{"id":24401,"date":"2019-11-26T14:55:20","date_gmt":"2019-11-26T17:55:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24401"},"modified":"2019-12-01T21:25:27","modified_gmt":"2019-12-02T00:25:27","slug":"desafios-do-feminismo-classista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24401","title":{"rendered":"Desafios do feminismo classista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/0bA6vHFacawoywR6fJ4-_aCgDFWSxqlMD9BX_pxsxF3bANxoAhZj5vRlX8INeLfEhdo67ozwJeseb4XS9sf_KyXQY6ibz5Wzv1p77nxVF1_Hzgt9HobWoUDL5rqOC0os7SeG4tdO3Vbp4SJisZgs7YY8ClI688_8FnKVSm3oY_6y_2LfLRztmj5JmShYkWuqD4YJ4l1xx3UNO3nFcXvECFJ3VGIN3ghVU_k6XTgheexiD9VGm3beBYzw-f0Qug2H9uAsqlwZIvSARfZ8owA1FjrW_7Zdz-gi7DuhJldpYeDkvtggFNl_7-3j-Ute21D0NzeDbiBD0Zm8FWbx2fec5Xv0RSAqE-brNeP0YzYLe1_Xs-Gr6nApPfsiRwVNl3NNTUm9lTzkVB3ZTtW4hmaoge0BzjqZC_t7fBPYhy7MMtCJgcY_dcX4xSDJVrnUWjL-FMH3sAwm3vSQ3dfnGlYKn8m07BhbPYOOaR9VVKL_o22RO2Xp50In4DHlBxxYK1lfTXEaZsd6Q69TZWGzLtnQmT_2boTg_B3_zfA3MEjBsutckuTKmndNtyxNBot9m_l_Hv5pMQVCUJ9xVbMgZ5KvfO1KR16fBpRTqkBaDbOPVjYwg0nS3DX3eZC2g07rZjzWziBP3PARU0InoXH5OB_HHXDxSJacg-zevf1ps9h6lgqH0WRT4S3nUH4=w180-h319-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->4 anos do I Encontro Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro ( CFCAM ) &#8211; desafios e perspectivas<\/p>\n<p>H\u00e1 4 anos o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro estava realizando seu I Encontro Nacional. Esse foi um espa\u00e7o fundamental para a organiza\u00e7\u00e3o da linha pol\u00edtica do coletivo, para reunir mulheres que vieram de diferentes partes do pa\u00eds trazendo suas experi\u00eancias de luta e para organizarmos nossa primeira coordena\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Nesses anos enfrentamos milhares de desafios para ampliarmos o coletivo e nacionalizar a nossa linha. Desafios esses ligado ao &#8220;ser mulher&#8221; na sociedade de classes, com m\u00faltiplas jornadas de trabalho, que sofre cotidianamente com a viol\u00eancia em todos os \u00e2mbitos (lar, trabalho, ruas) e com as grandes dificuldades de enfrentamento das tarefas pol\u00edticas\/p\u00fablicas, j\u00e1 que socialmente nos foi imposto o espa\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o do lar e do cuidado.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, manter a coer\u00eancia com o materialismo hist\u00f3rico e dial\u00e9tico e com a heran\u00e7a que as nossas antecessoras do movimento socialista nos deixou n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples e exige estudos cont\u00ednuos da teoria marxista, bem como da realidade concreta.<\/p>\n<p>O nosso projeto estrat\u00e9gico, condizente com a linha do Partido Comunista Brasileiro (PCB) &#8211; que tem como horizonte o socialismo &#8211; e a necess\u00e1ria unidade entre teoria e pr\u00e1tica nos direciona a tarefa de superarmos nosso coletivo como um espa\u00e7o de estudos, para se tornar um real mecanismo de inser\u00e7\u00e3o entre as lutas das mulheres trabalhadoras, ao mesmo tempo em que mantemos a rigorosidade te\u00f3rica, para n\u00e3o cairmos no pragmatismo\/praticismo\/taticismo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma tarefa herc\u00falea que n\u00e3o est\u00e1 ligada apenas aos nossos acertos e erros te\u00f3ricos, mas ao pr\u00f3prio movimento da luta de classes no Brasil e no mundo, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da classe trabalhadora e do capitalismo no Brasil, \u00e0 heran\u00e7a colonial, a nossa burguesia truculenta e golpista, bem como \u00e0 toda a nossa hist\u00f3ria de resist\u00eancia e de lutas, tanto como mulheres negras que foram escravizadas, ind\u00edgenas, imigrantes, bem como enquanto classe trabalhadora em geral.<\/p>\n<p>A conjuntura nacional e da Am\u00e9rica Latina, com forte retomada dos governos reacion\u00e1rios, retirada brutal de direitos das trabalhadoras e trabalhadores, persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a qualquer forma de luta e resist\u00eancia, novos golpes civis\/institucionais\/militares\/paramilitares, a exemplo do golpe na Bol\u00edvia e no Brasil e as amplas movimenta\u00e7\u00f5es de massa organizadas ou espont\u00e2neas que v\u00eam em curso nos \u00faltimos meses, traz novos aspectos para as nossas lutas em \u00e2mbito nacional e internacional, com tend\u00eancia a entrarmos em maiores acirramentos das disputas geopol\u00edticas e entre as classes sociais em alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>Nas guerras de rapina ou nos &#8221; golpes democr\u00e1ticos&#8221; organizados pelo capital imperialismo na sua busca incessante pela extra\u00e7\u00e3o de valor, s\u00e3o as nossas vidas e nossas conquistas que est\u00e3o no centro do tabuleiro. O feminic\u00eddio aumenta a passos largos entre as mulheres negras; nas repress\u00f5es \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es de massa na Am\u00e9rica Latina continuamos sendo v\u00edtimas n\u00e3o s\u00f3 de balas de borracha, g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e cacetetes, mas tamb\u00e9m de abusos sexuais, para mostrar o lugar reservado \u00e0s mulheres; somos v\u00edtimas cotidianamente de abortos clandestinos e as pol\u00edticas religiosas\/fundamentalistas n\u00e3o cessam as tentativas de restri\u00e7\u00e3o ainda maior aos direitos conquistados, a exemplo dos recentes ataques \u00e0s mulheres atendidas no Hospital P\u00e9rola Byington em S\u00e3o Paulo ( refer\u00eancia para situa\u00e7\u00f5es de abortos \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual).