{"id":24464,"date":"2019-12-08T21:48:54","date_gmt":"2019-12-09T00:48:54","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24464"},"modified":"2019-12-11T07:00:18","modified_gmt":"2019-12-11T10:00:18","slug":"caciques-guajajara-assassinados-em-emboscada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24464","title":{"rendered":"Caciques Guajajara assassinados em emboscada"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cimi.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Corpo-de-Firmino-Prexede-Guajajara.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Em novo ataque a tiros, dois caciques Guajajara s\u00e3o mortos no Maranh\u00e3o<\/p>\n<p>Amaz\u00f4nia Real<\/p>\n<p>Por: Ela\u00edze Farias<\/p>\n<p>A imagem acima mostra o corpo do cacique Firmino Prexede Guajajara, de 45 anos, da aldeia Silvino (Foto: M\u00eddia \u00cdndia)<\/p>\n<p>Manaus (AM) \u2013 Um grupo de ind\u00edgenas do povo Guajajara foi atacado a tiros de rev\u00f3lver, por volta das 12h40 (hor\u00e1rio de Bras\u00edlia) deste s\u00e1bado (07), enquanto percorria em motocicletas um trecho da rodovia BR-226 pr\u00f3ximo \u00e0 aldeia El Betel, na Terra Ind\u00edgena Cana Brava, no munic\u00edpio de Jenipapo dos Vieiras, no Maranh\u00e3o. No ataque morreram dois caciques: Firmino Prexede Guajajara, de 45 anos, da aldeia Silvino (TI Cana Brava), atingido por quatro disparos, e Raimundo Ben\u00edcio Guajajara, de 38 anos, da aldeia Decente, Terra Ind\u00edgena Lagoa Comprida, segundo informou a lideran\u00e7a Magno Guajajara \u00e0 ag\u00eancia Amaz\u00f4nia Real. Dois ind\u00edgenas ficaram feridos.<\/p>\n<p>Conforme informa\u00e7\u00f5es do Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena (DSEI) no munic\u00edpio de Barra do Corda, os feridos s\u00e3o Neucy Cabral Vieira, da aldeia Nova Vitoriano, e Nico Alfredo, da aldeia Mussun, da TI Cana Brava. Eles est\u00e3o sendo atendidos na Unidade de Pronto Atendimento de Barra do Corda.<\/p>\n<p>Neucy Vieira tem perfura\u00e7\u00e3o na perna e foi submetido \u00e0 sutura e deve ter alta neste domingo. Nico Alfredo tem perfura\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do gl\u00fateo, com suspeita de hemorragia interna, e deve ser transferido para o Hospital Socorr\u00e3o, no munic\u00edpio de Presidente Dutra. N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre quem s\u00e3o os criminosos. Segundo as testemunhas, os atiradores estavam dentro de um ve\u00edculo Gol branco quando come\u00e7aram a disparar contra os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o ataque, os ind\u00edgenas Guajajara iniciaram um protesto na rodovia BR-226 no in\u00edcio da tarde deste s\u00e1bado, impedindo o acesso de ve\u00edculos na rodovia. \u201cO clima est\u00e1 tenso aqui\u201d, revelou Magno Guajajara.<\/p>\n<p>O Protesto fechou a BR-226 (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<br \/>\nEste \u00e9 o segundo ataque a tiros contra ind\u00edgenas Guajajara em menos de dois meses. No dia 1\u00ba de novembro, o guardi\u00e3o da floresta Paulo Paulino Guajajara, 26 anos, foi assassinado em um ataque de madeireiros na Terra Ind\u00edgena Arariboia. O ind\u00edgena La\u00e9rcio Guajajara ficou ferido. Ele e mais dois Guardi\u00f5es da Floresta ingressaram no Programa de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Testemunha devido \u00e0s amea\u00e7as que sofrem no territ\u00f3rio. Os Guardi\u00f5es da Floresta s\u00e3o defensores e atuam monitorando e combatendo a explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira nas terras ind\u00edgenas do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>No ataque de novembro tamb\u00e9m morreu, segundo a Pol\u00edcia Federal, durante um confronto com os ind\u00edgenas, o madeireiro M\u00e1rcio Greyck Pereira. As circunst\u00e2ncias dos crimes est\u00e3o sendo investigadas pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Os assassinatos de ind\u00edgenas Guajajara acontecem no momento em que a coordenadora executiva da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB), Sonia Guajajara, est\u00e1 participando de protestos internacionais denunciando a situa\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de poder p\u00fablico e invas\u00e3o para explora\u00e7\u00e3o de madeira nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cMais dois parentes Guajajaras foram assassinados hoje no Maranh\u00e3o. Basta de v\u00edtimas, n\u00e3o queremos m\u00e1rtires, queremos vozes vivas! Toda solidariedade aos parentes da terra ind\u00edgena Cana Brava\u201d, declarou Sonia Guajajara, em sua conta no Twitter nesta tarde.