba influ\u00eancia do Ir\u00e3o\u00bb. Alguns culpam Trump. Mas, para o imperialismo, todas as crises s\u00e3o motivo para refor\u00e7ar a sua pol\u00edtica de inger\u00eancia, agress\u00e3o e guerra.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que se assiste a um novo recrudescimento de grandes manifesta\u00e7\u00f5es de rua em pa\u00edses da regi\u00e3o. A partir do in\u00edcio de outubro multitudin\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es de protesto enchem as ruas do L\u00edbano e Iraque. Na base das manifesta\u00e7\u00f5es est\u00e3o reivindica\u00e7\u00f5es sem d\u00favida leg\u00edtimas, sobre condi\u00e7\u00f5es de vida, corrup\u00e7\u00e3o e o clientelismo de sistemas pol\u00edticos baseados na divis\u00e3o de cargos por entre comunidades \u00e9tnicas ou religiosas, sistemas criados pelo imperialismo e que visam dividir os povos para melhor os subjugar. Assim se explica a dimens\u00e3o dos protestos e os apoios iniciais de algumas for\u00e7as progressistas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nos \u00faltimos dias, no Ir\u00e3 acossado pelas san\u00e7\u00f5es dos EUA, o aumento do pre\u00e7o da gasolina deu lugar a manifesta\u00e7\u00f5es de protesto. Mas \u00e9 uma evid\u00eancia que, a par de leg\u00edtimas reivindica\u00e7\u00f5es, h\u00e1 uma renovada tentativa do imperialismo para \u2013 tal como em 2011 \u2013 canalizar os protestos num sentido favor\u00e1vel aos seus des\u00edgnios. A cobertura midi\u00e1tica na comunica\u00e7\u00e3o social do grande capital tem sido intensa e compreensiva para os manifestantes \u2013 ao contr\u00e1rio do tratamento reservado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Gaza, v\u00edtima da b\u00e1rbara repress\u00e3o israelita.<\/p>\n<p>Os protestos no Iraque t\u00eam como saldo um banho de sangue, com mais de 300 mortos, entre manifestantes e for\u00e7as de seguran\u00e7a. No \u00e2mbito dos protestos, foi assaltado um consulado iraniano. Mas o Ministro da Defesa iraquiano acusa uma \u00abterceira for\u00e7a\u00bb de estar a disparar sobre os manifestantes, insistindo que as granadas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo respons\u00e1veis pela maioria das mortes n\u00e3o s\u00e3o do tipo usado pelo governo de Bagd\u00e1: \u00abas granadas encontradas pelos m\u00e9dicos legistas nos cad\u00e1veres e na cabe\u00e7a de manifestantes foram importados para o pa\u00eds sem o conhecimento das autoridades iraquianas\u00bb (Press TV, 15.11.19).<\/p>\n<p>A den\u00fancia \u00e9 plaus\u00edvel. O uso de franco-atiradores \u00e9 uma velha t\u00e1tica de provoca\u00e7\u00e3o, repetidamente usada pelo imperialismo e seus agentes. Foi documentada na Venezuela em 2002, nas manifesta\u00e7\u00f5es que antecederam a tentativa de golpe de Estado contra Hugo Ch\u00e1vez. Foi usada nas manifesta\u00e7\u00f5es de Kiev, em 2014, para servir de pretexto ao golpe de Estado na Ucr\u00e2nia, como o ent\u00e3o Ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Est\u00f4nia informou a Alta Representante da UE para a Pol\u00edtica Externa e de Seguran\u00e7a, num telefonema gravado e divulgado na Internet em mar\u00e7o de 2014 (den\u00fancia prontamente ignorada pela UE). Foi usado na L\u00edbia e na S\u00edria em 2011. Foi usado na Litu\u00e2nia, em 1991, nas manifesta\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia daquele pa\u00eds, dando in\u00edcio \u00e0 desagrega\u00e7\u00e3o da URSS. A lista \u00e9 longa, e n\u00e3o acaba aqui.<\/p>\n<p>Resist\u00eancia \u00e9 indispens\u00e1vel<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es no L\u00edbano tiveram in\u00edcio no dia seguinte \u00e0 publica\u00e7\u00e3o pelo Washington Post (16.10.19) de um artigo de opini\u00e3o do seu colunista David Ignatius de t\u00edtulo: \u00abA S\u00edria est\u00e1 perdida. Vamos salvar o L\u00edbano\u00bb. Ignatius, apoiante de todas as guerras, incluindo a invas\u00e3o do Iraque em 2003, torna claro ao que vem num artigo posterior, com o t\u00edtulo: \u00abO Hezbollah tem sido quase intoc\u00e1vel. Mas agora o povo reage\u00bb (1.11.19). Existem v\u00eddeos com o Reitor da Universidade Americana de Beirute a incitar \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nas manifesta\u00e7\u00f5es (Al Manar, 30.10.19).<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o noticioso da ex-pot\u00eancia colonial informa que, \u00abnum desenvolvimento inconceb\u00edvel h\u00e1 apenas alguns dias, manifestantes atacaram os escrit\u00f3rios de alguns deputados xiitas, incluindo Mohammad Radd, presidente do grupo parlamentar do Hezbollah\u00bb (France 24, 25.10.19).<\/p>\n<p>Neste momento de agudiza\u00e7\u00e3o da crise sist\u00eamica do capitalismo, quando se avolumam os sinais de um novo pico de crise e as velhas pot\u00eancias imperialistas receiam o seu ocaso hist\u00f3rico, seria grave subestimar a natureza e ferocidade da fera imperialista. Todos os dias, e de todo o planeta, chegam novas provas da agressividade fascistizante deste capitalismo agonizante. A resist\u00eancia popular \u00e9 mais indispens\u00e1vel que nunca. Mas \u00e9 indispens\u00e1vel que n\u00e3o erre na escolha dos alvos e na identifica\u00e7\u00e3o do inimigo principal de todos os povos: o imperialismo.<\/p>\n<p>https:\/\/www.cig.gal\/nova\/o-imperialismo-e-os-povos-do-medio-oriente.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24398\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[228],"class_list":["post-24398","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6lw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24398","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24398"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24398\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}