<\/p>\n<p>A tortura praticada contra a prefeita ind\u00edgena Patr\u00edcia Arce do Movimento ao Socialismo ( MAS &#8211; mesmo partido de Evo Morales) da cidade de Vinto, na Bol\u00edvia, que teve seu cabelo cortado, foi coberta por tinta vermelha e obrigada a andar nas ruas entre um cord\u00e3o feito por seus algozes &#8211; homens brancos da oposi\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria e fundamentalista crist\u00e3 &#8211; \u00e9 um exemplo cabal da necess\u00e1ria persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, tanto para nos mostrar o local social que nos foi destinado, quanto como forma de expropriar nossas terras e recursos naturais. \u00c9 a manuten\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a \u00e0s bruxas, como sinaliza Silvia Federice, que faz a rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dessa forma de persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, ao momento da acumula\u00e7\u00e3o inicial e cont\u00ednua de capitais em diferentes partes do planeta.<\/p>\n<p>A brutal morte da jornalista e feminista Albertina Martinez Burgos, que vinha cobrindo as manifesta\u00e7\u00f5es chilenas e denunciando a viol\u00eancia praticada contra as mulheres nas manifesta\u00e7\u00f5es de rua, as quais est\u00e3o sofrendo com estupros, lesbofobia e abusos sexuais diversos, tamb\u00e9m \u00e9 mostra que o estado burgu\u00eas patriarcal nos silencia e violenta de toda e qualquer forma quando \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A nossa organiza\u00e7\u00e3o, com disciplina e ousadia para nos debru\u00e7armos com mais afinco sobre a leitura dessa realidade e sobre a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos org\u00e2nicos entre as mulheres trabalhadoras, necessita ser a ordem do dia. Apesar do cansa\u00e7o de nossas m\u00faltiplas jornadas e dos empecilhos cont\u00ednuos em sermos agentes pol\u00edticos e transformadores dessa realidade, n\u00e3o podemos nos deter diante da apar\u00eancia de grandeza do inimigo.<\/p>\n<p>Debru\u00e7ar-se sobre a leitura das diversas nuances do capitalismo no Brasil e no mundo, analisar o movimento de mulheres no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, encontrando elementos para a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da subjetividade das mulheres da classe trabalhadora, analisar as diversas formas organizativas que t\u00eam abarcado as lutas das trabalhadoras &#8211; principalmente a resist\u00eancia das mulheres negras e ind\u00edgenas &#8211; ou reiterado sua aliena\u00e7\u00e3o (a exemplo das igrejas pentecostais), compreender os principais espa\u00e7os de trabalho ocupados pelas trabalhadoras e como a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva do capital e as novas formas de trabalho t\u00eam influenciado suas vidas, forjar mecanismos de organiza\u00e7\u00e3o que contemplem as lutas imediatas das mulheres e as aproximem das lutas comunistas, fortalecer as lutas sindicais e populares e combater a ofensiva do capital sobre nossas vidas, manter uma pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e planejada para nossas militantes e ampliar nossa pol\u00edtica de solidariedade internacional, com maior aproxima\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Internacional das Mulheres (FDIM) s\u00e3o algumas quest\u00f5es para serem trabalhadas no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos jus \u00e0s lutadoras que nos antecederam, tanto aquelas cuja trajet\u00f3ria conhecemos, quanto as que foram escondidas nos por\u00f5es da hist\u00f3ria. Vivas a Maria Brand\u00e3o dos Reis, Ana Montenegro, Teresa de Benguela, Maria Felipa, L\u00e9lia Gonzalez, Rosa Luxemburgo, Clara Z\u00e9tkin, Alexandra Kollontai, Nadezhda Kruspskaya, Marielle Franco, Angela Davis e a cada uma que destina parte ou toda sua vida para a transforma\u00e7\u00e3o radical dessa sociedade.<\/p>\n<p>Vida longa ao Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro e a luta das mulheres comunistas! Avante!<\/p>\n<p>Ana Karen Souza, secret\u00e1ria pol\u00edtica nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, militante do Partido Comunista Brasileiro ( PCB ) e da Unidade Classista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24401\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,20],"tags":[221],"class_list":["post-24401","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","category-c1-popular","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6lz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24401\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}