<\/p>\n<p>Em sua conta no Twitter, o ministro da Justi\u00e7a, S\u00e9rgio Moro, se manifestou sobre o ataque e se solidarizou com as v\u00edtimas e os familiares. Ele disse que a Pol\u00edcia Federal \u201cj\u00e1 enviou uma equipe ao local e ir\u00e1 investigar o crime e a sua motiva\u00e7\u00e3o\u201d. Ele disse tamb\u00e9m vai \u201cavaliar a viabilidade do envio de equipe da For\u00e7a Nacional \u00e0 regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cLamento o atentado, ocorrido hoje no Maranh\u00e3o, que terminou com dois \u00edndios guajajaras mortos e outros feridos. Assim que soube dos tiros, a Funai foi at\u00e9 a aldeia tomar provid\u00eancias, junto com as autoridades do governo do Maranh\u00e3o\u201d, afirmou no Twitter.<\/p>\n<p>A Secretaria do Estado de Direitos Humanos e Participa\u00e7\u00e3o Popular do Maranh\u00e3o divulgou nota dizendo que est\u00e1 acompanhando o caso junto \u00e0 Secretaria de Estado de Seguran\u00e7a P\u00fablica e representantes da Funai.<\/p>\n<p>Caciques estavam em reuni\u00e3o<br \/>\nSegundo Magno Guajajara, os ind\u00edgenas foram atacados quando voltavam de uma reuni\u00e3o na aldeia Coquinho, onde se encontraram com diretores da Eletronorte Energia.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o, da qual participaram 60 caciques e lideran\u00e7as Guajajara, os ind\u00edgenas discutiram temas sobre as compensa\u00e7\u00f5es de impactos ambientais de obras de linhas de transmiss\u00e3o que existe dentro territ\u00f3rio, segundo o coordenador da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio) no Maranh\u00e3o, Guaraci Mendes.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1vamos tratando do assunto da Eletronorte. Ao finalizar a reuni\u00e3o, os ind\u00edgenas voltaram para casa de moto. Numa descida na ladeira, os parentes foram abordados e alvejados. Simplesmente atiraram nos parentes. No trajeto, baixaram o vidro e olharam para identificar seeram ind\u00edgenas. Aceleraram e atiraram. Foi um tiro fatal. Ningu\u00e9m sabe por que ocorreram esses disparos, essa viol\u00eancia, essa manifesta\u00e7\u00e3o de \u00f3dio\u201d, afirmou Magno Guajajara \u00e0 Amaz\u00f4nia Real.<\/p>\n<p>Guaraci Mendes contou \u00e0 reportagem que enviou equipes para o local e comunicou o caso \u00e0 Pol\u00edcia Federal no Maranh\u00e3o, que j\u00e1 est\u00e1 em campo para as investiga\u00e7\u00f5es. Os corpos ser\u00e3o periciados pelo Instituto M\u00e9dico Legal (IML) antes do enterro dos caciques. Mendes tamb\u00e9m relatou como soube do atentado.<\/p>\n<p>\u201cMeu colega [da Funai] foi participar da reuni\u00e3o, mas depois vi que havia esquecido um documento. Pedi para o Magno entregar. Em dez minutos que ele sai, o Magno me liga: \u2018Guaraci, acabaram de matar dois parentes. Tem dois baleados. A gente viu o carro, ele abriu fogo e fugiu\u2019. J\u00e1 mandamos as equipes e procuramos a pol\u00edcia e agora estamos aguardando mais informa\u00e7\u00f5es\u201d, disse Mendes.<\/p>\n<p>O coordenador da Funai destacou que \u201capenas as principais lideran\u00e7as Guajajara estavam reunidas para tratar dos recursos da compensa\u00e7\u00e3o com a Eletronorte\u201d e este fato lhe chamou aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEra toda a c\u00fapula, caciques e lideran\u00e7as, da Terra Ind\u00edgena Cana Brava. Parece que foi a\u00e7\u00e3o planejada\u201d, afirmou Mendes. (Colaboraram Izabel Santos, K\u00e1tia Brasil, Alberto C\u00e9sar Ara\u00fajo e Elvira Eliza Fran\u00e7a)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24464\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[163,20],"tags":[223],"class_list":["post-24464","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-movimento-indigena","category-c1-popular","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6mA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24464"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24464\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}